OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O QUE É O AMOR (PARTE FINAL)

"(...) O amor não pode ser explicado; a alegria que ele traz somente pode ser sentida. A profundidade, a qualidade, a intensidade do amor diferem; a sua natureza, no entanto, é a mesma, e ela nos impele a atos e desejos semelhantes. Nessa poderosa expressão de amor e entrega, em todos os amores, temos o mesmo fenômeno, a mesma angústia na separação, a mesma alegria na união.

Não podemos dividir o amor em diferentes tipos: ele é indivisível. No entanto, há uma dúvida com relação ao elemento sexual em algumas expressões de amor. Parece-me que o sexo, embora seja um fator importante na vida, não é um acompanhamento necessário do amor. O amor em si não tem qualquer elemento sexual, e a atração sexual raramente conota amor. No amor propriamente dito, o fato da pessoa amada ser do sexo oposto raramente tem qualquer influência, como no caso do amor do pai por sua filha ou do irmão por sua irmã.

Mas o sexo influencia o amor de duas pessoas de idades semelhantes e sexos opostos - o amor que culmina no casamento. O amor não tolera segredos e busca a maior união possível; nessas duas afirmações temos um retrato do elemento sexual no amor. Com as limitações que são impostas ao corpo humano, a união mais próxima possível nesta vida é atingida na expressão sexual; por isso ela é a mais intensa. E por isso, na linguagem do devoto, o objeto de sua constante contemplação - o próprio Senhor Paramesvara - é apresentado como sendo de sexo oposto ao do devoto. Isso poderia, para a maioria das pessoas, ser considerado um total sacrilégio. Foi isso que criou tanto mal-entendido a respeito da relação de Krishna com as Gopis. É isso que dá terrível força e ternura às canções de Mira Bai, e a faz parecer quase irresponsável. Foi isso que fez os cristãos medievais considerarem a Igreja como 'a noiva de Cristo'. Todos adotam o mesmo simbolismo. A relação entre marido e esposa é a mais íntima possível, e portanto é usada como metáfora para expressar a ligação mais fervorosa de um ser por outro."

(Sri Prakasa - O que é o amor - Revista Sophia, Ano 13, nº 54 - p. 14/15)
www.revistasophia.com.br


domingo, 30 de agosto de 2015

O QUE É O AMOR (2ª PARTE)

"(...) Outra característica do amor é o desejo de servir ao ser amado. O desejo de ser útil a quem se ama é uma força impulsora que está onde quer que haja amor. Sempre que alguém ama profundamente, tenta servir ao ser amado e agradá-lo com seus atos de devoção. Encontramos isso em todos os casos, e a intensidade do nosso desejo de servir depende da intensidade do nosso amor. Um filho amoroso tenta servir seus pais, um discípulo amoroso, o seu preceptor, um consorte o seu consorte, um animal o seu dono, e vice-versa.

Portanto, não vejo distinção entre o que é chamado 'diferentes tipos de amor' de um ser humano por diferentes seres. A intensidade difere, com certeza, mas a natureza do amor não difere de um caso para outro.

O amor é uma força cega que nos leva além de nós mesmos e que somos incapazes de deter. Ele não ouve argumentos e exige apenas duas coisas: tanta proximidade do ser amado quanto seja possível; tantas oportunidades de servir e agradar quanto seja possível.  (...)

O que o amor nos dá? Alegria. Nada mais e nada menos do que isso. Somente alegria é o que sentimos por estar ao lado de quem amamos (...) A proximidade física nos dá tal alegria que não conseguimos descrevê-la; nós sentimos sem compreender por que ela surge. A simples visão daqueles a quem amamos traz felicidade - uma felicidade tal que podemos até desejar passar por dificuldades e sofrer por aqueles que amamos. (...)"

(Sri Prakasa - O que é o amor - Revista Sophia, Ano 13, nº 54 - p. 14)

sábado, 29 de agosto de 2015

O QUE É O AMOR (1ª PARTE)

"Se para o cientista o mundo é a corporificação da sobrevivência do mais forte, para o homem comum ele é - e em igual extensão, senão maior - a corporificação do princípio do amor. Encontramos o amor em toda parte: no ninho do pássaro, na toca da fera, no lar do homem. O amor é, na verdade, a emoção que guia o coração dos seres sencientes. Se a sobrevivência do mais forte significa a destruição do fraco, o amor significa criação e proteção. 

Muitos já falaram e escreveram a respeito do amor. Ele foi descrito de várias formas: amor pelo superior, cuja melhor expressão é o amor filial; amor pelo igual, cuja melhor expressão é o amor conjugal; e amor pelo inferior, cuja melhor expressão é o amor paternal. Supõe-se que a natureza e a qualidade do sentimento sejam diferentes em cada caso. (...)

O primeiro aspecto do amor é a atração de um ser por outro e o desejo de maior proximidade - física, mental e espiritual. Esse fator é inseparável do amor, quer seja de uma criança por seus pais, de um discípulo por seu guru, de um amigo ou de um cônjuge por outro. Parece que, sem essa atração natural - para a qual não se pode atribuir qualquer razão - não existe o verdadeiro amor. O mesmo vale para a relação entre homens e animais. Podemos encontrar milhares de exemplos da mais fervoroso ligação entre eles, o ser que ama e o ser amado sendo atraídos um pelo outro, irresistivelmente e por razões inexplicáveis. 

A atração traz consigo o inevitável desejo de estar fisicamente tão próximos quanto possível; de, mentalmente, não ter segredos; e de, espiritualmente, ter aspirações e empenhos comuns. A separação traz tristeza, e agir sem consultar o outro parece impróprio; ter aspirações e esperanças diferentes parece um sacrilégio. Isso ocorre sempre que existe um forte amor, seja a pessoa amada superior, igual, ou inferior à pessoa que ama. 

Esse princípio se aplica também ao caso da criança e do animal. Queremos estar juntos de uma criança muito amada, mesmo que ela ainda não saiba se expressar; queremos estar próximos de nossos animais de estimação, embora não nos deem qualquer resposta inteligível. (...) O forte amor - até onde diz respeito à emoção - nos impele em direção a sentimento semelhante. Sua expressão externa, no entanto, é diferente em diferentes casos: um bebê toca seus pais; um amigo pode dar um vigoroso aperto de mão; o marido pode abraçar a esposa; o dono pode dar tapinhas em seu cão. Em todos os casos, vemos que o desejo de se aproximar tanto quanto possível do ser amado é um fator sempre crescente. O desejo de proximidade é inseparável da afeição. Vemos, porém, que existe fundamentalmente apenas um tipo de amor e que sua natureza é a mesma, qualquer que seja o objeto do amor. (...)"

(Sri Prakasa - O que é o amor - Revista Sophia, Ano 13, nº 54 - p. 13/14)


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

NINGUÉM PODE SERVIR A DOIS SENHORES

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 

Comparem-se as palavras de Cristo com o ditado hindu a respeito de Rama, um dos avatares: 'Onde está Rama, não existe desejo mundano, e onde existe desejo mundano, Rama não está.' Encaremos os fatos: a tentativa de servir a 'Deus e ao dinheiro' simultaneamente é ato de puro desespero. Dizem-nos os grandes mestres espirituais que não se pode fazer isso. Não podemos compenetrar-nos de Deus enquanto formos escravos de desejos como a luxúria e a ganância. O discernimento espiritual precisa estar ao lado das práticas espirituais. Amadurecendo nosso discernimento, surge como processo natural a renúncia. Então, como o mercador da parábola de Cristo, venderemos todos os nossos pertences, a fim de comprar a 'pérola única de alto preço', que é o reno do céu.

