OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


sábado, 31 de outubro de 2015

SUCESSO E FRACASSO NO OCULTISMO

"Todos os fracassos vêm do interior assim como todos os êxitos. Nenhum poder externo deve ser tido como o causador de um ou outro resultado. Ambas as sementes estão presentes no aspirante desde o princípio. Aquela que consegue germinar e crescer mais forte depende do indivíduo, especialmente do seu modo de pensamento e de vida. 

O ocultismo infalivelmente mostra a pessoa como ela é. Tudo o que existe de bom ou de mal nela aflora. Nisto se encontra o mérito para o forte, o perigo para o fraco. O ocultismo é a força que pode incinerar a impureza e revelar o ouro puro ou acender a paixão, inflamar o desejo, acentuar o orgulho. O mesmo agente é capaz de ambos os efeitos. 

Todos os que se aproximam desta chama devoradora deveriam se precaver; pois ela tanto exalta como consome. O puro de coração não tem nada para temer. Os orgulhosos e inflamados pela paixão estão em perigo desdo o primeiro passo.

'Estejam alertas' aparece como um adorno sobre o portal que leva ao Pátio Externo. 'Observem cuidadosamente' está escrito nas paredes internas. 'Conheça-te a ti mesmo' aparece sobre a porta que leva ao Santuário.

Não são os Hierofantes que são responsáveis pelos perigos, os testes e as quedas. É a própria natureza - especialmente a natureza manifesta no homem. Os Hierofantes não têm o direito nem o poder de negar a qualquer indivíduo entrada a qualquer porta que ele possa encontrar aberta e passar por ela. Eles podem alertar, orientar, inspirar, mas Eles não podem usar de força. A alma ardente que segue adiante toma a sua própria vida em suas mãos.

Os Hierofantes somente observam, sabendo que a vitória e a iluminação, a derrota e o fracasso ocorrem. Eles também sabem que estas são experimentadas dentro do Envoltório Áurico do candidato ao Adeptado."

(Geoffrey Hodson - A Suprema Realização através da Yoga - Ed. Teosófica, Brasília, 2001 - p. 157)


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O SERVIÇO É A TÔNICA DA AMIZADE

"Cultive a verdadeira amizade, pois só assim você atrairá amigos verdadeiros. A verdadeira amizade consiste nos préstimos mútuos, no auxílio aos amigos em situação difícil, na simpatia pelo sofrimento, no conselho em pleno infortúnio, no socorro financeiro em ocasiões de real necessidade. O amigo se rejubila com a boa sorte dos amigos e ampara-os na desgraça. Esquece prontamente os prazeres egoístas e o interesse próprio em favor da felicidade dos amigos, sem consciência de perda ou sacrifício e sem avaliar custos. 

Nunca seja sarcástico com um amigo. Não o lisonjeie exceto para encorajá-lo. Não concorde com ele quando estiver errado. A amizade autêntica não pode testemunhar com indiferença o prazer falso e prejudicial de um amigo. Isso não quer dizer que você deve brigar com ele. Faça sugestões mentais; ou, caso seu parecer for solicitado, dê-o com gentileza e amabilidade. Só os idiotas brigam. Os amigos discutem suas diferenças.

Pessoas há que não confiam em ninguém e até duvidam da possibilidade de ter algum dia amigos verdadeiros. Alguns chegam mesmo a gabar-se de que não precisam deles. Se você não conseguir ser amigável, desrespeitará a lei divina da autoexpansão, pela qual a alma evolui e se transforma em Espírito. Nenhum homem incapaz de inspirar confiança e de ampliar o reino de seu amor e afetividade por outros territórios da alma pode esperar que sua consciência mergulhe na Consciência Cósmica. Se você não conseguir atrair corações humanos, não atrairá o Coração Cósmico."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda,  A Espiritualidade nos Relacionamentos - Ed. Pensamento, São Paulo, 2011 - p. 35
www.editorapensamento.com.br


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O SER DIVINO EM NÓS

"Se você tem de puxar potência da casa de força para sua residência, a fim de a iluminar, terá de fixar postes a intervalos regulares e ligar os fios. Assim também, se quiser a Graça de Deus, pratique Sadhana (práticas disciplinares) em períodos regulares, e se ligue a Deus pelo fio de smarana (a lembrança contínua, a insistência n'Ele).

Saiba que o Atma¹ é sua Realidade e também saiba que Ele é a Força Interna deste Universo. Que sua inteligência penetre tal Verdade. Analise-se e descubra os diversos níveis da Consciência: o físico; o sensório; o nervoso; o mental; o intelectual, e assim, alcance até mesmo o âmago do último nível - o da alegria. Os panchakosas² têm de ser transcendidos, tanto que você possa alcançar sua Verdade, a de que você é Atma.

O Atma pode ser apreendido somente por um acurado intelecto e uma mente pura. Como purificar a mente? Por mantê-la em jejum dos maus 'alimentos' atrás dos quais ela corre, isto é, os prazeres mundanos. Além do mais, é preciso nutri-la com 'alimentos' bons, principalmente o pensar em Deus. O intelecto se tornará acurado se se devotar à discriminação entre o efêmero e o eterno. Que seus pensamentos estejam concentrados em Deus, em Seu Nome e em Sua Forma. Você sentirá então que está sempre com o que é puro e duradouro; gozará de pura e prolongada alegria. Eis por que dou tanta importância a namasmarana (repetição do Nome de Deus como disciplina espiritual)."

¹ O Ser Divino em nós.
² Panchakosas - os cinco envoltórios, escondendo Atma.

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 54/55)


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O USO DA IMAGINAÇÃO CRIATIVA

"Uma razão pela qual os aspirantes podem não alcançar os resultados desejados da sua disciplina de ioga é a falta de persistência e fé, ou de imaginação. Com a melhor boa vontade do mundo, eles permitem que suas mentes se interponham entre eles e seu Ego. Pode ser útil tomar as frases de afirmação e descrever as ações apropriadas correspondentes, mental e supramental, para cada uma delas. Por exemplo, nas palavras 'mais brilhante do que o Sol interior', o centro de observação poderia ser colocado na imaginação do coração do sol e após uns instantes no coração do Sol espiritual e mantido ali. Isto por si só pode produzir a iluminação. 

A expressão 'mais branca que a neve virgem' refere-se ao puro e imaculável Atma, o Espírito branco puro e radiante do universo e do homem. 'Mais sutil que o Éter' refere-se ao Logos imanente, o Princípio e a Presença divina na Natureza e no homem, que tudo permeia e interpenetra. A afirmação final deveria ser repetida mentalmente diversas vezes e em seguida permitir que a mente fique silenciosa, para que a consciência superior possa sobrevir. 

É aconselhável uma atitude mental de expectativa e espera, mas não uma atividade. Mais uma vez, a falta de habilidade de imaginar e de entrar criativamente no significado dessas afirmações é a grande barreira para os aspirantes ocidentais. A imaginação positiva e criativa, em contraste com a mera fantasia, é um fator importante para ser bem-sucedido na ioga, especialmente nas fases preliminares."

