OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

RESGATE DA IDENTIDADE

"Contou Buddha que um príncipe, ainda bebê, foi sequestrado por malfeitores que o levaram para uma distante floresta e lá o abandonaram. Um casal de camponeses pobres o encontrou e criou como filho. Quando rapaz, ignorando sua condição de herdeiro do trono, conhecia-se apenas como um humilde e rude lavrador. Por algum modo, o rei foi informado de que o filho estava vivo, mas vítima da pobreza e ignorante de sua nobreza. Imaginou então um projeto para, sem que o rapaz desconfiasse, atraí-lo à corte, devendo passar necessariamente por estágios intermediários, como o de jardineiro, lacaio, camareiro etc., até conseguir levá-lo a dar-se conta de sua condição de príncipe herdeiro, para, por fim, entregar-lhe todo o poder. E o resgate veio a consumar-se.

Fui encontrar em Sai Baba um outro gradiente que assinala as etapas deste evoluir da indigência de inculto caipira até o trono de rei, como que explicitando a tão inteligente parábola acima, narrada pelo bem-aventurado Buddha.

Há quatro estágios na disciplina espiritual: (a) o primeiro é salokya, quando você está no Reino de Deus, respeitando Seu desejo iluminado, servindo-O sinceramente, e submetendo-se a Ele sem qualquer reserva; (b) o próximo estágio é samipya, quando está no palácio como um cortesão, camareiro ou servo, isto é, mais perto dEle; (c) o estágio seguinte é sarupya, quando o praticante da disciplina assimila a forma do Divino, isto é, como na condição de irmão ou guerreiro mais aproximado do rei, tendo o privilégio de usar a parafernália e as vestes reais; (d) por fim, sayuja, estágio no qual o praticante, como o Príncipe Coroado, sucede ao trono e se torna o próprio monarca. (in Sadhana - O Caminho Interior)

Quinhentos anos depois de Buddha, Jesus Cristo deu uma outra versão à parábola do Príncipe que resgatou a identidade. Jesus narrou a igualmente bela e eloquente história do 'Filho Pródigo'. O enredo é esquematicamente o mesmo: (a) afastamento; (b) uma fase de grande sofrimento e penúria gerada pela ignorância; (c) a reaproximação ou religação ou ainda reintegração gloriosa. Yoga ou união é precisamente esta terceira fase, que, para maior eficácia, não dispensa a compreensão das etapas anteriores."

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1994 - p. 21/22)
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POTENCIAIS INFINITOS (PARTE FINAL)

"(...) É a nossa percepção espiritual consciente de quem somos, individual e coletivamente, que determina a consciência da matriz divina e, portanto, a qualidade de nossas vidas individual e coletiva. (...)

Somos todos partes da mesma substância, todos conectados, inter-relacionados e interdependentes, porque somos todos um. O que afeta um, afeta todos. Portanto, cada um de nós tem um papel crucial a representar. É o modo como representamos esse papel que determina os resultados individuais e coletivos, pois aquilo que expressamos se reflete de volta para nós. 

'Como é em cima, é embaixo, como é dentro, é fora.' O antigo texto essênio diz que 'nosso mundo é nada mais, nada menos que um espelho daquilo que nos tornamos internamente'. Assim, se queremos paz, tolerência, compreensão, compaixão, perdão, amor e unidade no mundo, precisamos nos tornar aquilo que queremos ver. O mundo é um espelho da humanidade e reflete a consciência de todos os indivíduos. Portanto, os pensamentos de cada indivíduo, suas palavras e ações influenciam o campo eletromagnético do mundo. Uma vez que cada um de nós influencia a consciência coletiva, cada um de nós contribui para determinar o destino da humanidade. 

Não somos testemunhas passivas sendo manipuladas. Seres humanos espiritualmente criteriosos e conscientemente perceptivos veem a si mesmos e ao mundo como são: uma unidade, a unidade de todas as coisas. Uma visão de mundo é suplantada por outra. Uma visão de mundo morre para que outra nasça e cresça. Como indivíduos e como consciência coletiva, temos diante de nós possibilidades e potenciais infinitos para determinar a qualidade do campo que no final das contas moldará nosso amanhã. Portanto, sejamos todos o que queremos ver no mundo."

(Julie Jeffrey - A matriz holográfica - Revista Sophia, Ano 10, nº 38 - p. 9)


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A LUZ DO MUNDO

"É de supor-se que, no 'Sermão do Monte', quando Jesus Cristo proclamou 'vós sois a Luz do mundo', muitos ouvintes, se não todos, cada um, consciente de sua própria escuridão, provavelmente tenha refugado tal 'heresia' (!). Noutra ocasião declarou: 'Eu Sou a Luz do Mundo.' Com isto o Cristo teria afirmado: 'vocês são a mesma Luz que Eu Sou'. Os incrédulos ficariam ainda mais pasmados. E você?!

Acate esta verdade do Divino Mestre. Ele não engana e nem se engana. Confesso que, em mim mesmo, pelo que de meu ego irreal conheço, às vezes sinto dificuldade. Mas, venço a dúvida e aceito que Ele e eu somos um, tanto quanto Ele e o Pai também o são. Esta afirmação, mesmo sendo apenas uma crença, que ainda não se plenificou em vivência, tem-me feito um bem enorme. E tem ajudado àqueles que, instruídos por mim, passando a cultivar esta grandiosa crença, aos poucos vão conseguindo se libertar da autocondenação à condição de pecadores, frágeis, vencidos e infelizes.

Acredite: você, eu, todos somos Paramjyotir (a Luz Divina, a 'Luz do Mundo'). Aí você questiona: se é assim, por que ainda não resplandecemos: Com seu belo falar, Cristo sugere que a Luz que somos está escondida debaixo de um 'balde' emborcado. Disse-o no mesmo sermão, ao lembrar que 'ninguém acende uma vela e a coloca debaixo de um alqueire'. No mesmo discurso, avançando mais, exortou os presentes nestes termos: que a vossa luz brilhe diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus (Mt 5:16). Se removermos o balde, a Luz estará liberta para servir aos outros homens. Sai Baba igualmente declara que já somos Luz:
O coração do ser humano é como o Sol brilhando constantemente. Exatamente como o passar das nuvens obstruem temporariamente a visão do Sol, o apego ao mundo e as preocupações e problemas obstruirão o explendor do Ser Interno. Mas, uma vez que as nuvens clareiem, você percebe o Ser que brilha no âmago. (In Sanathana Sarathi, 5:93)
Para uma grande realização yóguica, não podemos dispensar a certeza de que já somos a Divina Luz. Somos a Luz do Mundo (Paramjyotir). Não temos de ainda acendê-la. Já somos! Já está acesa. O processo evolutivo consciente e voluntário conhecido como Yoga consiste em 'libertar' a Luz de todas as opacidades e obstáculos que a ocultam. Conforme ensina Sai Baba, se a manga do candeeiro estiver suja, precisamos remover-lhe a fuligem para que a luz brilhe. A remoção do 'balde' e a limpeza da fuligem é Yoga. As incessantes mudanças que se processam na substância mental (pensamentos, lembranças, imagens...) constituem uma compacta camada de fuligem que esconde a Luz que somos. A parada da mente é como remover o 'balde'. Nossa Luz brilhará para o mundo."

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1994 - p. 20/21)
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POTENCIAIS INFINITOS (1ª PARTE)

"O psicólogo Karl Pribam diz que cada parte do nosso corpo é um reflexo do todo. Uma consequência dessa interconexão de todas as coisas, especialmente daquelas que causam impacto sobre nosso corpo e nossa saúde, é a noção de que todos os pensamentos, palavras e ações estão armazenados em cada uma de nossas células, e desse modo afetam o bem-estar do indivíduo, que, por sua vez, afeta o bem-estar da consciência universal. 

Os antigos sabiam que, quando eventos específicos ocorriam no plano galáctico, condições específicas manifestavam-se na Terra. O que é agora aparente é que o campo eletromagnético da Terra também exerce efeito profundo em nossa consciência individual e em nossa consciência universal. Esse campo eletromagnético de energia influencia cada aspecto de nossas vidas, inclusive nossas dimensões emocional e espiritual. 