A leitura do evangelho de Cristo torna claro que ele ensinava o ideal da renúncia, exatamente como tem sido ensinado por todos os grandes videntes da verdade: Se você deseja realmente a Deus, precisa abandonar o dinheiro. Como a mensagem de Rama, Krishna, Buda e todos os outros avatares, a mensagem de Cristo é universal: vida espiritual sem renúncia é impossível. Em suas próprias palavras:

'Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas aquele que, por amor de mim, perde a sua vida, a encontrará. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou o que poderá dar o homem em troca da sua alma?'

O que vem a ser, de fato, negar a si mesmo, renunciar? Não significa livrar-se do mundo e de seus deveres. Significa abandonar o egoísmo, o sentimento de 'eu' e de 'meu'. Significa amar a Deus com todo o coração, alma e mente. Sri Ramakrishna dizia: 'Por que o amante de Deus renuncia a tudo por amor daquele que ama? Depois que vê a luz, a mariposa não volta mais para o escuro; a formiga morre no monte de açúcar, mas não recua dele. Assim, de bom grado, o amante de Deus sacrifica a vida para alcançar a bem-aventurança divina, não se apegando a mais nada.'"


(Swami Prabhavananda - O Sermão da Montanha Segundo o Vedanta - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 112/113)



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

SEJA CAUTELOSO, NÃO MEDROSO

"Difícil é encontrar alguém que não tenha medo de doença. O temor foi dado ao homem como dispositivo de alerta para poupá-lo da dor; não significa que deva ser cultivado em demasia. O excesso de medo apenas paralisa nossos esforços para afastar as dificuldades. O temor cauteloso é sábio, quando, por exemplo, conhecendo os princípios da alimentação adequada, você raciocina: 'Não comerei esse bolo porque não me faz bem'. Mas a apreensão irracional é causa de enfermidades; é o verdadeiro germe de toda moléstia . O medo da doença precipita a doença. Só de pensar nela, você já a atrai para você. Se está sempre com medo de pegar um resfriado, ficará mais suscetível a ela, faça o que fizer para preveni-lo. Não paralise a vontade e os nervos com o medo. Se a ansiedade persistir, apesar de sua força de vontade, você estará ajudando a criar a própria experiência que tanto receia. Também não é sensato associar-se mais do que o necessário e razoável com pessoas que constantemente discutem doenças e debilidades; demorar-se neste tipo de conversa pode lançar sementes de apreensão em sua mente. Quem se preocupa em contrair tuberculose, câncer e problemas cardíacos, deve expulsar o medo, para não atrair essas condições indesejáveis. Quem já se encontra doente e debilitado precisa de um ambiente o mais agradável possível, na companhia de pessoas de sentimentos positivos. O pensamento possui imenso poder. Pessoas que trabalham em hospitais raramente adoecem, por causa de sua atitude confiante. Elas são vitalizadas pela energia e pensamentos fortes que possuem.

Por essa razão, à medida que for envelhecendo, é melhor não revelar aos outros a sua idade. Assim que o faz, eles procuram ver em você sinais da idade, associando-a com diminuição de saúde e vigor. A ideia de idade avançada gera ansiedade e assim você mesmo se desvitaliza. Por isso, mantenha sua idade em segredo. Diga a Deus: 'Eu sou imortal. Sou abençoado com o privilégio da boa saúde e Te agradeço.'

Portanto, seja cauteloso, mas não medroso. Tome a precaução de fazer uma dieta purificadora de vez em quando, para eliminar quaisquer condições patológicas que possam estar presentes no corpo. Faça tudo que puder para erradicar as causas da moléstia e fique absolutamente tranquilo. Há tantos germes por toda parte que, se você começasse a temê-los, seria totalmente incapaz de gozar a vida. Mesmo com todas as precauções sanitárias, se pudesse examinar sua casa com um microscópio, perderia todo o desejo de comer!"

(Paramahansa Yoganada - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 94/95)


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

DEVOÇÃO (PARTE FINAL)

"(...) A devoção pode ser quase tão egoísta quanto o amor frequentemente o é; pode ser intensamente egocêntrica; pode ser uma atitude de impotência e dependência, e não de força; de parcialidade em vez de serviço equitativo; pode tornar a pessoa exclusivista, inflexível, irascível e até mesmo cruel, em vez de inclusiva e gentil. 

Precisamos, então desapegar-nos de nossa devoção e tentar ver por que somos devotados, qual é a exata natureza de nossa devoção ao objeto, seja uma pessoa ou um ideal. Haverá algum desejo ou motivo secreto que sustente esse relacionamento? Pode haver um desejo oculto de agradar com vistas a obter favores, a se aquecer ao sol da pessoa a quem a devoção é professada, ou pode ser a expressão mascarada de um temor sutil.

A devoção pode ser a uma pessoa a que se sinta ser grande e nobre, plena de qualidades atrativas e inspiradoras. Pode ser a total autoentrega pessoal. Ou pode ser uma atitude de possessividade, na qual a pessoa se tranca com seu deus, com a exclusão de tudo o mais que não corresponda a esta troca privativa. Um tal isolamento da pessoa, dentro de um círculo de indiferença às outras manifestações da Vida Una, sempre tem em sua âmago um elemento pessoal, pelo menos um gozo que é essencialmente egoísta e autocentrado, e, portanto, um grilhão.

A devoção, para ser verdadeiramente espiritual, deve ter a qualidade de um amor constante, concentrado e altruísta que, em sua forma mais elevada, é filantropia e essencialmente impessoal. A devoção a uma pessoa ou ideal verdadeiramente espiritual  purgará de nós toda escória. A devoção que é pura - e se oferece sem reservas, assimila a natureza da pessoa de quem procede até o objeto de sua devoção. A não ser que nossa devoção eleve e universalize nossa natureza, ela carece de verdadeira devoção que, em última análise, é devoção à Verdade única.

A verdadeira devoção deve expandir toda a natureza da pessoa e expô-la como as águas ao sol, de modo que toda a superfície da natureza pessoal seja tocada pelos raios actínicos da Verdade. Que cada um crie, segundo o padrão de seu próprio coração, qualquer imagem ou figura de verdade da qual não busque obter ganho, e à qual possa entregar-se completamente. Então ele experimentará os ricos efeitos de uma tal autoentrega, a cujas influências ele se lança em aberto. Ele conhecerá as alegrias de uma vida vivida com um senso de unidade que é totalidade, um desamparo no qual não existem problemas."

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 66/67)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

DEVOÇÃO (1ª PARTE)

"A devoção pode ser uma coisa maravilhosa e bela, um foco espiritual que, em sua pureza e intensidade, é tal qual uma chama que se espalha rapidamente, seguindo adiante, superando obstáculos, e acelerando muito os processos destrutivo e construtivo. Tem sido chamada de a mais curta de todas as rotas para a meta, porque direciona todas as energias da pessoa para o objetivo da busca. Implica um estado de mente e coração no qual o fim está constantemente corporificado nos meios. Não é simplesmente um estado de busca, é um estado de conclusão e realização; uma condição na qual o derradeiro e o próximo estão reunidos e sintetizados, de modo que o resultado, que é uma consumação, é que permanece sempre satisfatório. É uma qualidade tão essencial quanto a sabedoria e a reta ação para o aperfeiçoamento de cada temperamento. 

A devoção pode ser de vários tipos: a do devoto, que se expressa em amor absoluto e irrestrito; a do agente, que transparece em sua ação; aquela que assume a forma de compreensão que floresce no serviço, segundo a necessidade e ocasião. 

É um fato que, de acordo com o caráter da devoção pessoal, será o objeto ao qual se é devotado, qualquer que seja o nome que se lhe dê; essencialmente, esse objeto é o que a pessoa cria com sua própria mente e coração. 

A devoção a um líder ou a um instrutor, quando é pura, é sempre devoção àquilo que é verdadeiro, belo e bom em si próprio. A devoção a um ideal é proporcional à verdade que está corporificada no conceito desse ideal. Quando a devoção é fanática, é por causa de alguma inflexibilidade, algum desconforto na natureza do devoto estimulada e gratificada por seu objeto de devoção, segundo sua concepção. Mesmo assim, se a causa tiver um nome auspicioso, o que o atrai é aquilo que apela à sua natureza. (...)"