(Geoffrey Hodson - A Suprema Realização através da Yoga - Ed. Teosófica, Brasília, 2001 - p. 99)


terça-feira, 27 de outubro de 2015

FAÇA DEUS QUEBRAR SEU VOTO DE SILÊNCIO

"Aconteça o que acontecer, se você estiver cada vez mais com Deus, descobrirá que Ele sempre está com você. Você fará esse esforço? Quando comecei, todos os dias a minha mente dizia: 'Você não conseguirá conhecer a Deus. Só os grandes mestres, como Krishna, Jesus e Buda, conseguiram.' Mas depois eu raciocinava: 'Se Deus os favoreceu, poderia ser parcial, mas eu sei que não é - Ele não favorece ninguém. Até eles tiveram que enfrentar grandes testes. Mas obtiveram sucesso divino, de modo que eu também posso.'

Esforce-se para encontrar Deus, tentando convencê-Lo de que O quer e tentando persuadi-Lo a falar com você. Se fizer Deus quebrar Seu voto de silêncio, Ele falará. É isso o que torna difícil conhecê-Lo; é preciso perseverança devocional. Quantos anos chorei secretamente por Ele! Mas agora sei que nunca mais O perderei, porque Ele não está separado de mim. Está sempre comigo. Quando a onda se funde com o oceano, não consegue mais se sentir perdida. Assim somos: quando nos unimos ao Espírito, não conseguimos mais nos sentir separados de Deus. 

Portanto, acima de tudo, encontre tempo para Deus. Por mais cansado que esteja ao fim do dia, logo que todos forem dormir levante-se, e jogue-se aos pés de Deus. Não durma enquanto não tiver comungado com Ele. Ore para Ele, na linguagem do coração: 'Meu Senhor, Tu vens em primeiro lugar. Decidi que, no templo da noite, vou me dedicar a Te amar. Tu és meu tudo: meu sono, minha vida, és até minha morte, se preciso for. Só quero a Ti. Tu me bastas. Ofereço todo meu poder, meus pensamentos e meu amor para Te sentir, para estar junto a Ti, para Te amar.'"

(Paramahansa Yogananda - O Romance com Deus - Self-Realization Fellowship - p. 107)


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

ESTRELAS ANÔNIMAS

"Os condutores de que o mundo precisa raramente aparecem. Surgem como estrelinhas faiscantes, mas em geral ficam anônimos, quando não perseguidos, anulados, esmagados pela mediocridade dominante.

Alguns desses raros seres nem sequer saem da pobreza em que nasceram.

O mundo não os entende. E muito menos lhes atende.

O mundo prefere continuar seu viver sofrido, entre choques de doutrinas, nacionalismos adversários, facciosismos conflitantes, impérios que crescem esmagando e fazendo injustiça, instalando a exploração, despertando ódios, derramando sangue... E tudo em proveito de mentirosas e efêmeras hegemonias.

Os gênios que poderiam conduzir o mundo à Paz continuam estrelinhas anônimas, ignoradas, isoladas, inacessíveis.

São estrelinhas num rasgo de céu em noite tempestuosa, pejada dos negros nimbos da violência e da ignorância.

Quando teremos nós, os homens, um céu todo estrelado?"

(Hermógenes - Mergulho na paz - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 30)


domingo, 25 de outubro de 2015

SOMOS O QUE COMEMOS

"Se uma coisa é verdadeira, há um meio pela qual é verdadeira. Quando, na Bíblia, a Oração do Senhor diz o pão nosso cotidiano dai-nos de dia em dia (Lucas, 11:3), não está se referindo ao pão na mesa. É o pão dos céus, que significa comer mentalmente a confiança, fé, boa vontade e alegria.

O homem deve se alimentar com disposições e emoções que o anime, fortaleçam e sustentem. É verdade que precisamos de alimento para o corpo, assim como proteínas, vegetais e todos os minerais necessários para sustentar a vida que provém do solo. ... Não só de pão viverá o homem (Lucas, 4:4). Ele deve ter ideias que curem, abençoem, inspirem, elevem e dignifiquem sua alma. Como pode um homem viver sem um mínimo de paz, harmonia, amor, fé em Deus e todas as coisas boas? 

Nossa mente deve ser nutrida. Quando a mente se torna carregada de medo, ansiedade, preocupação e maus presságios, tais emoções geram todas as espécies de aflições e sofrimentos. O homem precisa viver na alegre expectativa do melhor. Irá descobrir então que invariável e inevitavelmente o melhor lhe acontecerá. Conseguimos o que esperamos na vida. Espere sempre o melhor. Nunca se contente com o segundo melhor. 

Quantas vezes você já levantou da mesa de banquete, que estava repleta de comidas deliciosas, mas continuou com fome de amor, paz, alegria interior ou ansiando por alguma espécie de satisfação indescritível que a comida na mesa não podia lhe proporcionar? Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos (Mateus, 5:6). Compreenda que sua herança espiritual muniu-o com todos os poderes e capacidades necessárias para vencer e levar uma vida triunfante.

Melhor é um prato de hortaliças onde há amor do que o boi cevado e com ele o ódio (Provérbios, 15:17). Você pode comer a mais suculenta das comidas; se estiver com raiva, ressentimento ou ódio, a comida se transformará em veneno. Não há nada bom ou mau, o pensamento é que torna tudo uma coisa ou outra. (...)"

(Joseph Murphy - Sua Força Interior -Ed. Record, Rio de Janeiro, 1995 - p.120/121


sábado, 24 de outubro de 2015

O CIÚME PROVÉM DE UM COMPLEXO DE INFERIORIDADE

"O ciúme provém de um complexo de inferioridade e se expressa por meio da suspeita e do medo. Significa que a pessoa tem medo de não poder se manter no seu relacionamento com os outros, seja ele conjugal, filial ou social. Se sentir motivo para ter ciúme de alguém - por exemplo, se teme que a pessoa amada transfira sua atenção a outrem -, primeiro empenhe-se em compreender se lhe falta alguma coisa interiormente. Aprimore-se. Desenvolva-se. A única maneira de conservar o afeto ou o respeito de outra pessoa é aplicar a lei do amor e merecer o reconhecimento dela mediante o autoaprimoramento.

O amor e seus complementos jamais podem ser conquistados ou mantidos com exigências, súplicas ou chantagens. Tenho observado como algumas pessoas se comportam quando estão perto de pessoas ricas ou influentes. Certa vez eu disse a um príncipe indiano: 'O senhor acredita que essas pessoas que buscam obter seus favores realmente o amam?' Ele respondeu que sim. Mas eu as tinha visto sob uma luz diferente e avisei ao príncipe: 'Pare de lhes dar dinheiro e presentes e descobrirá que não são sinceras. Elas zombam de você quando o bajulam.'

O verdadeiro amor não pode ser comprado. Para receber amor devemos dá-lo gratuitamente, sem condições. Mas em vez de seguir esta regra, a pessoa insegura recorre ao ciúme. Isso faz com que o ser amado se zangue, o que acaba com o propósito original do amor. Então o ciumento reage à raiva do ser amado com o desejo de vingança. Mas sempre que alguém quer ferir alguém, em última análise fere mais ainda a si mesmo. Atos maus procedem de pensamentos maus, são parasitas corrosivos que devoram a fibra mais íntima do ser, pois queimam e destroem a paz interior - a maior riqueza que se pode ter."