Porém não somos observadores passivos nessa troca, como afirma o físico Fritjof Capra. Em vez disso, somos criadores poderosos que, ao escolher a compaixão à indiferença, a cooperação à competição, o perdão à vingança, o amor ao ódio, a integração à autoafirmação e a síntese à análise, podemos influenciar positivamente o campo eletromagnético, que por sua vez influencia o destino da humanidade. Essa troca de energia é a própria natureza do nosso universo, pois aquilo que John David Mann chama de 'o campo' não apenas 'subjaz a toda existência física' como também exerce influência sobre a consciência, segundo Wynn Free. (...)"

(Julie Jeffrey - A matriz holográfica - Revista Sophia, Ano 10, nº 38 - p. 9)


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

MANTER A MENTE EM DEUS AJUDA A RESOLVER OS PROBLEMAS

"Todas as vezes que procurávamos Paramahansaji com qualquer tipo de problema ou queixa pessoal - se tínhamos críticas a fazer, ou nos víamos em conflito com outras pessoas ou com nosso trabalho - ele não se detinha nesse assunto particular. De fato, com uma única exceção, não consigo lembrar de ele ter-se sentado e conversado comigo sobre meus problemas. Nós discípulos nunca o procurávamos para consultas pessoais, porque sabíamos qual seria a sua resposta. 'Simplesmente mantenha sua mente aqui', dizia ele, apontando para o centro crístico entre as sobrancelhas, a sede da consciência espiritual e do olho divino.¹ 'Mantenha sua atenção aqui e conserve Deus em sua consciência.' Para algumas pessoas talvez pudesse parecer que ele não oferecia o que estávamos procurando; afinal, podia-se esperar que um guru desse a seus discípulos um longo discurso a respeito da espiritualidade, da natureza de Deus, do valor da virtude. Porém, normalmente, ele dizia somente aquelas poucas palavras, tranquilas e efetivas. E para quem era receptivo, isso era tudo que se necessitava. Dessa forma, ele nos ensinava que, quando endireitávamos nossa própria consciência, invariavelmente encontrávamos a solução correta para nossos problemas.

O Mestre era uma pessoa excepcionalmente simples, como são todos os grandes amantes de Deus. Ele tinha apenas um pedido e uma lição que queria que aprendêssemos; que Deus devia vir em primeiro lugar em nossa vida. Devíamos manter em nossa consciência as palavras de Cristo: 'Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas'.² Ele não reservava esse conselho apenas para aqueles que vivem em mosteiros, mas para toda a humanidade. Se insistirmos nesta verdade - buscar Deus primeiro - gradualmente começaremos a compreender o que ela significa. Quando temos dor de estômago, quando estamos passando por problemas em nossa família, ou quando estamos tendo dificuldade no trabalho, a solução é muito simples: crave, com precisão, a mente em Deus. Ancore-se primeiro Nele, e depois, nesse nível de consciência, procure resolver seus problemas. Você ficará impressionado de ver com que rapidez e eficácia isso funciona. Sei, porque essa é a maneira pela qual tenho vivido e cumprido minhas muitas responsabilidades todos esses anos."

¹ O olho espiritual; o centro da percepção espiritual e da sabedoria intuitiva no homem.
² Mateus 6:33.

(Sri Daya Mata - Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 29/31)
http://www.omnisciencia.com.br/so-o-amor.html


PLANOS PARA A TRANSFORMAÇÃO (PARTE FINAL)

"(...) A compreensão dos ciclos estende-se atualmente por muitas pessoas, organizações e empresas, que estão cientes de que não podem permanecer como ontem, porque perderão sua relevância em relação àqueles a quem servem. Para uma empresa é importante mudar devido ao avanço tecnológico, à expectativa dos clientes, aos métodos de comunicação, etc. Isso ocorre pelo reconhecimento de que tudo está evoluíndo e em constante mudança. Uma boa empresa está constantemente revendo a si mesma e se preparando para transformações; mas a empresa não pode mudar a não ser que as pessoas mudem. Também nós precisamos estar constantemente nos revisando.

Os mesmos ciclos de sete anos são aplicados às organizações. Elas passam pelos mesmos processos de crescimento e transformação que os indivíduos, e, se desejam permanecer atuais e relevantes, farão bem em abraçar a compreensão do poder dos ciclos. Se não abraçarmos a mudança nesses momentos de transformações cíclicas, ela ainda assim acontecerá, só que através da revolução, e não da evolução. O crescimento não é algo a que se possa sempre resistir no decorrer do tempo. Quanto mais resistirmos, mais fortemente a força do ciclo evolutivo impele a mudança. As mudanças nas organizações são muitas vezes facilitadas pelas pessoas que se envolvem nesse processo; no entanto, a transformação pode também ser dificultada pela geração mais velha, que muitas vezes afirma que quer aquilo que considera certo, quando na verdade pode estar apenas apegada ao passado.

Ao compreender a lei de periodicidade entendemos os ciclos em que vivemos e aprendemos a trabalhar com o ritmo e o fluxo natural da vida. Sempre temos a oportunidade de trabalhar com as leis da natureza ou a elas resistir, mas isso jamais inibe a mudança, que é a própria natureza da vida. Os ciclos sempre dizem respeito à transformação. No entanto, não temos que esperar até que o universo nos empurre para a mudança; podemos abraçá-la em nossas vidas todos os dias."

(John Vorstermans - Ciclos e mudanças - Revista Sophia, Ano 12, nº 52 - p. 16/17)
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domingo, 28 de dezembro de 2014

COMO APRENDER COM UM GURU

"'Devemos também aprender a não nos aproximarmos apenas das pessoas cujas vibrações sejam iguais às nossas. É normal sentir-se atraído por alguém do mesmo nível. Mas está errado. Você deve também se aproximar de pessoas cujas vibrações sejam contrárias... às suas. Esta é a importância... de ajudar... essas pessoas. O nosso caminho é interno. Esse é o caminho mais difícil, a jornada mais dolorosa. Somos responsáveis por nosso próprio aprendizado. Esta responsabilidade não pode ser delegada a outra pessoa, não pode ser jogada em cima de algum guru.'

Há muitos mestres extremamente sábios entre nós, capazes de nos mostrar a direção e de aliviar nossos fardos durante a jornada espiritual. Infelizmente, há também muitos impostores que, levados pelo orgulho, ganância ou por suas próprias inseguranças, se apresentam como mestres ou gurus. Dizem o que devemos fazer, quando eles mesmos não fazem. Obviamente é perigoso seguir tais pessoas.

O segredo para distinguir um verdadeiro mestre de um impostor é seguir a sua própria sabedoria intuitiva. Os ensinamentos parecem corretos para você? Eles são pessoas amorosas, compassivas, não violentas e contribuem para diminuir seu medo e sua culpa? Incluem todos os outros grupos humanos como iguais, como almas divinas na mesma trilha do destino? Ensinam que ninguém é melhor do que ninguém, que estamos todos no mesmo barco? E afirmam que podem apenas apontar a direção, mas não podem levar-nos até lá? Tenha certeza de uma coisa: só você pode atingir seu objetivo. Só você pode experimentar o amor, a felicidade, o equilíbrio e a harmonia, porque a sua viagem para casa é uma jornada interior, um retorno para si. (...)

Como o reino dos céus realmente existe dentro de nós, toda a alegria e felicidade vêm do nosso interior. Não seremos resgatados por outra pessoa. Em vez disso, teremos a sensação de despertar, como se estivéssemos acordando de um longo sono. Iremos nos 'salvar' quando experimentarmos o amor verdadeiro e nos tornarmos iluminados. (...)"

