OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


domingo, 31 de agosto de 2014

BHAGAVAD GITA

"O Bhagavad Gita é amplamente aceito como uma das grandes escrituras da humanidade. Ele contém um apelo universal. Trata da reorganização construtiva da vida, e explica como um homem deve cumprir seus afazeres e ao mesmo tempo compreender seu destino espiritual.

A mensagem principal do Bhagavad Gita é simples: uma pessoa deve cumprir suas obrigações. Se não, incorre em erro. A ação é a lei da vida; sem ação é impossível viver.

Krishna diz que, no caminho espiritual, não é preciso renunciar à ação; as ações executadas com dedicação e atitude adequada ajudam a conduzir a mente ao conhecimento.

Quando o trabalho é feito sem motivação egoísta, torna-se uma forma de adoração. O Bhagavad Gita enfatiza que o mesmo esforço deve ser feito no trabalho para si próprio ou para os outros, e que o esforço deve ser o mesmo, independente do tipo de trabalho.

O trabalho deve ser feito com amor. Todos os deveres são igualmente importantes; quando são cumpridos sem motivação egoísta, a ação torna-se uma expressão de amor. O trabalho dedicado remove todas as impurezas da mente.

O Bhagavad Gita ensina que devemos ‘nivelar’ a mente; devemos encarar do mesmo modo tanto as circunstâncias favoráveis quanto as desfavoráveis. Prazer e dor, ganho e perda, honra e desonra devem ser vistos de modo semelhante. Isso pode ser alcançado com o controle dos desejos, da ira e da ganância, que são os três portais para o inferno. (...)"

(R. K. Langar - Uma fonte perene de inspiração espiritual Bhagavad Gita - Revista Sophia, Ano 2, nº 5 - p. 43)


PARAPSICOLOGIA: OS FENÔMENOS OCULTOS DA MENTE (2ª PARTE)

"(...) A parapsicologia, através de uma série de experiências, demonstrou que o homem tem dentro de si uma percepção que não depende de seus sentidos. Há muitos anos, F. W. H. Myers criou uma palavra para a comunicação direta entre duas mentes. Chamou-a de telepatia, que significa transmissão de ideias de uma mente à outra, independente dos canais sensoriais. A telepatia foi um dos assuntos investigados pela Sociedade de Pesquisas psíquicas, estabelecida em Londres em 1882.

No século XIX, os fenômenos de hipnotismo despertaram o interesse da classe média. É desnecessário dizer que o hipnotismo tem muita ligação com a telepatia, e hoje é reconhecido e aceito como método de tratamento de certos tipos de doenças.

Um outro fenômeno paranormal forneceu material para muitas investigações por parte da Sociedade de Pesquisas Psíquicas. É o espiritismo, ou a comunicação com os espíritos desencarnados. Depois da Segunda Guerra Mundial, esse ramo de investigação recebeu um novo impulso com os trabalhos de Lord Dowding, que foi Marechal da Força Aérea na Grã-Bretanha. É óbvio que a telepatia, o hipnotismo e a comunicação espírita fazem parte de uma região onde os sentidos físicos são inoperantes: a percepção extrassensorial.

Rhine e outros pesquisadores da parapsicologia realizaram investigações mais recentes. Raynor Johnson, autor do livro The Impresioned Splendour (O Esplendor Aprisionado), descreve a clarividência como a ‘consciência da proximidade de um acontecimento contemporâneo, de algum objeto no mundo material, sem utilização dos órgãos sensoriais ou inferência racional baseada em detalhes sensoriais’ (...)."

(Rohit Mehta - Parapsicologia: os fenômenos ocultos da mente - Revista Sophia, Ano 2, nº 5, p. 9/11)


sábado, 30 de agosto de 2014

VALORIZAÇÃO

"As coisas e situações, em si mesmas, não são boas ou más, feias ou belas, favoráveis ou nocivas...

Elas são uma ou outra conforme o como as avaliamos de acordo com o uso que delas fazemos.