(Paramahansa Yogananda - Jornada para a Autorrealização - Self-Realization Fellowship - p. 162/163)


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

ASPECTOS IMPORTANTES DA ALIMENTAÇÃO

"Na boa alimentação não é relevante somente a inteligência do regime, mas alguns outros cuidados, sem a obervação dos quais não se consegue os resultados terápicos e nutricionais compensadores.

a) A mastigação: deve ser prolongada, paciente, permitindo a suficiente ensalivação, sem o que a digestão, a assimilação e a eliminação se prejudicam. O hábito de engolir sofregamente, de olho no relógio ou de mente apreensiva, é responsável por desagradáveis perturbações do aparelho digestivo. Se você faz mesmo questão da saúde em geral e em especial para os nervos e o psiquismo, mastigue, mastigue... até que o bocado seja reduzido a uma pasta úmida podendo deslizar livremente goela abaixo. Vale como um curso prático de paciência. 

b) Cuidado à mesa: beleza e limpeza, finalmente, um ambiente convidativo, favorecem o apetite. Parcimônia com líquidos, principalmente se alcoólicos, gelados e açucarados. Eles favorecem o hábito de 'engolir inteiro' e, portanto, dificultam a digestão. Os gelados, resfriando o estômago, retardam muito o trabalho desse órgão.

Conversas, só as agradáveis, positivas, sábias, alegres. Jamais a maledicência, a ira, o ciúme, o medo, o ressentimento, a apreensão, o pessimismo devem sentar-se conosco à mesa de refeição. 

Atitude mental de reverência, pois a refeição deve ser valorizada como um verdadeiro ritual de agradecimento a Deus, pelo que temos em nossos pratos. Habitue-se a orar ao começar e ao findar a refeição. (...)

c) Cuidados na cozinha: não devem se restringir só ao paladar, que é importante, mas não o único a reclamar cuidados. A maneira de preparar os alimentos pode, se errada, enfraquecer o valor nutritivo indicado nas tabelas. Por exemplo, fazer laranjada e deixar na geladeira durante meia hora mata toda a vitamina C, que é pouco estável. Se partirmo um limão ou uma laranja, devemos logo consumir. Dez minutos depois, já temos só o 'cadáver da vitamina C'. Da mesma forma, a atitude psicológica e espiritual de quem prepara o alimento é imensamente mais importante do que podemos avaliar."

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 318/319)


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

OS BENEFÍCIOS DE SE LIBERTAR DA IGNORÂNCIA

"72 - Então o sábio estudante (deve se devotar) diariamente, sem interrupções, ao estudo das Escrituras, à reflexão e meditação nas verdades ali contidas. E, assim, tendo se libertado da ignorância, o homem sábio goza a bem-aventurança do Nirvana mesmo estando ainda na Terra.

COMENTÁRIO - O estabelecimento de uma prática diária, de um ritmo, é fundamental. A maioria de nós vive de uma forma desordenada, sujeita a uma série de embates. Essa agitação predispõe à superficialidade. Estudar profundamente, refletir e meditar significam perda de tempo, algo inútil que deve ser posto de lado num contexto social onde só é valorizada a acumulação de riquezas materiais. 

Entretanto, neste versículo, Sankara lembra-nos de que só adotando o estudo, a reflexão e a meditação podemos nos libertar da ignorância e sentir a bem-aventurança." 

(Viveka-Chudamani - A Joia Suprema da Sabedoria - Comentário de Murillo N. de Azevedo - Ed. Teosófica, 2011 - p. 38/39)

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

VIVA NO ETERNO

"107 - Quando os objetos são agradáveis, eles nos tornam felizes; no caso contrário, infelizes. A felicidade e infelicidade não atingem Atman que está sempre em eterna bem-aventurança.

COMENTÁRIO - O eu inferior (ahamkãra) sente a felicidade ou infelicidade procedentes dos objetos dos sentidos. Já Atman está acima do dualismo e vive para sempre mergulhado em uma extrema bem-aventurança. Num dos antigos Upanishads há um trecho onde está dito: 'Há uma paz que ultrapassa o entendimento humano, mora no coração daqueles que vivem no Eterno'. 

Procurai por um instante que seja sentir um pouco dessa paz! E tudo será diferente."

(Viveka-Chudamani - A Joia Suprema da Sabedoria - Comentário de Murillo N. de Azevedo - Ed. Teosófica, 2011 - p. 50/51)


terça-feira, 20 de outubro de 2015

A BUSCA MÍSTICA (PARTE FINAL)

"(...) As duas estórias que se seguem servem para ilustrar o tema de que a realização espiritual direta é alcançável e que, uma vez obtida, pode transformar e iluminar: 1) um velho camponês estava sentado sozinho num banco de trás de uma igreja vazia. 'O que você está esperando?', foi-lhe perguntado. 'Estou olhando para Ele,' respondeu, 'e Ele está olhando para mim'; 2) um grupo de estudantes num colégio teológico pediu a um professor muito instruído para ler o Salmo do Bom Pastor (Sl 23). Ele leu-o com muito sentimento e bela ênfase. Depois alguém convidou um clérigo aposentado para entrar e repetir o Salmo 23. Quando ele repetiu as mesmas palavras com reverência e intenção, sua face suave brilhou com uma luz interior. Quando terminou, não havia um olho enxuto na sala. Mais tarde, um dos estudantes perguntou ao professor porque ele, com seu grande conhecimento, não pode produzir aquele profundo efeito. O professor foi honesto e humilde em sua resposta: 'Bem,' ele disse ao rapaz, 'eu tenho estudado a Bíblia e conheço tudo sobre o Bom Pastor, mas, veja você, nosso amigo conhece o Bom Pastor.'

Aí, sugiro, está o âmago do problema religioso: conhecer, por experiência direta, o poder e a Presença de Deus e de Seu Filho, Cristo, Nosso Senhor. Uma palavra grega para tal conhecimento espiritual direto é gnosis e, na época da fundação do cristianismo, aqueles que o possuíam eram conhecidos como gnósticos. Tragicamente, por causa dos erros aparentes de alguns gnósticos, eles foram proscritos e acusados de heréticos. A contribuição da religião para a cura das atuais doenças da humanidade é o conhecimento espiritual baseado na experiência interior. Colocado de maneira simples, os cristãos tanto necessitam saber a respeito do Bom Pastor quanto conhecer o Bom Pastor. À medida que cresça o número de homens e mulheres iluminados e inspirados, há razão para crer que o cristianismo se tornará mais poderoso do que presentemente para a paz e o progresso mundiais.

