OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

RENÚNCIA


"Renuncie à ideia de ser separado. Em todos os seres veja você mesmo, e sinta todos os seres em você. Esta é a mais alta renúncia, a renúncia do sentido do ego, o ego que o faz se apegar a esta sua temporária habitação, a este saco de ossos e carne, a esta casca que usa um nome e uma forma. De duas coisas consiste o exercício espiritual: a contemplação de Deus; e a descoberta da nossa natureza inata, ou seja, da Realidade.

Reduza suas necessidades, e viva com simplicidade - tal é o caminho da felicidade. Apego gera aflição em seu despertar. Ao final, quando a morte exige que tudo seja largado para trás e que abandone todas as pessoas, você é esmagado pelo sofrimento. Imite o lótus na água; ele pousa sobre ela, mas não dentro dela. A água é necessária a seu crescimento, mas ele não consente que nem uma gota o molhe."

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 49)


terça-feira, 29 de setembro de 2015

LEALDADE (PARTE FINAL)

"(...) Quando falamos de sermos leais ou não, quem somos 'nós'? É a mente em nós que escolhe ou decide. A mente, embora associada a outros elos da cadeia da individualidade humana, é essencialmente o homem. Onde fica a natural lealdade ou centro de gravitação para a mente? Naquilo que chamamos de Espírito, o foco espiritual da consciência manifestada. Uma vez que o Espírito não é pessoal, mas vivo, onipenetrante, infinitamente centrado, a atração a ele é atração a tudo que seja espiritual. Somente nisso está a direção do progresso, se quisermos elevar-nos acima do plano de mera expansão da mentalidade que é ativa na vasta maioria dos homens. A mente tem de ser enxertada no princípio espiritual ou elevada até ele. Portanto, não pode haver lealdade na mente do homem, exceto aqueles valores, corporificados numa pessoa ou teoricamente contemplados, que são cristalizações da qualidade espiritual imperecível, presentes nele mesmo.

Mesmo quando a livre autoentrega do coração é a alguém em quem se vê perfeição, essa autoentrega é à sua própria raiz ou origem. A verdadeira lealdade, em todos os casos, só pode ser àquilo que pode reivindicar lealdade ao refletir a natureza do espírito, que tem uma atração inerente pelo coração e a mente puros. Numa tal lealdade não existe exclusão nem a possibilidade de contradições e conflitos futuros; não existe artificialidade nem aviltamento a um fim indigno ou por meios indignos. 

Nossa devoção e lealdade a uma pessoa são muitas vezes o desenho de um círculo em torno de nós mesmos, do qual os outros são excluídos. Nossa admiração por uma pessoa muitas vezes implica desprezo inconsciente do outro, mesmo quando ostensivamente não fazemos a comparação. A lealdade pode ser interesseira; às vezes adulamos nosso Deus para obter uma porção de seu reino. O cancro do eu pode permanecer oculto na mais bela das flores. Devemos estar de atalaia para extirpá-lo.

A lealdade é uma daquelas virtudes de que fala Luz no Caminho: "Em verdade as virtudes do homem são passos necessários, dos quais não se pode prescindir de modo algum. Contudo são inúteis se isolados. Toda a natureza do homem deve ser sabiamente empregada por aquele que deseja entrar no caminho'.

Quando toda a natureza é empregada sabiamente, a coisa torna-se sagrada. Nessa natureza não existe discriminação maléfica. Então a lealdade a Deus, ao homem, a si próprio e aos próprios ideais (ou pode ser a um cão) torna-se um fator estabilizante, unificado, a espinha dorsal de nosso desenvolvimento. Tornamo-nos para nós mesmos o caminho, a verdade e a vida, quando alcançamos o estado perfeitamente integrado." 

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 69/70)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

LEALDADE (1ª PARTE)

"A lealdade, quando não maculada por qualquer variedade de egoísmo - seja a um cônjuge, a um colega que esteja comandando, a um ideal ou a um grande Instrutor - é um artigo raro. Sem lealdade não pode haver firme dependência num mundo interdependente. Sem lealdade não pode haver força nas afinidades, princípio de coerência entre fatores diferenciados. Como todas as virtudes, a lealdade possui um aspecto universal e um aspecto individual; e é fatal endurecer o apego individual em detrimento de seus valores universais; é fatal converter o amor em posse, uma crença em reserva, ou uma convicção numa clava. Nossas lealdades não devem tornar-se padrões sob os quais venhamos a constranger as liberdades dos outros, ou critérios por meio dos quais os condenemos. 

A lealdade não deve tornar-se exclusiva, não deve destruir a fraternidade nem a compreensão. Isto só é possível quando prestamos obediência a um ideal, que compreende todo interesse desejável como algo menor do que ele mesmo. A verdade à qual aspiramos deve incluir toda a verdade que percebemos com nossas mentes abertas; deve expandir-se, elevar-se e ser suscetível à transmutação, à medida que nossas percepções e experiências aumentem. A verdade, sendo maior do que imaginamos, precisará de muitos canais. O tema, sendo mais vasto do que a música que ouvimos, deve estar aberto a tratamentos em eterna variação. No desabrochar do plano de evolução são usados agentes para muitos propósitos. Nossas boas qualidades, inevitavelmente exageradas, precisam ser corrigidas e equilibradas pelos outros no desenvolvimento do trabalho.

A lealdade não deve tornar-nos rígidos, inadaptáveis ao propósito do desabrochar da vida. A lealdade a uma ideia pode ser também lealdade a uma convenção, preconceito, uma imagem abstrata que criamos para satisfazer nossos gostos e aversões. O homem cria Deus (a grande Ideia) segunda sua própria imagem para satisfazer seus temores e desejos.

Devemos evitar os perigos e embaraços de uma mentalidade dividida; recusar sermos colocados numa encruzilhada, como geralmente acontece com aqueles que são leais a uma ideia ou a uma pessoa e, contudo, acham que existe uma atração ou dever com o qual essa lealdade torna-se incompatível. (...)"

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 68/69)


domingo, 27 de setembro de 2015

RESPEITO E HUMILDADE

"(...) Quão ínfimo é hoje o respeito que os seres humanos têm por Deus e pelo próprio homem! Muitos dos que pertencem à confusa juventude de hoje, estão perdendo o respeito pela antiga sabedoria, pela ordem social e, consequentemente, por si próprios. Quando desaparece o autorrespeito, inicia-se a decadência. O verdadeiro respeito por si próprio e pelos outros decorre do entendimento da origem divina de cada um de nós. Aquele que conhece a si mesmo como sendo o Ser, uma centelha individualizada da chama do Espírito, sabe também que todos os seres humanos são uma expressão do mesmo Espírito e se curva com reverência e alegria ante o Uno presente em todos. 

Ao cultivar o respeito ao guru como emissário Divino, e aos seus semelhantes como imagens de Deus, o devoto acelera seu crescimento espiritual. Da atitude respeitosa para com o guru brota a receptividade a Deus através da figura do guru; tal receptividade proporciona entendimento do que é justo e nobre, esse entendimento, por sua vez, faz com que reverenciemos a Deus e ao guru. Quando afinal, dentro do próprio coração bem como fisicamente, somos capazes de nos curvar ante Algo que não seja o ego, ocorre uma transformação interior - desenvolve-se a humildade. O ego é como uma sólida e impenetrável muralha que circunda a alma, a verdadeira natureza humana. A única força capaz de demolir este muralha é a humildade. (...)

A humildade consiste na sabedoria de reconhecer que existe um Ser superior a nós. A maioria dos seres humanos adora o seu próprio ego. Porém, quando o discípulo se curva ante o ideal de um Ser superior, e ante o guru como o instrumento da Divindade cujo auxílio ele procura a fim de alcançar aquele Ser, então ele desenvolve a humildade necessária para demolir a aprisionante muralho do ego, e sente dentro de si a expansão da consciência divina nascida daquele Ser superior.