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 65/66)

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

VIDA ESPIRITUAL

"O homem verdadeiramente evoluído, isto é, o homem espiritual, embora reserve um quarto de seu tempo para si, outro para o próximo, outro para o descanso e outro para Deus, na verdade, vive somente para Deus.

Quando trabalha profissionalmente e ganha, quando se nutre, quando pratica ginástica, quando elimina os escreta, quando pratica sexo, quando se banha, finalmente, quando age, aparentemente para si, ele o faz em espírito de sacramento, isto é, como um 'sacrifício' a Deus. Quando repousa e quando se diverte, igualmente oferece a Deus o repouso e a curtição. Quando ajuda, quando serve, quando ampara, ajuda, serve e ampara o próprio Deus que se manifesta no próximo, que recebe seus benefícios, e o faz na convicção de que é apenas um instrumento de Deus em ação.

Orar, meditar, louvar, cultuar Deus estão implícitos - e com que eficácia! - em todo seu agir, falar, pensar, desejar...

Mas, diariamente, reserva sagrados momentos para o recolhimento, quando, 'tendo fechado a porta', ora em secreto ao Pai, e o Pai em secreto, dialoga com ele'.

Que minha vida seja um bem-aventurado sacramento ininterrupto."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 38)


domingo, 23 de agosto de 2015

MEU KARMA SOU EU MESMO (PARTE FINAL)

"(...) 'Consta em Luz no Caminho que 'Nenhum homem é seu inimigo; nenhum homem é seu amigo. Todos são igualmente instrutores'. Mas esses instrutores, tanto amigos quanto inimigos, são ele mesmo; e, na realidade, é ele, por meio da instrumentalidade desses seres, que está ensinando a si mesmo os princípios da Unidade. O primeiro lampejo da verdadeira unidade de toda a existência surge quando o 'fora' e o 'dentro' são compreendidos como os dois lados de uma mesma moeda, sempre inseparáveis na unidade, embora cada um possa ser observado separadamente.

'Há um belo exemplo dessa verdade numa história narrada sobre um iogue hindu que viveu na época do Motim da Índia. Sua meditação constante era verdadeiramente para compreender a Unidade ou Deus. Um dia ele estava meditando num certo local, e à sua volta, aconteciam os eventos violentos do Motim. Os soldados ingleses que estavam combatendo os rebeldes chegaram até esse homem sagrado, mas não reconheceram que ele era um homem sagrado, alguém que estava tentando compreender a natureza de Deus, e não um dos rebeldes. A história conta que um dos soldados correu até ele e enfiou-lhe a baioneta. Contudo, enquanto o soldado corria em sua direção, o iogue olhou para ele calmamente e murmurou para si mesmo: 'Mesmo tu és Ele', Ele tinha esperado durante muito tempo pela chegado do Senhor, e o Senhor chegou à sua maneira.

'É este mesmo ensinamento da Unidade que temos na nossa Cadeia de União: 'Há uma Paz que ultrapassa o entendimento; mora no coração daqueles que vivem no eterno. Há um Poder que renova todas as coisas; vive e atua naqueles que conhecem o Eu como Uno'. O aspirante só começa a viver esse ensinamento em sua própria vida quando põe em prática a verdade subjacente às palavras: 'Mesmo tu és Ele'. Cada evento na vida, agradável ou desagradável, cada dor, cada fracasso, em suma tudo que consideramos como o não eu, deve, de alguma maneira misteriosa, ser compreendido como o Eu.

Porém, ainda mais do que isso, cada objeto e cada evento deve ser compreendido, mesmo que no início apenas em imaginação, como ele mesmo. As diversidades da manifestação são corporificações da Unidade, e, para aquele 'que vê', não existe separação entre ele mesmo e a Unidade. 'Eu sou Ele' deve não apenas significar que o homem e o Divino são um e não dois; deve significar também que 'eu' sou o mineral, o vegetal, o animal, o pecador, o santo, cada evento diário em minha vida e na vida do mundo. Deve significar, especialmente, já que somos homens e temos limitações humanas, que aquilo a que os homens fazem objeção como sendo 'desagradável' - luta, dor, desapontamento, fracasso - é também a Unidade, e assim 'eu mesmo'.'"

(Radha Burnier - Meu karma sou eu mesmo - Revista TheoSophia, ano 104, Abril/Maio/Junho de 2015 - Pub. Sociedade Teosófica no Brasil - p. 9/10)
http://www.sociedadeteosofica.org.br/


sábado, 22 de agosto de 2015

MEU KARMA SOU EU MESMO (1ª PARTE)

"O karma de cada pessoa é a parte de um karma maior que é o karma do mundo, como indica o que está mais abaixo; todo o processo é único. O karma não é algo que tem origem externa, mas algo que nós mesmos criamos. Portanto, cada um de nós deve fazer o que é correto a partir de um ponto de vista mais amplo, como assinalam as palavras do senhor Jinarajadasa. O karma que criamos não é a expressão de alguma força ou de alguma pessoa, senão de nós mesmos. Portanto, a todo momento devemos tentar fazer o que é correto.

É verdadeiro o ditado que diz que tudo na vida que pareça bom e também não tão bom é responsabilidade nossa. Como nos dizem todos os instrutores, cada um de nós deve aprender o princípio da Unidade. O trecho incluso dos ensinamentos do irmão Jinarajadasa enfatiza que devemos compreender o karma em plenitude e vivê-lo, que é a dificuldade que enfrentamos. Tudo parece estar fora, diferente da própria pessoa. Esta lição é difícil de ser aceita completamente, mas isso tem de acontecer. (...) É inútil dizermos que algum outro homem cometeu um equívoco ou que está causando mais malefício do que nós mesmos. O que é preciso é que cada pessoa compreenda o imenso trabalho que tem para empreender e a lição que tem de aprender. Esperamos que a passagem seguinte não seja apenas para uma leitura rápida, mas algo que, sendo plantado internamente, cresça e subordine tudo que é menos importante:

'Temos como axioma o fato de que o Divino e o homem são um. Mas é também um axioma, embora pouco compreendido, que o homem e todo o processo de evolução, no qual ele é um fator, também são um. Normalmente, à medida que o indivíduo sente a pressão da evolução, ele está apto a considerar o processo como algo que lhe é imposto de fora. Assim, é natural para ele sentir que todas as dificuldades da vida - doença, pobreza, limitação de todo tipo - são ajustes de seu karma arranjados para ele pelos Senhores do Karma para ajudar em seu crescimento. Essa é a plena verdade. Mas a verdade mais profunda é que todos esses arranjos são realmente operações de sua própria vontade. Ele deve compreender que, de algum modo misterioso, os ajustes feitos pelos Senhores do Karma são ajustes feitos por ele mesmo, e decretados por sua própria vontade. Cada evento que lhe acontece, particularmente aqueles de natureza dolorosa, devem ser reconhecidos por ele, não apenas como resultado de seu próprio karma e portanto por seu próprio decreto, e ainda como expressão de seu próprio eu. 'O meu Pai e eu somos um' não deve permanecer apenas um intelectualismo; pois a Unidade existe não apenas no reino do Espírito, mas também no da matéria. (...)"