(Brian Weiss - A Divina Sabedoria dos Mestres - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 1999 - p. 156/157)


PLANOS PARA A TRANSFORMAÇÃO (4ª PARTE)

"Com a correta compreensão, o correto motivo e o conhecimento do novo ciclo em que estamos entrando, podemos fazer planos para o processo de transformação e nos mantermos preparados. Quando não estamos bem preparados, as mudanças geralmente se manifestam como um tipo de caos em nossa vida e se transformam em mudanças dolorosas, porque nós resistimos a elas. Nada permanece estacionário durante muito tempo, embora nossos egos muitas vezes não gostem de ver a mudança e resistam. Mas a vida sempre encontra uma maneira de assegurar o apredizado e o crescimento. será que a lagarta sempre resiste a se transformar em borboleta?

Essas mudanças não ocorrem apenas no nível psicológico; elas se estendem também ao mundo à nossa volta. Não estamos isolados dos outros seres humanos; temos um elo, uma união da qual não nos lembramos em nossa encarnação atual, porque aqui a separatividade e a autoconsciência limitada são o foco. No entanto, nós conhecemos essa união no nível espiritual. Quando alguém sofre uma transformação, afeta as pessoas em volta e a sociedade ou a cultura em que vive; essas pessoas e essa sociedade ou cultura, por sua vez, também devem passar por suas próprias mudanças.

Pessoas que passaram por transformações poderosas em suas vidas, como Mahatma Gandhi ou Madre Teresa, afetaram a sociedade em que viviam. Assim, lentamente, a onda da vida humana nesse planeta muda e evolui, porque nós, como indivíduos, mudamos e evoluímos. O mundo em que nascemos não é o mesmo que será vivenciado por nossos filhos. Ele evoluiu, deu um passo à frente, passou por seus próprios ciclos de sete anos, tal qual nós, muitas vezes aos trancos e barrancos. Consideremos as mudanças que estamos vendo acontecer pelo mundo atualmente: as pessoas estão exigindo mudanças na formas de governo, por exemplo, o que mostra que elas deram um grande passo transformador. (...)"

(John Vorstermans - Ciclos e mudanças - Revista Sophia, Ano 12, nº 52 - p. 16)
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sábado, 27 de dezembro de 2014

A ARTE DE CALAR E NÃO VER

"Não te esqueças, amigo ignoto, de que todo homem, mesmo o mais positivo e dinâmico, é essencialmente fraco, indigente, necessitado de socorro.

Todo homem tem as suas horas de solidão interior, horas de trevas e desânimo, horas de desorientação e negro pessimismo.

É preciso que saibas adivinhar, nos olhos e na alma do próximo, essas horas noturnas...

Deves saber quando convém visitá-lo - e quando convém deixá-lo a sós...

Quando falar com ele - e quando calar com ele...

Quando o animar - e quando o tolerar, porque até os santos devem ser tolerados...

É preciso que saibas ver a seu tempo - e não ver a seu tempo...

É preciso que saibas silenciar em face das suas derrotas íntimas - e fechar os olhos ante as suas fraquezas...

Quem espera de seu irmão perfeição absoluta cairá de decepção em decepção - e está sempre disposto a lhe tirar do olho o argueiro.

Há na vida de todo mortal momentos trágicos em que se apagam todos os faróis da praia, em que se eclipsam todas as estrelas do firmamento, em que vacilam todas as colunas sob a veemência do terremoto...

Há na vida humana transes de suprema angústia em que o pobre mártir do próprio ego tem de disfarçar com a serenidade dum sorriso convencional o candente vulcão da sua tragédia interior...

Nem sempre a sociedade permite ao homem ser o que ele é...

Feliz de quem encontra uma alma compreensiva no meio da incompreensão! 

Feliz de quem sabe ignorar, na discreta reticência dum grande amor, aquilo que desune os homens e acende nas almas infernos de infelicidade!

Muitos são os homens que enxergam com admirável precisão - poucos os que sabem ser cegos quando convém...

Eterno silêncio envolve os cumes excelsos das grandes montanhas - e as ínfimas profundezas do mar...

Mudos são os mais humanos e os mais divinos momentos da nossa vida - os abismos da dor e as alturas do amor. 

Nas mais altas alturas e nas mais profundas profundezas do seu ser - o homem está só...

E a sós consigo e com Deus tem de resolver os mais trágicos problemas da vida...

Ninguém o pode acompanhar nessa grande solidão...

Nem pai nem filho...

Nem esposo nem esposa...

Nem irmão nem amigo...

Ele só com Deus..."

(Huberto Rohden - De Alma para Alma - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2005 - p. 175/176)


FRONTEIRAS A ATRAVESSAR (3ª PARTE)

"Muitas vezes estudamos os aspectos físico, etérico, prânico, emocional e mental de nossa personalidade como partes separadas, mas na realidade eles são um campo energético entrelaçado, que é chamado kama-manas, em sânscrito. Ele é a natureza do desejo que envolve os sentidos, o sentimento e a mente racional. No ser humano desenvolvido (o Adepto), estão todos sob o controle da mente superior. No entanto, nem sempre é esse o caso; à medida que crescemos e nos desenvolvemos, frequentemente descobrimos que os sentidos e os sentimentos exercem mais poder sobre a mente e muitas vezes ditam as suas ações. Certamente a meta da humanidade nesse estágio de sua evolução é desenvolver a mente de modo que ela se torne um verdadeiro governante de nossas outras faculdades e seja regida pela mente superior.

No momento em que chegamos aos 28 anos de idade e começamos nosso quinto ciclo, nossa personalidade está bem desenvolvida e as mudanças acontecem mais no nível psicológico, que é onde crescem e evoluem nossas percepções da realidade. No entanto, essas mudanças são as mais desafiadoras, porque descobrimos que nossos egos se tornaram condicionados a um modo particular de pensar, ou se acostumaram ao nosso modo de vida. Enquanto crescemos, nossa percepção é afetada por influências como a religião na qual somos educados, nossas crenças familiares, os pontos de vista de nossos colegas, nossa educação. Todas essas coisas criam filtros que afetam a nossa percepção. Experimentamos também altos e baixos emocionais, traumas e dores que causam impactos sobre o nosso corpo e alteram o modo como reagimos aos eventos no mundo em volta. Esses traumas, a menos que sejam tratados, limitarão a nossa percepção e inibirão o nosso crescimento. No entanto, a vida tem uma maneira de atrair a nossa atenção para essas coisas com crescente regularidade, até que lidemos com elas e as enfrentemos. Sempre teremos a escolha de processá-las quando quisermos, o que certamente é o objetivo da nossa jornada espiritual, constantemente nos transformando e limpando os filtros e bloqueios emocionais.

Há uma inquietação dentro de nós, algum tipo de descontentamento que parece estar nos impelindo numa certa direção, empurrando-nos para atravessar alguma fronteira limitante criada por nós. Chegamos então ao momento em que um novo ciclo de sete anos deve começar, e descobrimos que a própria vida nos levou a um ponto onde somos forçados a atravessar a fronteira e sair do outro lado, Isso geralmente causa mudanças na vida; muitas pessoas descrevem essa fase como um tipo de iniciação.

A maioria das pessoas atravessa esses períodos sem prestar muita atenção; no entanto, aquelas mais conscientes de sua jornada espiritual já desenvolveram alguma autopercepção e compreenderam que, a cada período de sete anos, uma energia especial de transformação se apresenta. Essas pessoas são capazes de trabalhar na direção da transformação com muito maior eficácia, por esforço próprio, e verdadeiramente alcançam sólidos resultados."

(John Vorstermans - Ciclos e mudanças - Revista Sophia, Ano 12, nº 52 - p. 14/15)
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

PREPARA-TE PARA A MORTE

"Não invista toda sua energia nas exigências do corpo, o qual a cada minuto envelhece e marcha rápido em direção ao cemitério. A vida é como uma feira de três dias; é como flor que murcha ao entardecer. 

A velhice, quando se perde o encanto físico, quando para tudo se fica a depender dos outros, cedo sobrevirá. 

Prepare-se, pois, para a morte. Equipe-se para enfrentá-la calma e alegremente, resignando-se à Vontade do Senhor.Você não conseguirá isso num instante, quando o desejar; resultará de longos anos de prática. 