O homem humilde é um homem verdadeiramente sereno, verdadeiramente feliz. Ele não se perturba com a instabilidade do comportamento e do amor humano, nem é ferido pela inconstância das relações humanas, ou pela transitoriedade da posição social e da segurança neste mundo. Todo pensamento voltado para os ganhos pessoais e autoestima se desvanecem e se apagam da mente do homem humilde. As escrituras dizem: 'Quando este 'eu' morrer, então saberei quem sou eu'. Quando o ego se vai, a alma - ou seja a imagem de Deus latente em nosso interior - pode finalmente despertar e se expressar livremente. O devoto manifesta então em sua vida todas as qualidades divinas da alma e vê-se livre para sempre da ignorância de maya, a ilusão terrena imposta a todas as criaturas que participam do drama divino da criação. 

Devemos então recordar que o respeito dá origem à reverência, e que a humildade é produto desta última. Ao desenvolver tais qualidades, o devoto começa a acelerar seu progresso em direção à Meta de sua busca espiritual."


(Mrinalini Mata - O Relacionamento Guru-Discípulo - Self-Realization Fellowship - p. 23/27


sábado, 26 de setembro de 2015

MEDITAÇÃO PARA SINTONIA COM A SUBLIMIDADE INTERIOR

"Ensina-me a não me drogar com o narcótico da impaciência. Hoje, meditarei mais profundamente que ontem. Amanhã, meditarei mais profundamente que hoje. 

Hoje, com o toque suave da intuição, sintonizarei o rádio de minha alma e livrarei minha mente da estática da impaciência para ouvir a vibração cósmica de Tua voz, a música dos átomos e a melodia do amor ecoando em minha supraconsciência. 

Dentro de mim, encontrarei perpétua felicidade celestial. A paz reinará tanto no silêncio quanto em plena atividade. Deixa-me ouvir Tua voz, ó Deus, na caverna da meditação!

Ensina-me, ó Espírito, a interromper pela meditação a tempestade da impaciência mental e das perturbações sensoriais que assolam o lago de minha mente. Que a varinha mágica de minha intuição faça cessar os ventos das paixões e dos desejos inúteis. No lago sereno de minha mente, que eu contemple o reflexo não distorcido da lua de minha alma, refulgindo com o brilho de Tua presença.

Cerre as pálpebras e ignore a dança selvagem das cenas tentadoras. Mergulhe a mente no poço sem fundo do seu coração. Mantenha a mente no coração, borbulhante com seu sangue vital. Concentre-se no coração até sentir suas pulsações rítmicas. A cada pulsação, ouça o som da Vida onipotente. Visualize a mesma vida universal batendo à porta do coração de todos os seres humanos e de todas as criaturas vivas.

O coração pulsa o tempo todo, suavemente, anunciando o poder infinito que se oculta atrás das portas de sua percepção. As tênues batidas da Vida universal dizem a você em pleno silêncio: 'Não receba apenas algumas gotas da corrente de Minha vida, mas expanda a abertura dos poderes do sentimento e deixe que Meu fluxo invada teu sangue, corpo, mente, emoções e alma com Minhas pulsações da vida abundante.'"

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como Ter Coragem, Serenidade e Confiança - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 113/115)
www.editorapensamento.com.br



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O CORPO FÍSICO

"O corpo é o veículo de que você dispõe para atingir o Estado de Bem-aventurança, e, assim, deve ser protegido e conservado forte para tão alto propósito. É um instrumento para o sadhana, que, por méritos obtidos em nascimentos prévios, você conquistou. Cada momento ele está seguindo para sua própria dissolução, e assim, o tempo não pode ser desperdiçado em buscas vãs. Melhor mesmo é considerar o corpo como um meio ou instrumento grosseiro do que o elevar ao nível de ser tudo na vida e finalidade da vida (...). Trate-o como uma ferida que deve ser coberta por uma bandagem (as roupas), cuidada com medicamentos (os alimentos) e lavada (com água). Você pode livrar-se deste desordenado apego mediante este método - só este método.

Da mesma forma como você atende às necessidades do corpo, nutrindo-o três vezes ao dia, a fim de o conservar em bom funcionamento, assim, também, empregue algum tempo regularmente, em cada dia, visando a conservar sua consciência interna também em boas condições. Dedique uma hora pela manhã e outra à noite, e uma terceira nos primeiros momentos da alvorada (brahmamuhurtha) para a prática de japam (repetição do mantra) e dhyana (meditação) sobre o Senhor. Descobrirá grande paz descendo sobre você e dentro de você; sentirá o crescimento de grandes fontes de força, à medida que progrida neste sadhana (disciplina). Depois de algum tempo, a mente se fixará sobre o Nome (de Deus), onde quer que você esteja e no que quer em que você esteja engajado, e, então, a Paz e a Alegria lhe serão inseparáveis companheiros."

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 47)
www.record.com.br


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A FONTE DA ALEGRIA INTERIOR

"O segredo é descobrir a fonte da alegria interior, que nunca falha, que é sempre farta e fresca porque brota de Deus. O que é o corpo? É o Atma revestido por cinco envoltórios: o annamaya, composto de alimentos, o pranamaya, constituído de vitalidade; o manomaya, formado pelos pensamentos; o vijnanamaya, composto de inteligência; e o anandamaya, composto de felicidade. Por um constante contemplar tais envoltórios (kosas), o sadhaka (aquele que pratica o sadhana) atinge a necessária discriminação para escapar do externo para voltar-se ao interno, que é mais real. Assim, passo a passo, abandonando um kosa após outro, torna-se capaz de desfazer-se de todos eles a fim de lograr a consciência de que ele é uno com Brahman (o Ser Supremo).

Passo a passo, tem-se de praticar o desapego, sem o que a ambição e a miséria dominarão a natureza mais sutil do ser humano. Essa natureza é divina, pois que sua verdadeira Substância é Deus, e desta Substância o homem não é mais que um nome e uma forma. Para que se alcance tão preciosa constatação, indispensável é desenvolver o sadhana chamado chatushtaya, que consta dos seguintes componentes:

(1) Nithyanithya viveka  (discriminação entre o imutável e o mutável, entre o perene e o temporário), que consiste em dar-se conta de que o universo (jagat) está sempre sujeito a transformações e mudanças, mas Brahman não muda;
(2) Thamurthra-phala-bhoga-viraaga, que implica o desapego aos prazeres, mesmo aos do próprio Céu, depois de alcançada a convicção de que estes também são evanescentes e seguidos pela aflição;
(3) Samadamaadi-shatka-sampaththi, que é constituído pelas virtudes desejáveis, isto é, o controle dos sentidos externos e internos e das sugestões sensoriais; a fortaleza dentro da angústia e da dor, da alegria e da vitória; a supressão de todas as atividades de consequências escravizantes; fé inabalável no Mestre e nos textos que ele expõe; e a imperturbável contemplação sobre o básico Brahman, sem se deixar perturbar por outras ondas de pensamento.

Embora o leite esteja em formação através do corpo da vaca, você tem de recorrer às tetas a fim de o obter; de igual maneira, estes sadhanas (ou tetas) têm de ser 'pressionados' (na prestação de serviço, se você pretende alcançar a Sabedoria (jnana).

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 45/46)


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

PARA QUEM TEM REALIZAÇÃO DIVINA, O MAL NÃO EXISTE

"O caminho para a felicidade suprema não será encontrado pelos cientistas nem pelos materialistas, mas pelos que seguem os mestres que afirmam: 'Volte para a cabine do Infinito, de onde você pode ver a projeção de todos os filmes cósmicos. Então não ficará confuso com a criação divina, com o enredo divino.' 