Não condene nem tema coisas e situações, pessoas ou fatos, que lhe pareçam dolorosos ou terríveis. Procure, com isenção e tranquilidade, considere objetivamente, e sempre descobrirá um outro valor positivo, algo aproveitável, e até mesmo, em alguns casos, precioso.

Se tivermos sabedoria bastante para, sem arroubos, sem protesto ou dissabor, sem ira nem medo, sem lamentos nem desânimo, descobrir o que há de aproveitável no que parece calamidade, o mundo sempre nos será propício, não obstante as aparências.

Se nos conduzirmos com sabedoria, veneno vira remédio.

Se, imprudentes, remédio se torna veneno."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Record, Rio de Janeiro, 4ª edição - p. 200)


PARAPSICOLOGIA: OS FENÔMENOS OCULTOS DA MENTE (1ª PARTE)

"Nos últimos trinta anos, a psicologia progrediu rapidamente e nos ofereceu novas visões da mente humana. Mas durante muitas décadas essa ciência foi estudada apenas nos seus aspectos estritamente psicológicos que consideram o pensamento um mero fenômeno, quando não uma espécie de secreção do cérebro.

No entanto, pesquisas recentes impuseram uma verdadeira derrocada nas teorias fisiológicas sobre as operações efetuadas na mente humana. Uma das mais importantes foi a ramificação da psicologia conhecida como parapsicologia. Esse ramo do conhecimento surgiu das experimentações realizadas por J. B. Rhine e outros, e gerou uma volumosa literatura sobre o assunto. Na verdade, chega a ser difícil estar em dia com essas investigações.

A parapsicologia é extremamente interessante, pois lida com as percepções extrassensoriais. Nosso conhecimento do mundo é normalmente obtido através dos cinco sentidos. Mas os aspectos sensoriais não podem, por si só, exaurir o conhecimento. Os detalhes sensoriais produzem vibrações no cérebro físico, e, a não ser que essas vibrações sejam interpretadas como um todo, não haverá conhecimento.

Portanto, a mente, essencial para colher o conhecimento, depende de detalhes sensoriais; a matéria bruta do conhecimento é fornecida pelos sentidos. Tudo que conhecemos do mundo externo vem dos sentidos. Mas há uma questão que atualmente chama a atenção de alguns psicólogos. Pode haver conhecimento sem a intervenção dos sentidos? A percepção é possível sem o estímulo dos sentidos? (...)."

(Rohit Mehta - Parapsicologia: os fenômenos ocultos da mente - Revista Sophia, Ano 2, nº 5, p. 9/11)


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

AMOR

"O que é o amor? É um instinto natural com que nascemos? É um comportamento que precisamos aprender? É um sentimento capturado no olhar de um amante? Ou é, talvez, algo que teremos que lutar durante várias vidas para conquistar?

Pessoalmente, acredito que o amor é tudo. Acredito que ele seja a luz da Força Divina da qual fazemos parte. Quanto mais clara é a nossa luz, mais forte é a consciência desta parte da nossa natureza. Nascemos com este senso da nossa luz e podemos aumentá-la ou escondê-la de nós mesmos e do resto do mundo. Alguns perdem a luz de vista e passam o resto da vida buscando substitutos pobres para o amor. Drogas, sexo e violência são alguns deles.

Quando começamos a reconhecer a luz do amor dentro de nós, é mais fácil vê-la dentro dos outros. Quando duas pessoas estão 'apaixonadas', elas veem essa luz uma na outra. O mundo externo diminui de importância, porque estão no seu mundo particular do amor e sentem o esplendor e a felicidade que o amor oferece.

Quando você começa a viver a partir da luz interior da sua alma o centro mais profundo do amor -, realmente passa a viver como um ser espiritual. Tal como uma pessoa apaixonada, você experimenta um relacionamento com seu próprio coração. Sempre que temos um pensamento generoso, dizemos uma palavra gentil ou somos úteis a alguém, estamos vivendo o princípio divino do amor, e o centro amoroso se expande. Começamos a ver o mundo com olhos amorosos e sentimos beleza e alegria em todas as coisas. Em essência, experimentamos o paraíso na Terra. (...)"