Em tudo que acontece, veja a mão de Deus; então você nem exultará nem se afligirá. Depois disso, sua vida será um contínuo puja (adoração) ou uma incessante meditação (dhyana)."

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1989 - p. 97/98)


CICLOS E MUDANÇAS (2ª PARTE)

"(...) A Teosofia dá especial importância ao número sete. Se considerarmos atentamente esse número, descobriremos que ele ocorre em toda parte no ciclo da vida. Também tem relevância em muitos textos sagrados. Na Bíblia, vemos que Deus criou a Terra em seis dias e no sétimo dia descansou. A palavra sete (em hebraico) aparece 392 vezes na Bíblia (7 x 7) + (7 x 7 x 7) ou 392 = 7² + 7³. Helena Blavatsky, cofundadora da Sociedade Teosófica, sugere que 'tudo é setenário, tanto no universo metafísico quanto no físico.'

Em nossa jornada humana atravessamos estágios definidos de evolução. Nossos primeiros sete anos estão focados principalmente no desenvolvimento do corpo, nos órgãos e nos sentidos. Nos sete anos seguintes desenvolvemos as emoções e a mente racional. Todos sabemos que as crianças descobrem como obter o que desejam quando percebem as fraquezas emocionais de seus pais. No terceiro ciclo, de 14 a 21 anos, a puberdade desabrocha com um outro conjunto de energias para integrar nosso ser. 

Ao longo dos três primeiros períodos de sete anos desenvolvemos os veículos físico, emocional e mental (que constituem a personalidade), e o uso de nossos sentidos (visão, audição, tato, olfato e paladar) nos permite agir como interface com esse mundo no qual encarnamos. Em cada encarnação levamos o que parece um longo tempo antes de termos um veículo que possa funcionar de maneira apropriada nesse mundo, mas logo que o obtemos, ele atrai toda a nossa atenção e assim logo esquecemos, tal como uma criancinha, que nosso reino de realidade é muito mais do que apenas físico. Certamente o desenvolvimento jamais para de fato, e em cada encarnação melhoramos um pouco mais."

(John Vorstermans - Ciclos e mudanças - Revista Sophia, Ano 12, nº 52 - p. 13)


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

PURIFICAÇÃO DO CORPO FÍSICO¹

(§07) O corpo é teu animal - o cavalo sobre o qual montas. Portanto deves tratá-lo bem e cuidar bem dele; não deves sobrecarregá-lo de trabalho, deves alimentá-lo corretamente, só com alimentos e bebidas puros, e mantê-lo sempre minuciosamente limpo, sem o menor resquício de impureza. Pois sem um corpo perfeitamente limpo e saudável, não podes realizar a árdua tarefa de preparação, nem podes suportar o seu incessante esforço. Mas deves ser sempre tu quem comanda o corpo, e não ele quem comande a ti.”

No parágrafo anterior, o sexto, nos foi mostrado a necessidade do controle sobre o corpo físico. Evidentemente que depois de dominá-lo, deveremos passar para a purificação desse corpo. Mas o que é pureza? Taimni em seu livro Autocultura – à Luz do Ocultismo nos fala: “Pureza, não somente no que concerne ao físico, mas também aos veículos emocional e mental, significa a preponderância em nosso veículo dos componentes, das combinações de matéria, que podem responder facilmente às vibrações mais elevadas, e não responder às inferiores.”

Se partirmos da ideia de que o corpo físico é o veículo da alma neste plano de matéria densa, então deveremos primar para que ele tenha um bom desempenho, a fim de que consiga responder prontamente aos anseios do Ego. Por isso que aqueles que estão no caminho do Ocultismo buscam purificar o físico através de alimentos e bebidas puros. Taimni nos explica a importância de se conhecer a natureza dos alimentos em relação à sua influência na capacidade vibratória do corpo: “A classificação mais familiar é a divisão em três grupos: Tamasico, Rajasico e Sattvico. Alimentos Tamasicos são aqueles que estimulam a inércia, Rajasicos aqueles que produzem atividade e Sattvicos aqueles que produzem harmonia e ritmo. É no último grupo que o aspirante espiritual tem que fazer, tanto quanto possível, a sua seleção

Evidentemente, que a purificação do corpo físico não se atém somente aos alimentos e bebidas, uma vez que a saúde física também é muito importante, pois é ela que vai dar a predisposição para o trabalho, o bem-estar geral, uma vez que um estado de saúde comprometido causa constante distração da mente, segundo Taimni.

Portanto, podemos concluir que tornar o corpo físico um veículo condizente para a alma é uma tarefa de muitas encarnações, pois não é fácil dominá-lo. Força de vontade, perseverança, conhecimento da constituição oculta do homem e ter o entendimento de todo o processo pelo qual se deve passar para tornar esse corpo um instrumento apropriado para que a alma possa experienciar os níveis de matéria densa, é o objetivo de todos os que resolvem trilhar o caminho do ocultismo.

¹. Comentários sobre o parágrafo 7º de Aos Pés do Mestre, de J. Krishnamurti, Ed. Teosófica, p.19/21

Tirza Fanini


CICLOS E MUDANÇAS (1ª PARTE)

"Existem momentos na vida em que as mudanças estão destinadas a acontecer, quer queiramos ou não. Se soubéssemos quando esses momentos ocorrem, será que estaríamos mais preparados para lidar com eles ou até mesmo evitá-los?

Um dos princípios mais importantes da Teosofia é a compreensão da lei de periodicidade, ou lei cíclica da natureza. Tudo tem seu próprio ritmo, seus ciclos, tão regulares quanto o fluxo e o refluxo das marés, que vão e vêm duas vezes a cada dia lunar. Com a compreensão desses ciclos somos capazes de saber quando plantar as sementes, o melhor momento para meditar, como predizer as erupções solares, quais os melhores momentos para nos trabalharmos internamente, os momentos para dar início a novos projetos, e muitas outras coisas. 

Nossas vidas são uma expressão da natureza cíclica, governadas por essa lei, como tudo o mais no universo. Os ciclos menstruais das mulheres podem ser influenciados pela natureza cíclica da lua. Nossa concepção, nascimento, crescimento e morte são reflexos dos mesmos ciclos que encontramos em toda parte na natureza. Logo que compreendemos a natureza dos ciclos, muitos mistérios ocultos abrem-se perante nossa percepção. 

Juntamente com o grande mistério dos ciclos existem os subciclos. Um deles é conhecido como o ciclo setenário - o ciclo do sete. Os ciclos setenários podem ser observados em toda parte na natureza, e também desempenham um papel importante em nossas vidas. Já notou que a cada período de sete anos você parece passar por alguma mudança significativa? Se você passar algum tempo refletindo sobre sua vida, tenho certeza de que verá que eventos importantes aconteceram nesses anos, causando impacto significativo em sua realidade. Rememoremos as idades de 7, 14, 21, 28, 35, 42, 49, 56, 73, 70, 77, 84 e 91. (...)"

(John Vorstermans - Ciclos e mudanças - Revista Sophia, Ano 12, nº 52 - p. 13)


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

EXCESSO DE SUSCETIBILIDADE

"A suscetibilidade se deve à falta de controle sobre o sistema nervoso. Às vezes, os nervos se rebelam contra um pensamento que atravessa a mente. Mesmo havendo razões para o descontrole, não devemos nos melindrar nem ficar irritados. Se, com todos os motivos para o descomedimento, você se refreia, então é dono de si mesmo. 

Não sejamos por demais irritadiços nem tenhamos piedade excessiva de nós mesmos, pois isso aumenta a suscetibilidade. Talvez você esteja agastado com alguma coisa e ninguém o saiba. É melhor olhar para dentro de si mesmo e remover a causa desses melindres.

Muitas pessoas sentem pena de si mesmas e acham que isso lhes traz algum alívio. Mas a autopiedade é um vício como o do ópio. Toda vez que o viciado em ópio toma a droga, mais se afunda na dependência. Seja forte como o aço contra a autopiedade.