(Radha Burnier - Meu karma sou eu mesmo - Revista TheoSophia, ano 104, Abril/Maio/Junho de 2015 - Pub. Sociedade Teosófica no Brasil - p. 9)
http://www.sociedadeteosofica.org.br/


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

COMO SER SAGRADAMENTE EGOÍSTA

"Sentir as dores dos outros e estender a mão para libertá-los de mais sofrimento; buscar felicidade na alegria alheia; tentar constantemente aliviar as necessidades de um número cada vez maior de pessoas - isto é ser sagradamente egoísta. O egoísta sagrado considera todas as suas consequentes perdas terrenas como sacrifícios que ele mesmo acarreta deliberada e propositalmente, pelo bem dos outros e para o seu próprio ganho grandioso e supremo. Ele vive para amar seus irmãos, pois sabe que são todos filhos de Deus único. Todo o seu egoísmo é sagrado, pois sempre que pensa em si mesmo, ele pensa não no pequeno corpo e na mente de entendimento ordinário, mas nas necessidades de todos os corpos e mentes dentro de seu âmbito de conhecimento ou influência. Seu 'eu' se torna o Eu de todos. Ele se torna a mente e o sentimento de todas as criaturas. Então, quando faz alguma coisa para si mesmo, ele só consegue fazer o que é bom para todos. Aquele que se considera alguém cujo corpo e membros consistem da humanidade inteira e de todas as criaturas certamente vê o Espírito Universal Onipresente como a si próprio.³

Essa pessoa não age esperando algo em troca; mas, com o melhor de seu discernimento e intuição, continua a ajudar a si mesmo em todos, com saúde, alimento, trabalho, sucesso e emancipação espiritual. 

Trabalhar com o egoísmo bom e o egoísmo sagrado nos coloca em contato com Deus, que descansa no altar da bondade que se expande a todos. Quem percebe isso trabalha conscienciosamente, só para agradar ao Deus da Paz interior, que sempre o orienta." 

³ "Enxerga a verdade aquele que percebe o Senhor Supremo igualmente presente em todas as criaturas, o Imperecível em meio aos perecíveis. (...) Quando o homem contempla todos os entes isolados como existindo no Único que Se expandiu em muitos, ele então se funde com Brahman" (Ghagavad Gita XIII: 27,30).

(Paramahansa Yogananda - Jornada para a Autorrealização - Self-Realization Fellowship - p. 319)


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

VERDADE

"O que é a verdade? Será meramente o que é conhecido como 'falando a verdade', evitar o fingimento, honestidade absoluta consigo próprio e com os outros? Estará ela no seguir uma linha de ação que se concebe como sendo correta, independentemente das consequências para si próprio? Será apenas uma abstração na qual buscamos amparo em meio ao insatisfatório fluxo do tempo? Haverá uma visão da verdade que abranja tanto nós quanto todas as outras coisas?

Quando dizemos 'Verdade', pensamos talvez num elemento do absoluto, na noção de que a verdade é primária, e não secundária ou derivada.

Quando uma pessoa se expressa como ela é, e parece como é, então, sem sombra de dúvida, ela é verdadeira em ação e verdadeira consigo mesma. Isto é fazer, que é o outro lado de ser. O que ela é dentro de si é a verdade de seu ser, e o que ela faz e parece aos outros deve fluir dessa verdade e ser modelado por ela. Sinceridade - toda falta de duplicidade - é, pelo menos, um elemento na expressão dessa Verdade que jaz no mais recôndito do ser, e não surge nas coisas externas.

Existe uma verdade em cada coisa, e essa é a verdade de seu ser; pode não ser a mesma como o que parece ser, ou mesmo o que parece fazer. É esta verdade em nós próprios que, primeiramente, temos de descobrir antes que possamos ver a verdade nos outros.

Toda virtude é uma forma de verdade. A virtude é essencialmente aquela qualidade por meio da qual uma coisa produz seu efeito, como quando dizemos. Há muita virtude nisto. É um efeito procedente da natureza mesma de uma coisa. Se a verdade é a natureza da coisa, então a virtude é a força que pertence a ela e a ela está relacionada, assim como Deus e Shakti (ou Poder) estão relacionados na filosofia indiana. Essa visão está em consonância com a raiz da palavra virtude, que é virtus ou vir, significando energia. É por meio desta construção que a virtude tem sido declarada (por Tuskin, por exemplo) como significando valor varonil. A virtude jaz no reto emprego e disposição de energia.

Se a Verdade é da natureza de nosso ser, e todas as virtudes são modos nos quais a energia desse ser opera, então todas as virtudes são formas de Verdade. Verdade é ser; virtude é fazer ou ação. Mas ser e fazer não podem ser separados, pois não se pode fazer ou agir senão como se é, em qualquer nível."

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 63/64)


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

QUE É A VERDADEIRA AMIZADE?

"A amizade é a atração espiritual universal que une as almas com os laços do amor divino. Se você abrir as portas para o poder magnético da amizade, atrairá uma ou muitas almas de vibração idêntica. A amizade é a manifestação do amor de Deus por você, expresso por intermédio de seus amigos - o patrimônio mais valioso que alguém possa ter.

Atraímos aqueles que se parecem conosco. É a lei da vibração. A amizade é eterna. Se você conseguir fazer uma amizade por meio da qual Deus desperte em seu íntimo, essa será a maior das amizades.

A verdadeira amizade consiste em se buscar juntos o progresso da alma. Nunca se deve ter em mente uma conquista material ou alguma coisa a ganhar. Ela é a consciência cada vez mais aguçada da igualdade e uma mescla de almas sem nenhum objetivo físico.

Somente a construção da sabedoria e da compreensão intuitiva por esforço mútuo pode unir duas almas pelas leis do amor divino universal, que é incondicional e tem por base o serviço nos planos espirituais.

A amizade é o mais puro dos amores. No amor dos pais pelos filhos existe compulsão; no amor dos filhos pelos pais existe compulsão; no amor entre amantes existe compulsão - mas na verdadeira amizade não existe compulsão alguma. Amar é ser útil. Se você quiser o amor de amigos e do mundo, seja útil para eles."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda,  A Espiritualidade nos Relacionamentos - Ed. Pensamento, São Paulo, 2011 - p. 18)


terça-feira, 18 de agosto de 2015

A IGNORÂNCIA É A CAUSA

"A última coisa que o homem descobre é a si mesmo. É uma verdade singular, e contudo universal, a de que, no homem, a sede por conhecimento houvesse de começar pelo mais distante e terminar pelo mais próximo. O homem primitivo estudou o firmamento, mas somente o homem moderno começa a explorar os mistérios de sua própria alma. 

Os seres humanos, na sua maioria, são mistérios para si próprios; e muitos ainda não se apercebem da existência do enigma. Se perguntássemos ao homem comum o que ele é em realidade, como ser vivente; que lhe sucede quando sente, pensa e age; qual é a causa da luta entre o bem e o mal de que é consciente em seu interior, ele não só seria incapaz de responder, como o próprio questionamento lhe pareceria estranho e novo. No entanto, não é ainda mais estranho que os indivíduos caminhem pela vida arcando com todas as suas vicissitudes, passando pelos sofrimentos comuns a todos os homens, regozijando-se nos fugazes prazeres da vida, suportando sua incessante carga, e nunca perguntarem por quê?

Se deparássemos com um homem viajando com muito incômodo e fadiga, e ao lhe perguntarmos para onde estaria indo nos respondesse que nunca lhe havia ocorrido pensar em tal coisa, certamente o qualificaríamos de insano. Não obstante, é exatamente o caso da maioria dos indivíduos na vida trivial - seguem caminho, desde o nascimento até a morte, trabalhando arduamente durante todo o exaustivo trajeto da vida, e nunca perguntam por quê; ou, se o fazem formulam a questão em termos superficiais, sem realmente tratar de encontrar a resposta. 

Mas em sua longa peregrinação, a cada Alma chega o tempo em que a vida se torna impossível a não ser que lhe conheça o motivo. É quando, desiludida do mundo circundante no qual o supremo contentamento jamais pode ser encontrado, a alma abandona por um momento sua perseguição frenética por ilusões e, em total exaustão, aquieta-se silenciosa e solitária. É nesse momento que nasce em seu interior a consciência de um novo mundo; é assim que, tendo desviado seu foco de fascinação do mundo circundante, a alma descobre a permanente realidade do mundo interior, o mundo do ser. Então, e só então, são respondidas as questões acerca da vida; porém, como disse Emerson, a Alma nunca responde verbalmente, mas pelo próprio objeto procurado."

