OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quinta-feira, 31 de março de 2016

O EGO NOS RELACIONAMENTOS

"Enquanto o ego dominar sua vida, a maioria de seus pensamentos, emoções e ações virá do desejo e do medo. Isso fará você querer ou temer alguma coisa que possa vir da outra pessoa.

O que você quer dos outros pode ser prazer, vantagem material, reconhecimento, elogio, atenção, ou fortalecimento da sua identidade, quando se compara achando que sabe ou tem mais do que os outros. Você teme que ocorra o contrário - que o outro seja, tenha ou saiba mais do que você - e que isso possa de alguma forma diminuir a ideia que você faz de si mesmo.

Quando concentra sua atenção no presente - em vez de usar o presente como um meio para atingir um fim -, você ultrapassa o ego e a compulsão inconsciente de usar as pessoas como meios para valorizar-se ao se comparar com elas. Quando dá total atenção à pessoa com quem está interagindo, você elimina o passado e o futuro do relacionamento - exceto nas situações que exigem medidas práticas. Ao ficar totalmente presente com qualquer pessoa, você se desapega da identidade que criou para ela. Esse identidade é fruto da sua interpretação de quem a pessoa é e do que fez no passado. Ao agir assim, você se torna capaz de relacionar-se sem os mecanismos autocentrados do desejo e medo. O segredo dos relacionamentos é a atenção, que nada mais é do que calma alerta. Como é maravilhoso poder ultrapassar o querer e o medo nos seus relacionamentos. O amor não quer nem teme nada.

Se o passado de uma pessoa fosse o seu passado, se a dor dessa pessoa fosse a sua dor, se o nível de consciência dela fosse o seu, você pensaria e agiria exatamente como ela. Ao compreender isso, fica mais fácil perdoar, desenvolver a compaixão e alcançar a paz.

O ego não gosta de ouvir isso, porque sem poder reagir e julgar ele se enfraquece."

(Eckhart Tolle - O Poder do Silêncio - Ed, Sextante, Rio de Janeiro, 2010 - p. 57/58)

quarta-feira, 30 de março de 2016

O TEMPERAMENTO DE VONTADE-PODER

"O estudo da energia, a prática da concentração e da união das partes do nosso ser requerem muita paciência. Às vezes nos enganamos, achando que 'já sabemos', pelo simples fato de termos acumulado conhecimentos teóricos, que ficam gravados na memória superficial do nosso cérebro, sem a verdadeira incorporação e aprofundamento deles. Isso só se dá após repetidas experiências em diferentes encarnações - realidade de que nem todos se dão conta. Quando percebemos em nós um eco favorável ao que escutamos, como se aquilo fosse conhecido, já devemos tê-lo ouvido antes, centenas de vezes.

Enquanto uma atitude não é posta em prática nas três dimensões: física, emocional e mental, ela não está ainda assimilada. Nesse caso é necessário continuarmos trabalhando em torno dela. Quando algo se repete na nossa vida, é sinal de que ainda precisamos disto para daí tirar algum aprendizado. O carma nos coloca diante do que mais necessitamos.

A energia do primeiro raio, que é também persistência inabalável, trabalha neste sistema solar sem, entretanto, ter-se incorporado nele realmente até agora - é a própria energia da paciência, de que precisamos para agir e evoluir aqui no mundo das formas. (...)"

(Trigueirinho - A energia dos raios em nossa vida - Ed. Pensamento, São Paulo, 1995 - p. 36)


terça-feira, 29 de março de 2016

AUTOANÁLISE

"Para melhorar a sociedade - algo que todos desejamos - o método mais sábio e eficaz é começarmos a melhorar por nós mesmos.

É essencial que comecemos a assumir a coragem de pesquisar-nos, usando a mesma lente com a qual analisamos os demais.

Só conseguimos ver hipocrisia, ambição, incorreção, fraqueza, feiura, covardia, maldade, egoísmo, vaidade... nos outros, sempre nos outros. Facilmente lançamos sobre os outros a culpa de todas as crises, de todas as calamidades e injustiças, desta grande devastação... que está assolando a sociedade e o planeta.

É cômodo e fácil inculpar os demais. O difícil é exatamente o que pode melhorar tudo - conhecer-nos fria e objetivamente, para, depois, com a ajuda de Deus, oferecermos ao mundo mais um ser humano correto, que tanto 'falta na praça'.

Ensina-me, Senhor, a conhecer-me."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, São Paulo, 1995 - p. 137)


segunda-feira, 28 de março de 2016

A BOA CONVIVÊNCIA COM O PRÓXIMO COMEÇA EM CASA

"Enquanto aprende a viver bem consigo mesmo, pratique também a arte de conviver com os outros - uma grande arte, embora difícil.

Comece em sua própria casa, com as pessoas que convivem com você. Há um ditado: 'um anjo nas ruas e um demônio em casa'. Se aprender a se dar bem com o pessoal de casa, você estará mais bem equipado para conviver com o resto do mundo. Corrija seu comportamento, sua atitude. Se tentar fugir dos que entram em atrito com você, ainda assim seu temperamento e suas paixões continuarão pendurados em você; aonde quer que vá, continuará a ter dificuldades. Por que não resolver as dificuldades aqui e agora?

Antes de qualquer coisa, sempre que tiver problemas com outras pessoas, analise-se: veja se não é o culpado pelo que aconteceu. Faça uma introspecção profunda e veja se seu comportamento está correto; veja se merece as críticas que lhe são feitas. E lembre-se: exemplos falam mais alto do que palavras. Se quer transformar alguém, transforme primeiro a si mesmo. Se quer ensinar outra pessoa a conviver com os outros, dê o exemplo. Viver bem com os seres humanos significa viver bem com Deus, desde que eles não se comportem injustamente em relação a você. Jesus foi injustamente perseguido. Mas se uma pessoa criticar você justamente, significa que ainda é necessário um esforço maior para se corrigir."

(Paramahansa Yogananda - Jornada para a Autorrealização - Self-Realization Fellowship - p. 144)


domingo, 27 de março de 2016

O REMÉDIO E A DIETA

"O egoísmo virá a ser destruído se você constantemente disser a si mesmo: 'Ele; não eu'; 'Ele é a força; eu não sou mais que o instrumento.' Conserve o Nome d'Ele em sua língua. Contemple Sua Glória onde quer que escute ou veja algo belo e magnífico. Na forma de cada um veja o próprio Senhor a mover-se. Acate toda oportunidade de ajudar os outros. Console-os. Encoraje-os ao longo do caminho espiritual. Não fale mal deles, mas neles veja somente o bem. Seja humilde. Não se orgulhe de sua riqueza, de seu status, de sua erudição e de sua casta.

Todos os dezoito puranas¹, compostos por Vyasa, podem ser resumidos em dois preceitos: Faça bem aos outros; e evite causar-lhes mal². Fazer o bem é o remédio, e evitar fazer o mal é a dieta que deve acompanhar o tratamento. Tal é a terapia para a permanente alternância - alegria e tristeza, honra e desonra, prosperidade e adversidade, que duplamente incomoda o homem e o priva da equanimidade."

¹ Purunas - escrituras hindus contendo narrações lendárias da criação, destruição e renovação do universo, explicando a genealogia dos deuses e patriarcas.
² 'Tudo quanto, pois, quereis que os homens façam; assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei, e os profetas' (Mateus 7:12). O termo sânscrito puruna literalmente significa antigo. A antiga Lei e os antigos profetas resumem-se em fazer aos demais aquilo que para nós desejamos, conforme Jesus Cristo ensinou e exemplificou.