Se, de novo, a religião cristã pode se tornar um centro e uma fonte de luz espiritual nascidos do conhecimento direto e, assim oferecer ensinamento espiritual verdadeiro concernente à relação íntima do homem com Deus e de como essa relação pode ser realizada; se ela pode restaurar o conhecimento perdido do propósito da existência humana; se ela pode estabelecer a razão e a exata justiça para o homem, como parte de seu ensinamento, e prover os meios da aplicação inteligente delas na obtenção da felicidade humana e na solução dos problemas da vida; se ela pode dar à humanidade orientação segura e sã na busca do conhecimento interior de Deus e da união consciente com Deus; se o cristianismo pode verdadeiramente iluminar as mentes humanas, então, sugere-se, ele poderia levar a humanidade a abandonar sua presente militância, dirigindo-a para a paz mundial, e a renunciar as ações que dividem, em favor da unidade de ação para o bem-estar de toda a humanidade."

(Geoffrey Hodson - A Sabedoria Oculta na Bíblia Sagrada - Ed. Teosófica, Brasília 2007 - p. 29/30)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A BUSCA MÍSTICA (1ª PARTE)

"Como essa iluminação interior deve ser obtida? Não pela fé cega, mas pelo livre uso da faculdade do raciocínio e da prática regular da oração, meditação e contemplação, sendo a última definida como uma oração científica. No seu livro com aquele título, a oração é definida pelo Dr. Alexis Carrel nestas palavras: 'Uma contemplação serena do princípio imanente e transcendente de todas as coisas. Uma elevação da alma a Deus. Um ato de amor e adoração a Ele de quem procede a maravilha que é a vida. O esforço do homem para comunicar-se com um Ser invisível. Um estado mítico quando a consciência é absorvida em Deus.'

A 'oração', continua o Dr. Carrel, 'encontra sua mais alta expressão em um voo do amor através da noite obscura da inteligência. A oração deixa o âmbito do intelecto, a fim de alcançar o sentimento imediato. Para orar somente é necessário fazer um esforço para atingir a Deus. A melhor maneira de comunicação com Deus é, sem dúvida, realizar integralmente Sua vontade.'

O método pelo qual um indivíduo pode conseguir o despertar espiritual direto, a consciência de Deus, será peculiar a si mesmo, embora certas antigas regras gerais tenham sido enunciadas. O salmista disse: 'Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus' (Sl 46:10).

Os ritualistas dizem que, através da participação nos sacramentos, o homem pode entrar em unidade consciencial com o Cristo vivo. Por meio do serviço amoroso pode também aprender a conhecer, amar e servir a Deus em tudo; por intermédio da beleza ele pode perceber, adorar, retratar e descobrir Deus como 'o princípio da beleza em todas as coisas' (Keats). Por intermédio da canção sagrada e da contemplação silenciosa, excluindo todos outros pensamentos, ele pode encontrar e conhecer o Deus interno, o soberano imortal interior 'sentado no coração de todos os seres.'¹ (...)"

¹ Bhagavad Gita.

(Geoffrey Hodson - A Sabedoria Oculta na Bíblia Sagrada - Ed. Teosófica, Brasília 2007 - p. 29)


domingo, 18 de outubro de 2015

KARMA PASSADO

"D: Os Upanishads admitem o karma  passado no texto: 'Enquanto o karma passado não for exaurido, o sábio não pode abandonar o corpo e haverá atividades ilusórias para ele.'

M: Você não está certo. As atividades e experiências dos frutos da ação e do mundo parecem ilusórias ao praticante da Sabedoria, mas desaparecem completamente para o sábio realizado. O praticante pratica assim: 'Eu sou a testemunha; os objetos e as atividades são vistos e conhecidos por mim. Permaneço consciente e estas coisas são inanimadas. Só Brahman é real; tudo mais é irreal.' A prática termina na realização de que tudo é inanimado, consistindo de nomes e formas, e que nada pode existir no passado, no presente ou no futuro; portanto, essas coisas desaparecem. Não havendo nada a testemunhar, o ato de testemunhar acaba por fundir-se em Brahman. Agora só permanece o Ser, enquanto Brahman. Para o sábio consciente apenas do ser, só pode permanecer Brahman, e nenhum pensamento de karma ou de atividades mundanas."  

(Advaita Bodha Deepika - A Luz da Sabedoria Não Dualista - Ed. Teosófica, Brasília, 2012 - p. 165/166


sábado, 17 de outubro de 2015

NÃO SE APAIXONE PELO MUNDO

"Durma dentro do mosquiteiro, e os insetos não o incomodarão. Assim, também, não deixe que os insetos de kama, krodha¹ etc. o ameacem. Guarde-se dentro da cortina do sadhana (disciplina) enquanto permanecer neste mundo. Esteja dentro do mundo, mas não permita que o mundo esteja dentro de você. Este é um sinal de discernimento (viveka).

Viva, mas viva uma vez só, e tão eficientemente que nasça a não ser uma vez.² Não se apaixone pelo mundo, tanto que a fascinação por ele exercida o arraste cada vez mais a este ilusório amálgama de prazer e pesar. Sem que você recue um pouco, escapando ao envolvimento com o mundo, devido a saber que tudo é uma peça cujo diretor é Deus, está em perigo de vir a ser muito intimamente envolvido. Use o mundo como um campo de treinamento para o sacrifício, para o serviço, para a expansão do coração e para a purificação das emoções. É este o único valor que o mundo tem."

¹ Os seis inimigos do homem são: kama (luxúria); krodha (ira, ódio); lobha (avareza, ambição); moha (apego); mada (arrogância); e matsarya (inveja ou ciúme).
² Entendo esta lição como um alerta a todos que, tendo certeza de que voltarão a encarnar, isto é, a ter outras existências/aprendizado, negligenciam o esforço evolutivo na presente vida. Mesque que acreditemos na reencarnação, é sábio vivermos como se tomássemos a atual encarnação como a única, para não mais precisarmos ser alunos na escola da vida. 

(Sathy Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 50)


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O AMOR CONQUISTA TODAS AS COISAS

"No mundo em geral, existem muitas dificuldades a serem vencidas, criadas pelas forças das trevas ou resistência e as forças de luz ou progresso, entre as quais os destinos da humanidade sempre oscilam para trás e para diante. 

Pelo fato de ser lei, somente o amor é que consegue conquistar as forças das trevas.

Podemos perceber a lei por nós mesmos, pois o homem é uma partícula na qual a onda de vida universal está centrada ou expressa.

Em nós, também, existem luz e trevas: as forças que contribuem para a unidade, para a criatividade na beleza, e para a oniabarcante felicidade, surgindo por si mesmas e irrestringíveis; também os seus opostos. 

Mas, em longo prazo, a unidade prevalece, a separatividade é destruída. Toda força enviada de nós retorna à sua origem com um ricochete infalível. Assim, aquilo que pode ser destruído pela força é destruído; mas o assassino é sempre a própria pessoa.

O amor é a única força conhecida do homem impossível de ser derrotada por qualquer ameaça, por mais terrível, ou por qualquer provação a que possa ser submetida. Em sua pureza, ele inspira ao sacrifício voluntário, convertendo-o em alegria.

Onde ele reina em perfeição, existe a bem-aventurança de uma consumação, uma integralidade, além da qual não há necessidade nem ímpeto de buscar experiência agregada. No amor existe a experiência na eternidade.