Você deve ser capaz de controlar seus arroubos prontamente. Se o fogo da suscetibilidade devorar seu coração e você permitir que ele ali permaneça, as fibras de sua paz serão consumidas. Controle-o você mesmo, sabendo que o excesso de suscetibilidade nada mais é que um agente de Satã empenhado em destruir sua paz de espírito. Sempre que o ressentimento visitar seu coração, será como a estática no rádio de sua alma, pronta a desconectá-la da canção divina da serenidade, que deve soar em seu íntimo caso você não seja excessivamente suscetível. Quando a suscetibilidade se manifestar, tente vencer a emoção e não se queixe dos outros. Responsabilize-se por ela. É a única maneira de superá-la."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda,  A Espiritualidade nos Relacionamentos - Ed. Pensamento, São Paulo, 2011 - p. 27/28)
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PURIFIQUE A MENTE DA PREOCUPAÇÃO, DO MEDO E DO NERVOSISMO (PARTE FINAL)

"(...) Sempre que se sentir à mercê de uma preocupação qualquer, faça um jejum parcial ou total por um dia ou uma semana. E, quando decidir mentalmente não mais se preocupar, apegue-se a essa decisão. Você poderá resolver com calma os problemas mais difíceis, apelando para o melhor de seus esforços enquanto se recusa terminantemente a aborrecer-se. Diga a si mesmo: 'Estou satisfeito, feliz por dar o melhor de mim no esforço de resolver meu problema; não há razão alguma para me preocupar.'

Quando você fizer um jejum de preocupações, beba copiosamente das frescas águas da paz que brotam da fonte de cada circunstância, vitalizadas por sua determinação de alegrar-se. Se você decidiu ser alegre, nada poderá entristecê-lo. Se resolveu não destruir sua paz interior preocupando-se com circunstâncias infelizes, ninguém conseguirá demovê-lo. 

Preocupe-se unicamente com a prática incansável das boas ações, não com seus resultados. Deixe os resultados por conta de Deus, dizendo: 'Fiz o melhor que podia nas circunstâncias; portanto, estou satisfeito.'

O jejum de preocupações é o método negativo para curar o envenenamento que elas provocam. Mas há também o método positivo: a pessoa infectada pelos germes da preocupação deve conviver comedidamente, mas regularmente, com mentes joviais. Todos os dias, ela deve procurar a companhia - mesmo que por pouco tempo - de mentes 'infectadas pela jovialidade'. Há pessoas cujo riso é uma canção que ninguém consegue calar. Procure-as e confraternize-se com elas nesse revigorante banquete de alegria. Persista em sua dieta de risos e, ao final de um mês ou dois, notará a mudança: sua mente estará repleta de luz."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como Ter Coragem Serenidade e Confiança - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 54/56)


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A REAÇÃO DO HOMEM PROFANO, DO ESPIRITUAL E DO CRÍSTICO DIANTE DO SOFRIMENTO

"69. Disse Jesus: felizes no seu coração são os perseguidos, os que na verdade conhecem o Pai. Felizes são os famintos, porque o corpo dos que sabem querer será saciado.

Comentário: Esta continuação do capítulo precedente vem explicitamente mencionada no Sermão da Montanha, segundo Mateus. 

Três atitudes humanas são possíveis em face do sofrimento e das adversidades da vida: revolta, resignação, regeneração.

O homem totalmente profano se revolta contra os sofrimentos, porque os considera somente como inimigos.

O homem espiritual tolera historicamente os sofrimentos, sem se revoltar nem os aceitar; mantém-se numa atitude de passiva neutralidade, uma vez que não pode evitar as adversidades; não se torna melhor nem pior em face do sofrimento.

O homem crístico, porém, pergunta com o Mestre 'não devia eu sofrer tudo isso para assim entrar em minha glória?' Esse homem clarividente vê no sofrimento um amigo, um anjo, vestido de luto, sim, mas com o sorriso da redenção nos lábios e a esperança da imortalidade nos olhos.

Não é verdade que o sofrimento como tal redima o homem, como alguns pensam. Há sofredores que se tornam piores pelo sofrimento; alguns acabam no suicídio; outros cream dentro de si um inferno de revolta e amargura. Não é o sofrimento em si que redime o homem; é a atitude que o homem assume em face do sofrimento que o modifica para melhor ou para pior.

Felizes são os famintos de uma vida superior, já enfastiados da vida profana. O próprio corpo desses famintos do espírito participará da plenificação espiritual. É necessário saber querer o céu para possuir também a terra."

(O Quinto Evangelho, A Mensagem do Cristo, Apóstolo Tomé - Tradução e comentários: Huberto Rohden - Ed. Martin Claret, São Paulo - p. 98/99)

PURIFIQUE A MENTE DA PREOCUPAÇÃO, DO MEDO E DO NERVOSISMO (1ª PARTE)

"As preocupações são, frequentemente, o resultado da ânsia de fazer muita coisa com excessiva rapidez. Não 'engula' seus deveres mentais, procure mastigá-los bem, um de cada vez, com os dentes da atenção, dissolvendo-os na saliva do reto julgamento. Assim, não terá uma indigestão de preocupações.

Não nutra sua mente com os venenos mentais das preocupações. Aprenda a remover as causas dessas preocupações sem permitir que elas o atormentem. Se você sofre de 'má saúde' mental, faça um jejum mental. Um jejum mental sadio limpará sua mente e a purificará das toxinas mentais acumuladas em consequência de uma dieta mental descuidada. 

Faça jejuns de preocupações. Três vezes por dia, livre-se delas. Às 7 horas da manhã, diga a si mesmo: 'Todas as minhas angústias noturnas se foram e, das 7 às 8 horas, não me permitirei ficar inquieto ainda que as piores tribulações me aguardem. Estou fazendo jejum de preocupações.' Do meio-dia às 13 horas, diga: 'Sinto-me contente, não vou me aborrecer.' À noite, entre as 18 e 21 horas, em companhia de seu cônjuge, parentes ou amigos de convívio difícil, tome esta firme resolução mental: 'Pelas próximas três horas, não terei preocupações. Não ficarei irritado, mesmo que me provoquem. Por mais tentador que seja ceder ao aborrecimento, resistirei à tentação. Não sabotarei minha paz interior com explosões de inquietude. Não me permitirei ficar preocupado: estou em jujum de preocupações.' 

Depois de conseguir fazer jejuns de preocupações durante algumas horas por dia, tente fazê-los por uma ou duas semanas de cada vez. Em seguida, procure evitar inteiramente o acúmulo de preocupações tóxicas em seu sistema. (...)"

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como Ter Coragem Serenidade e Confiança - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 53/54)


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

AUTOCONHECIMENTO

"26. Jesus Disse: tu vês o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu próprio olho. Se tirares a trave do teu próprio olho, verás claramente como tirar o argueiro do olho do teu irmão.

Comentário: Estas mesmas palavras se encontram em Mateus e Lucas. O sentido é por demais conhecido e não necessita de ulterior elucidação. Todo o homem sem autoconhecimento enxerga facilmente os erros pequenos em seu semelhante, mas não percebe os erros grandes dele mesmo. Para os erros pequenos dos outros, o egoísta usa uma lente de aumento; para os erros próprios ele inverte a lente, de maneira que ela diminui, em vez de aumentar, os seus próprios defeitos.

Tudo isso é consequência da falta de autoconhecimento. Quem se conhece realmente a si mesmo percebe com facilidade até os menores deslizes em si mesmo e presta pouca atenção às faltas do próximo; e, no caso que as perceba, não é para censurar, mas para ver se pode ajudar a corrigi-las.