Meu único interesse nas pessoas é ajudá-las. E enquanto eu tiver um resto de ar nos pulmões, continuarei a tentar ajudar os outros e a dizer que devem sair do filme da ilusão. Você sofre porque é parte do enredo agora. Se ficar de lado e observar o filme, não sofrerá, e poderá desfrutar do enredo. É isto que você precisa aprender. Para Deus, isto é apenas um filme, e quando você se voltar para Ele, terá mesma visão.

Vou contar uma história: um rei adormeceu e sonhou que era pobre. Mendigava uma moeda para poder comer. Finalmente, a rainha o acordou e disse: 'Mas o que é isso? O tesouro real está repleto de ouro, e você está chorando por uma moeda!'

Então, o rei respondeu: 'Nossa, como sou tolo. Pensei que era um mendigo e que estava morrendo de fome por não ter uma moeda.'

Tal é a ilusão das almas que sonham que são mortais, sujeitas aos aterradores males de todo os tipos de doença, sofrimento, problemas e tristezas. O único modo de escapar do pesadelo é aproximar-se mais de Deus e afastar-se mais das imagens oníricas mundanas. Você sofre porque colocou toda a atenção nas coisas erradas. Se der o coração a outra pessoa, à bebida, à ganância ou às drogas, sofrerá. Terá o coração partido. Entregue o coração a Deus. Quanto mais procurar paz Nele, mais a paz vai devorar suas preocupações e sofrimentos.

Você sofre porque se permitiu ser suscetível aos males do mundo. Precisa aprender a ser forte, a ter têmpera espiritual. Faça tudo que tiver de fazer, mas interiormente diga: 'Senhor, sou Teu filho, feito à Tua imagem. Nada quero além de Ti.' O devoto que segue este princípio e que alcança esta compreensão descobrirá que para ele o mal não existe neste mundo."

(Paramahansa Yogananda - O Romance com Deus - Self-Realization Fellowship - p. 116/117)


terça-feira, 22 de setembro de 2015

LIBERDADE

"O ser humano livre não é, como quase todos pensam, aquele que faz o que quer.

O homem livre é aquele que tem o poder de deixar de fazer aquilo que quer não fazer.

Vamos explicar.

Um desses muitos iludidos pensam assim:

'Ora, é proibido fazer tais e tais coisas... Pois bem, sou um sujeito livre, portanto, vou fazê-las custe o que custar, doa a quem doer; ninguém me segura...'

Este mesmo indivíduo, embora sabendo que está se desgraçando e degradando, enfermando ou se destruindo com determinado vício ou hábito, deseja e mesmo precisa largá-lo, mas, não consegue...

Dá para entender que devemos nos manter livres ao ponto de não sermos obrigados, e subservientes, a hábitos ou dependentes de atos que tememos ou detestamos praticar.

Que eu me escravize a Teu Reino, e assim me liberte."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 39/40)


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

COM A AÇÃO VENCE A MORTE E COM O CONHECIMENTO ALCANÇA A IMORTALIDADE (PARTE FINAL)

"(...) O Upanixade Ishavasya quase conclui com essa grande e inspiradora ideia, pois diz em seu verso número quinze:

A face do Real está coberta Com um véu dourado
Que tu Oh Pushan descubras
Que eu, devotado à verdade, possa ver.

De acordo com o verso acima, a experiência espiritual é um processo de descoberta. A Verdade ou Realidade foi encoberta. Existe véu após véu de manifestação cobrindo a Face da Verdade. Brahman ou a Realidade está na nossa frente, mas não podemos vê-La porque uma tela está encobrindo-A. Ao remover o véu, que é um processo negativo, vem a experiência intensamente positiva da percepção direta da Face de Brahman. E, por estranho que pareça, a Realidade está coberta com um véu dourado. O véu dourado tanto nos fascina e atrai que não estamos dispostos a removê-lo. Mas quem colocou esse véu dourado sobre a Face da Verdade? O véu foi na verdade lançado pelo pensamento, e o pensamento o teceu com o belo material que lhe foi suprido por sua própria experiência acumulada. O pensamento naturalmente lançou mão do melhor material disponível, ele crivou o véu com ouro e prata, com todas as joias que pôde encontrar em seu próprio depósito de riquezas. Mas o véu do pensamento precisa ser feito com material trazido do reino da continuidade. É essa tela de continuidade lançada pelo pensamento que oculta a face do Real que é para sempre Atemporal e, portanto, está fora do curso de continuidade da mente. Quando o véu das projeções da mente é removido, então aparece em toda sua majestade o Espírito Supremo.

Quando o Espírito ou Brahman é visto, todo objeto do mundo manifestado não brilha com uma nova luz? Quando a Luz da Realidade brilha, a Qualidade de cada objeto é revelada. E quando isso acontece, o homem grita com grande júbilo, e diz para si mesmo - tena tyaktena bhunjitha, ma gridhah kasyasvid dhanam. Desfrute o que é dado a você, não cobice a riqueza do outro."

(Rohit Mehta - O Chamado dos Upanixades – Ed. Teosófica, Brasília, 2003 - p. 30/31)

domingo, 20 de setembro de 2015

COM A AÇÃO VENCE A MORTE E COM O CONHECIMENTO ALCANÇA A IMORTALIDADE (2ª PARTE)

"(...) Upanixade Ishavasya explica ainda mais essa ideia quando diz:

Imanência e Transcendência
Aquele que conhece conjuntamente esse par,
Com a imanência ele vence a morte
Com a transcendência alcança o imortal.

Conhecer a Imanência e a Transcendência como um fenômeno conjunto - isso é o que o Upanixade Ishavasya diz. Conhecer a continuidade e a descontinuidade simultaneamente - isso é o que indicam os versos acima. A continuidade é representada pela Imanência ou o Manifesto. A morte é a cessação do Manifesto. Onde o Manifesto é totalmente negado, aí chega a experiência da morte e, portanto, através da negação do Manifesto o homem vence a morte. Mas o momento em que o Manifesto é negado é também o momento em que a Transcendência é experimentada. É como a abertura de uma janela e a entrada do sol. Não há um intervalo entre as duas coisas. Na negação da continuidade a morte é vencida e ao entrar no reino da descontinuidade a Imortalidade é conhecida ou compreendida. Aqui não estamos fazendo referência a uma crença na imortalidade. Uma crença é um conceito - e um conceito funciona dentro dos confins da continuidade. E, portanto, um conceito de imortalidade indica um estado de incessante continuidade. A imortalidade não é uma interminável continuidade. Uma continuidade é um processo do tempo, mesmo que seja interminável, ainda é um processo do tempo. Pois bem, o tempo tem um começo e, portanto, um fim. E assim a imortalidade, quando é um produto do pensamento, está sujeita ao processo do tempo. Tal imortalidade tem um fim, mesmo que o fim possa estar distante em termos de tempo. Mas uma imortalidade que tenha um fim não é imortalidade alguma. Falar em fim com referência à imortalidade é cair em contradição. Mas tal contradição é inevitável enquanto pensarmos em imortalidade como uma continuidade interminável. A imortalidade não pode ser conhecida através do pensamento conceitual. somente quando todos os conceitos terminam é que a imortalidade pode ser conhecida. E o fim de todos os conceitos é morte - a cessação do imanente ou manifesto. A imortalidade reside no reino da Transcendência, o reino do imanifesto. A imortalidade não é do tempo - é a experiência da atemporalidade. A conquista da morte se encontra no imanente, pois ela chega somente quando o manifesto é negado, mas o conhecimento da imortalidade está na transcendência, pois ele vem quando o homem sai do tempo e entra na região do Atemporal. A experiência da morte e o conhecimento da Imortalidade são simultâneos, pois é na morte e tão somente aí que o homem pode conhecer a Imortalidade. O Upanixade Ishavasya diz: que haja uma completa negação do manifesto, que sejam retirados os véus da imanência, pois quando os véus do manifesto são rasgados, então aparece diante do homem o Espírito em toda sua glória. (...)