O que é verdadeiro com relação ao amor é verdadeiro com relação àquela forma temperada de amor, que é devoção, quando se rende à verdade, seja sua infinitude ou como se manifesta em um caso de encantamento humano.

Pela força do amor, o microcosmo pode ser vencido. Por esse mesmo poder, à medida que se expande, o macrocosmo é conquistado, pois é divino. Aquele que se torna mestre de si mesmo pode tornar-se mestre de um universo, (o que é um modo de falar) pois então ele não mais é ele, como se conhece, mas alguém com o poder que é o mestre do universo.

Autodomínio implica autoconhecimento e autossuficiência; e nada do mundo é autossuficiente, exceto aquele eu ou natureza que tem raízes numa condição de amor e daí floresce."

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 78/79)


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O PODER ESPIRITUAL DA PALAVRA DO HOMEM

"A palavra do homem é o Espírito no homem. Palavras são sons produzidos por vibrações de pensamentos. Pensamentos são vibrações emitidas pelo ego ou pela alma. Toda palavra que sai de nossos lábios deve estar carregada com a genuína vibração da alma. As palavras da maioria das pessoas carecem de peso porque são proferidas automaticamente e não vêm impregnadas da força da alma. Tagarelice, exagero ou falsidade enfraquecem nossas palavras. Por isso, as preces ou pedidos dessas pessoas não produzem as mudanças desejadas. Cada palavra que você disser deve representar não apenas a Verdade, mas também um pouco de sua percepção da força da alma. Sem isso, as palavras são meras aparências. 

Palavras saturadas com sinceridade, convicção, fé e intuição lembram bombas cuja vibração pode pulverizar as rochas das dificuldades e produzir a mudança desejada. Evite palavras desagradáveis, ainda que sejam verdadeiras. 

Palavras ou afirmações sinceras, repetidas com compreensão, sentimento e boa vontade, sem dúvida motivam a onipresente Força Vibratória Cósmica a nos ajudar em nossas dificuldades. Apele para essa Força com confiança infinita, deixando de lado todas as dúvidas. Se suas afirmações forem proferidas com descrença ou visando apenas aos resultados pretendidos, sua atenção se desviará do objetivo almejado. Não semeie a prece vibratória no solo da Consciência Cósmica, ficando a escavá-lo o tempo todo para ver se o resultado germinou."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como Ter Coragem, Serenidade e Confiança - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 85/86


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

NÃO COLOQUE CONDIÇÕES PARA AMAR (PARTE FINAL)

"(...) O modelo do Mestre da Vida é eloquente. Ele amava tanto as pessoas que jamais as pressionava a segui-lo. Não impunha suas ideias, mas apresentava-as com clareza e encanto, deixando que elas decidissem o caminho a tomar. Fez um belo convite, não deu uma ordem: 'Quem quiser vir após mim, sigam-me', "Quem tem sede, venha a mim e beba', 'Quem de mim se alimenta jamais terá fome'. O amor respeita o livre-arbítrio, a livre decisão. 

Os que impõem condições para amar terão sempre um amor frágil. Nossa espécie viveu o flagelo das guerras e da escravidão porque ouviu falar do amor, mas pouco o conheceu. A única razão para amar é o amor. 

Os pais que exigem que seus filhos mudem de atitude para elogiá-los, acolhê-los e serem afetivos com eles dificilmente os conquistarão. Os professores que exigem que seus alunos sejam serenos e tranquilos para educá-los não os prepararão para a vida. Os que exigem das pessoas próximas que deixem de ser complicadas, tímidas ou individualistas para envolvê-las e ajudá-las não contribuirão para o seu crescimento. O mundo está cheio de pessoas críticas. As sociedades precisam de pessoas que amem. 

O amor vem primeiro, seguido dos resultados espontâneos. Exigimos muito porque amamos pouco. Jesus não impediu que Pedro o negasse e que Judas o traísse. Com sua inteligência extraordinária podia colocá-los contra a parede, pressioná-los, criticá-los, constrangê-los, mas não o fez. Deu plena liberdade para eles o deixarem. Jamais o amor foi tão sublime.

A abundância do amor transforma anônimos, paupérrimos e iletrados em príncipes, e a escassez do amor torna miseráveis reis, ricos e intelectuais. O amor compreende, perdoa, liberta, tolera, encoraja, anima, incentiva, espera, acredita." 

(Augusto Cury - O Mestre Inesquecível - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2006 - p. 141/142)


terça-feira, 13 de outubro de 2015

NÃO COLOQUE CONDIÇÕES PARA AMAR (1ª PARTE)

"Precisamos nos apaixonar pela espécie humana, como o Mestre da Vida. Devemos ficar fascinados com as reações de um mendigo, com as alucinações de um paciente psicótico, com as peraltices de uma criança, com as reflexões dos idosos. Cada ser humano é uma caixa de segredos. Cada ser humano merece o Oscar e o Prêmio Nobel pela vida misteriosa que pulsa dentro de si. 

Ao analisar a personalidade de Jesus, mais uma vez me convenci de que a unanimidade é estúpida. A beleza reside em amar as diferenças, em não exigir que os outros sejam iguais a nós para que possamos amá-los. Jesus foi afetuoso com Judas no ato da traição e acolheu Pedro no ato da negação. Ele os amou, apesar das suas diferenças. Se amou pessoas que o decepcionaram tanto, foi para mostrar que não devemos exigir condições para amar. 

O exemplo do mestre me levou a amar pessoas tão diferentes de mim! Pessoas que possuem pontos de vista diferentes do meu, que adotam práticas das quais não participo. Apesar de discordar das crenças e convicções das pessoas, você deve preservar seu amor por elas e respeitar sua lógica, inteligência, verdades, pontos de vista, e não simplesmente descartá-las. 

Se Jesus perdoou seus carrascos quando todas as suas células morriam, quem somos nós para exigir, em nosso conforto egoísta, que pessoas que pensam diferentemente de nós mudem para que possamos amá-las? Não apenas os cristãos deveriam amar outros cristãos de religiões distintas, mas, se realmente viverem o que Jesus viveu, amarão, com intensidade, budistas, islamitas, bramanistas e ateus. (...)"

(Augusto Cury - O Mestre Inesquecível - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2006 - p. 141)


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

EMPOLGUEM-SE COM DEUS

"Indolência e falta de objetividade: evite esses dois grandes obstáculos no caminho espiritual. Com o passar dos anos, costumamos esquecer o objetivo fundamental por que abraçamos a vida espiritual. Ficamos presos aos nossos hábitos devocionais, seguindo formas exteriores, esquecendo-nos, porém, de manter viva a ardente chama interior do desejo por Deus. De bom grado envolvemo-nos em muitas outras atividades, e no entanto ficamos com preguiça de usar corretamente nosso tempo livre: para buscarmos profundamente o Divino.