(J. J. Van Der Leeuw - Deuses no Exílio - Ed. Teosófica, Brasília, 2013 - p. 15/16)


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O ESTADO DE NÃO AÇÃO

"(3:5) Ninguém pode permanecer inativo sequer por um momento; todos somos compelidos (pela Natureza), de bom ou mau grado, a agir motivados pelos gunas (as três qualidades) da Natureza. 
(3.6) Aquele que refreia seus órgãos da ação, mas deixa revolutearem na mente pensamentos voltados para objetos dos sentidos, é (com justeza) considerado hipócrita e a si mesmo se ilude. 

Imagine-se a ausência total de movimentos: nenhuma brisa; nenhuma nuvem a cruzar o céu; nenhuma onda a agitar o oceano; nenhum Sol ou Lua a surgir e desaparecer no horizonte; nenhuma mudança de estação; nada que cresça; nada que decaia; sopro algum de vida; nenhum pensamento; nenhum átomo a vibrar; e, à falta de movimento, inexistência de espaço e, consequentemente, de tempo. 

Que sandice dos pretensos filósofos, sofisticados pensadores e aspirantes à verdade, imaginar que o estado de não ação do Espírito Supremo possa ser alcançado por mera omissão! Conseguirão deixar de respirar simplesmente não respirando? Poderão impedir-se de pensar não pensando? Atingirão o silêncio não falando? É de se estranhar que um aspirante à sabedoria conceba semelhantes absurdos!

Toda a criação existe em estado vibratório. Os próprios átomos estão em perpétuo movimento. Prakriti (Natureza) força o homem a ser ativo. Quem tentar ser inativo só se torna preguiçoso. Quem finge desapegar-se do mundo à sua volta não passa de um hipócrita.

Para alcançar o estado de não ação é imprescindível agir conscientemente - não movido apenas pela Natureza, mas com intenção e inteligência, como um surfista acompanhando as ondas das circunstâncias."

(A Essência do Bhagavad Gita - Explicado por Paramhansa Yogananda - Evocado por seu discípulo Swami Kriyananda - Ed. Pensamento, São Paulo, 2006 - p. 141/142)


domingo, 16 de agosto de 2015

"Geralmente se pensa que ter fé é somente acreditar. Ora, acreditar em Deus faz parte da fé, mas é apenas uma parte.

Fé é sinônimo de fidelidade. Fidelidade é ser fiel permanentemente; é cumprir o que Deus ensinou por intermédio de seus Avatares (Manifestações Divinas), de seus emissário e dos Mestres Maiores da humanidade. Viver ligado e obediente a Deus é ter fé.

Crer pode ser tão somente uma adesão intelectual a uma Entidade Divina, mas pode ser também a convicção, digamos, na eficiência de um medicamento. Crença pode ser uma atitude psicológica sem continuidade. Fidelidade é um comportamento e um comprometimento que dura, que, para ser eficiente, não vacila nem relaxa.

Crença é algo que pode se iniciar de imediato, mas somente no plano da mente. Fé é um processo continuado e progressivo que envolve o plano total da vida. Fé é uma conquista através de um caminhar evolutivo e sacrificial, que nos impõe disciplina, renúncia, obediência, austeridade.

Crença é 'theoria'. Fé é 'praxis'.

O que Te peço, Senhor, é que minha fé nunca se reduza, e sempre se aperfeiçoe."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 162)


sábado, 15 de agosto de 2015

A CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL OBEDECE A TODAS AS REGRAS QUE TORNAM A VIDA COMPLETA

"Consciência espiritual significa o uso de uma sabedoria superior - a verdade - para fazer tudo o que mais beneficie a si mesmo e aos outros. Pense nisso. Inclui o serviço altruísta ao próximo, o comportamento correto, o cumprimento das leis de higiene e de todas as outras leis da vida, e também o desempenho harmonioso de todos os deveres materiais e espirituais, sem permitir que haja conflito entre eles. A consciência espiritual é uma perfeita expressão interna da verdade e se manifesta numa vida equilibrada e harmoniosa, cheia de felicidade genuína, e que você, por sua vez, compartilha com os outros.

Uma consciência que não obedece a todas as regras que tornam a vida completa não é uma consciência espiritual. Por exemplo: algumas pessoas se tornam artistas e, na busca da arte, esquecem outros deveres práticos e espirituais. Certamente a arte é uma expressão belíssima e pode muito bem transmitir ideias espirituais; entretanto, a pessoa que a produz pode não ser espiritual. Viver em contradição - cumprir um dever e usá-lo como desculpa para negligenciar os outros deveres - é viver sem espiritualidade. Se você desempenha todos os deveres alegremente, sem deixar que nada abale sua felicidade e tranquilidade interior, evitando contradições que possam desequilibrar sua vida, você possui a verdadeira felicidade espiritual. A tendência da mente e da consciência é voltar-se integralmente para a fonte, para Deus. A consciência espiritual é a suprema consciência a se alcançar quando se deseja uma existência harmoniosa e pacífica. Sem este equilíbrio espiritual na sua vida a felicidade é impossível. Viver uma vida contraditória é não ser equilibrado, e viver a vida em desequilíbrio é o caminho certo para a infelicidade."

(Paramahansa Yogananda - O Romance com Deus - Self-Realization Fellowship - p. 87/88)


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

SUPORTANDO E SUPERANDO SUA DOR

"Se Jesus se fixasse na sua dor e na ira dos seus carrascos, teria abandonado o seu cálice. Porém, nem suas dores nem a frustração causada pelas pessoas o dominavam.

Nós desistimos facilmente das pessoas que nos decepcionam, mas ele tinha uma capacidade de perseverança ímpar. Sua motivação era inabalável. Tinha metas sólidas e estabelecia prioridades para cumpri-las. Assim, conseguia extrair forças para suportar com dignidade o que ninguém suportaria com lucidez.

Ele estava sofrendo, mas não sofria como um miserável ou um infeliz. Em cada momento de dor, entrava num profundo processo de reflexão e diálogo com seu Pai. O mestre da vida caminhava dentro de si mesmo enquanto caminhava para seu destino final. Conseguia ver as dores em outra perspectiva.

Em que perspectivas vemos nossos sofrimentos? Não estou me referindo aos sofrimentos dramáticos como os que Jesus passou, mas àqueles que vivemos diária ou semanalmente. Muitos de nós não sabemos passar pelas dificuldades inerentes à vida. Elas nos abalam e não nos alicerçam, nos paralisam e não nos libertam. 

Ninguém deve procurar qualquer tipo de dor para lapidar sua personalidade. Devemos ir sempre em direção à zona de conforto, ir ao encontro do prazer e da tranquilidade. Contudo, ainda que seja o mais prevenido dos homens, você, além de não ser perfeito, não consegue controlar todas as variáveis de sua vida  Por isso, pequenas dores e frustrações o acompanharão em sua trajetória existencial.

O problema não é se elas baterão ou não à sua porta, mas o que você fará com elas. Não reaja com medo, não se revolte, não culpe o mundo. Lembre-se de que o mestre dos mestres mostrou que a dor pode ser uma excelente ferramenta para lapidar a alma. Quem aprende a usá-la deixa de ser um herói por fora e se torna uma pessoa forte por dentro..."