(Rohit Mehta - O Chamado dos Upanixades – Ed. Teosófica, Brasília, 2003 - p. 29/30)

sábado, 19 de setembro de 2015

COM A AÇÃO VENCE A MORTE E COM O CONHECIMENTO ALCANÇA A IMORTALIDADE (1ª PARTE)

"(...) Aquele que conhece o conhecimento e a ação, com a ação vence a morte e com o conhecimento alcança a imortalidade. 

Aqui há uma óbvia referência à existência simultânea do Conhecimento e da Ação, de modo que não há contradição entre ambos. Em nossas experiências normais consideramos a ação como seguidora do pensamento. Há primeiro um pensamento padrão e, então, lentamente, através de labor e esforço, buscamos criar um comportamento padrão em termos daquele pensamento. Consideramos o pensamento como sempre precedendo a ação. Mas esse como um meio de descrever a ação. A descrição pelo pensamento surgiria muito naturalmente. Quando uma pessoa descobre algo, daquela experiência surge uma expressão que é natural e simultânea. Não há brecha entre a experiência e a expressão, embora haja sempre uma brecha entre a crença e o comportamento. Uma ponte jamais pode ser construída entre o Pensamento e a Ação, mas entre a Ação e o Pensamento não há necessidade alguma de ponte. Se a ação pudesse preceder o pensamento, então todo o problema da frustrante luta entre o Preceito e a Prática seria eliminado. É a isso que o verso acima do Upanixade Ishavasya se refere, pois ele diz: 'com a ação ele vence a morte e com o conhecimento alcança a imortalidade'. É um fato que o homem teme a morte e deseja vencê-la adquirindo conhecimento da imortalidade. Mas o Upanixade Ishavasya diz: 'reverta o problema de modo que a ação venha antes e o pensamento siga depois'. Ele diz: 'primeiro MORRA e, a seguir, nessa experiência da morte, chegará o conhecimento da Imortalidade.' O conhecimento da imortalidade nasce natural e espontaneamente, ele vem com o próprio despertar da experiência da morte. 

Devemos notar que a precedência da Ação sobre o Pensamento não é uma defesa para a ação impensada. Uma ação impensada é uma ação impulsiva. É uma ação nascida do hábito ou instinto. Obviamente é uma ação nascida da inércia. Mas a precedência da Ação sobre o Pensamento é um estado no qual a ação ocorre quando o pensamento ainda nem mesmo nasceu. O verso acima do Upanixade Ishavasya fala da 'derrota da morte' pela Ação. Não é preciso dizer que a Morte demanda uma ação total, pois não deixa nada para trás. Tal totalidade de ação é possível apenas quando a ação precede o pensamento. Onde o pensamento intervém, a ação está fadada a ser incompleta. O pensamento surge da experiência acumulada da mente. Sua existência depende, portanto, de manter essa experiência intacta. O rompimento dessa experiência significa o fim do próprio pensamento. E, portanto, a intervenção do pensamento em qualquer ação é para manter a continuidade da experiência. Assim, o pensamento restringe a ação e a mantém dentro dos confins da continuidade. Como pode uma ação que funciona dentro dos confins da continuidade vencer a morte que é uma experiência de descontinuidade? A morte é um fenômeno de descontinuidade. A vitória sobre a morte, portanto, requer uma ação livre das influências restritivas da continuidade. Tal ação é possível somente quando não há intervenção do pensamento. Onde a ação precede o pensamento, somente aí a experiência da morte ocorre. E dessa experiência da morte surge a compreensão da imortalidade. A experiência da morte e a compreensão da imortalidade não estão separadas no tempo, são instantâneas. A ação de conquistar a morte e o conhecimento da imortalidade são simultâneos, não ocorrem um após o outro. (...)"

(Rohit Mehta - O Chamado dos Upanixades – Ed. Teosófica, Brasília, 2003 - p. 28/29)


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

AÇÃO E CONHECIMENTO

"Em profunda escuridão caem aqueles que seguem a ação. Em profunda escuridão caem aqueles que seguem o conhecimento.

Na experiência normal do homem, Ação e Conhecimento ocorrem um após o outro, não simultaneamente. Há sempre uma brecha entre os dois. É essa brecha que traz escuridão e desolação para a vida do indivíduo. A ação que não é inspirada pelo conhecimento é mera atividade. É uma mera Upasana, uma prática sem sentido. Analogamente, o conhecimento destituído do toque vitalizador da ação é um conhecimento sem inspiração. O verso acima diz que a mera ideação conduz a uma escuridão ainda maior. Um conhecimento ideacional, assim como a atividade repetitiva, são ambos sem sentido. Conduzem uma pessoa ao reino dos falsos valores. É a brecha entre os dois que torna ambos ineficazes. Na chamada vida espiritual há sempre um esforço para cobrir o abismo entre a Crença e o Comportamento. Mas tal esforço exaure o indivíduo, porque a ponte nunca é completada e jamais poderá ser. Temos que lembrar que quando buscamos transformar uma Crença em Comportamento, a tentativa é de construir uma ponte entre dois pontos, um dos quais é fixo e outro em constante movimento. Uma Crença constitui-se em um ponto fixo, mas o Comportamento que está relacionado com a vida está sujeito a constante fluxo, porque a vida em si está em constante fluxo. Como pode uma tal ponte ser construída? Uma Crença representa conhecimento ideacional; e o Comportamento tende a se tornar atividade repetitiva. Nenhum dos dois pode conduzir o homem à iluminação. É a esse misterioso problema que Upanixade Ishavasya se refere quando fala de ação que conduz à profunda escuridão e conhecimento que conduz a uma escuridão ainda maior. O que deve então ser feito? (...)" 

(Rohit Mehta - O Chamado dos Upanixades – Ed. Teosófica, Brasília, 2003 - p. 27/28
www.editorateosofica.com.br

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

DESFRUTE O QUE LHE É DESIGNADO

"Os virtuosos que comem os restos do sacrifício estão livres de todos os pecados, mas os ímpios que preparam o alimento para seu próprio benefício - verdadeiramente comem pecado. 

Comer os restos do sacrifício, isso é que de fato está indicado na expressão tena tyaktena bhunjitha, desfrutar aquilo que nos cabe, aquilo que foi separado para nós. Por que cobiçamos a riqueza de outro? É porque não descobrimos nossos próprios tesouros. Essa descoberta é possível somente quando vemos o Repouso Infinito no Movimento Infinito. Quando o Movimento é separado do Repouso, torna-se um mal monstruoso, resultando na frustração do vir-a-ser.

Aceitar o que é dado não é um evangelho de passividade. É realmente a base da verdadeira felicidade e ponto de partida para a correta ação. Na Aceitação descobrimos o repouso Infinito. Quando o Movimento Infinito, que é o processo do vir-a-ser, está enraizado no Repouso Infinito, então todo o movimento está pleno de significado e felicidade. No Repouso Infinito descobrimos a Qualidade de nosso próprio Ser, a Qualidade de Atman que é idêntica à Qualidade de Brahman.

A aceitação daquilo que nos é designado também não é um evangelho da procrastinação. Muitas vezes uma pessoa adota uma atitude em que diz que deve aceitar o seu destino na esperança de que o futuro lhe traga felizes novidades. Isso não é aceitação de modo algum, é submissão, e, também, com ressentimento interior. Aceitar o que é dado, aquilo que está separado para nós, é comprometer-se com a correta Percepção. Muitas vezes o homem recusa receber aquilo que lhe é dado porque não vê o que é. Quando percebemos acertadamente, então vemos na coisa dada a qualidade da Verdade, Beleza e Felicidade, a qualidade do Próprio Brahman. Aceitar o que é dado é transformar a coisa em uma janela da qual olhamos para a beleza da própria vida. A experiência da felicidade vem com a própria percepção. E, portanto, a ação que emana dessa percepção está enraizada na felicidade. Esse é o motivo pelo qual o verso de abertura do Upanixade Ishavasya diz: 'Desfrute o que lhe é designado' - ele não diz - 'Suporte o que lhe é dado.' Aceitar o que é dado é perceber a Qualidade de nosso próprio Ser. O processo de vir-a-ser que emerge dessa percepção é naturalmente livre dos elementos da tristeza e frustração."