Você está apenas racionalizando quando argumenta: 'Bem, se as condições tivessem sido diferentes, se eu tivesse sido tratado com mais compreensão, se tais coisas não tivessem acontecido, hoje estaria mais próximo de Deus'. Com esse raciocínio você perde a objetividade. Se não encontra Deus, a falha não está em qualquer condição externa ou em outro indivíduo, mas em você mesmo. Em última análise, nenhuma pessoa ou condição poderá nos impedir de conhecer Deus se nos empenharmos sempre em nos livrar da preguiça, da indiferença e da falta de objetividade. Intimamente, entusiasme-se pelo Amado Divino. E se não sentir isso, culpe só a si mesmo.

Quando vim para Mt. Washington, havia muitos problemas a enfrentar, comigo e com os que me rodeavam. Fiquei desanimada ao descobrir que, mesmo no ashram, eu não conseguia fugir dessas dificuldades. Porém havia dentro de mim um fervoroso entusiasmo por conhecer a Deus. Eu tinha grandes sonhos de encontrá-Lo nesta vida. Desse modo, analisei: 'Pode qualquer condição, ambiente ou indivíduo enfraquecer seu ardente desejo por Deus? Se é assim, então você realmente não O deseja muito.' E com esse pensamento na mente comecei, decidida, a dirigir de maneira correta os meus próprios passos no caminho.

É uma tragédia quando as pessoas caem de tal modo na rotina que aparentemente levam uma vida espiritual, deixando porém a indiferença extinguir o fogo devocional por Deus. O devoto deve começar a corrigir tal condição agora, mantendo a mente no Divino noite e dia: Deus primeiro, Deus por último, Deus o tempo todo."

(Sri Daya Mata - Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 256/257)


domingo, 11 de outubro de 2015

SÊ SENHOR DOS TEUS NERVOS!

"(...) É estranho! não há nada que tão radicalmente desarme o nosso adversário como pedir-lhe um favor ou reconhecer a sua superioridade.

Se dou um empurrão involuntário a um vizinho, ou lhe piso num pé, ele me olha furioso, e enquanto me calo o esbarro parece significar: Eu tenho o direito de fazer isto, porque eu sou superior e tu és inferior! Mas no momento em que profiro a palavrinha mágica 'desculpe!' tudo mudou, os céus se desanuviam, porque desde esse momento o objeto do esbarro se sente superior ao sujeito do mesmo, porquanto este, pelo fato de dizer 'desculpe', confessa a sua condição de devedor, conferindo ao outro as honras de credor. É que o nosso querido e inveterado egoísmo se compraz deliciosamente na consciência da sua superioridade. E, estranhamente! quase todos os homens preferem ser inferiores no plano moral do que na zona intelectual; dizer a alguém que é 'mau' é ofensa, mas dizer-lhe que é 'bobo' é ofensa muito maior.

Pedir desculpas ou pedir um favor a alguém é admitir a própria inferioridade ou condição de devedor, e reconhecer no outro superioridade ou condição de credor. Fazer bem aos que nos fazem mal, não é apenas um preceito ético, é também um postulado profundamente psicológico, porque o positivo neutraliza seguramente o negativo e despoja das armas qualquer adversário armado.

Entretanto, toda essa estratégia supõe um grande domínio sobre os nervos, um perfeito controle das emoções instintivas. E esse perfeito controle e domínio nasce do conhecimento experiencial da verdade sobre nosso verdadeiro Eu. Enquanto confundo o meu pequeno ego personal, físico-mental, com o meu grande Eu espiritual, o meu Cristo interno, serei incapaz de manter essa calma e serenidade em face duma suposta ofensa. Digo 'suposta', porque ninguém pode ofender-me realmente, isto é, a 'mim', ao meu verdadeiro 'Eu', uma vez que este se acha para além do alcance de qualquer agressão, ofensa ou vulneração de fora; só pode ser ofendido e vulnerado de dentro, por mim mesmo, e só por mim. O mal que os outros me fazem, ou parecem fazer, não me faz mal, porque não me faz mau; e, antes de fazer, ou parecer fazer mal aos outros, já fez um mal real a mim mesmo. 'O que entra pela boca não torna o homem impuro, mas sim o que sai da boca' (Jesus). O mal que eu sofro como objeto não me atinge na íntima essência do meu ser; mas o mal que eu faço como sujeito, isto sim me atinge e vulnera, porque é produto meu.

Ninguém pode ofender o Eu, mas tão somente o que é meu. Quando Gandhi, pelo fim da sua vida repleta de injustiças, foi interrogado se havia perdoado a todos os seus inimigos, respondeu calmamente: 'Não, porque nunca ninguém me ofendeu.' Como iniciado na suprema verdade sobre si mesmo, sabia o Mahatma que nenhuma das numerosas ofensas recebidas tinha atingido o seu verdadeiro Eu, a sua alma o seu Cristo interno. 'Conhecereis a verdade - e a verdade vos libertará.' (Jesus)"

(Huberto Rohden - O Caminho da Felicidade - Alvorada Editora e Livraria Ltda., São Paulo, 7ª edição - p. 141/143


sábado, 10 de outubro de 2015

A AÇÃO E SUA RECOMPENSA

Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles: do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está nos céus.
Quando, pois, deres esmola, não toques uma trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam sua recompensa.
Mas, quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita;
Que a tua esmola seja dada em segredo: e teu Pai, que vê em segredo, te recompensará publicamente.

Jesus fala aqui da ação e da sua recompensa, fala de causa e efeito, que no Vedanta é anunciado como a lei do karma. Afirma a lei do karma que, se eu fizer uma boa ação para alguém, receberei minha recompensa. Pouco importa se esse alguém me dê ou não essa recompensa. Se eu fizer o bem, receberei o bem em troca. Se fizer algo de mal, o mal voltará para mim. Essa é a lei. (São Paulo diz na Epístola aos Gálatas: '... tudo o que o homem semear, isso também colherá.') Mas, para que possamos alcançar a perfeição precisamos libertar-nos de todos os apegos, de todo o desejo pelos frutos da ação. Precisamos libertar a mente de todo tipo de impressão e tendência - boa ou má, porque as boas ações também geram karma. Se quisermos transcender o karma, ensina-nos o Gita, carecemos de aprender a oferecer os frutos de nosso trabalho a Deus. Isto é karma ioga - a via de união com Deus através da ação dedicada a Deus. 

Na karma ioga, a vida toda do devoto se converte num ritual contínuo, já que cada ação é executada, não com a esperança de ganho ou de vantagem pessoal, mas como uma adoração. Dedicar os frutos do trabalho a Deus é trabalhar sem apegos. Importa que não demos azo ao orgulho e à vaidade, se os resultados de nosso trabalho forem favoráveis e ganharem elogio público. Por outro lado, havendo feito o melhor, não nos devemos desesperar, caso nosso trabalho produza resultados decepcionantes, ou seja criticado asperamente, ou totalmente desprezado. Muitos homens e mulheres talvez empenhem o melhor de suas qualificações, e com a maior das dedicações; mas, se o seu ideal carece da união com Deus, ser-lhes-á quase impossível não caírem no desespero, caso percebam perdida a sua causa, e que toda a sua vida resultou em nada. Só o devoto de Deus não precisa jamais desesperar-se por haver renunciado aos frutos da ação. Ele tem a sua recompensa - o próprio Deus. 