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Record, Rio de Janeiro, 1993 - p. 143/144)


sábado, 26 de março de 2016

OS CAMINHOS DA SAÚDE (PARTE FINAL)

"(...) A negação da unidade da vida assume comumente o aspecto de crueldade. A desumanidade do homem para com o homem é proverbial. As prisões e os relatórios de sociedades de proteção a mulheres e crianças fornecem as provas. Os crimes praticados contra os animais vêm de longa data e abrangem o mundo inteiro. O homem é o maior inimigo dos animais. Nos abatedouros, a humanidade alcança o ápice da selvageria, pois a brutal matança é desnecessária e os animais são indefesos. 

O resultado inevitável, de acordo com as leis que acabamos de enunciar, é a miséria e a doença. Aqueles que matam animais e consomem suas carcaças não podem ser indivíduos felizes ou saudáveis. Eles estão em conflito com a unidade da vida e com o poder, o propósito e o impulso da natureza, pois toda a criação se move rumo à plenitude da liberdade de manifestação. 

A chave para a saúde e a felicidade é a clemência, definida como benevolência, compaixão e gentileza para com todos os seres sencientes. Existem quatro razões básicas para a clemência. A primeira é que somente a clemência ratifica o fato da unidade da vida. O dano a uma única criatura pode ter amplas consequências, pois a vida em todos os seres é a vida una. A crueldade traz sofrimento a todos, inclusive ao autor. A vida una é uma energia consciente e criativa. Efeitos agradáveis ou dolorosos são comunicados através de toda a existência manifestada. 

A segunda razão é que na conduta clemente, a mais elevada ratificação da unidade, está o amor universal. Deve-se ser clemente por causa do amor. Tudo o mais são trevas. A terceira razão é que a saúde e a felicidade de todos os seres dependem de seu relacionamento mútuo. Todos nós dependemos muito uns dos outros para o nosso bem-estar, progresso e realização. A quarta razão para a clemência é que, sob a lei de causa e efeito, o homem colhe aquilo que semeia. A crueldade inevitavelmente traz sofrimento, e a gentileza com toda certeza traz felicidade."

(Geoffrey Hodson - Os caminhos da saúde - Revista Sophia, Ano 12, nº 50 - p. 38/39

sexta-feira, 25 de março de 2016

OS CAMINHOS DA SAÚDE (2ª PARTE)

"(...) O homem não é apenas um corpo. Ele é um ser triplo: corpo, inteligência e espírito. Essa unidade de força torna-se cada vez mais sensível à medida que a evolução prossegue. O equilíbrio e a responsividade nervosa e psíquica da humanidade tornam-se continuamente mais delicados. Em consequência, a violação da lei básica produz uma maior perturbação, produz no homem uma dor mais aguda.

Qual é a mensagem que o eu espiritual transmite, a mente recebe e o corpo precisa ratificar? Se fosse possível - e de fato é - ascender ao estado de consciência espiritual e ver o universo com os olhos do espírito, o que se veria? Se, com os ouvidos do espírito, a canção da vida pudesse ser ouvida, qual seria o tema? A resposta para essas perguntas é: 'a vida é una'. Uma vida, uma luz, um poder, um amor - essa é a verdade espiritual fundamental.

A unidade é a mensagem que o eu espiritual transmite ininterruptamente ao homem através da mente. No egocentrismo do homem de mente material, unidade e amor ainda são negados. 'Cada um por si' é o lema. Indivíduos, grupos e até mesmo nações, quando não são ameaçados por um perigo comum, ainda se mostram como unidades egocêntricas, com pouca ou nenhuma consideração para com o próximo, sem mencionar para com a natureza. Os resultados saltam à vista: a grande maioria dos seres humanos está  propensa a doenças; o caos e a doença do mundo são os resultados diretos da negação do homem em relação à unidade da vida.

Mas essa não é uma situação incorrigível; há cura para a humanidade que teme a guerra e é oprimida pela doença. O homem está evoluindo gradualmente. A gentileza para com o próximo e o tratamento gentil dos animais estão aumentando. A caridade está se estendendo. Para um número crescente de pessoas a voz interior se torna mais forte e mais insistente, afirmando a vida una. Consequentemente, a mente responde e o corpo cumpre. O amor se aprofunda, torna-se menos egoísta e mais universal. A saúde e a felicidade aumentam de modo correspondente.

Por fim, a mensagem da unidade da vida é reconhecida como uma instrução divina e se torna uma ordem irresistível. A mente concorda, o cérebro responde e a conduta se adapta à consciência. A clemência torna-se o evangelho da vida. A caridade arde como uma chama no coração. O autointeresse se perde no altruísmo. Esse é o segredo da saúde perfeita, da vitalidade radiante e da felicidade interior, pois o reconhecimento da unidade é a panaceia individual e universal. (...)"

(Geoffrey Hodson - Os caminhos da saúde - Revista Sophia, Ano 12, nº 50 - p. 37/38
www.revistasophia.com.br


quinta-feira, 24 de março de 2016

OS CAMINHOS DA SAÚDE (1ª PARTE)

"A saúde é a maior necessidade física do ser humano. Contudo, apesar do progresso da ciência, a incidência de doenças como câncer, diabetes, hipertensão e problemas cardíacos tende a aumentar. Mais e maiores hospitais estão sempre sendo construídos. Quais são as leis fundamentais da saúde e do bem-estar, e de que maneira elas são violadas, a ponto de um indivíduo perfeitamente saudável ser uma raridade?

Saúde é uma condição de harmonia e unidade de pensamento, sentimento e conduta. Quando essa unidade é atingida e mantida, duas leis básicas são obedecidas. Uma é a lei de equilíbrio sobre a qual todo o universo está estabelecido; a outro é a lei de compensação pela qual todo o universo é governado. Quando nenhuma lei natural é violada, não há dor pessoal; quando é, o sofrimento é inevitável. A natureza e a extensão da dor são sempre proporcionais ao grau de violação.

A aplicação desse conhecimento à nossa conduta na vida e a obediência a essas leis constituem a única fundação sobre a qual a saúde perfeita pode ser assegurada, a felicidade perfeita pode ser mantida e ambas, quando perdidas, podem ser totalmente restauradas. A cura do doente depende do retorno à harmonia e da obediência à lei natural.

Também podemos definir a saúde como o resultado da interação harmoniosa entre as forças do espírito e da mente, por um lado, e as do corpo e da emoção, por outro. A partir do interior, as forças e os impulsos espirituais e mentais vibram. Do exterior, os impulsos físicos e emocionais respondem e modificam os primeiros. Essa interação harmoniosa é essencial para a saúde.

A saúde, portanto, é quase inteiramente uma questão de ética e de conduta harmônica. O eu espiritual interior continuamente transmite impulsos. A mente os recebe e os retransmite. O corpo físico recebe-os e os manifesta e ratifica em vários graus. O grau de ratificação decide a extensão da felicidade e da saúde. Similarmente, o grau em que esses impulsos são ignorados determina a extensão da infelicidade e da doença. Quando a harmonia é preservada, a saúde está assegurada. Quando não é, a doença é inevitável. Com o tempo, a discórdia interior produz doença exterior. (...)"

(Geoffrey Hodson - Os caminhos da saúde - Revista Sophia, Ano 12, nº 50 - p. 37)


quarta-feira, 23 de março de 2016

DOAÇÃO ILIMITADA

"Talvez o aspecto mais importante do misticismo prático seja a compaixão. A noção que temos de 'minha vida' pode estar baseada numa suposição terrivelmente errada. Quando se olha cuidadosamente para a vida existe muitíssimo pouco que se pode chamar de 'meu'. Vida é interação e relacionamento em todos os níveis. O que acontece quando você vê alguém com a tristeza estampado no rosto? Aquela tristeza não se transforma, pelo menos momentaneamente, numa parte de sua vida? Você pode ignorar e dizer que não é problema seu. Mas a verdade da experiência é que durante um momento fugaz a vida de outro ser humano penetrou a sua. Provavelmente responderemos a esses momentos com insensibilidade ou indiferença, e geralmente tentamos nos explicar na esperança de afastar essa verdade. no entanto, nem todos respondem dessa maneira.