(Rohit Mehta - O Chamado dos Upanixades – Ed. Teosófica, Brasília, 2003 - p. 20
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

DE HOMEM A SUPER-HOMEM

"Esvazie a mente de todos os preconceitos e deixe a luz brilhar dentro.

Esvazie a alma de toda ambição pessoal e deixe o fogo da aspiração exaltar-se.

Esvazie todo o seu ser do eu e do egoísmo, para que o altruísmo possa tornar-se uma qualidade mais íntima. Então a iluminação pode ocorrer, então o progresso pode ser feito, então o domínio do inferior pelo superior pode ser atingido. O neófito deve estar prevenido, sem cessar, contra a intrusão de pensamentos e sentimentos egoístas e cheios de desejos.

A oportunidade é a indicação da Natureza de que a alma se aproxima de sua fase de florescimento. A oportunidade bate à porta da casa em que o homem externo está habitando para trazer a ele a mensagem que o Eu interior está a ponto de florescer.

A oportunidade assume muitas formas, porém em todas encontra-se um mensageiro do mundo exterior para o homem interior. A oportunidade é um sinal seguro de que a pessoa está pronta para a grande Busca. Até que por si só as portas se abram inteiramente, a Busca será em vão. Aquele que bate em portas fechadas, ensaia prematuramente o portentoso empreendimento. Portas fechadas são um sinal de que o trabalho interior ainda não foi feito, que débitos ainda não foram pagos, que a força ainda não foi desenvolvida, que a sabedoria é insuficiente para as necessidade do peregrino.

Assim sendo, que aqueles que procura os pés do Mestre, e no entanto encontram a entrada fechada, examinem cuidadosamente cada aspecto do caráter. Mantendo o ideal do Mestre claramente diante de si, que eles se dediquem à meditação e ao serviço altruísta."

(Geoffrey Hodson - A Suprema Realização através da Yoga - Ed. Teosófica, Brasília, 2001 - p. 174/175)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

A MENTE NA MEDITAÇÃO

"Muito pouco progresso pode ser feito para entrar na consciência elevada, permanecer ali e desenvolver a faculdade de entrar nela à vontade, até que a mente tenha sido submetida a um controle razoável. Não existe uma fórmula fácil para isto, apesar de algumas pessoas terem mais facilidade natural do que outras.

Passa-se por diferentes condições de mente quando é utilizada uma fórmula semelhante a da Ioga da Luz. No início da meditação, a mente deve ser focalizada claramente e sem tergiversar no procedimento preliminar. Naquele momento, a concentração é muito importante. Não se deve permitir que a mente oscile durante as afirmações de dissociação e verdadeira identidade. Quando afirmamos, 'Eu não sou o corpo físico', deveríamos nos despojar positivamente do corpo em pensamento concentrado. As três dissociações afirmadas sobre os três veículos pessoais e a autoidentificação com o Eu Interior por meio das palavras, 'Eu sou o Eu Espiritual', deveriam ser feitas sem nenhuma interrupção no pensamento. Em cada uma delas, efetua-se uma ascensão em consciência, como se por uma linha vertical contínua em direção ao Ego no corpo Causal. Algo interessante e objetivo está sendo tentado então, e a mente não deveria vaguear durante este procedimento. Deveria haver uma crescente dissociação real e realização da afirmação.

O controle da mente, que é necessário, deve ser desenvolvido pela prática e pelo exercício da vontade. Todos os poderes da vontade e da mente devem ser utilizados para alcançar a capacidade requerida. Se a mente vaguear, é uma boa prática trazê-la à força de volta pelo caminho que ela se extraviou. Com o tempo isto a trará sob controle, estabilizando-a. Não existe nenhum substituto para esta concentração preliminar. Devemos praticá-la até que seja aprendida; se não for assim, a condição meditativa continuará a nos frustrar. 

O interesse é a chave para a concentração bem-sucedida. A mente não vagueia quando lendo um livro interessante ou vendo um filme. Na verdade, ocorre pouco ou nenhum esforço neste caso. A pessoa bem pode praticar a concentração da mente sobre algo profundamente interessante. Deixe então que o assunto torne-se cada vez mais abstrato à medida que a habilidade mental for desenvolvida. No seu devido tempo, será atingido o poder de mantê-la sobre uma ideia, em vez de sobre uma forma."

(Geoffrey Hodson - A Suprema Realização através da Yoga - Ed. Teosófica, Brasília, 2001 - p. 98/99)


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A SUPREMA ORAÇÃO

"Jesus nos mostrou qual é a suprema oração: 'Senhor, seja feita a Tua vontade'. Bem, muitas pessoas interpretam isso como significando que não precisam exercer nem a vontade, nem o pensamento; que só têm de sentar, meditar e esperar que Deus faça alguma coisa por meio delas. Isso é errado. Somos feitos à imagem de Deus. Ele deu ao ser humano uma inteligência que não deu a nenhuma outra criatura, e espera que a utilizemos. Por isso Paramahansaji nos ensinou a orar assim:
'Senhor, eu raciocinarei, eu quererei, eu agirei; mas guia Tu minha razão, vontade e atividade para a coisa certa que devo fazer.'
Nós praticamos isso no ashram religiosamente. Nas reuniões de trabalho, meditamos por alguns minutos e depois fazemos a prece acima. Só então começamos a reunião e tomamos decisões. 

Portanto, não fique sem fazer nada, a espera que Deus tome as providências necessárias. Ao aplicar os princípios da razão, da vontade e da ação, siga o curso que lhe parecer melhor. Trabalhe conscienciosamente, usando a vontade e a inteligência, e ao mesmo tempo ore sem cessar: 'Senhor, guia-me; deixa-me seguir a Tua vontade. Seja feita apenas a Tua vontade.'

Ao fazer isso, você mantém a mente receptiva à orientação divina. Pode então descobrir que, de repente, consegue ver claramente: 'Não, agora devo tomar esta direção'. Deus mostra o caminho. Mas lembre-se que, ao pedir a Deus que o guie, a sua mente jamais deve estar fechada; que esteja sempre aberta e receptiva. É assim que Deus ajuda a quem se ajuda. Funciona, mas o esforço e a iniciativa devem partir de nós.

Você não tem que viver num ashram para servir a Deus e seguir a vontade Dele. Cada um de nós está, neste momento, onde Deus e nossos atos passados nos colocaram. Se você não estiver satisfeito com suas condições atuais, medite e peça orientação a Deus. Mas, enquanto faz isso, aplique a razão que lhe foi concedida por Deus. Analise as opções que tem em relação à sua vida e ao seu futuro."

(Sri Daya Mata - Intuição: Orientação da Alma para as Decisões da Vida - Self-Realization Fellowship - p. 31/32)


domingo, 13 de setembro de 2015

SEGREDOS DO PROGRESSO ESPIRITUAL

"Para formar hábitos espirituais, é essencial ter um conjunto de normas espirituais. Paramahansa Yogananda dizia que não gostava de regras, mas que no início elas são necessárias ao devoto aspirante. Quando a pessoa aprende a se comportar, as regras se tornam desnecessárias.

Interpretado à luz da sabedoria de Swami Sri Yukteswar, 'como se comportar' significa atitude correta e ação que nasce da ininterrupta sintonia com Deus. Quando nos encontramos sempre na consciência Dele, já não precisamos de regras. Até então necessitamos, realmente, da sua disciplina. Não devemos pensar que as regras espirituais são restritivas. Elas são amigas, ajudando a nos guiar, a canalizar nossas energias, pensamentos e atividades de uma forma construtiva que conduz a Deus. 