(Augusto Cury - O Mestre do Amor - Ed. Academia de Inteligência, São Paulo, 2002 - p. 73/74


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

EXILADOS DE NÓS MESMOS

"(...) Assim como um copo d'água pode guardar em seu fundo, por decantação, partículas de sujeira, também nós temos nosso psiquismo carregado de toxinas emocionais e mentais. Carregamos um enorme peso psicológico de crenças, condicionamentos, autoimagens negativas, culpa, autocobranças que geram inquietação, egocentrismo e isolamento. Isso nos torna psicologicamente pesados, especialmente pelos nódulos emocionais que geram as defesas que formam nossa personalidade. Por defesa, nos tornamos egocentrados, em constante busca de nossos interesses. Apesar de ser considerado 'normal' em nossa sociedade, esse funcionamento é pleno de motivações egoístas que se tornam um impedimento intransponível para quem deseja tocar essas regiões vibratórias mais sutis.

Gerar a motivação correta, desprovida de egoísmo, é uma fase crucial do verdadeiro despertar espiritual. Equivale a colocar água tremendamente pura no copo, o que inevitavelmente levanta a sujeira depositada no fundo. Superar o peso psíquico das motivações egoístas é um trabalho alquímico que cabe ao próprio aprendiz. Descartar o que se tornou velho, como conceitos e crenças que não servem mais, buscas obsessivas que só nos prendem, hábitos perniciosos e a capacidade de gerar sofrimento são a desintoxicação necessária ao aprendiz. Ele deve aprender a desaprender. É necessário reconquistar a espontaneidade interior de uma criança tendo a experiência e maturidade de um ancião. Apenas a leveza da motivação inegoísta possibilita isso. O copo, então, estará cheio de água pura.

Se o desaprender é fundamental, há também o aprender fundamental: o de abrir-se para o novo, o desconhecido, e fazê-lo sem ser tomado de insegurança, confiando apenas no próprio discernimento e na natureza espiritual da realidade. Com a capacidade de olhar de forma nova para tudo, comprometida com a verdade e com a motivação de gerar felicidade para todos os seres, a qualidade amorosa, pacífica e sábia da espiritualidade vai ocupando irreversivelmente o lugar central que lhe está reservado em nossa vida e em nossa consciência." 

(Marco Aurélio Bilibio Carvalho - A descoberta da espiritualidade - Revista Sophia, Ano 9, nº 33 - p. 9)


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

UMA LEI DA VIDA ESPIRITUAL

"Existe uma lei pouco conhecida da vida espiritual, todos que trilham a Senda devem levar outra pessoa com ele ao longo da estrada ascendente. O ideal é que esta pessoa seja a mais próxima nos vários relacionamentos humanos.

Trilhar a Senda é muito mais do que ser bem-sucedido nos exercícios e práticas da ioga. É um gradual enriquecimento e embelezamento de toda a natureza do aspirante, incluindo a autossensibilização com relação à presença da vida divina em todos os seres e na própria Natureza, ainda que somente nos níveis psíquico e intelectual no início.

O sucesso na ioga inclui a ampliação gradual e efetiva de toda a natureza intuitiva e intelectual do aspirante, para que ele comece a conhecer as grandes leis e princípios subjacentes à encarnação do Logos no universo, para que estes princípios possam começar a ser compartilhados com experiências em consciência, sendo isto parte do significado da palavra 'ioga'.

Na verdade, isto é ajudado pela meditação e sublimação e faz parte do seu valor na vida oculta. As qualidades de profunda compaixão e de uma grande suavidade são necessárias no desenvolvimento de uma natureza semelhante ao Cristo. Não se espera que ninguém faça mais em quaisquer destas direções do que está ao seu alcance; no entanto, estes são os ideais a serem lembrados."

(Geoffrey Hodson - A Suprema Realização através da Ioga - Ed. Teosófica, Brasília, 2001 - p. 95/96)
www.editorateosofica.com.br


terça-feira, 11 de agosto de 2015

CALMA E DESAPEGO

"O iogue sábio procura uma indiferença interior aos acontecimento e às mudanças transitórias, assim como o capitão de um navio minimiza os desvios da verdadeira rota que, na ausência de sua atenção, poderiam ser causados pelo tempo, vento e pelas ondas. Existe uma clara distinção entre a atenção apropriada às pessoas e aos movimentos, e nosso relacionamento com ambos, bem como o reconhecimento interior da falta de importância relativa que têm para o desenvolvimento do Ego, exceto como orientações para a conduta futura.

A calma do lago tranquilo entre as montanhas num dia sem vento representa a condição ideal da natureza mental e emocional do iogue que deve ser submetido a crises sucessivas, nas quais deve viver, pois são inseparáveis da existência física fora do santuário. Quando possível, antes de ir dormir, restabeleça a natureza psíquica a este estado tranquilo, após ter observado devidamente e notado sem envolvimento passional os eventos do dia. A recitação da Palavra Sagrada antes de dormir é uma prática útil que beneficia todo o quaternário inferior.

Brisas suaves podem soprar sobre o lago tranquilo causando ondulações em sua superfície, que retorna imediatamente à tranquilidade após a sua passagem. Talvez com uma só exceção, as experiências de qualquer dia da vida terrena são comparáveis a estas brisas suaves. A exceção seria o erro pessoal, quer seja inadvertido ou deliberado. No primeiro caso, a completa calma deveria ser instantaneamente reassumida após cada experiência e toda a natureza pacificada antes de ir dormir. O erro deve ser corrigido e também reparado quando há outros envolvidos. Deve haver a determinação para não repetir o erro, e em seguida a restauração da calma - se necessário, entoando a Palavra Sagrada e elevando a consciência inteiramente acima do pessoal. Isso vai assegurar a entrada nos estudos e trabalhos noturnos, aparecimento diante dos Mestres e irmãos Iniciados, discípulos e aspirantes, e a percepção e recepção de decisões e ordens com uma mente calma e uma aura pacífica, livre de distorções e manchas.

O costume oriental de deixar atrás os calçados ao entrar num templo é um símbolo útil para deixarmos para trás as considerações mundanas antes de irmos dormir. É bem verdade que esta é uma orientação sutil para os aspirantes que são forçados a se submeter às condições de vida terrena entre pessoas de tipos diferentes e em vários graus de desenvolvimento. A ioga torna a pessoa cada vez mais sensível às condições externas e internas, apesar de conceder também mais calma e autocontrole. Este último deveria ser aumentado como um parte essencial da ioga. Calma mental imperturbável mesmo quando as emoções tiverem sido perturbadas - por outra pessoa, ou uma percepção intuitiva de um erro ou de uma desarmonia atual ou premente - este é o ideal."

(Geoffrey Hodson - A Suprema Realização através da Ioga - Ed. Teosófica, Brasília, 2001 - p. 94/95)


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A YOGA ENSINA O HOMEM A MUDAR A SI MESMO (PARTE FINAL)

"(...) Torne-se como uma flor; se você colhe uma linda rosa e a esmaga em suas mãos, ela desprende uma doce fragrância. É assim que o devoto deve ser. Não importa como seja esmagado pela indelicadeza do outro, ele emite o doce perfume do perdão, da bondade. São Francisco era assim. Todos os santos expressam compaixão e bondade. (...)

O homem divino está preocupado em seu próprio comportamento correto em relação à outras pessoas. 'Ofereço bondade, penso com bondade, falo com bondade? Faço o bem neste mundo?' Ele não está interessado em ser um grande instrutor para praticar o bem. Não. Onde quer que esteja, seja o que for, ele quer fazer somente o bem. Esse indivíduo é como a flor perfumada; abelhas devotas juntam-se a seu redor.

Eis uma outra ilustração que Guruji oferecia: 'As moscas gostam de apinhar-se em volta de imundícies. A abelha quer ir somente aonde possa recolher o doce néctar. Não gosto de ver pessoas se comportarem como moscas, reunindo-se onde quer que haja feiura, mexerico, maldade, mesquinhez, ódio, ciúme, inveja, intolerância e preconceito. Preferiria contemplar um jardim de perfumadas florações de qualidades da alma, para onde as abelhas humanas são atraídas para sorver o mel divino do amor, da compaixão e da bondade.