Para muitas pessoas, desapego significa indiferença, preguiça, fatalismo. Na verdade, desapego é o extremo oposto da indiferença. É uma virtude positiva, nascida do apego a Deus. De fato, o seguidor da karma ioga precisa estar intensamente apegado ao seu trabalho enquanto o executa. Toda a sua mente precisa estar concentrada em cumpri-lo perfeitamente, uma vez que ele há de ser oferecido como adoração. Entretanto, ele precisa estar apto a desapegar-se a qualquer momento. Pela prática do desapego e do serviço desinteressado, o devoto se liberta da roda da causa e efeito, da ação e recompensa - e ganha o Infinito."

(Swami Prabhavananda - O Sermão da Montanha Segundo o Vedanta - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 84/86)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

HIPOCRISIA

"O indivíduo, contando com o falso poder da mentira, descaradamente ou rouba no peso ou assalta por qualquer outra forma, desde a mão armada até à corrupção administrativa ou política.

Todo criminoso tem este raciocínio: 'Desde que ninguém venha a saber, porque vou ocultar e me ocultar como autor, posso fazer o que desejar, para melhorar minha conta de banco, minha família, para subir na vida...'

Vê você como a mentira corrompe alguns e explora outros?

Eis por que Jesus, que perdoou todas as formas de pecado, só não perdoou a um - a hipocrisia, isto é, a farsa, o embuste, a mentira.

Hipocrisia - eis o grande pecado." 

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed, Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 51)


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

ORIGEM E NATUREZA DO SOFRIMENTO HUMANO (PARTE FINAL)

"(...) Enquanto a humanidade não se libertar da terrível e doce tirania do príncipe deste mundo, aceitando realmente, e não apenas verbalmente, a mensagem da Luz do Mundo, não temos esperança alguma de superar os males da velha humanidade e entrar na glória da nova humanidade.

Todos os poderes que governam a humanidade trabalham sob o signo da inteligência, da violência e do dinheiro - que são os embaixadores plenipotenciários do poder das trevas, que continua a dar o que prometeu a seus servidores: 'todos os reinos do mundo e a sua glória'.

No caso que algum governo quisesse libertar-se da tirania do príncipe deste mundo e proclamar a soberania do Cristo, seria imediatamente boicotado por seus colegas e inutilizado.

O mal da nossa humanidade não é este ou aquele mal isoladamente, é a maldade coletiva mancomunada em protesto contra a 'Luz do Mundo'.

Nos países chamados cristãos acresce a agravante de que, para guardar as aparências, se acha hasteada sobre o quartel-general do Anticristo a bandeira do Cristo. Destarte, continua o Mestre a ser traído por um beijo de seu discípulo: 'Amigo, a que vieste? com um beijo tu atraiçoas o Filho do Homem?'

A nossa humanidade, que nasceu sob o signo do poder das trevas, acabará, segundo os videntes, num suicídio coletivo, sob o signo do príncipe deste mundo."

(Huberto Rohden - Porque Sofremos - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 25

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

ORIGEM E NATUREZA DO SOFRIMENTO HUMANO (3ª PARTE)

"(...) No meu livro recente A Nova Humanidade expliquei detalhadamente as duas fases evolutivas da velha e da nova humanidade.

Da velha humanidade, diz o Cristo: 'O príncipe deste mundo, que é o poder das trevas, tem poder sobre vós'. Da nova humanidade diz ele: 'Sobre mim ele não tem poder algum, porque eu venci o mundo'.

O príncipe deste mundo é o poder da serpente, da inteligência, que é um poder tenebroso, causador de maldades e de males de toda a espécie.

Jesus não teve pecado nem sofreu doenças e morte compulsória, porque tinha vencido o mundo adâmico da serpente intelectual, e estava num mundo cósmico do sopro espiritual.

Os nossos males não terão fim enquanto não nos libertarmos do poder do príncipe deste mundo, a que a humanidade se entregou inicialmente, e da qual se deve libertar finalmente.

As leis cósmicas são inexoráveis: o que o homem faz pelo poder do seu livre-arbítrio pode ele desfazer pelo mesmo poder. 

Por ora, o grosso da humanidade está dominado pelo poder das trevas, que se manifesta pelo ego intelectual: o triunfo da inteligência e a derrota do espírito. Nenhuma medicina, nenhuma psicologia, nenhuma psiquiatria podem melhorar substancialmente o estado calamitoso da nossa humanidade sofredora, porque pecadora. Tudo o que estamos fazendo são paliativos, camuflagens, charlatanismos, que tentam remover sintomas do mal, mas não erradicam a raiz do mal. Todos os nossos paliativos são ditados pelo próprio príncipe deste mundo, que é responsável pelo estado calamitoso da humanidade, sobre a qual ele tem poder.

Em face desse tenebroso círculo vicioso, deverá a maior parte da humanidade atual passar por tragédias, talvez pelo extermínio. (...)"

(Huberto Rohden - Porque Sofremos - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 24


terça-feira, 6 de outubro de 2015

ORIGEM E NATUREZA DO SOFRIMENTO HUMANO (2ª PARTE)

"Por que não apareceu a humanidade perfeita?

Moisés serve-se de uma parábola intuitiva para indigitar a causa desse fenômeno. Essa parábola intuitiva, porém, quando analisada intelectualmente por nós, não nos dá clareza. Quando os exotéricos profanos interpretam a visão esotérica de um iniciado, aparecem muitas obscuridades. Moisés fala simbolicamente do 'sopro de Deus' e da 'voz da serpente' para designar as duas potências que regem todo o homem: o espírito e a inteligência. O homem planejado pelo espírito do sopro de Deus seria um homem perfeito, o Atmam de Buda e da filosofia oriental, o Ish do Talmud judaico.

Mas a voz da inteligência, simbolizada pela serpente, desde o início, barrou a evolução do homem, desviando a evolução espiritual para uma pseudo-evolução intelectual. O sopro de Deus é a 'árvore da vida' - a voz da serpente é a 'árvore do conhecimento do que é bom e do que é mal'.

À primeira vista, parece que a serpente derrotou Deus, que a inteligência derrotou o espírito - e é esta a explicação que os intérpretes profanos e exotéricos dão do Gênesis.

Na realidade, porém, não houve, nem podia haver essa suposta derrota; o espírito de Deus, havendo creado uma criatura de livre-arbítrio, não podia impedir que o homem fosse o senhor do seu destino e se creasse assim como ele queria. O livre-arbítrio, porém, se revela, inicialmente, pela inteligência, eclipsando por muito tempo o espírito - porquanto a evolução principia na periferia e demanda o centro.

Por enquanto, a evolução do homem é meramente intelectual, e não espiritual; a inteligência, em vez de se integrar no espírito, tenta suplantar o espírito. Diz a sabedoria milenar da Bhagavad Gita que 'o ego (inteligência) é o pior inimigo do Eu (espírito), embora o Eu seja o melhor amigo do ego'.