Podemos compreender melhor as regras e segui-las de bom grado quando compreendemos que o comportamento correto pode ser resumido desta forma: fazer as coisas que devemos fazer na hora em que devemos fazê-las. O indivíduo que aprendeu essa arte de comportar-se corretamento não necessita de regras; entretanto, continua a seguir os mesmos princípios como antes, sem qualquer senso de restrição. Por exemplo, temos em nossos ashrams a regra da meditação diária em grupo. Quando a pessoa adquire a compreensão e a habilidade de 'fazer as coisas que ela deve fazer quando deve fazê-las', essa regra já não é uma regra para ela. Ela segue automaticamente, porque o hábito do comportamento correto se formou e porque encontra nessa prática o modo de vida que quer estabelecer. Ela quer estar com Deus.

Se se permitir que a água flua indiscriminadamente na Terra, ela agirá como uma força destrutiva. A fim de utilizar a força da água para algum propósito construtivo, o homem construirá primeiro uma represa para controlar o fluxo e a direção da água. Então, sua força é aproveitada construtivamente. É a mesma coisa com o esforço espiritual. Se o canalizamos, torna-se produtivo. Regras sábias não criam obstáculos, mas ao contrário nos levam à direção desejada, de uma forma direta, regulada. São uma parte essencial da vida no caminho espiritual. (...)"

(Sri Daya Mata - Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 123/124)


sábado, 12 de setembro de 2015

PERDÃO

"Na minha infância, minha mãe costumava colocar curativos nos meus machucados e retirava-os religiosamente dois dias depois. Nunca compreendi por que ela fazia isso, já que as feridas não estavam completamente curadas. Quando perguntei sobre o assunto, ela respondeu: 

- É preciso expor a ferida ao ar para que ela feche mais rápido. 

O mesmo acontece com nossas feridas emocionais, que precisam de um pouco de exposição para começar o processo de cura.

Quando alguém diz ou faz algo que nos magoa, tendemos a nos apegar à ferida e a guardar ressentimentos em relação àquela pessoa. Do ponto de vista da energia psíquica, isto é um erro. Carregar uma ferida emocional estimula e alimenta emoções e pensamentos negativos relacionados com essa ferida, e a dor contagia nosso espaço. Como já disse várias vezes, semelhante atrai semelhante. Portanto, atrairemos elementos igualmente negativos. Quanto antes nos permitirmos vivenciar os sentimentos de raiva e frustração, mais cedo poderemos nos despegar da dor. E com esse desapego vem o verdadeiro passo na direção da cura: o perdão.

O que cria o poder de curar a si mesmo? O que dá a uma pessoa a coragem de perdoar? Dois ingredientes são fundamentais: a compreensão espiritual conquistada através do processo constante de autoconhecimento e a prática persistente do desapego. Pessoas capazes de compaixão aprendem as lições do perdão. Elas percebem que o apego à mágoa faz com que o sofrimento se repita indefinidamente. O perdão traz a cura para a pessoa e ajuda a difundir esta consciência para toda a humanidade."

(James Van Praagh - Em busca da Espiritualidade - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2008 - p. 64)


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

DA LAGARTA À BORBOLETA (PARTE FINAL)

"(...) Um homem que nunca passou por este estado de morte voluntária, continua a ser um homem profano, materialista, interessado somente nas coisas do corpo físico e das emoções.

Como já dissemos, não é o sofrimento como tal que transforma o homem, mas é o sofrimento compreendido e aproveitado. Mas o homem que nunca viveu no seu interior por uma profunda interiorização ou meditação, dificilmente pode sofrer com serenidade, não pode dizer 'eu transbordo de júbilo no meio de todas as minhas tribulações'. O homem profano, sem sofrimento transformador, continua a vida inteira como lagarta pesada e comilona - ao passo que o homem que passou por um sofrimento compreendido, e aceito, entra numa atitude de serenidade e leveza, que faz lembrar o adejar silencioso da borboleta, que, apesar disto, continua a manter o contato com a terra.

O sofrimento compreendido e aceito confere ao homem uma intuição estranha das coisas superiores; dá-lhe o gosto pelas coisas que, outrora, o desgostavam; dá-lhe facilidade de compreender o incompreensível e de ver as coisas invisíveis.

Ninguém pode gostar do sofrimento por causa do sofrimento - que seria masoquismo mórbido - mas pode querer o sofrimento como um meio e um caminho que conduzem a uma vida superior, que os não sofredores ignoram.

Essa inefável estesia e clarividência que o sofrimento compreendido produz vale por todas as dores e angústias anteriores. O lúgubre fantasma vestido de luto se transformou num querubim luminoso, com a luz da felicidade nos olhos e o sorriso da vida eterna nos lábios.

Quem quiser voar como borboleta, não tenha medo de morrer como crisálida, depois de ter vivido como taturana." 

(Huberto Rohden - Porque Sofremos - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 64)


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

DA LAGARTA À BORBOLETA (1ª PARTE)

"A lagarta, ou taturana, é bem o símbolo do homem profano. A borboleta é comparável ao homem iniciado. 

A lagarta rasteja pesadamente nas baixadas. O seu corpo desgracioso não é senão boca e estômago.

Para que a lagarta possa tornar-se borboleta, é indispensável que passe por uma espécie de morte, a crisálida, ou o casulo. No fim do seu período de lagarta, deixa ela de comer, retira-se a um lugar solitário e lá se metamorfoseia. Não sabemos se ela sofre com esta metamorfose. E, se sofre, também aceitaria de boa vontade esse sofrimento, porque, instintivamente, a lagarta sabe que o seu verdadeiro estado é o de borboleta alada. Nesse último estado é o inseto completamente diferente da lagarta: com quatro asas velatíneas, meia dúzia de pernas elegantes e flexíveis, dois olhos de opala com milhares de facetas visuais; dispõe de uma língua em forma de espiral contráctil, com a qual suga o néctar das flores. Em vez de rastejar pesadamente pela terra, a borboleta voa elegantemente pelos espaços ensolarados, donde só desce, de tempos a tempos, para se alimentar duma gotinha de néctar sugado do perfumoso cálice das flores. 

Há um contraste frisante entre toda a vida da lagarta e a da borboleta. E toda essa modificação se deu durante a morte da lagarta e o nascimento da borboleta, que é a crisálida, que pode ser comparada com uma meditação profunda.

Durante a verdadeira e completa meditação, o homem fica como morto, imóvel, silencioso, totalmente ensimesmado na consciência espiritual, sem o funcionamento dos sentidos e da mente. A meditação, foi comparada pelos mestres espirituais como e egocídio, ou morte voluntária e temporária do nosso ego físico-mental, mas em plena vigília do Eu espiritual. Paulo de Tarso, referindo-se a esse estado, escreve: 'Eu morro todos os dias, e é por isso que eu vivo - mas já não sou eu quem vivo, o Cristo é que vive em mim'.

E o próprio Cristo diz: 'Se o grão de trigo não cair em terra e morrer, ficará estéril; mas se morrer, produzirá muito fruto'. (...)"

(Huberto Rohden - Porque Sofremos - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 63/64)


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

NÃO CONDENE O IGNORANTE

"(3:26) Não deve nunca o sábio condenar o ignorante quando este age por instigação do ego. Ao contrário, iluminado que é, deve limitar-se a convencer seus semelhantes a preferir a ação reta e justa. 

A condenação tantas vezes encontrada em obras religiosas faz quase tanto mal quanto bem. A maneira de ajudar as pessoas a sair da ignorância é despertar nelas o anseio de saber mais. Repreendê-las por sua insensatez seria como ralhar com o cego por ele não conseguir ver. As censuras prejudicam também quem as profere, pois, ainda quando pareçam provir da sabedoria, brotam inevitavelmente contaminadas pelo senso de superioridade alimentado pelo ego, que enreda também o 'pregador' nas malhas da ilusão. 