Quando digo essas palavras, cada um de vocês reage positivamente. Por quê? Porque elas expressam a própria natureza de sua alma; e estou simplesmente recordando o que vocês são: almas feitas à imagem do Amado Único.

'Não terás outros deuses diante de Mim. (...) Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso'. Agora você entende melhor o que o Senhor quer dizer: quando fazemos coisas divinas, quando expressamos qualidades divinas, que são inatas em cada um de nós, não temos outros deuses - ciúme, cobiça, ira, ódio ou qualquer outra coisa. Nós fizemos Dele, de Suas qualidades, de Seus ideais, o primeiro em nossa vida."

(Sri Daya Mata - Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 168/169)

domingo, 9 de agosto de 2015

A YOGA ENSINA O HOMEM A MUDAR A SI MESMO (1ª PARTE)

"(...) É preciso que o devoto que queira conhecer Deus aprenda a ser mais silencioso e a escutar a voz do Amor em seu íntimo. Deve aprender a viver o amor em sua vida, a praticá-lo primeiro dentro do coração, e depois expressá-lo externamente.

Quantas vezes na vida magoamos as pessoas com nossas palavras e ações. Isso é o que se chama crueldade mental; em muitos sentidos, é pior que a brutalidade física. Nunca diga nada sob a emoção da mesquinhez. É melhor 'passar um zíper na boca' se você não consegue falar com o coração livre da mesquinhez. O desejo de magoar alguém - filho, marido, pais - é brutal!

A ciência da Yoga ajuda a superar fraquezas. Ensina o indivíduo a mudar a si mesmo e a seus hábitos diários, de modo que se torne uma pessoa melhor, não apenas o que se chama de 'anjo na rua e demônio em casa' - o que fala magnificamente diante dos outros, mas não é esse tipo de pessoa em seu próprio lar. (...) 'O que sou? Sou mesquinho? Sinto prazer em magoar as pessoas, em falar mal dos outros? Se assim for, seria melhor eu aprender a vencer esses hábitos horríveis.' Isso é o que significa introspecção. 

O próprio primeiro sloka do Gita diz (simbolicamente): 'Reunidas no campo de batalha de minha consciência, estão minhas qualidades boas e minhas qualidades ruins. Que me sucedeu hoje? Quem venceu?' Mantive a tranquilidade no meio da agitação? Foram amáveis minhas palavras quando eu estava querendo dizer uma coisa maldosa para ferir alguém? Fui generoso ou fiquei com a melhor parte para mim?

Viva o amor internamente. Quando você quiser fazer ou dizer alguma coisa indelicada, pense no amor em seu coração. E depois expresse-o externamente, com algum ato ou ação amável. (...)"

(Sri Daya Mata - Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 166/168)


sábado, 8 de agosto de 2015

O DIVINO ESTÁ DENTRO DE NÓS

"Conta uma antiga história que no topo de uma montanha havia um belo mosteiro, onde o abade e os monges estavam muito preocupados. Os velhos monges estavam ficando cada vez mais velhos e morrendo. Não havia noviços atraídos pela vida contemplativa. O mosteiro poderia se extinguir e cair em ruínas.

O abade decidiu consultar um sábio rabino que morava um pouco mais abaixo na montanha. Quando o rabino soube do problema, sorriu e disse: 'Não se preocupe. Tudo estará bem, porque o Messias está entre vocês. Sussurre esse segredo no ouvido de cada um de seus monges.'

O abade agradeceu o rabino, retornou ao mosteiro e fez o que foi aconselhado. Gradualmente, a relação entre os monges mudou. Cada um deles pensava: 'Quem será o Messias? Talvez seja o irmão Tiago, de quem eu não gosto, ou o irmão João, com quem fui grosseiro outro dia... Ou talvez eu seja o Messias, então tenho de me comportar melhor.' Desse modo, eles começaram a se ver sob uma nova luz e a se tratar com novo respeito e afeição. Uma atmosfera completamente nova passou a reinar, uma atmosfera de amor que resultou em paz e harmonia.

Como de costume, visitantes ocasionais apareciam: turistas, montanhistas, andarilhos, mochileiros, muitas pessoas jovens. Muitos notaram a maravilhosa atmosfera do lugar. Elas voltavam para casa e contavam a seus amigos; alguns deles se interessaram pela vida monástica e juntaram-se ao mosteiro.

Isso não é um conto de fadas, pois o Messias está realmente em cada um de nós. O ser mais recôndito de toda criatura viva é divino. O livro Aos Pés do Mestre [Ed. Teosófica] diz: 'Aprenda a distinguir o Deus em todos e em tudo, não importa o quão nocivo possa parecer na superfície. Você pode ajudar seu irmão através daquilo que tem em comum com ele, que é a vida divina. aprenda como despertar essa vida nele, aprenda a apelar a essa vida nele, e assim você o ajudará.'"

(Mary Anderson - O divino está dentro de nós - Revista Sophia, Ano 13, nº 56 - Ed. Teosófica, Brasília - p. 10/11)


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

EVITE OS LADRÕES DA FELICIDADE

"O mal é a ausência da alegria autêntica. É o que o torna um mal,obviamente. Do contrário, diria você que o tigre perpetra uma má ação ao devorar sua presa? Matar é a natureza do tigre, a ele dada por Deus. As leis da natureza são impessoais. 

Observa-se o mal quando a pessoa revela potencial para obter a alegria interior. Tudo o que nos separa desse estado divino de existência nos prejudica porque desvia nossa visão daquilo que realmente somos e daquilo que de fato queremos na vida.

Daí as prescrições religiosas contra a luxúria e o orgulho, por exemplo. Os mandamentos são para o bem do homem, não para a satisfação do Senhor! Constituem advertências, para os incautos, de que embora certas atitudes e atos possam de início parecer satisfatórios, o final do caminho será para eles, não a felicidade, mas o sofrimento.

As pessoas que buscam a felicidade devem evitar a influência dos maus hábitos que levam às más ações. Estas geram desgraça cedo ou tarde. A repetição de uns poucos atos de fraqueza nos acostuma a ser fracos. Muitas pessoas permitem que hábitos de fraqueza ou fracasso, por elas mesmas criados, as escravizem. Você poderá evitar isso caso se tenha condicionado mentalmente a viver de maneira diversa; entretanto, a resolução de combater os maus hábitos deve persistir até a vitória final.

O que você fez de si mesmo no passado é o que é agora. Foi você quem, pelos traços invisíveis e secretos de ações passadas, passou a controlar as ações presentes.

Foi você quem, pela lei de causa e efeito que governa todos os atos, determinou sua punição ou recompensa. Sem dúvida nenhuma, já sofre o bastante. É hora de escapar da prisão de seus antigos hábitos indesejáveis. Uma vez que está desempenhando o papel de juiz, as grades do sofrimento, da pobreza ou da ignorância não poderão retê-lo se estiver pronto a libertar-se."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como ser feliz o tempo todo - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 35/36)
www.editorapensamento.com.br


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

OS TIPOS DE NERVOSOS (PARTE FINAL)

"(...) Os psiquiatras vêm tratando seus pacientes com psicotrópicos, medicamentos (fármacos), que atuam sobre os nervos e sobre a mente. Aos abatidos prescrevem drogas, que produzam psicoanalepsia e neuroanalepsia, isto é, estimulantes da atividade mental (psicotônicos) e são neuroenergizantes ou antidepressivos e, assim, rajasificam os tamásicos. Aos agitados, ao contrário, tratam de levá-los à psicolepsia e nerolepsia, através de drogas calmantes, ataráxicas, tranquilizantes, hipnóticas, sedantes... conseguindo, destarte, reduzir a agitação rajásicas e relaxar tensões.

Com o mesmo critério, visando aos mesmos efeitos, a yogaterapia aplica suas técnicas psicolépticas ou psicanalépticas, isto é, tranquilizantes e estimulantes, respectivamente a nervosos rajásicos e nervosos tamásicos. 