'Pois eu estava faminto, e me destes alimento; estava sedento, e me destes o que beber; era um estranho, e me acolhestes; estava nu e me vestistes; estava doente, e me visitastes; estava na prisão, e viestes a mim. Então o justo responde-lhe, dizendo: 'Senhor, quando Vos vi faminto, e Vos alimentei? Ou sedento, e Vos dei de beber? Quando Vos vi como um estranho, e Vos acolhi? Ou nu, e Vos vesti? Ou quando Vos vi doente, ou na prisão, e fui até Vós? E o rei responde: Verdadeiramente vos digo, o que fizestes ao menor destes meus irmãos, a mim o fizestes.' Marcos, 25:35-40.

Qual é a natureza de uma consciência que é una com aqueles que sofrem, que estão passando por necessidades, que estão doentes, ou na prisão, ou que nada têm? A mesma pergunta poderia ser feita a respeito daqueles que estão experimentando opressão, tortura, solidão, o que pode incluir milhares de animais trancafiados em laboratórios ao redor do mundo. Existe alguma diferença entre uma consciência assim e a compaixão? Pode ser fácil falar de compaixão, mas experimentá-la verdadeiramente é uma realidade completamente diferente. O ensinamento dado por Jesus a seus discípulos, mencionado acima, mostra enfaticamente a identidade fundamental entre unidade e compaixão. São uma só coisa.

Os ensinamentos dos místicos são essencialmente práticos e de grande relevância para a transformação da consciência humana. Talvez seu ensinamento prático mais direto seja que aquilo que consideramos ser nossa individualidade na verdade é apenas uma aparência, 'um convidado passageiro', uma miragem no deserto. Eles afirmam que viver dentro dessa prisão não é vida verdadeira, e que, quando o coração e a mente estão purgados de todo egoísmo e autoimportância, o terreno fica pronto para o divino ali habitar. Eles dizem que sem nada buscar tudo obtiveram, e que o divino deu de si sem reservas na profundidade de suas experiências místicas. Alguns deles disseram que o divino é apenas doação ilimitada, e que a vida, e cada uma de suas formas, é essa doação." 

(Pedro Oliveira - Misticismo como experiência prática - Revista Sophia, Ano 10, nº 37 - p. 17)


terça-feira, 22 de março de 2016

OS RELACIONAMENTOS

"A maioria dos relacionamentos humanos se restringe à troca de palavras - o reino do pensamento. É fundamental trazer um pouco de silêncio e calma, sobretudo aos seus relacionamentos íntimos.

Nenhum relacionamento pode existir sem a sensação de espaço que vem com o silêncio e a calma. Meditar ou passar um tempo juntos, em silêncio, na natureza, por exemplo. Se as duas pessoas forem caminhar, ou mesmo se ficarem sentadas uma ao lado da outra no carro ou em casa, elas irão se sentir bem por estarem juntas, em silêncio e na calma. Nem o silêncio nem a calma precisam ser criados. Eles já estão presentes, embora perturbados e obscurecidos pelo barulho da mente. Basta abrir-se para eles.

Se falta um espaço de silêncio e calma, o relacionamento será dominado pela mente e correrá o risco de ser invadido por problemas e conflitos. Se há silêncio e calma, eles se tornam capazes de dominar qualquer coisa.

Ouvir com verdadeira atenção é outra forma de trazer calma ao relacionamento. Quando você realmente ouve o que o outro tem a dizer, a calma surge e se torna parte essencial do relacionamento. Mas ouvir com atenção é uma habilidade rara. Em geral, as pessoas concentram a maior parte de sua atenção no que estão pensando. Na melhor das hipóteses ficam avaliando as palavras do outro ou apenas usam o que o outro diz para falar de suas próprias experiências. ou então não ouvem nada, pois estão perdidas nos próprios pensamentos.

Ouvir com atenção é muito mais do que escutar. ouvir com atenção é estar alerta, é abrir um espaço em que as palavras são acolhidas. as palavras se tornam então secundárias, podendo ou não fazer sentido. Bem mais importando do que aquilo que você está ouvindo é o ato em si de ouvir, o espaço de presença consciente que surge à medida que você ouve. Esse espaço é um campo unificador feito de atenção em que você encontra a outra pessoa sem as barreiras separadoras criadas pelos conceitos do pensamento. A outra pessoa deixa de ser o 'outro'. Nesse espaço, você e ela se tornam uma só consciência."

(Eckhart Tolle - O Poder do Silêncio - Ed, Sextante, Rio de Janeiro, 2010 - p. 59/60)


segunda-feira, 21 de março de 2016

VIDA ESPIRITUAL

"Para saber o que é espiritual, deve existir o espiritual dentro de si mesmo. A vida espiritual, portanto, não consiste em fazer várias coisas, mas em provocar uma transformação interior, um determinado estado interior. A pessoa vem a saber o que é tal estado por entender a si mesma o que significa observar o que está passando em seu interior. Através da observação, ela precisa purificar sua própria natureza de tudo aquilo que pertence à vida material ou mundana, vê-la como realmente é e rejeitá-la.

A vida mundana não consiste de contato físico ou mental com coisas materiais. A matéria está em toda parte e não é possível escapar dela. Essencialmente, portanto, a vida mundana não é meramente contato com a matéria, mas uma atitude de posse. Há uma grande diferença entre o relacionamento que temos com os objetos, as pessoas, as idéias, quando há uma ânsia de posse e quando não há. De fato, um relacionamento possessivo não é um relacionamento verdadeiro porque, visto que a mente possessiva é incapaz de perceber o verdadeiro significado, o valor intrínseco de uma coisa se perde de vista quando o que conta é a utilidade para si mesmo. Portanto, a ganância por adquirir e possuir deve ser inteiramente erradicada, se nós estivermos dispostos a fazer a jornada desde o mundano para o espiritual. A mente precisa aprender a não se apegar que a objetos concretos, quer a objetos mentais ou espirituais, e a renúncia à posse deve ser total – interna e externa.

A vida material ou mundana também assume a forma de uma imposição ou vontade de uma pessoa sobre os outros. Envolve o sentimento de que as próprias idéias e interesses devem prevalecer se que as circunstâncias, as pessoas e as coisas devem ser tanto submetidas quanto feitas em conformidade com elas. (...)"

(Radha Burnier - Não há outro caminho a seguir - Ed. Teosófica, Brasília - p. 16/17)


domingo, 20 de março de 2016

SOMOS AQUILO EM QUE ACREDITAMOS

"(17:2) ) Senhor Abençoado disse: (O problema envolve) a qualidade da fé exercida - se ela é de fato sáttwica, rajásica ou tamásica. Ouve Minhas palavras a respeito.
(17:3) A fé depende da natureza de cada um. O que o homem é, sua fé é também. A fé é o homem.

Em outras palavras, somos aquilo em que acreditamos. Os seguidores de uma religião podem proclamar um artigo de fé e empregar exatamente as mesmas palavras dia após dia, semana após semana, ano após ano; mas haverá tantas crenças quanto crentes. A compreensão da pessoa é modelada pelo que a pessoa é - sua experiência de vida, seu tirocínio, suas preferências e preconceitos, seus gostos e aversões. Não poderia ser de outra forma porque todo o nosso entendimento baseia-se menos na realidade objetiva do que em nossa natureza. Assim, um vocábulo simples como 'lar' terá significação diferente para aquele que foi criado numa família feliz e aquele que cresceu num orfanato. Palavras como 'pai' e 'mãe' também significam coisas diferentes para diferentes pessoas, dependendo da felicidade ou infelicidade de sua vida doméstica. Diga-se o mesmo de sucesso, trabalho, gentileza, viagens, esportes - em verdade, de qualquer palavra em qualquer idioma.