Esta última parte vem expressa com palavras cautelosas: não diz o Mestre que o homem vai tirar do olho do próximo o argueiro dos pequenos erros; mas diz que o homem de autoconhecimento se torna tão vidente, tão clarividente, para descobrir um modo como tirar, ou para mostrar ao outro como ele mesmo pode corrigir os seus defeitos. Na realidade, ninguém pode fazer o outro bom, só lhe pode fazer bem, mostrando-lhe o caminho de ele mesmo se fazer bom. Cada um deve fazer-se bom por si mesmo. O que o homem bom pode fazer é crear em torno de seu semelhante um ambiente tão favorável que ele resolva tornar-se bom. Esse ambiente favorável não consiste primariamente em atos e bons conselhos, nem no bom exemplo, mas sim numa permanente atitude de ser bom. Ser bom quer dizer ter a consciência humana sintonizada com a consciência divina e viver de acordo com essa atitude permanente. O maior impacto benéfico que um homem pode exercer sobre outro homem é ser bom, crear e manter uma permanente sintonia entre si e o Infinito."

(O Quinto Evangelho, A Mensagem do Cristo, Apóstolo Tomé - Tradução e comentários: Huberto Rohden - Ed. Martin Claret, São Paulo - p. 49)

ASANGA (PARTE FINAL)

"(...) Negue-se a alimentar a sensualidade. Evite as oportunidades do excitamento sensual. Não se comporte como um gozador inveterado. Evite transformar-se num fascinado pelos sentidos. Não se deixe perder no gosto, na miragem e na obsessão da sensualidade. Conserve-se sóbrio. Não quer dizer que quem não é um eremita austero tem de forçosamente ser um neurótico. Não é nada disso. Mas sobriedade e autodomínio pacífico nunca fazem mal a ninguém. Ao escolher um divertimento, leve em conta que a necessidade obsedante de correr a eles é um sinal de que a eles você está se prendendo, de que se está esvaziando, se alienando e tornando cada vez mais difícil a equanimidade, a imperturbalidade e, consequentemente, a saúde. Cada vez que você vai ver um filme de horror, de violência, de ódio e vingança, de erotismo e suspense, a título de divertimento, o que está de fato fazendo é introjetar no insconsciente vásanas e samskaras nocivas que são como germes patogênicos psíquicos do medo, da agressão, da brutalidade, da ira e da luxúria. Ao mesmo tempo estará, automaticamente, danificando organismo com fortes emoções mórbidas que a película lhe propicia. 

Aprenda a ser dono de sua sensibilidade. Divinize-a, alimentando-a de pura beleza. Aprenda a melhorar-se com imagens, sentimentos, melodias, sons, perfumes e emoções que sejam condizentes com a aspiração de transformar sua vida mediante a conquista da mente.

O erotismo está expulsando do mundo a poesia. A violência está destruíndo a ternura. A sensualidade grosseira está vencendo a capacidade de gozar o sutil. Isso causa dores e desquilíbrios.

Despertemos. Comecemos a reagir. Aprendamos a cultivar poesia, ternura e gozo espiritual. Sutilizemos, refinemos nossa sensibilidade. Espiritualizemos nosso sentir. Tornemo-nos capazes para os prazeres não compráveis, invulgares, indescritíveis - os sublimes; e para as perfeitas vivências no Espírito Onipresente da Beleza Absoluta. Harmonizemo-nos esteticamente. Harmonizemo-nos capazes de sintonia com a Suprema Beleza, que o Divino Artista nunca deixou de nos oferecer. Abramos nossos olhos para a beleza de Deus." 

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 196/197)


domingo, 21 de dezembro de 2014

O PODER DO DISCERNIMENTO

"A única maneira de livrar-se desta terrível roda de karma - em que damos voltas e voltas, como esquilos que correm dentro de uma gaiola giratória - é aderir ao caminho e ideais espirituais expostos por nosso abençoado Gurudeva, sabendo que suas bênçãos e orientação nunca estão ausentes. Em sua onipresença em Deus, ele está logo atrás da escuridão de nossos olhos fechados, observando-nos silenciosamente. Conforme retemos essa consciência, que nos mantém receptivos à sua ajuda sempre presente, aumentamos nossa habilidade para usar a espada do discernimento que ele nos entregou na sabedoria de seus ensinamentos. Corajosamente, eliminaremos as distrações mundanas que seduzem e levam nossa mente para os caminhos materialistas. Estaremos em condições de optar, de bom grado por viver de acordo com aqueles ideais que nos aproximam de Deus. Pelo poder do discernimento, aprendemos a fazer as coisas que devemos fazer quando devemos fazê-las - não impelidos por influência externa, mas agindo tranquila e sabiamente, com nossa inteligência e vontade concedidas por Deus.

Devemos aprender a nos examinar todo dia: 'Como estou indo? Em que direção vou? Que fiz hoje que me levou para Deus em pensamento, palavra e ação?' E: 'Que maus hábitos continuo a seguir que afastam minha mente de Deus?'.

Quando, muitas e muitas vezes, pela meditação e pelo constante esforço espiritual, lembramos a nós mesmos que não somos seres mortais, mas almas imortais, gradualmente rompemos as correntes que há muito tempo nos mantêm atados à limitada consciência da carne e ao mundo de incessante e aflitiva mudança. Uma vez que começarmos a abandonar aqueles grilhões, teremos lampejos de nós mesmos como almas feitas à imagem de Deus. Quanto mais avistamos essa imagem divina em nosso interior, mais sentimos o amor Dele em nossos corações, a sabedoria Dele em nossas mentes e a alegria Dele em nossas almas."

(Sri Daya Mata, Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 270/271)

ASANGA (1ª PARTE)

"Em muitos de seus versículos, a Gita alerta o aspirante ao yoga, o candidato à saúde e à integração psicossomática, que não se deixe dominar pelos objetos dos sentidos. Quem vive a gratificar os sentidos, cada vez mais, vai se tornando escravo do prazer e do desejo de maior prazer. Não pode haver libertação para aquele que se deixa dominar pela sede dos sentidos (indriyas), pela sensualidade. Quem aspira à conquista da mente, tem de manter-se alerta, a fim de não cair vítima da obsessão sensual. A psicologia e a higiene mental do Ocidente também recomendam que não se deve atender à sede de sensualidade, e mostram não ser sadio gratificar os sentidos. 

Sanga quer dizer o gozo dos prazeres sensuais ou a gratificação dos sentidos. O yogui pratica asanga, isto é, a negação de sanga. Asanga é liberdade. Sanga, servidão.

A maioria dos homens vulgares, tentando, de maneira vã, um alívio para seus dramas, buscando, sem resultado, um preenchimento para o vácuo de seu viver sem rumo, querendo um lenitivo para seu tédio e buscando uma felicidade mítica, persegue novos e mais excitantes prazeres sensuais. O que consegue é apenas perseguir miragens, disfarçar a infelicidade, com o consequente agravamento dessa infelicidade e maior desgaste de sua energia nervosa. Se ansiedades e frustrações são como fogueira a queimar, as concessões à sensualidade são como a tentativa de apagá-la jogando mais gasolina em cima. Os sentidos indiscutivelmente são insaciáveis. Nenhum prazer, por mais intenso e inusitado que seja, conseguirá satisfazê-los. Quem tenta provar o contrário - e são quase todos - comete imprudência e só consegue desengano. É um recomeçar desalentador... 

Se a mente é uma fogueira, asanga é negar-lhe o combustível. A dieta e o jejum dos sentidos, que a psiquiatria e a higiene mental de hoje recomendam, é este sábio procedimento aconselhado pela yoga há muitos milhares de anos. (...)"

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 195/196)


sábado, 20 de dezembro de 2014

SEJA COMO O OCEANO

"(2:70) Feliz é aquele que, como o oceano, absorve em si mesmo, calmamente, todos os rios do desejo. (Ao contrário), aquele cujos desejos se escoam (como de um lago) logo vê esgotada (sua energia). 

Desejos generosos - por exemplo, levar a alegria aos semelhantes - não drenam nossos reservatórios de paz, mas acrescentam-lhes o júbilo que despertam.

Sempre que você sentir prazer, lembre-se da beatitude interior. Sempre que contemplar a beleza, traga para dentro de si a alegria que ela lhe deu. Que toda a alegria terrena lhe lembre a felicidade bem mais inefável do Eu. 