Os pensamentos da pessoa são tingidos pelas roupas que veste. Se veste o cinza da crítica moderada, seus pensamentos ficam nebulosos. Se veste o preto da condenação intransigente, seus pensamentos se tornam sombrios. E se veste as cores joviais da delicadeza, aceitação e perdão, não apenas inspira simpatia aos outros como aviva ainda mais essas cores em si próprio." 

(A Essência do Bhagavad Gita - Explicado por Paramhansa Yogananda - Evocado por seu discípulo Swami Kriyananda - Ed. Pensamento, São Paulo, 2006 - p. 171


terça-feira, 8 de setembro de 2015

A HARMONIA NASCE DO AMOR E DA SABEDORIA

"A harmonia nasce do amor e da sabedoria. Estes, por sua vez, são o produto de um coração puro e expansivo. Um coração puro resulta de pensamentos puros. A pureza mental decorre de um processo seletivo em que a mente faz a triagem dos pensamentos bons e maus, rejeitando os últimos e permanecendo sempre com os primeiros. Com a repetição e com o reforço dos pensamentos aplicados à ação, o discernimento passa a ser um hábito virtuoso. Quando cessa o conflito mental das divergências devido à eliminação dos pensamentos errados, surge na sua vida uma harmonia tanto externa quanto interna. Portanto, sempre que seus pensamentos se engalfinharem numa batalha já conhecida, use a sabedoria para mediar as diferenças e verá que os conflitos angustiantes não o perturbarão mais! É o testemunho e a experiência de todos os que praticam a yoga.

A mente é o incinerador da natureza, onde se pode reduzir a cinzas toda a escória mental que não vale a pena guardar: todo o lixo de pensamentos e desejos, de conceitos errôneos, rancores e discórdias nos relacionamentos. Não há um único relacionamento, por pior que seja, que você não possa consertar, desde que primeiro faça isto na mente. Não há um único problema na vida que você não possa resolver, desde que antes o resolva em seu mundo interior, o ponto de origem. Não se intimide pelas possíveis consequências, mesmo que sejam drásticas. Antes de agir, se você harmonizar a situação com a sabedoria do discernimento mental, o resultado cuidará de si mesmo. Uma mente harmonizada gera harmonia num mundo de aparente discórdia."

(Paramahansa Yogananda - Jornada para a Autorrealização - Self-Realization Fellowship - p. 102/103)


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

DEUS E O HOMEM (PARTE FINAL)

"(...) A era do homem começou, grosseira e materialisticamente, pela negação de Deus e de todas as coisas antitéticas às percepções exteriores nas quais sua consciência estava ativamente centrada. Mas, para alguns de seus pensadores avançados, a ciência tem progredido suficientemente desde aquela época para que se tenham tornado perceptivos das origens e leis filosóficas subjacentes aos dados científicos, estendidos atualmente muito além dos confins das descobertas iniciais. O princípio vida tem sido cada vez mais difundido com eficácia no universo mecanicista do século XIX e tem agido, cada vez mais, como o fator básico e criativo no esquema de evolução que a ciência tem proposto como uma de suas principais descobertas. Vida, mente e homem são crescente e sucessivamente as imagens em torno das quais se concentra muito do moderno pensamento científico.

Atualmente, a apreciação do homem - ao longo de um número crescente de avenidas convergentes - investiu-o de tanta importância que a concepção do que ele é, e como deve ser considerado, pode muito bem ser descrita como o fator crucial da civilização do futuro. A aceitação da visão de que o homem é um deus em formação (uma verdade fundamental no esquema teosófico) inevitavelmente tornará divina essa civilização. A natureza da divindade e a natureza do homem, em sua essência mais recôndita e não corrompida, serão então vistas como criadoras de uma unidade glorificada, e a vida humana será considerada como o solo para a nutrição de uma semente espiritual imperecível.

A natureza de Deus será um pouco conhecida, o suficiente para elevar a alturas transcendentes nossa consciência atual, quando a natureza do homem adquire uma certa aproximação de sua forma inata e arquetípica - a forma à qual ele será levado pela sublimação de suas experiências e pela integridade e incorruptibilidade em todas as suas ações. Deus só irá retornar ao seu lugar em nossas vidas quando honrarmos o homem como sendo feito à sua imagem e como um símbolo de sua presença - o homem como um filho de Deus, eterna e essencialmente uno com o Pai, e não como um renegado e rebelde contra as leis de Deus (ou leis da Natureza), buscando usurpar seu trono na presunção de uma individualidade separada."

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 42/43)

domingo, 6 de setembro de 2015

DEUS E O HOMEM (1ª PARTE)

"Dizem muitas vezes que esta é uma era não de Deus e de religião, mas do homem e seus triunfos. C. Jinarajadasa (falecido presidente da Sociedade Teosófica) expressou esta ideia lindamente ao descrever o tipo de religiosidade que seria a suprema realização dos tempos atuais como a realização de "Deus, o Homem-Irmão'. Temos de aprender a perceber a luz de Deus nos rostos de nossos irmãos. A doutrina da transcendência, pelo fato de estar tão além do alcance do homem, prestou-se a todo tipo de perversão, e à imaginação de um estado de absolutismo além de qualquer relação com a ordem natural relativa. O homem criou Deus segundo a imagem de suas próprias fantasias e baixezas, e o colocou num pedestal de onde ele reina como um déspota caprichoso dotado dos atributos de seu adorador, ou onde permanece como uma abstração com a qual não precisamos nos preocupar em nossa conduta prática.

Toda verdade que está além da compreensão humana está fadada a ser assim travestida e desonrada. Uma criatura que percebe apenas duas dimensões não pode, vivendo num mundo de três dimensões, compreender tudo que acontece, exceto em termos fantásticos e altamente complicados. No entanto, a total incapacidade para compreender a realidade sólida não refuta sua existência. A teoria da relatividade não pode, por sua própria natureza, desestabilizar o absoluto, embora o absoluto descrito apenas em termo do que 'não é', pode ser não mais do que uma frase para uma mente relativa. Podemos compreender nossas próprias limitações que impedem o conhecimento da Realidade; os sábios que compreenderam e assim transcenderam as limitações prestaram testemunho à Realidade em suas próprias consciências, vista como por uma luz refletida dessas mesmas limitações.

A tônica da mentalidade da era atual é a exploração do concreto e o estabelecimento das leis que o governam. Desde o tangível e concreto até o intangível e abstrato, tudo está na ordem do dia do moderno progresso científico e filosófico, desbravada extraordinariamente por Lord Bacon. Este método tinha necessariamente de começar a partir da demolição de crenças e suposições preexistentes que governavam as atividades daquele período, as quais diziam respeito não apenas às coisas objetivas, mas também aos homens e às mulheres, e sua negação abria a estrada, no campo das relações humanas, para a democracia entre outros concomitantes. (...)"

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 41/42)


sábado, 5 de setembro de 2015

OFEREÇA TUDO AO SENHOR

"Onde quer que você se encontre, o que quer que faça, faça-o como um ato de adoração e oferenda, como um ato de glorificação a Deus, que é o inspirador, a testemunha e o Senhor. Não divida suas atividades assim: 'esta é para meu proveito'  e 'esta outra para Deus'. Ainda que divida zero por zero, o que resulta é zero. Quando você agir, não deve deixar sobras, nada deve restar. Veja todo trabalho uno em si mesmo. Dizem as escrituras (shastras) que você não deve deixar qualquer saldo ou resto em dívidas, em doenças, em vingança contra inimigos no círculo de nascimentos e mortes. Salde tudo, até o fim. Nascimento e morte não devem mais se repetir. 