Podemos declarar: 'Acredito em Deus', mas essa simples declaração suscitará imagens diversas na mente das pessoas. Algumas que se dizem ateias apenas rejeitam esta ou aquela concepção formal que outras têm de Deus. Nenhuma, porém, haveria de rejeitar conceitos como amor ou felicidade.

Aos olhos de pessoas boas, Deus parece bom. Pessoas egoístas e ambiciosas verão Nele uma espécie de 'cornucópia da riqueza' ou - se não tanto - pelo menos um juiz flexível ou uma espécie de 'patrão' mais ou menos indiferente às necessidades humanas. Gente má, quando acredita em Deus, acha-O tomado de inveja, cólera e espírito de vingança - como ela própria. Quem é licencioso O considera, como os deuses da mitologia greco-romana, dado aos prazeres da carne. Para pessoas gentis, Ele parecerá gentil. Para pessoas da mente estreita ou cheias de preconceitos, será como elas mesmas: sectário e pronto a julgar os homens por seus pecados."

(A Essência do Bhagavad Gita - Explicado por Paramhansa Yogananda - Evocado por seu discípulo Swami Kriyananda - Ed. Pensamento, São Paulo, 2006 - p. 456/457)
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sábado, 19 de março de 2016

DISCERNIMENTO ESPIRITUAL

"A luz do corpo é o olho. Se, pois, o teu olho for bom, todo o teu corpo estará cheio de luz.
Se, porém, o teu olho estiver doente, todo o teu corpo será cheio de trevas. Se, portanto, a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão essas trevas!

Para que fixemos nossos corações no eterno e renunciemos aos objetos efêmeros do mundo, nossos olhos têm de ser 'singulares'. Não precisamos correr atrás deste ou daquele objeto, mas devemos nos concentrar com devoção unidirecionada em Deus. Para a obtenção da iluminação, diz o Gita:

'A vontade volta-se sozinha para o único ideal. Quando falta ao homem este discernimento, sua vontade vaga em todas as direções, atrás de inúmeros objetivos.'

Quando faltar ao homem o discernimento espiritual, 'todo o seu corpo ficará nas trevas'. Ele continua a viver na ignorância, e o Eu verdadeiro, a luz divina dentro dele, permanece escondido. A concentração da mente no ideal escolhido de Deus é a chave para revelar essa luz divina.

Essa concentração, pois, purifica o que entra na consciência através dos sentidos. 'A luz do corpo é o olho', diz o Cristo, comparando o olho a uma janela pela qual penetra o mundo exterior. Através dos cinco sentidos captamos impressões, e a soma total dessas impressões compõe o nosso caráter. Se vemos o bem, absorvemos o bem; se vemos o mal, absorvemos o mal. Como reza uma prece védica: 'Possamos, com nossos ouvidos, ouvir o que é bom. Possamos, com nossos olhos, enxergar a tua justiça.' Ao olharmos, é necessário que aprendamos a enxergar Deus, o Espírito que envolve tudo - e não a aparência e a forma das coisas. Desse modo, em vez de nos desviar do nosso ideal, cada objeto do universo torna-se uma ajuda na percepção de Deus.

E assim a luz de Deus cai sobre nós até que, finalmente, nosso 'corpo todo fique cheio de luz'. (...)"

(Swami Prabhavananda - O Sermão da Montanha Segundo o Vedanta - Ed. Pensamento, São Paulo, - p. 110/111)


sexta-feira, 18 de março de 2016

DOMINAR SEM VIOLÊNCIA

"Para diminuir alguém, 
Deve-se primeiro engrandecê-lo. 
Para enfraquecer alguém, 
Deve-se primeiro fortalecê-lo.
Para fazer cair alguém,
Deve-se primeiro exaltá-lo.

Para receber algo,
Deve-se primeiro dá-lo.
Esse deixar amadurecer
É um profundo mistério.
O fraco e flexível
É mais forte que o forte e rígido.
Assim como o peixe
Só pode viver em suas águas,
Assim só pode o chefe de Estado
Dominar sem violência

EXPLICAÇÃO: As grandes verdades aparecem sempre em forma paradoxal. Já o Cristo afirmava: 'Quem quiser ganhar a sua vida perdê-la-á - mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, ganhá-la-á'.

E Paulo de Tarso dizia: 'Eu morro todos os dias - e é por isto que eu vivo'.

Nos primórdios do cristianismo escreveu Tertuliano: 'Eu creio no mundo espiritual - porque é absurdo'.

Estas alternativas paradoxais se referem sempre, uma à dimensão quantitativa ilusória do ego - a outra à dimensão qualitativa e verdadeiro do Eu. A vacuidade daquela é a plenitude desta. A ausência daquela é a presença desta. O Universo inteiro funciona sobre a base desta bipolaridade positivo-negativa, sem excetuar o próprio homem. Conhecer e viver isto é sabedoria."

(Lao-Tse - Tao Te King, O Livro Que Revela Deus - Tradução e Notas de Huberto Rohden - Fundação Alvorada para o Livro Educacional, Terceira Edição Ilustrada - p. 101/102)


quinta-feira, 17 de março de 2016

BUSQUE O PAI

"Uma sugestão, pouco valorizada pela sua simplicidade e que pode ser valiosa, se devidamente compreendida, diz o seguinte: 'Quando quiseres orar, entra em teu quarto, fecha a porta e fala a teu Pai em segredo.' Tudo se resume, pois, nisso. 'Entra em teu quarto' significa ficar recolhido dentro do próprio ser e 'fecha a porta' implica fechar os sentidos às influências externas que os distraem. Neste momento de busca do alinhamento, procura-se não escutar o que os ouvidos estão captando, não enxergar o que os olhos físicos estão vendo, não sentir os aromas que o olfato está percebendo, e assim por diante. Ao se 'entrar no quarto', fecha-se a porta dos sentidos a toda influência externa.

E o que quer dizer 'e fala ao teu Pai em segredo'? Recolhendo-se e fechando-se a porta dos sentidos por uns momentos, procura-se sintonizar com aquilo que em nosso centro é completamente desconhecido, ou seja, que constitui um segrego total que nenhum de nós sabe desvendar e que ninguém nos pode revelar, a não ser quando 'entrarmos no quarto' e ficarmos em silêncio.

O Pai é exatamente o símbolo do que temos na essência do nosso ser. Assim, quando entro em mim mesmo, fechando-me para o que está fora e para o que é supérfluo, alinhando-me com o mais profundo do ser, não preciso falar ou pedir nada, e nada de externo pode me alcançar, porque busco o Pai. Aquilo que está na origem primordial de todas as coisas e de mim. Se quero, realmente, contatar a energia da Vontade-Poder, ou seja, identificar-me com a força que 'segura as rédeas e conduz a carruagem', sabendo onde chegar, o ensinamento básico é 'entrar no quarto, fechar a porta e orar ao Pai em segredo'. Isso faz com que se desenvolva, ao máximo, em mim, a própria capacidade de ter vontade, porque nada pedi, apenas me decidi a abrir-me ao mistério. Fazer isso é um ato de decisão. Pedindo alguma coisa, ao voltar-me para o Pai, estarei desviando-me daquela proposta original da energia, que era decidir fazer, simplesmente. Ao ficarmos em silêncio e sem nada pedir, conectados com o nosso íntimo, ou Pai, acontece o melhor, o inédito, desvendando-se o misterioso e desconhecido segredo que está dentro de nós, vivo e atuante. É necessário, porém, que tomemos a decisão de nos abrir ao mistério."