Alguns yogues recomendam indiferença completa ao mundo. Que visão mais insípida! Bem melhor, ensinava meu Guru, é gozar com Deus as belezas e os prazeres que nos cercam, tendo sempre em mira a alegria íntima, vivenciada durante as experiências que exaltam os sentimentos do coração. Direcione esses sentimentos para Deus em vez de suprimi-los com uma apatia seca, 'inspirada' pelo intelecto. Também assim podemos nos absorver em nós mesmos sem atirar fora as alegrias e prazeres que o mundo nos proporciona." 

(A Essência do Bhagavad Gita - Explicado por Paramahansa Yogananda - Evocado por seu discípulo Swami Kriyananda - Ed. Pensamento, São Paulo, 2006 - p. 129)
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O SILÊNCIO E A VERDADE INTERIOR (PARTE FINAL)

"(...) São muitos os exemplos daqueles que têm procurado resgatar esse conhecimento puro e muito antigo. Krishna, Shiva, Buda, Sócrates, Jesus e muitos outros sábios podem nos inspirar na nossa caminhada para conhecer nossa verdade interior. Essa verdade, quando conhecida, se refletirá no nosso cotidiano através da nossa bondade e compaixão com o outro. Esse conhecimento recupera nossa condição de seres criativos, pacíficos, silenciosos, harmoniosos e sábios, que em essência sempre fomos, e nos conduz a uma felicidade imensa. Esquecemos esse conhecimento quando nos separamos frequentemente de nossa sabedoria interna, e, consequentemente, de tudo que nos rodeia. E esse esquecimento é que nos faz ignorantes da nossa sabedoria e força internas, o que, por sua vez, nos fez sofrer sem necessidade.

O trabalho para chegar a essa verdade interior requer, entre outras coisas, silêncio interno para que possamos limpar a sujeira engendrada pelas percepções errôneas do nosso ego. Com o silêncio concluímos que raramente percebemos e interpretamos algum assunto importante com a presença e a inocência necessárias. A mente livre de crenças, preconceitos e conceitos nos permite conhecer a verdade real por trás das aparências. A mente está cheia de ideias e filosofias que não foram ainda suficientes para o ser humano deixar sua condição de sofredor neurótico. Precisamos perceber e vivenciar a verdade porque só o conhecimento intectual, mesmo que seja vasto, não soma muito na redescoberta da alegria de viver. A falta de respostas para nos conduzir a uma vida feliz e de qualidade por parte de todos os sistemas que construímos, como a religião, a escola, o estado e a sociedade, leva-nos a concluir que é preciso silenciar a mente e estudar em nossa própria escola interna.

A riqueza, a beleza e o manancial inexplorado existente dentro de cada ser vivo precisam ser despertados. Urge que despertemos o que existe de vivo dentro de nós e que nunca tivemos tempo de explorar. O mundo mais do que nunca precisa do ser humano com toda a sua força e potencial, para que sejam realizadas as mudanças necessárias. Segundo Krishnamurti (1964), a sociedade  que habita esse mundo está caótica e decadente, em completa desarmonia, irmão lutando contra irmão e crianças sendo educadas para se adaptar a um sistema que se move a duras penas, sem nenhuma substância, sem a luz da vida."

(Antonio Monteiro dos Santos - O Silêncio e a verdade interior - Revista Sophia, Ano 12, nº 52 - p. 20)


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

PERDOAR

"Enquanto não nos firmamos na virtude do perdão, não alcançaremos pureza de coração que nos propicia a visão de Deus. A prática do perdão é, pois, de importância fundamental para o aspirante à espiritualidade. No Sermão da Montanha, como vimos, Cristo insiste repetidamente nesta prática. Ele ensina a clemência,  a reconciliação e o perdão das dívidas. Mas, além do Sermão, os Evangelhos registram muitos exemplos em que Cristo prega o perdão, tanto preceituando como dando ele próprio o exemplo. Quando Pedro lhe perguntou: 'Senhor, quantas vezes meu irmão pode pecar contra mim, e eu devo perdoá-lo? Até sete vezes?' Respondeu Cristo: 'Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.'

Cristo jamais condenou os que prejudicaram os outros ou a ele próprio. Abençoou-os, dizendo: 'Vai e não peques mais', 'Teus pecados estão perdoados'. E na sua oração da cruz, pediu ele ao Pai que perdoasse a ingnorância dos homens, 'porque eles não sabem o que fazem'.

Todos os grandes mestres espirituais enfatizaram a importância do perdão na vida espiritual. Disse Buda: 'Se um homem tolamente me prejudicar, dar-lhe-ei em troca a proteção do meu amor incansável; quanto maior o mal que dele vier, maior o bem que sairá de mim... Limpa o teu coração da malícia e cuida de não odiar, nem mesmo teus inimigos; antes, abraça com bondade todos os seres.'

Concordam esses mestres que, se nos faltar o perdão, se guardarmos pensamentos de raiva ou ódio, causaremos mal a nós próprios bem como aos demais. Eles nos orientam a fim de que ergamos ondas de pensamentos - pensamentos de amor e compaixão - de tal modo que fiquemos em paz com o mundo e conosco mesmo.

Por que é difícil para a maioria de nós seguir o ensinamento do perdão? Porque quando alguém nutre inimizade por nós reagimos, sentindo-nos feridos. E o que fica mais ferido? O ego. O perdão talvez seja a maior de todas as virtudes, pois, se podemos perdoar realmente aos homens os seus abusos, colocamo-nos acima do ego, que nos impede a visão de Deus."

(Swami Prabhavananda - O Sermão da Montanha Segundo o Vedanta - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 105/106)


O SILÊNCIO E A VERDADE INTERIOR (1ª PARTE)

"O grande mestre indiano Kabir escreveu: 'Conhecendo-a, o ignorante se torna sábio / E o sábio se torna mudo e silencioso / O adorador fica completamente inebriado, / Sua sabedoria e seu desapego tornam-se perfeitos: / Ele bebe do copo das endogamias e das exogamias do amor.' (Tagore, 1915)

Essa poesia maravilhosa, fala da redescoberta da verdade interior, essa sabedoria que emana do fundo do nosso ser e que nos torna mudos e silenciosos com sua presença. Quando a verdade desabrocha na nossa mente, não queremos mais nada a não ser o seu perfume. O amor que dela exala é tão forte que nos faz ir além dos muros de nossa tribo, nacionalidade, condição social e intelectual, de nossa orientação religiosa e filosófica, para amar o outro como amamos a nós mesmos.

Conhecer a verdade interior é diferente de perceber essa verdade através de uma teoria religiosa ou espiritual, de uma compreensão ou um entendimento filosófico ou de qualquer outro processo intelectual. Conhecê-la é ter um contato direto com ela, sem subterfúgios ou alegorias de qualquer tipo. Todos nós temos potencial para chegar a esse conhecimento, para provar desse cálice, que está cheio do vinho da sabedoria e do amor. Basta fazermos o trabalho necessário para despertar esse conhecimento.

O trabalho do silêncio é um caminho para alcançar a verdade. Quando vivenciamos a verdade por meio do silêncio da mente e da inspiração do nosso coração, damos as mãos ao Deus interior, diretamente, sem intermediários. Sua luz é extraordinária e difícil de ser colocada em palavras. (...)"

(Antonio Monteiro dos Santos - O Silêncio e a verdade interior - Revista Sophia, Ano 12, nº 52 - p. 19)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

VENÇA O DESEJO E O APEGO PELO DESENVOLVIMENTO DA SABEDORIA

"Descarte o desejo pelos prazeres sensoriais, os quais, como o prazer obtido enquanto se coça um eczema sarnoso, somente torna a doença mais grave. Você não a pode sarar enquanto ceder à tentação de coçar. Quanto mais você coça, mais é tentado a continuar, até sobrevir o sangramento. Desista, portanto, desta vã pretensão¹ e se concentre sobre assuntos espirituais, ou, no mínimo, mova-se no mundo com a sempre presente convicção de que ele é um marasmo, uma rede, uma armadilha na qual o desejo e o apego precipitarão você. 