(James Van Praagh - Em busca da Espiritualidade - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2008 - p. 68)

ESPALHAR A ALEGRIA DIVINA

"Todo dia, desde o alvorecer, irradiarei alegria a todos os que encontrar. Serei como um sol mental para todos os que cruzem meu caminho.

Acenderei velas de sorrisos nos corações tristes. As trevas fugirão diante da luz perene de minha alegria.

Que o meu amor espalhe seu riso em todos os corações, em todas as pessoas de todas as raças. Que o meu amor descanse no coração das flores, dos animais e nas partículas ínfimas de poeira cósmica.

Tentarei ser feliz em todas as circunstâncias. Tomarei a decisão de ser interiormente feliz agora, onde hoje me encontro.

Que minha alma sorria através de meu coração, e que meu coração sorria através de meus olhos, para que eu possa espalhar Teus preciosos sorrisos entre os corações tristes.

Contemplarei sempre, em minha vida, a imagem perfeita e saudável de Deus, plena de sabedoria e bem-aventurança."

(Paramahansa Yogananda - Meditações Metafísicas - Self-Realization Fellowship - p. 96/97)
http://www.omnisciencia.com.br/meditacoes-metafisicas.html


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

COMO TER A CERTEZA INTERIOR DE QUE DEUS ESTÁ COM VOCÊ

"Em sânscrito, o termo usado para  é maravilhosamente expressivo. É visvas. A interpretação literal comum, 'respirar com facilidade; confiar; estar livre do medo', não transmite seu pleno significado. Svas, em sânscrito, refere-se aos movimentos da respiração, assim implicando vida e sentimento. Vi transmite o significado de 'oposto; ausênsia'. Isto é: aquele cujo sentimento, respiração e vida são tranquilos consegue ter uma fé nascida da intuição, fé que não conseguem ter as pessoas emocionalmente instáveis. Cultivar a tranquilidade intuitiva exige o desenvolvimento da vida interior. Quando suficientemente desenvolvida, a intuição traz imediata compreensão da verdade. Você também pode ter essa maravilhosa experiência. O caminho é meditar.

Medite com paciência e persistência. No estado de tranquilidade que obtiver, você entrará no reino da intuição da alma. Ao longo dos tempos, os seres iluminados eram os que tinham acesso ao mundo interior da comunhão com Deus. Jesus disse: 'Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará'. Interioriza-se no Eu, fechando a porta dos sentidos e de seu envolvimento com o mundo inquieto, e Deus lhe revelará todas as Suas maravilhas".

(Paramahansa Yogananda - Viva Sem Medo - Self-Realization Fellowship - p. 54/55)

AHIMSA (PARTE FINAL)

"(...) O que foi dito em relação ao alcoolismo é válido em relação a uma recidiva da 'coisa', aos comportamentos compulsivos, obsessivos, irracionais e tudo quanto você chamaria debilidades.

Tenha ahimsa para si até mesmo quando não conseguir ter ahimsa para alguém que o ofendeu, quando não puder reprimir ou frustrar um revide à agressão sofrida.

Mantenha os olhos no objetivo que quer alcançar. Mesmo que pareça difícil agora, com paciência e ahimsa, você conquistará ahimsa. Outra coisa muito importante. Aprenda a ser benevolente para si mesmo, mas defenda-se de cair no exagero de autocomplacência e de autojustificação.

Ahimsa significa não morder, não impedindo no entanto que se mostre os dentes. Jesus, que se deixou mansamente pregar na cruz, no templo, numa demonstração de ira santa, virou as mesas dos imorais. O yoguin sabe que a ira é uma das emoções mais destruidores, por isso evite-a, mas aprenda a irar-se estrategicamente, por fora, conservando ahimsa por dentro.

Dose ahimsa. Seja enérgio quando necessário e na medida necessária.

Para chegar a não ferir ninguém aprenda primeiro a não se deixar ferir por ninguém. Suba a montanha até não ser alcançado pelas pedradas das crianças e pauladas dos tolos. Um ahimsa ilimitado também é imprudente. Não ofender é uma coisa. Não se defender da agressão é outra.

Ramakishna lembra que 'a ira no sábio dura tanto como um risco que se faz na água'."