(Trigueirinho - A energia dos raios em nossa vida - Ed. Pensamento, São Paulo, 1995 - p. 24/25)
www.pensamento-cultrix.com.br


quarta-feira, 16 de março de 2016

O PROPÓSITO DA EXISTÊNCIA HUMANA (PARTE FINAL)

"(...) A sabedoria Eterna afirma que a realização dessa culminação do desenvolvimento humano é absolutamente certa para todo homem. A ordem: 'Portanto, sede perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celeste' (Mt 5:48), será literalmente obedecida pelo eu espiritual de todos os seres humanos. Uma Alma Espiritual perdida é uma impossibilidade na natureza, pois o verdadeiro Eu do homem é imortal, eterno e indestrutível. Na verdade, nada há a ser salvo, nem pode ser perdido, pois Deus, como a vida que envolve e habita o universo, é onipresente. O homem necessita apenas estar em guarda contra os defeitos de seu próprio caráter e as transgressões a que eles conduzem, pois todos os seus sofrimentos surgem (carmicamente)¹ - educativamente, ademais - de tais transgressões.

O processo evolucionário é perpétuo, não tendo começo concebível ou fim imaginável. Além da perfeição humana há uma realização ainda superior, alcançada durante a passagem pelos reinos da natureza super-humana, seguida por uma ascensão geral rumo à estatura espiritual do Logos de um universo. Além disso o progresso continua outra vez na direção do maior grau possível de desenvolvimento alcançável até o fim do período cósmico de manifestação maior. Mesmo depois, no ressurgimento do cosmo que sucede ao caos, da atividade a partir da quietude, o desenvolvimento continuará do ponto alcançado previamente e prosseguirá a alturas ainda maiores. A perfeição não é assim provavelmente a melhor palavra, pois que sugere finalidade. De fato, ela é atingível apenas num sentido relativo, pois deve dar lugar a mais perfeição, segundo um padrão superior de excelência no período seguinte de atividade - da mesma forma como uma flor perfeita deve deixar de ser uma flor perfeita e morrer, a fim de transformar-se num fruto perfeito, se for permitida tal forma de expressão.² O homem é um ser espiritual em evolução e, um dia, tornar-se-á como Deus é agora. O homem é um Deus em formação, um deus peregrino."

¹ Carma (sansc.) - a lei de causa e efeito.
² 'A Doutrina Secreta', Ed. Adyar, Vol. 1, p. 115.

(Geoffrey Hodson - A Sabedoria Oculta na Bíblia Sagrada, Ed. Teosófica, Brasília, 2007 - p. 56)


terça-feira, 15 de março de 2016

O PROPÓSITO DA EXISTÊNCIA HUMANA (1ª PARTE)

"Por que, então, o espírito humano se encarna num corpo físico com a perda consequentemente, embora temporária, do conhecimento de sua divindade e unidade com Deus? O propósito da existência humana é a evolução espiritual, intelectual, cultural e física. Esse é um processo dual, que consiste, por um lado, do desdobramento gradual, da latência à plena potência, dos atributos espirituais trinos do homem e, por outro lado, da evolução de seus quatro veículos materiais, para uma condição em que eles evidenciam perfeitamente os poderes desenvolvidos do Espírito humano. A vida num corpo físico é essencial para essa realização.

O eu espiritual do homem é como uma semente que contém em si a potencialidade da planta original, que é Deus. Essa semente é 'espalhada' ou nasce na Terra, lança raízes, tronco e folhas e, finalmente, floresce. A individualidade humana resultante, em seus quatro veículos, é fortalecida pelos ventos da adversidade, purificada e refinada pela chuva do sofrimento, embelezada e expandida pela luz da felicidade e do amor e alcança, finalmente, o estado de plenamente desabrochada. Assim como nas sementes todos os poderes parentais estão inerentes, também nas mônadas dos homens todos os poderes divinos estão presentes potencialmente desde o começo. As experiências da vida, combinadas com o impulso interior evolucionário, levam esses poderes inerentes ao pleno crescimento e à perfeita expressão. Toda experiência é válida; nada é desperdiçado. A vida é verdadeiramente educativa. O desabrochar do Ego e o desenvolvimento físico ocorrem simultaneamente, com a evolução interior sendo acompanhada pelo desenvolvimento externo dos quatro corpos mortais. Aqui o ensinamento teosófico torna-se eminentemente prático; pois, quando esse importantíssimo conhecimento do propósito da vida humana é obtido e aceito, o homem inteligente coopera, e em tal cooperação com o plano divino reside todo o segredo da felicidade humana.

A que culminância, então, a humanidade finalmente atinge? O alvo da evolução humana é padrão da perfeição descrito no cristianismo como 'a medida da estatura da plenitude de Cristo' (Ef 4:13). Isso implica na realização de um divino estado de perfeita (apenas no que toca à evolução humana) e irresistível vontade, de sabedoria e amor perfeitos, que a tudo abrange, e de perfeito conhecimento, que a tudo inclui. (...)"

(Geoffrey Hodson - A Sabedoria Oculta na Bíblia Sagrada, Ed. Teosófica, Brasília, 2007 - p. 55/56)


segunda-feira, 14 de março de 2016

A META

"Quando alguém liga seu carro já sabe para onde tem de ir.

Movimenta o veículo e o dirige sempre para lá.

Tudo que faz nos controles visa atingir o ponto de destino. É dificílimo que essa mesma pessoa conheça para onde dirigir o carro de sua vida.

A maioria vive por viver e sem saber por que, para que e para onde se destina. Não tem rumo. Não tem meta.

Muito poucos, nesta humanidade caótica, fizeram uma opção por sua existência.

Vivem como que imantados pelos desejos, impulsos, interesses e atrativos imediatos, vagando ao sabor dos fascínios cambiantes, subjugados às seduções momentâneas...

Numa hora, alcançam as fantasias que perseguem, e se alegram.

Noutra, se veem despojados dos objetos de seus apegos, e se deprimem.

Volubilidade. Fraqueza... Falta de rumo. Ausência de meta.

Qual é a sua meta?

Acima de tudo, quero voltar a Teu Lar, que é meu."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 111)


domingo, 13 de março de 2016

SABEDORIA NO CORAÇÃO (PARTE FINAL)

"(...) Todas as coisas mais maravilhosas da vida ocorrem rapidamente, tal como o nascimento de uma estrela ou de uma criança, o florir de um botão, o fenômeno de se apaixonar. Mas existem também os processos lentos, silenciosos, que precedem esses acontecimentos dramáticos. Quando o Cristo ou o Deus dentro de nós penetra seu reino em nossos corações, Ele entra rapidamente, como a luz do céu penetra as trevas. Quando aquele que é o Cristo em nós prevalecer, não mais haverá sombras. Na Índia, dizem que os devas não lançam sombra porque brilham com uma luz que pode atravessar todas as coisas. Tal é a luz da verdadeira sabedoria que ilumina o interior de tudo que existe.

Quando a sabedoria governar o mundo todas as coisas serão rearranjadas de modo a fazer com que brilhe a luz que existe nelas e em todos os homens. Então elas existirão e agirão segundo a glória de Deus que está nelas e além delas, e em perfeita fraternidade entre si.

Deverá chegar para cada homem e mulher uma época quando mesmo a morte será superada, mas isso ocorrerá quando tiverem aprendido as lições da vida na terra. Aquele que triunfar, herdará o reino de luz que está dentro de si, e aí será, inconscientemente para si mesmo, entronizado como um rei espiritual, o homem perfeito."