Raiva e ira podem ser usadas para proteger o sadhaka (asceta) contra o mal que o acoça. Enraiveça-se, mas somente contra as coisas que o estorvam.² Ire-se, mas somente contra os que fazem de você um bruto. Cultive jnana (sabedoria) e visualize o Senhor nas coisas e nas atividades. Isso torna cada vez mais eficaz seu nascimento humano. Não vasculhe os erros dos outros, porque os outros são manifestações do Senhor, o qual você está buscando realizar. O que vê nos outros são os seus próprio erros.

Da mesma forma como a cauda de um girino, o ego se desprende, à medida que se cresce em sabedoria. Deve simplesmente cair, pois, se for cortada, o pobre girino morrerá. Assim, não se aborreça quanto a seu ego. Desenvolva sabedoria, cultive discernimento, conheça a natureza fugaz de todas as coisas objetivas e, então, a 'cauda' não sobreviverá."

¹ A vã pretensão de saciar a fome de prazer (kama) através da permissiva gratificação.
² Raiva e ira são aqui força de expressão para acentuar o quanto precisamos evitar as coisas e atividades que estorvam nosso caminho de retorna à 'casa do pai'.

(Sathya Sai Baba - Sadhana O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 99/100)


O FENÔMENO "HOMEM" (PARTE FINAL)

"(...) Ultimamente, causaram grande celeuma as obras do jesuíta francês Teilhard de Chardin, que traça o itinerário evolutivo do homem através das zonas que ele denomina hilosfera (matéria), biosfera (vida), noosfera (intelecto) rumo à logosfera (razão); o homem começou no 'ponto Alfa' e culminará no 'ponto Omega'. Muitos consideram esse paleontólogo como materialista, pelo fato de ver o início do homem na hyle (matéria); não compreenderam Teilhard de Chardin; a essência de todos os finitos é o Infinito, isto é, a Essência Divina, imanente em todas as existências, sem excluir a matéria. O que os materialistas chamam matéria são apenas os fenômenos perceptíveis dela; ninguém sabe o que é a matéria em sua essência invisível; e o X, a grande Incógnita, que nem os sentidos percebem nem a inteligência concebe. Esse X, o grande Além-de-fora, que é também o grande Além-de-dentro, é a essência Infinita. Se, pois, o Chardin deriva o homem da matéria, deriva-o do Infinito; a matéria é apenas um canal, mas não é a Fonte de onde o homem fluiu. Aliás, quem não vê o Infinito imanente em todos os Finitos, não compreenderá o Teilhard de Chardin, como não compreenderá a mensagem do Cristo, no Evangelho, quando diz: 'O Pai está em mim, e eu estou no Pai... O Pai também está em vós, e vós estais no Pai'. 

O homem veio do Infinito (creação), mas fluiu e flui ainda através de vários Finitos (evolução) - até, um dia, atingir o ponto culminante dos Finitos, o 'ponto Omega', o Cristo Cósmico.

Esse processo evolutivo do homem é possível, porque o seu livre-arbítrio o isenta da cadeia férrea da causalidade mecânica, da escravizante alodeterminismo da natureza infra-humana. O livre-arbítrio é uma causalidade dinâmica, uma autodeterminação espontânea, a onipotência dentro do homem, a qual, uma vez plenamente acordada, torna possíveis todas as coisas impossíveis no plano inferior, porque é a Verdade Libertadora." 

(Huberto Rohden - Setas para o Infinito - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 84/85


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

SERENIDADE: A FONTE DO PODER

"Toda pessoa tem uma alma e um corpo. Iludido, identifica a alma com o corpo e, portanto, com todas as condições físicas. O corpo pode ser ferido, mudado e destruído; tem seus limites e não dura muito. Assim, a pessoa identificada com o corpo se julga vulnerável.

A alma, porém, de modo algum pode ser ferida, mudada ou destruída. A alma, feita à imagem do Espírito, é serena, eterna e imperturbável.

Em virtude dos desejos mundanos, a pessoa se identifica mais e mais com a debilidade do corpo, sempre temerosa da morte e das limitações. Se dirigir sua atenção para longe das barreiras corpóreas, causadoras da infelicidade, e meditar até a ilusão desaparecer, a alma se descobrirá imorredoura, abrigada na fortaleza da onipresença: inconquistável, imune aos efeitos da mudança vibratória enganadora. Toda pessoa deve lembrar-se de que é imortal, inacessível à mudança ou à extinção mesmo quando seu corpo parece afetado pela doença, pelos acidentes ou pela morte.

Concentrando-se na alma, a pessoa sufoca os desejos passageiros e encontra a liberdade perene.

Não importa quanto haja meditado, se ainda teme as doenças e a morte física por não ter reconhecido a imortalidade da alma, você evoluiu muito pouco e não conquistou quase nada. Precisará meditar mais profundamente até estabelecer uma comunhão estática com Deus e ir além das limitações do corpo. Durante a meditação, procure reconhecer que você está muito acima de quaisquer mudanças corporais - você é informe, onipresente, onisciente."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como Ter Coragem, Serenidade e Confiança - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 25/26)


O FENÔMENO "HOMEM" (3ª PARTE)

"(...) É necessário darmos ideia clara sobre a palavra 'potência' ou 'potencialidade', que se diz transformar-se em 'atualidade'. É equívoca e inexata essa expressão 'transformar'. A potência não é, a bem dizer, inerente ao veículo finito, mas sim à Vida Infinita, a qual se serve de certos veículos finitos para se manifestar (parcialmente) no plano dos efeitos individuais. O corpo unicelular da ameba não encerra a potência de crear o corpo pluricelular do molusco, do peixe, do mamífero, do homem. Essa potência é, na realidade, o Infinito, a Essência Imanifesta, a Vida Universal do Cosmos, que se revela (parcialmente) através de algum veículo e aparece como Existência Manifesta. Essa forma existencial da Essência varia de espécie a espécie, de grupo a grupo, de indivíduo a indivíduo.

Na espécia 'homem' encerrava essa forma existencial o mais alto grau de potencialidade, porque este veículo era de todos o mais idôneo. Se dermos ao mais perfeito dos minerais a potencialidade grau 5, ao mundo vegetal o grau 10, ao mundo animal o grau 20, teremos de admitir para a espécie hominal talvez a potência grau 100. Dizer que essa potência 100 estava 'contida' nas potências 20, 10, 5, é o mesmo que abolir a lógica e a matemática. O maior não está contido no menor. Mas é fato que a potência maior (100) se serviu das potências menores (20, 10, 5) como canais e veículos para atingir o 100. O 100, porém, veio do \infty (Infinito), assim como do mesmo Infinito fluíram todos os finitos, pequenos e grandes. Do  \infty veio não só o 100, mas também o 20, o 10 e o 5. 

A diferença não está no fato de terem os finitos vindo do Infinito, mas tão somente do modo como dele vieram, uns por caminhos mais curtos, outros por mais longos. O homem é de todas as creaturas a que está realizando jornada mais longa e diversificada - e ninguém sabe por onde o homem possa passar ainda em eras futuras...

A ciência provou a realidade desses canais condutores que veicularam o corpo hominal - não provou, todavia, que o homem tenha vindo do animal. Nunca um finito maior vem de um finito menor, embora possa vir através de finitos menores. Muitos dos nossos tratados de evolucionismo, e sobretudo certos compêndios colegiais, primam por uma estupenda falta de lógica, confundindo causa com condição, afirmando que o homem veio do animal, quando deviam dizer através do animal. E quando procuramos retificar esse erro, replicam-nos que estamos fazendo 'jogo de palavras', porque fazemos distinção entre de e através. A lógica é coisa raríssima, mesmo entre homens chamados cultos. (...)

Se o Infinito se dignou a manifestar-se através de finitos de todos os graus, mesmo o mais imperfeito, como o corpo unicelular de um protozoário primitivo, será indigno do homem finito o que é digno do Universo Infinito? Qualquer forma finita é digna do Infinito; se assim não fosse, não teria ela aparecido. (...)"

(Huberto Rohden - Setas para o Infinito - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 83/84)