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 215/216)

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE

Investigações complementares

"A busca espiritual e a científica são investigações complementares rumo à realidade. Qualquer sentimento de antagonismo é produto de uma visão mesquinha. A ciência lida com o mensurável; a religião com o imensurável. Um cientista não é inteligente se nega a existência do imensurável. Nada há que seja anti-ciência, mas há muita coisa que está além da ciência. As duas buscas têm de andar de mãos dadas.

Precisamos entender as leis que governam os fenômenos do mundo, como também precisamos descobrir ordem e harmonia em nossa consciência. A compreensão humana está incompleta se não abarca ambos os aspectos da realidade: matéria e consciência.

Na verdade, a divisão é uma criação da mente. A realidade é indivisível, é tanto matéria quanto consciência. São os pensamentos que separam o mundo externo do interno, quase da mesma forma como a mente separa tempo e espaço, embora sejam, ambos, dois aspectos de um mesmo continuum.

Tanto o cientista quanto o religioso precisam estar muito atentos às limitações da mente para transcendê-las, se aspiram a uma percepção holística da realidade. A educação precisa estimular uma mente inquiridora, que seja tanto científica quanto religiosa, para enfrentar a crise da civilização moderna. Descartar toda investigação espiritual e todas as crenças religiosas em nome do secularismo é como atirar fora o bebê junto com a água do banho."

(Padmanabhan Krishna - Ciência e espiritualidade - Revista Sophia, Ano 2, Nº 5 - p. 19)


AHIMSA (1ª PARTE)

"Evite ser agressivo ou violento. Aprenda a não reação. Gandhi, para conquistar a independência da Índia, usou a mais poderosa de todas as armas contra o Império Britânico: a mansidão. Ele acreditou em Jesus, que no 'sermão do monte' prometeu que os pacíficos herdarão a terra.

Da próxima vez, quando você tiver ímpeto de ferir seja com gesto, seja com palavras, olhares de ira, com desejos de prejudicar alguém (um empregado, um desconhecido, um parente), procure lembrar-se de que ele é uma expressão de Deus e assim, nem com pensamento, nem com olhar, nem com palavras, nem com os nervos você o ofenderá.

Mais eficiente do que evitar agredir é no entanto passar à atitude de benevolência, isto é, querer bem a todos. Transforme-se em estação emissora de vibrações benevolentes, assim não terá de reprimir nada e não terá de sufocar emoções.

Se o ahimsa em relação aos outros lhe traz tanto bem, em relação a você mesmo chega a tornar-se condição indispensável à libertação. Se você é benevolente para os outros, por que há de ser demasiado severo em relação a si mesmo?! Use ahimsa para quando se reconhecer fraco e imperfeito.

Digamos que você quer deixar o álcool e não consegue, apesar dos grandes esforços que tem feito. Pois bem, não seja drástico. Principalmente não diga coisas negativas de si mesmo a si mesmo. Não se agrida. Isso complica tudo, pois funciona como autossugestão negativa. Diante de suas capitulações ou quedas, use ahimsa. Relaxe. Você vai deixar de beber, mas sem violência. 'Deixe cair a casca da ferida. Não cometa a imprudência de arrancá-la.' (...)"

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 214/215)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

NÃO EXISTEM MENTIRAS INOFENSIVAS

"(...) se por uma boa razão você não quer dizer a verdade, pelo menos não minta! Suponhamos que você esteja meditando no canto, certo de que ninguém o vê. Seu desejo é que ninguém saiba o que está fazendo. Mas alguém descobre e grita: 'Ei, o que está fazendo aí?' Para esconder o fato de que estava meditando, você responde: 'Estava comendo uma banana'. É uma mentira desnecessária. Você poderia ter dito: 'Estou ocupado agora e não quero ser incomodado'. Esta afirmação verdadeira é muito melhor do que uma mentira, ainda que pequena, para ocultar da curiosidade alheia o que você fazia. É esse tipo de mentira que a maioria das pessoas conta. Evite-o, porque incentiva um padrão habitual de mentiras, mesmo quando não há necessidade de esquivar-se da verdade.