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 83/84)


sábado, 12 de março de 2016

SABEDORIA NO CORAÇÃO (1ª PARTE)

"A verdade, que está no âmago de todo ensinamento religioso é a mesma. É a fonte da qual todos os grandes instrutores espirituais trouxeram sabedoria vivificante, uma fonte aberta igualmente a todos os homens e mulheres. Quando o homem recebe essa sabedoria em seu coração, todas as coisas tornam-se novas para ele. Então, ele vê, com os olhos de um recém-nascido espiritual. 'O Cristo em vós' de São Paulo traz uma nova visão, que gradualmente inclui toda a terra e o céu. O farol de seu poder revelará em ambos muitas coisas jamais sonhadas atualmente. 

Ele verá então, entre outras coisas, que a terra é um céu em formação. Deve vir uma época quando não haverá nem tristeza, nem choro, nem dor. Pois estas coisas devem-se à ignorância que, por mais que possa durar, deve eventualmente desaparecer. Ignorância é essencialmente ignorância de nossa verdadeira natureza, que é divina. Essa natureza está profundamente oculta dentro de nós e só aparece ocasionalmente num momento de abnegação, de iluminação inesperada, num ato de completa autoentrega, ou numa onda de grande felicidade.

'Observa, eu chego rapidamente'. O lampejo de percepção de buddhi, sabedoria intuicional, surge subitamente, quando não é esperado. Pois quando esperamos, esperamos algo concebido em nossa ignorância antes da chegada do lampejo. Essa expectativa bloqueia a luz. Mas quando a mente está aberta à verdade sem expectativa predeterminada, então será iluminada. (...)"

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 83)


sexta-feira, 11 de março de 2016

DESAPEGUE-SE DOS SENTIDOS

"Mesmo se você não tiver firme fé em Deus ou em qualquer Nome ou Forma particulares que expressem o Imanente Poder, comece pelo controle das imposições da mente, dos impulsos do ego e das atrações e das algemas sensuais. Seja útil aos outros. Assim, depois, sua própria consciência o julgará e o manterá feliz e contente, embora os outros não lhe sejam agradecidos. A vida é um firme caminhar para a meta; não um insignificante campo de concentração ou, ao contrário, uma estúpida forma de piquenique. Seja paciente. Seja humilde. Não arrisque conclusões (apressadas) sobre os outros e sobre os motivos deles.

Desapegue-se dos sentidos; somente então pode seu Atma fulgurar. Não digo que os deva destruir. A mente (no entanto) deve ser desatrelada de seus colegas - os sentidos. Deve ela manter-se leal a seu verdadeiro senhor - o intelecto ou buddhi. Quero, com isso, dizer que você deve separar o grão que está dentro do farelo, através do exercício do discernimento (viveka), e depois então firmar seu desejo sobre aquilo que restou e nutre, isto é, o grão."

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 141/142)


quinta-feira, 10 de março de 2016

BUSCAI PRIMEIRO O REINO DE DEUS

"Para muitas pessoas, convém primeiro alcançar a prosperidade e depois pensar em Deus. Para você, no entanto, Deus deve vir antes. Quem fez o grande contato com Ele terá a prosperidade do universo a seus pés. Nunca se esqueça de que Deus é o seu provedor.

Não importa quais sejam as suas falhas, estará sempre com Deus caso dirija para Ele, para o Silêncio, toda a sua consciência. E alcançará sempre a felicidade espiritual se desempenhar alegremente os deveres da vida, sem jamais permitir que coisa alguma o abale.

Você vive pelo poder direto de Deus. Suponha que Ele, de repente, altere o clima do seu país. Que lhe aconteceria? Onde haveria de encontrar o que comer? Deus é quem sustenta a vida, não se esqueça. Você a recebeu dele. Embora a existência dependa de alimento, quem o proporciona é Deus. Ele é a Causa de tudo, de modo que, se você perder contato com Deus, sofrerá. 

Os yogues aprendem que Deus nunca pode ser encontrado fora deles mesmos. Quando mergulhamos fundo em nossa alma, no templo de Deus, podemos dizer: 'Ninguém no mundo se preocupa tanto com minha saúde, prosperidade e felicidade quanto meu Pai. Ele está sempre comigo'. 

Não dependa mais dos homens para enriquecer, pois Deus é a fonte da riqueza, saúde, poder e imortalidade. O yogue diz: 'Sê livre por dentro. Aceita Deus como teu provedor e ignora a consciência da pobreza'.

A verdadeira prosperidade é alcançada quando compreendemos que Deus é o nosso provedor e que dependemos inteiramente dele. Quando adquirimos essa consciência, não nos preocupamos mais com o que acontece porque estamos no regaço imortal do Criador. Jesus não tinha dinheiro e, no entanto, era o homem mais feliz do mundo. Tinha Deus e sabia que Deus atendia a todas as suas necessidades."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como Alcançar o Sucesso - Ed. Pensamento, São Paulo, 2011 - p. 95/96)


quarta-feira, 9 de março de 2016

PODER E BELEZA

"Nossos hábitos e tendências comportamentais profundamente enraizados estão armazenados no cérebro como padrões elétricos. Todos os hábitos, inclinações e tendências são mentais. Sempre que nossa atenção é colocada sobre os sulcos dos hábitos mentais bons ou ruins, que estão registrados no cérebro por experiências ou ações repetidas, eles automaticamente se manifestam em atividade mental e muscular. Pensamos em algo, seguimos uma trilha de pensamentos e sucumbimos ao fazer algo que não desejávamos.

Os sentidos e a mente são as portas pelas quais o conhecimento se infiltra na consciência. O conhecimento é filtrado pelos nervos sensoriais e interpretado pela mente. O cérebro organiza as impressões dos sentidos e envia mensagens através dos nervos motores. Mas existe um outro aspecto da mente, que é o sentimento, uma expressão da intuição que nos dá a capacidade de discernir entre certo e errado, para evitar os erros a que estamos propensos. A maneira mais segura de escapar ao karma é liberar a expressão da intuição por meio da meditação, que levará ao harmonioso equilíbrio entre razão e sentimento.

Aquilo que se acumula permanece inalterado, e não perece com a morte, é o desejo latente, a semente do desejo, as impressões do desejo na consciência. Essas sementes de desejo são mais instigantes do que os desejos recentes, já que estão profundamente enraizadas no subconsciente, prontas para surgir subitamente com demandas que na maioria das vezes são irracionais, frustrantes e causadoras de sofrimento. Enquanto não houver um fim para o desejo, não haverá um fim para o karma.

A miséria humana não é totalmente física, e é improvável que a abundância resolva os problemas do homem. Enquanto houver seres humanos arrogantes, preguiçosos, irresponsáveis, invejosos, cruéis, vingativos, possessivos, intolerantes, egoístas, mesquinhos, hipócritas e assim por diante, vamos infligir miséria a nós mesmos e aos outros, independentemente de termos todos os luxos que quisermos. O mundo externo jamais será perfeito até que tenhamos tornado perfeito nosso mundo interior.

Um dia, este triste mundo finalmente se tornará o que deve ser: um lugar luminoso, cheio de homens e mulheres que tomaram conhecimento de seus defeitos e aprenderam a transformá-los em algo luminoso e belo. Faz parte do plano de Deus elevar toda a criação para fazê-la evoluir e desabrochar sua natureza espiritual, de verdade, poder e beleza."

(Vinai Vohora - A lei do karma - Revista Sophia, Ano 12, nª 51 - p. 12/13)

terça-feira, 8 de março de 2016

O SENTIDO DO PERDÃO (PARTE FINAL)

"(...) O autotormento do ressentimento pode acabar. Podemos acordar a qualquer momento. Podemos começar a conhecer a nós mesmos, e através de autoconhecimento e do esforço projetado, deixar algumas dessas armadilhas para trás.