Se você oferecer todas as atividades aos pés do Senhor e livrar seus atos do mínimo traço de desejos egoísticos, as consequências de tais atos não o encadearão. Você estará livre; estará redimido; você alcançará moksha, isto é, a libertação dos nascimentos e mortes.

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 30)


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A AÇÃO QUE LIBERTA

"Você se ressente com a ingratidão dos outros?

Você que acha que tanto deu de si agora reclama porque ainda não recebeu reconhecimento, gratidão, correspondência...

Diante da ingratidão dos demais, dá vontade mesmo de desistir de ser bom, de ser prestativo... Não é?

Ora, amigo, acorde. Reflita, autoanalise-se. Procure compreender os motivos que o levaram a ser 'bom'.

Em realidade, você não foi generoso ao ajudar.

Se agora você está zangado, cobrando retribuição, é porque andou 'negociando'. Negociando mesmo: servindo, visando a ser servido; dando para receber... Não foi?

Não é nada sábio fazer assim.

Esperar recompensa é não somente uma prova de egoísmo, mas também uma causa de sofrimento.

Faça o bem unicamente pela alegria de fazer o bem.

Senhor. Cabe-me plantar e cultivar, mas os frutos são Teus."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 199)


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

UMA INFÂNCIA SAUDÁVEL NÃO GARANTE UMA PERSONALIDADE SAUDÁVEL

"Você não precisa ter tido uma infância doentia para se tornar um adulto doente, como acreditam alguns pensadores da psicologia. Basta ser vítima dos seus pensamentos negativos e não administrar as suas emoções tensas que os estímulos estressantes do mundo moderno são suficientes para causar-lhe transtornos psíquicos.

Como está seu estilo de vida? Será que você apazigua as águas da emoção com serenidade? Quando criança talvez você fosse apaixonado pela vida e vivesse sorrindo sem grandes motivos. Mas, e agora? O tempo passou e, hoje, talvez já não sorria com tanta frequência ou precise de grandes motivos para se animar.

Uma das coisas que mais preocupava Jesus era a saúde psíquica dos seus discípulos. Ele queria produzir homens livres e não dominados por preconceitos ou pensamentos negativos. Ao convidar os homens a beber de uma água viva que emanava do seu interior, desejava que eles fossem felizes de dentro para fora. Ao encorajá-los a não ser ansiosos, estimulava-os a dominar a agitação emocional e os pensamentos antecipatórios.  

É possível que você esteja tão ocupado que nem ache tempo para falar com uma pessoa muito importante: você mesmo. É provável que você cuide de todo mundo, mas tenha se esquecido de você. Será que você não vive a pior solidão do mundo, a de ter abandonado a si mesmo? Você organiza seu escritório e sua casa, não não se preocupa em debelar os focos de tensão em sua memória.

Será que, devido a síndrome SPA, você não envelheceu no único lugar em que não é permitido envelhecer, no seu espírito e emoção? É preciso romper o cárcere da emoção. O destino é frequentemente uma questão de escolha. Opte por ser livre. O mestre da vida discursou de várias maneiras que felicidade é uma questão de transformação interior, de treino emocional, e não um dom genético. Não se esqueça de que muitos querem o pódio, mas desprezam a labuta dos treinos."

(Augusto Cury - O Mestre do Amor - Ed. Academia de Inteligência, São Paulo, 2002 - p. 110/111)
 www.academiadeinteligencia.com.br


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

SEJA AMIGO DOS INIMIGOS

"Seja amigo até do inimigo, pois, se for inimigo do inimigo, aumentar-lhe-á o ódio e o tornará ainda mais agressivo. Toda pessoa que tenta agredir os outros agride primeiro a si mesma. Você não pode odiar seus semelhantes sem antes envenenar-se a si mesmo. Não é de seu interesse detestar ninguém.

Lembre-se, Deus está em seu inimigo tanto quanto em seu amigo. Quando vê Deus naqueles que o amam e naqueles que o odeiam, percebendo o amor divino que tudo permeia, você reconhece sua onipotência.

O ódio se propaga no éter. Quando alguém emite ódio e você se sintoniza com esse sentimento, recebe-o; mas se estiver sintonizado com o amor, não importa quantas vibrações de ódio sejam emitidas, você não as capta. Você deve cultivar o amor em seu coração, pois o amor é o imã que atrai as pessoas e a adaga que cerceia o ódio.

Na amizade pura você encontrará Deus. Para ser um amigo verdadeiro, você deve se reconhecer como uma alma; e se se reconhecer como uma alma, será um amigo perfeito. Caso não consiga ser amigável, infringirá a lei divina da autoexpansão pela qual, unicamente, a alma evolui para o Espírito. Sendo autêntico consigo mesmo e um amigo verdadeiros dos outros, você ganhará a amizade de Deus;"

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda,  A Espiritualidade nos Relacionamentos - Ed. Pensamento, São Paulo, 2011 - p. 18/19)
www.editorapensamento.com.br


terça-feira, 1 de setembro de 2015

SILENCIAR A MENTE

"D: Como levar a mente ao silêncio?

 M: Pelo desapaixonamento e pelo abandono de tudo que nos é caro, pode-se, por esforço próprio, realizar facilmente essa tarefa. Sem essa paz mental, a Libertação é impossível. Apenas quando todo o mundo objetivo é extinto pela mente desiludida, em consequência do conhecimento que discerne que tudo que não é Brahman é objetivo e irreal, é que resultará a Suprema Beatitude. Do contrário, se não há paz mental, por mais que um homem ignorante se esforce e se arraste pelo abismo profundo dos textos espirituais (shãstras), não conseguirá obter a Libertação.

Só pode ser considerada morta a mente que, pela prática do yoga, perdeu todas as suas tendências e tornou-se pura e imóvel como uma lâmpada bem protegida do vento por uma redoma. Essa morte da mente é a realização mais elevada. A conclusão final de todos os Vedas é que a Libertação nada mais é do que a mente silenciosa.

Para a Libertação apenas uma mente silenciosa tem valor; riqueza, parentes, amigos, karma resultante de movimentos dos membros, peregrinação a lugares santos, banhar-se em águas sagradas, vida em regiões celestiais, práticas austeras, por mais severas que sejam, ou qualquer outra coisa - nada disso serve. Da mesma forma, muitos livros sagrados ensinam que a Libertação consiste em abandonar a mente. Em várias passagens do Yoga Vasishta a mesma ideia se repete, de que a Bem-aventurança da Libertação só pode ser alcançada pela extinção da mente, que é a causa principal do samsãra e, portanto, de todo sofrimento. 

Assim, matar¹ a mente pelo conhecimento dos ensinamentos sagrados, pelo raciocínio e pela experiência pessoal é desfazer o samsãra. De que outra maneira pode ser parada a miserável roda de nascimentos e mortes? E como pode a liberdade resultar disso? Nunca. A não ser que o sonhador desperte, o sonho não termina, como não acaba o pavor de estar diante de um tigre, no sonho. Igualmente, se a mente não estiver desiludida, a agonia do samsãra não cessará. A única coisa é que a mente precisa ser silenciada. Esta é a realização da vida."

¹ Embora neste e em outros trechos dos ensinamentos verifica-se a utilização de termos como 'destruir', 'apagar' ou até mesmo 'matar' em relação aos pensamentos ou à mente, uma leitura ampla e aprofundada dos ensinamentos Advaita, em especial de Sri Ramana Maharshi, revela que o apontar é de que a mente em si é ilusória ou inexistente. Não se pode, assim, destruir algo que não existe - ou que existe apenas enquanto imaginação. Sabendo disso, talvez fosse melhor ler trechos como este como 'abandonar' ou 'transcender' a mente.
  
(Advaita Bodha Deepika - A Luz da Sabedoria Não Dualista - Ed. Teosófica, Brasília, 2012 - p. 67/69)
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