Também é errado dizer a verdade quando, assim fazendo, traímos alguém desnecessariamente, sem nenhum propósito positivo. Vamos supor que um homem beba, mas tente esconder o vício do resto do mundo. Você conhece essa fraqueza e, em nome da verdade, anuncia aos amigos: 'Vocês sabem que fulano de tal bebe, não é?' É um comentário impróprio; ninguém deve se ocupar da vida alheia. Silencie sobre os defeitos pessoais dos outros, desde que não prejudiquem ninguém. Converse em particular com o transgressor, se tiver a oportunidade ou a responsabilidade de ajudá-lo; mas nunca fale propositalmente para feri-lo, sob o pretexto de ajudar. Você só o 'ajudará' a ficar seu inimigo, além de possivelmente sufocar qualquer desejo que ele possa ter de melhorar como pessoa.

A verdade é sempre benéfica; os fatos às vezes podem ser nocivos. Por mais verdadeiro que seja, um fato que vá de encontro ao bem é apenas um fato, não é a verdade. Nunca revele fatos desagradáveis que causem sofrimento inútil, como falar desnecessariamente sobre o caráter alheio. Isso é o que jornais e revistas sensacionalistas frequentemente fazem com pessoas famosas. Visam ferir a reputação do indivíduo ou obter vantagens pessoais à custa de alguém. Não atraia para si o mau karma resultante da revelação de fatos danosos sobre outras pessoas quando isso não servir a um propósito autêntico ou nobre. E, quando omitir um fato desagradável, certifique-se de que também não deixará implícito o fato de estar escondendo alguma coisa. Afinal de contas, Deus é misericordioso e nós, Seus filhos, também devemos ser. Por que ser o instrumento que causa dano a outra pessoa? Sua ação lesiva vai repercutir e voltará para feri-lo também. Vivemos os resultados de toda experiência que causamos aos outros. Existem pessoas que vivem em paz e pessoas que vivem preocupadas e infelizes. As últimas não tiveram a sabedoria de experimentar e descobrir que é possível viver em paz. Do contrário, teriam aprendido a não mentir e não falar dos outros de modo maledicente e prejudicial."

(Paramahansa Yogananda - O Romance com Deus - Self-Realization Fellowship - p. 38/39)

A VERDADEIRA RELIGIÃO (PARTE FINAL)

"(...) Atualmente os mais graves problemas do planeta são os conflitos armados e a destruição do meio ambiente. Simultaneamente ao progresso da ciência, desenvolveu-se uma atitude de conquista, controle e exploração da natureza. A humanidade chegou ao ponto de ‘brincar de Deus’, para usar a frase de Jeremy Rifkin. Mas a ciência também está compreendendo que quanto mais o universo é explorado, maior se torna a dimensão desconhecida, não apenas no nível material, mas também nos campos sutis do espírito. Por trás de tudo o que está manifestado e perceptível existe o intangível e o inexplicável. Grandes espíritos que experienciaram o mistério do desconhecido, como Einstein, puderam compreender a reverência que exala da mente religiosa. (...)

Outro grande problema atual é o consumismo e a insensibilidade em relação ao valor e à dignidade dos seres vivos. É necessário um profundo respeito por cada forma de vida para reverter a maré de consumismo que destrói os recursos e a diversidade do planeta.

È essencial que nossos valores mudem, mas não em razão do que uma sociedade ou um sistema religioso diz. Os valores surgem a partir do sentimento de uma existência una e inter-relacionada, que faz nascer a gentileza e a não violência. Se nós não conseguimos amar o pequeno animal, o pássaro, o peixe ou a planta, como podemos amar a Deus que é a fonte de toda a vida?

Temos de aprender a ser como as criancinhas que experimentam maravilhas, cujas mentes não têm preconceitos e que não sabem o que é ser possessivo. Esse é o verdadeiro despertar religioso, que envolve abrir mão dos próprios interesses por amor aos outros, sem preconceitos, de modo que a mente seja ampla, tolerante e sensível."