Estamos tentando trilhar o caminho espiritual e desenvolver nossos poderes latentes. Um desses poderes é o perdão. Os poderes que H. P. Blavatsky nos encorajou a desenvolver são os do espírito, que nos aproximam dos mestres instrutores da humanidade, que nos aproximam de nossas verdadeiras naturezas, do espírito uno. O perdão é uma disciplina importante no desenvolvimento desses poderes espirituais. Ele nos liberta de sérios constrangimentos e ressentimentos, disponibiliza recursos internos para um trabalho mais elevado e nos inicia em um nível de vida superior. Nós podemos trabalhar para formar um núcleo da fraternidade universal da humanidade e aprender a perdoar os outros em nossos encontros diários. 

No livro Cartas dos Mahatmas a A.P. Sinnett (Ed. Teosófica), o Mahatma K.H. estimula seus correspondentes a se colocar além do autofoco, a abrir mão do passado e se mover com esperança para o futuro. Essa é a essência do perdão.

'Acautelai-vos então de um espírito não caritativo, pois ele poderá elevar-se como um lobo faminto em vossa caminho e devorar as melhores qualidades de vossa natureza, que estão brotando para a vida. Ampliai em vez de estreitar vossas afinidades; tentai identificar-vos com vosso próximo em vez de contrair vosso círculo de afinidades', disse o Mahatma.

Se tivermos algum ressentimento ou animosidade com relação ao próximo, então o momento presente é verdadeiramente uma oportunidade de abrir mão e crescer em nossa humanidade. A vida, o grande iniciador, está sinalizando: vamos em frente!"   

(Betty Bland - O sentido do perdão - Revista Sophia, Ano 12, nª 51 - p. 8/9)


segunda-feira, 7 de março de 2016

O SENTIDO DO PERDÃO (1ª PARTE)

"Há muito tempo, numa aldeia remota, os homens puseram-se a caçar macacos. Como esses animais são criaturas muito inteligentes, era preciso ser criativo. Num coco, os homens fizeram um buraco e ali inseriram uma banana; depois, amarraram o coco a uma árvore. Logo um macaquinho surgiu, farejou a banana e enfiou a mão para pegá-la. Nesse momento, ficou preso num dilema. Não podia retirar a mão enquanto segurava a banana. Poderia largar a banana e escapar, mas não queria perder a fruta. Portanto, estava numa armadilha.

Somos como aquele macaco quando não queremos abrir mão de nossos ressentimentos em relação a outras pessoas. Nossos pensamentos não abrem mão do passado; assim, caímos numa armadilha, tocando um disco quebrado no fundo de nossas mentes. Quem quer que nos tenha ofendido está livre, mas nós não; estamos presos à dor e ao ressentimento até aprender a abrir mão e perdoar. Talvez algum dia sejamos mais espertos que os macacos. 

O perdão parece uma coisa simples. É claro, eu posso perdoar - se quiser. E posso simplesmente não querer. É exatamente essa a questão: ficamos presos por nossos sentimentos. A maioria de nós aprendeu a deixar passar muitas pequenas infrações, exercendo com facilidade o perdão para viver em harmonia com outros. O problema surge quando não conseguimos abrir mão e não perdoamos uma ofensa, grande ou pequena, intencional ou não. Então emperramos numa situação da qual não conseguimos nos libertar, e culpamos a outra pessoa por estarmos emperrados. 

Perdoar é abrir mão do nosso apego a uma situação. É o ato último do altruísmo - ir além da nossa personalidade ferida. Perdoar é na realidade um dos grandes processos iniciatórias da tradição cristã. Jesus foi capaz de caminhar por sua trágica perseguição sem oscilar em sua conexão com Deus, sem se apegar ao ressentimento, deixando o plano físico com o perdão nos lábios. Será que ele teria sido lembrado como um grande instrutor se tivesse morrido amaldiçoando seus detratores? Certamente que não. Sua habilidade para perdoar foi um grande passo em sua iniciação. (...)"

(Betty Bland - O sentido do perdão - Revista Sophia, Ano 12, nª 51 - p. 8)


domingo, 6 de março de 2016

O HOMEM PODE DOMINAR AS CIRCUNSTÂNCIAS

"Há necessidade de ser adiantado aqui o princípio da modificação do carma pelas ações intermediárias executadas antes que as causas tenham tido tempo de produzir plenamente seus efeitos. Quaisquer que sejam as ações de alguém no passado - boas ou más em vários graus -, as reações que produzem não devem ser consideradas como um destino inescapável ou um peso morto para o qual não há alívio. Tanto os indivíduos como as nações, por intermédio de suas ações subsequentes, estão constantemente modificando a operação da lei sobre si mesmos. Desse modo, nem indivíduos nem nações estão imobilizados por suas ações passadas. Nem tudo está irrevogavelmente destinado. O homem pode controlar as circunstâncias e fazer de cada experiência uma oportunidade para um reconfortante começo, não importa quanto o passado possa pesar sobre ele. Pode superar o domínio da lei aprendendo a trabalhar com ela.

A lei civil é um inimigo para o criminoso porque ela o reprime, restringindo a expressão de suas tendências criminosas. Para o bom cidadão, entretanto, a mesma lei é uma garantia de segurança; não é um inimigo, mas um amigo; não é uma fonte de restrição, mas um preservador da liberdade. Essa também é a verdade da lei universal de causa e efeito. Para a pessoa egoísta, sem lei e cruel, ela traz castigo, retribuição na forma de uma reação apropriada para cada ação que produz sofrimento. Para as pessoas bondosas, cumpridoras da lei e altruístas, a lei confere saúde, felicidade e liberdade. Outrossim, cada ação útil, executada antes que os seus efeitos tenham tido tempo de se concretizar, reduz e pode mesmo neutralizar as adversidades iminentes. Resumidamente, tal é o princípio da modificação do carma humano. Há, desse modo, uma alquimia espiritual por meio da qual os infortúnios que resultam de ações motivadas pelo egoísmo podem ser diminuídos ou mesmo anulados. Essa alquimia é realizada pelo autopurificação, autodisciplina e execução de obras motivadas pelo amor universal não possessivo."

(Geoffrey Hodson - A Sabedoria Oculta na Bíblia Sagrada - Ed. Teosófica, Brasília, 2007 - p. 58/59)

sábado, 5 de março de 2016

O PODER DA VIDA SILENCIOSA

"Tao é o seio materno do Universo.
Quem conhece sua mãe, sente-se filho seu.
Quem se conhece como filho, vive a vida de sua mãe,
Nem vê detrimento na morte.
Quem refreia os seus sentidos
E conserva as suas forças,
Não se esgota.
Mas quem se desgasta,
Quem se dissipa e dispersa,
Esse vive em vão.
Quem tem a consciência de ser apenas uma centelha,
Esse é iluminado.
Quem, em seu dever,
Permanece maleável e flexível,
Esse é forte.
Permanece maleável e flexível,
Quem segue à luz interna,
Esse não sucumbe à morte,
É imortal.
Quem vive na essência
Não se prende a nenhuma aparência.

EXPLICAÇÃO: O profano, sendo apenas um canal, vive na ilusão de ser a Fonte de tudo que acontece - mas o iniciado sabe que nenhum finito é Fonte. O canal cumpre a sua tarefa quando se liga à Fonte e permite que as águas dela fluam livremente através do seu condutor. 

Esta receptividade dos canais é a verdade - a pretensa datividade é pura ilusão.

Quem julga ter atingido a meta, nem iniciou ainda a jornada. A felicidade não é uma chegada, mas uma jornada. Todo o finito, em demanda do Infinito, está sempre a uma distância infinita. A felicidade está na consciência de estar no caminho certo e poder continuar sempre e sempre nesse caminho certo - isto é vida eterna."