Até hoje, através de séculos e milênios, o ego intelectual (serpente) guerreia o Eu espiritual (Deus). Em consequência dessa prevalência da inteligência negativa sobre o espírito positivo, a humanidade está sujeita a doenças e à morte. Mas, quando o Eu divino integrar em si o ego humano, realizar-se-á o que Moisés vislumbrou num futuro longínquo: O aparecimento do homem perfeito, sem males nem morte. O homem da presente humanidade, dominada ainda pela serpente intelectual, é chamado por Jesus 'filho de mulher' ao passo que o homem da nova humanidade denominado pelo espírito de Deus, é chamado 'Filho do homem', do qual era Jesus o representante antecipado. Possivelmente, Moisés foi também um precursor da nova humanidade, razão porque a teologia judaica o chama Ish (Atmam, Eu), e não Adam (Aham, ego). (...)"

(Huberto Rohden - Porque Sofremos - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 23/24


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

ORIGEM E NATUREZA DO SOFRIMENTO HUMANO (1ª PARTE)

"Ainda que o sofrimento seja um fenômeno universal na natureza dos seres vivos, a fim de promover a sua evolução, contudo, no mundo da humanidade, existe um sofrimento diferente, que é antes doentio do que sadio. O homem não sofre apenas para promover sua evolução natural, sofre também, e sobretudo, porque existe nele algo que não devia existir, algo creado pelo livre-arbítrio, que pode produzir fenômenos positivos e bons, e pode também produzir fenômenos negativos e maus. 

Na humanidade atual, prevalecem os fenômenos menos negativos e maus. Não vivemos numa humanidade definitiva e ideal, vivemos ainda numa humanidade provisória e imperfeita. Os grandes videntes do passado têm falado e escrito sobre esta humanidade negativa, que deu origem ao sofrimento doentio.

Cerca de seis séculos antes da Era Cristã, um famoso príncipe hindu, Gautama Siddartha - mais conhecido pelo seu nome iniciático Buda -, resumiu esse fenômeno negativo nas chamadas 'quatro verdades nobres'. Estas verdades dizem o seguinte:

1 - a vida do homem é essencialmente sofrimento,
2 - a causa deste sofrimento é a ilusão tradicional em que vive o homem identificando-se com o seu ego periférico (Aham),
3 - a abolição do sofrimento doentio está no conhecimento da verdade sobre o seu Eu central (Atmam),
4 - o método para passar da ilusão do ego à verdade do Eu é a meditação.

Cerca de mil anos antes de Buda, por volta de 1500 antes de Cristo, um grande vidente hebreu-egípcio, Moisés, escreveu as primeiras páginas do Gênesis sobre a origem e o motivo do sofrimento humano.

Segundo Moisés, o corpo do homem perfeito seria imortal e não sujeito a doenças. Mas este homem perfeito não existia ainda, a não ser esporadicamente. O grosso da humanidade atual representa ainda a velha humanidade, cheia de males e sujeita à morte. (...)"

(Huberto Rohden - Porque Sofremos - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 22/23


domingo, 4 de outubro de 2015

A LEI DA DUALIDADE

"'De que maneira Deus, a Realidade única, manifestou esse universo de aparências? Ele fez isso por via da lei da dualidade.

'Sua consciência única assumiu a forma dos opostos: do positivo e do negativo, da luz e das trevas, do prazer e da dor, e assim sucessivamente, até uma infinidade de ilusões contrastantes.

'Uma parte da Sua consciência se moveu. Como nos diz a Bíblia: '... e o Espírito de Deus pairava sobre a superfície das águas.'* Poderíamos comparar esse movimento ao movimento das ondas na superfície do mar. O nível do mar nunca muda, nem mesmo quando as ondas se alteiam, pois todo movimento ascendente num lugar é compensado por um movimento descendente num outro lugar. Como um todo, o nível da água continua sempre o mesmo.

'Ainda assim, Deus, o Oceano do Espírito, continua inalterado pela Sua criação. Na 'superfície' da Sua consciência, todavia, Seu espírito se move, e esse movimento, ou vibração, produz a dualidade, assim como as ondas do mar que se levantam e se quebram. 

'O Uno Infinito fez vibrar uma parte de Si mesmo a fim de se tornar dois, e depois muitos, e assim prosseguiu até que a vibração cósmica produzisse as estrelas, as galáxias e os planetas, as flores, as árvores e os corpos humanos. 

'A vibração cósmica é chamada de Aum. Trata-se do Amém do Apocalipse na Bíblia. Equivale ao Verbo no Evangelho de São João. É a 'música das esferas', dos antigos gregos. É o Amim dos muçulmanos, o Ahunavar dos zoroastristas. Tudo que é veio a ser a partir dessa grande vibração.

'A vibração gera a dualidade. Para vir a conhecer a Realidade Una por trás de todas as aparências, afaste-se mentalmente dos estados opostos da Natureza. Aceite tranquilamente o que quer que lhe aconteça na vida: o prazer e a dor, a alegria e a tristeza, o êxito e o fracasso.

'Viva apenas em função de Deus. Apenas seja o Seu servo. Apenas ame-O.'"  

* Gênesis 1:2.

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, A Essência da Autorrealização - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 32/33) 


sábado, 3 de outubro de 2015

CARMA E HEREDITARIEDADE

"Pode explicar-se perfeitamente a hereditariedade, pela teoria cármica.

O indivíduo, ao nascer, precisa acompanhar-se de certas qualidades físicas ou morais, de certo ambiente familiar ou social, que lhe permitam cumprir o Carma, organizado pelos Senhores do Carma (Assim, os 4 Maharajas escolhem o carma físico: pais, ambientes etc.).

Não existe o acaso. Acaso é o conjunto de causas que desconhecemos.

Quando o biologista, ao demonstrar a hereditariedade, diz que a reunião dos cromossomos paternos e maternos processa-se ao acaso, para darem os caracteres da criança, não diz a verdade, na acepção teosófica. Estes cromossomos reúnem-se pela vontade superior dos Senhores do Carma. São eles o 'acaso'.

Vamos apresentar um exemplo muito grosseiro, porém acessível, para explicar, até certo ponto, a relação entre a hereditariedade e o Carma.

Seja um indivíduo que, em sua vida anterior, procedeu de tal forma, perdeu tais ocasiões de fazer o bem ou de repelir o mal, que, ao nascer, terá de sofrer certas limitações, por exemplo, da vista ou do ouvido.

Ora, ele só poderá nascer numa família em que haja defeitos hereditários da vista ou do ouvido e não numa família inteiramente eugênica, cujos pais não têm, portanto, caracteres hereditários da doença.

Mas, dirão os materialistas: 'Fulano nasceu surdo ou cego, ou com tal defeito visual ou auditivo, porque o pai ou a mãe, ou o avô etc., eram surdos, cegos, ou tinham tais defeitos.

De fato, o indivíduo apresenta tal ou tal defeito hereditário, porque, na família em que nasceu, existem tais defeitos. Mas, se nasceu em tal família e com tal defeito, isto não se deu por mero acaso..."

(Alberto Lyra - O Ensino dos Mahatmas - IBRASA, São Paulo - p. 211/213