Enquanto que as drogas acarretam efeitos colaterais indesejáveis, inclusive a 'dependência' ou vício e a intoxicação, as técnicas ensinadas neste livro, ao contrário, colaboram, sem quaisquer riscos ou prejuízos, para a libertação sattvizante do enfermo. 

Visando aos mesmos efeitos - tranquilizantes para o rajásico e antidepressivos para o tamásico -, a yogaterapia, em todos os aspectos da vida também prescreve: pensamentos, sentimentos, comportamentos, lazeres, música, esportes, alimentos, artes etc. Há sentimentos estimulantes. Também há os tranquilizantes. Certas músicas fazem dormir ou relaxar; outras atiçam, excitam. Alguns alimentos estimulam, outros acalmam.

Cada tipo de nervoso - rajásico ou tamásico - precisa optar sobre o que comer, qual a diversão, atividade, forma de artes, cores e emoções a evitar ou cultivar. (...)" 

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 100/101)


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

OS TIPOS DE NERVOSOS (3ª PARTE)

"(...) Para manter-se sempre feliz, eficaz e sadio, o homem rajásico nunca deveria esquecer-se de aumentar sua dimensão sattvica, isto é, aquela que o manterá sereno, portanto mais criativo e eficaz em seu agir. O tamásico precisa vencer sua preguiça, isto é, aumentar sua dose de rajas, e, sob pena de o fazer com imprudência, também precisa conquistar cada vez maior a sattvidade.

Chamo nervoso rajásico aquele que, por falta de sabedoria, transformou a vida num inferno pelo tanto que realizou e realiza, pelo tanto que andou ambicionando e ainda deseja, pelo tanto que juntou para si e pelo sobressalto de guardar tanto, pelo exaustivo e tumultuado agir que o obsedia. Ele é inquieto, exaltado, violento, instável, medroso, reagindo emocionalmente com exagero a tudo, sem medida nem lógica. É inseguro. Vive em luta e apavorado contra o que o ameaça. Tem imaginação fértil. É hipertenso e vem a dar o agitado. Nele, portanto, o característico é a energia - rajas - em excesso e confusão.

Nervoso tamásico é quieto. É parado. É autista (virado para dentro), astênico, calado, deprimido, isolado, sedentário, apático. Sem forças, sua única expressão é a máscara de desânimo. É o símbolo da inércia - tamas. Sua pressão é baixa; seus músculos de baixo tono e sem energia, frágeis e frouxos.

O homem sattvico jamais é um nervoso. É feliz e harmonioso sempre. A orientação geral para o tratamento de um nervoso rajásico é exatamente a redução de seu excitamento, nunca de sua energia. É a redução de sua ansiedade, inquietude, tensão e desgaste e não de suas forças. É um tratamento tranquilizante, sedante, relaxante equanimizante.

O tratamento dos tamásicos é exatamente o oposto: consiste em esquentar, em estimular, em despertar o enfermo, aumentando-lhe a dosagem de rajas, isto é, vibracidade. É tratamento antidepressivo, estimulante e energizante. Tanto num caso como noutro, quer se trate do agitado quer do deprimido, a psicoterapia é indispensável. Chama-se psicoterapia o tratamento do psiquismo, da mente. O que o psicoterapeuta visa é dar à mente enferma um estado e um funcionamento mais harmonioso, lúcido, sadio e livre de perturbações. Em outras palavras, a psicoterapia consiste em dar sanidade à mente tumultuada e impura. (...)"

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 99/100)
www.record.com.br


terça-feira, 4 de agosto de 2015

OS TIPOS DE NERVOSOS (2ª PARTE)

"(...) Cada ser, objeto e até mesmo cada fenômeno ou estado de ser resultam do jogo dos gunas. Há sempre um dominante, enquanto os dois outros são secundários e concomitantes. Quando numa pessoa sattva domina, ela é boa, feliz, sábia, sóbria, tranquila, harmoniosa, sã e santa, embora em todo santo reste ainda vestígios de intranquilidade ou de indolência, alguma coisa ainda não santa. Rajásico é o homem bruto, inquieto, conquistador, insatisfeito, lutador, agressivo, sem paz, sem pouso, ansioso, incalmo... No entanto, o mais rajásico dos ditadores é a custo que sufoca raros sátvicos impulsos de generosidade e, vez por outra, sente a tamásica necessidade de repouso e solicitações à indolência. Ninguém, de igual modo, é totalmente tamásico, isto é, inerte, indiferente, parado, amorfo, abatido e sem força. 

As pessoas são, assim, de três tipos, sattvicas, rajásicas e tamásicas. São normais quando sua fórmula triguna se mantém em razoável estabilidade. O equilíbrio do tamásico é de nível inferior. É um homem vencido, normalmente desanimado. O equilíbrio do combativo rajásico é uma oitava acima, mas é tenso, instável e sofrido. O homem sattvico é o próprio símbolo de maturidade, da calma e do equilíbrio.

As práticas de yoga aumentam a dimensão rajásica do tamásico, tirando-o do equilíbrio inferior, sacudindo-o para um viver menos estagnado, levando-o a produzir algo. No começo, isso acarreta sofrimento, pois nada mais doloroso para o indolente do que o toque do despertador a retirá-lo da inércia. Ele perde um pouco da cômoda negatividade, a fim de que possa caminhar para a frente. Ao sempre agitado homem rajásico, as práticas do yoga aumentam a dimensão sattvica, dando-lhe maior clareza e harmonia ao agir.

No sentido contrário ao do yoga, o viver inconsciente e desarvorado esvazia o homem de sua dose de satividade, comunicando-lhe agitação febril ou fazendo-o cair na inércia ou na depressão, e ele assim é apanhado pela desarmonia e pela enfermidade. O rajásico, de tanto exaurir-se na ação sem inteligência, por sua vez acaba se fatigando e adoece em tamas. (...)" 

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 98/99)

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

OS TIPOS DE NERVOSOS (1ª PARTE)

"Há muitas maneiras de tratar uma pessoa nervosa. Podemos dizer que o ideal seria um tratamento específico, isto é, cada nervoso sendo cuidado de uma forma diferente, de acordo com seu caso particular, com sua constituição física, suas condições e sintomas individuais, sua história de vida e, conforme sua posição na sociedade e na família. (...) Aqui visamos a dar umas linhas gerais e comuns às várias espécies de tratamentos, e que são eficazes na maioria dos casos. Para evitar erros decorrentes de uma excessiva generalização, precisamos pelo menos fazer uma classificação dos nervosos, visando a apontar uma orientação geral e adequada a cada tipo. 

Os distúrbios mentais e de personalidade, as alterações do comportamento e as enfermidades psíquicas têm recebido classificações várias. A que desejamos observar, segundo a psicologia yogue e tendo em vista a orientação do tratamento, divide os 'nervosos' em duas categorias: os rajásicos e os tamásicos. 

Classifico-os assim, tendo por critério os gunas. E que vem a ser isso?

Gunas são as forças, os atributos ou qualidades componentes de cada ser, bem como de todos os mundos. Há milênios, os sábios e as escrituras hindus dizem que Prakriti (a natureza) é triguna, isto é, formada por três atributos: sattva, rajas e tamas

Sattva é a qualidade de sabedoria, harmonia, luz, paz, leveza, tranquilidade, equilíbrio, sobriedade, saúde, santidade, liberdade, coerência, imperturbabilidade, contentamento...

Rajas é o atributo da força, luta, domínio, conquista, energia, ação, paixão, dinamismo, violência, agitação, inquietude, agressividade...

Tamas é o guna de inércia, preguiça, estagnação, indolência, pobreza, ignorância, treva, lerdeza, depressão, negatividade, desânimo, astenia... (...) 

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 97/98)