(Lao-Tse - Tao Te King, O Livro Que Revela Deus - Tradução e Notas de Huberto Rohden - Fundação Alvorada para o Livro Educacional, Terceira Edição Ilustrada - p. 136/137)


sexta-feira, 4 de março de 2016

SANTO OU PECADOR

"'Escolher os amigos é algo importante. Se você deixar o seu casaco num recinto onde as pessoas estão fumando, em pouco tempo o casaco recenderá a fumaça de cigarro. Se você deixar esse casaco, posteriormente, ao ar livre, no jardim, quando você voltar com ele para dentro de casa, perceberá nele a fragrância do ar puro e das flores.

'O mesmo se dá com a mente. As vestes dos seus pensamentos absorvem as vibrações daqueles com quem você se envolve. Se você travar contato com pessimistas, em pouco tempo você haverá de se tornar um pessimista. Se andar em companhia de pessoas alegres e felizes, a sua natureza será alegre e feliz.

'O ambiente é mais forte do que a força de vontade. Misturar-se com pessoas materialistas sem pelo menos absorver um pouco do materialismo delas requer grande força espiritual.

'Os que se iniciam na senda espiritual deveriam ter muito cuidado quanto aos companheiros que escolhem. Esses iniciantes deveriam fazer amizade com outros devotos, e não tentar envolver-se com pessoas materialistas, voltadas para o ego. Os iniciantes deveriam principalmente evitar as pessoas negativas, mesmo que essas pessoas sejam devotas.

'Tornar-se um santo ou um pecador depende em grande parte das companhias de cada um.'"

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, A Essência da Autorrealização - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 185)


quinta-feira, 3 de março de 2016

A CONDIÇÃO DE SERVIR

"Viemos a esta terra para servir uns aos outros. Os pais cuidam dos filhos, os cônjuges se ajudam mutuamente, amigos dão força uns aos outros – a vida se mantém e se alimenta através do amor e da devoção incondicionais.

Servir é mais do que um processo unilateral. Quanto mais dá de si generosamente, mais você tem para dar, Ou, nas palavras de Jesus: ‘Aquele que se perder por Mim, achará’. Dois meses antes de sua morte, Martin Luther King afirmou que o único apego que teria de deixar para trás era uma ‘vida de dedicação’. Vinte anos depois um feriado nacional comemora o seu legado – uma vida de serviços.

Existe sempre alguém a quem você pode servir e alguém que está igualmente pronto a servi-lo. O símbolo representado pela escada de Jacó ilustra admiravelmente a natureza triunfante da devoção. Tal como as figuras na escada, quando empurramos nosso próximo um degrau acima, somos, ao mesmo tempo, ajudados a subir por alguém que está à nossa frente. Ajudando-nos uns aos outros, todos poderemos alcançar juntos nossa meta espiritual.

Dê uma olhada em sua própria vida. Compreenda que está a serviço do planeta e de seus habitantes. Pouco importa como o mundo está vendo a sua contribuição. O que realmente importa é a motivação que está por trás do ato de servir. O simples ato de sorrir para um estranho pode favorecer uma cura tanto quanto a descoberta de uma nova vacina. Nenhum gesto de bondade, por menor que seja, jamais é desperdiçado."

(Douglas Bloch - Palavras que Curam  Ed. Cultrix, São Paulo, 1993 - p. 106)


quarta-feira, 2 de março de 2016

A LEI DA COMPENSAÇÃO INTERIOR

"O que é imperfeito será perfeito;
O que é curvo será reto;
O que é vazio será cheio;
Onde há falta haverá abundância;
Onde há plenitude haverá vacuidade.
Quando algo se dissolve, algo nasce.
Assim, o sábio,
Encerrando em si a alma do Uno,
Se torna modelo do Universo.
Não dá importância a si mesmo,
E será considerado importante.
Não se interessa por si mesmo,
E será venerado por todos.
Nada quer para si,
E prospera em tudo.
Não pensa em si,
E é superior a tudo.
E, por não ter desejos,
É invulnerável.
Por isto, há muita verdade
No velho ditado:
Quem se amolda é forte.
É esta a meta suprema
Da vida humana.

EXPLICAÇÃO: Estas palavras são quase um paráfrase da sabedoria de Paulo de Tarso: 'A fraqueza de Deus é mais forte que a força dos homens; a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens... quando sou fraco, então sou forte... Eu morro todos os dias, e é por isto que eu vivo'.

Corresponde também às palavras do Nazareno: 'Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida, por minha causa, ganha-la-á'.

É o princípio da homeopatia cósmica: quanto menor é a quantidade, tanto maior é a qualidade.

É a alma da Cosmoterapia."

(Lao-Tse - Tao Te King, O Livro Que Revela Deus - Tradução e Notas de Huberto Rohden - Fundação Alvorada para o Livro Educacional, Terceira Edição Ilustrada - p. 72/73)

terça-feira, 1 de março de 2016

A QUESTÃO DO SOFRIMENTO E DA DOR (PARTE FINAL)

"(...) O animal, cuja tendência inata o faz ter o homem (que, na escala da evolução, ocupa o lugar imediatamente superior a ele) na mesma conta em que temos hoje o nosso próprio 'deus', é marcado por profundo impacto, de insondável repercussão, ao ser assassinado por ele. No momento da matança, percebe que os aspectos exteriores de seu ser serão destruídos, SABE o que vai acontecer e, por já ter em seu estágio evolutivo desenvolvido suficientemente o corpo emocional, sofre. A questão da dor nunca começará a ser aclarada por nós se esse ponto básico e inicial não estiver, pelo menos como uma semente, em nossa consciência. 

O número de seres humanos encarnados hoje em dia que não estão mais ligados ao uso de carne em sua alimentação é maior do que podemos imaginar; entretanto, os eus superiores, já preparados para serem vegetarianos, frugívoros ou naturalistas vêm na maioria das vezes para ambientes terrestres ainda condicionados por hábitos alimentares retrógrados e por superstições arraigadas quanto ao modo correto de se manter o corpo. Por isso, muitos demoram a reconhecer a sua própria condição interior. 

A ingestão de produtos de origem animal - em especial de carne - produz inércia nas células físicas, impedindo que seu potencial ainda não revelado se manifeste plenamente. É um poderoso obstáculo ao trabalho evolutivo que o homem de hoje busca conscientemente levar adiante. A carne tem uma vibração característica de um estágio já ultrapassado por ele - o estado instintivo - e, quando usada em sua alimentação, o mantém em um ponto não mais condizente com os novos passos que está para dar: o domínio da intuição, o exercício da telepatia superior e a experiência da consciência supramental, passos que podem ser assim prejudicados e até mesmo adiados. Enquanto não se substituir a antiga forma de os homens contatarem os animais, a vibração instintiva ficará circulando nos corpos de suas personalidades por muito mais tempo do que seria necessário, ocupando espaço e impedindo que a luz da intuição e outras luzes, de etapas ainda mais avançadas, possam nelas se instalar. 

Um relacionamento verdadeiro e atual precisa ser desenvolvido entre nós e os animais, relacionamento no qual os últimos serão beneficiados com os nossos serviços e com a nossa gratidão pelo papel que tiveram no desenvolvimento da humanidade. Sabe-se que, para um reino da natureza ter uma evolução especial e rápida, como aconteceu com o humano até que atingisse o estágio mental-intuicional, é necessário que algum outro reino, no mesmo sistema solar, renuncie a certos passos importantes, havendo assim um equilíbrio. Isso foi o que se deu entre o reino humano e o animal. Para que o primeiro pudesse ter acelerado de modo excepcional o seu processo evolutivo, o reino animal permaneceu em ritmo bem mais lento do que lhe teria sido possível. A distância entre a consciência de um animal de médio desenvolvimento e a de um homem não seria tão grande se o reino animal, como grupo, não tivesse aceitado essa condição, dando-nos, assim, passagem para os caminho superiores pelos quais enveredamos."

(Trigueirinho - Caminhos para a cura interior - Ed. Pensamento, São Paulo, 1995 - p. 77/78