(Radha Burnier - A verdadeira religião - Revista Sophia, Ano 12, nº 50 - p.20/21)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O VALOR DOS DESAFIOS E DOS ESFORÇOS

"Quando faço uma retrospectiva da minha vida e recordo os primeiros anos no caminho espiritual, sinto-me grata por toda a árdua luta que tive de enfrentar. Isso fez aflorar em mim uma força, determinação e total entrega a Deus e à Sua vontade que eu talvez não tivesse dessenvolvido de nenhum outro modo.

É comum, ao ficarmos doentes ou passarmos por uma crise, que nos sintamos impotentes e queiramos desistir. Mas será que você não sabe que a vida é isso mesmo, enfrentar e superar problemas? Para isso estamos aqui - não para choramingar ou entrar em desespero, e sim para aceitar o que vem a nós e usá-lo como meio de chegar a um relacionamento mais íntimo com Deus. Quando a adversidade golpeá-lo, não pense que é porque Deus o abandonou. Tolice! Se nos momentos de provação você se volta para Ele com a confiança de uma criança, vai ver que Deus está ao seu lado, talvez até de um modo mais tangível do que jamais esteve nas fases boas de sua vida."

(Sri Daya Mata - Intuição: Orientação da Alma para as Decisões da Vida - Self-Realization Fellowship - p. 58/59)

A VERDADEIRA RELIGIÃO (1ª PARTE)

"O sofrimento existe desde tempos imemoráveis, sob a forma de pobreza, ignorância, solidão, falta de amor, etc. Haverá um estado de sabedoria no qual a humanidade possa ser feliz? Em todas as eras, pessoas profundamente religiosas inquiriam a respeito disso.

As instituições e os sistemas religiosos enfatizaram rituais, formas de adoração e obediência ao clero, muitas vezes ignorando os verdadeiros valores da religião. No entanto, todo instrutor religioso genuíno foi um reformador, libertando as mentes ignorantes das práticas convencionais rígidas e inspirando-as a inquirir a respeito do mistério da vida, seu propósito e significado.

A religião, no seu verdadeiro sentido, deve libertar as pessoas da superstição e do sofrimento, e não escravizá-las com ideias prontas e hierarquias. Ao retirar das religiões os dogmas e as superstições e atingir o âmago de seus ensinamentos, constata-se que a essência é o amor universal, baseado no conhecimento de que a vida é indivisível.

As religiões não devem ser aceitas como são apenas porque essa é a atitude mais fácil; elas devem ser examinadas criticamente para avaliarmos se criam inimizades e conflitos ou se unem as pessoas com abordagens de tolerância e boa vontade. Ajoelhar-se ou permanecer em pé para orar, cobrir ou não a cabeça são questões individuais que nada tem a ver com a verdadeira religiosidade.

O ser humano se caracteriza pelo desejo de compreender a vida. Se apenas comesse, dormisse e se multiplicasse, mal poderia ser chamado de humano, já que todas as criaturas fazem isso. A mente se estagnaria se ninguém tivesse o ímpeto de penetrar as profundezas do significado da existência do homem e do universo. Felizmente sempre existiram corações desbravadores que buscaram a verdade, mesmo quando perseguido e queimados na fogueira. (...)"

(Radha Burnier - A verdadeira religião - Revista Sophia, Ano 12, nº 50 - p.20/21)


domingo, 24 de agosto de 2014

RECONHECENDO O AMOR

"O Uno Imanente, o Inerente só pode ser reconhecido pelo amor (prema). Amor é uma palavra em geral usada erroneamente. Qualquer resposta positiva à atração é denominada amor; qualquer sentimento de apego, embora trivial ou transitório, também. O empenho para alcançar a sublimidade que está inerente na Verdade, isto sim, pode ser chamado Amor. Somente aqueles que tomaram consciência da corrente inteiror - o Atma - podem identificar diante de si a Fonte de Poder, o Avatar. O sinal de alerta e a advertência oportuna são dados pelo Jangam (o Espírito da Retidão) no corpo físico (angam). Ele relembra você do absurdo e do perigo inerentes à identificação do Ser com o corpo, e encoraja-o a discriminar entre o certo e o errado. Jangam é Deus entronizado em cada coração como a mais elevada sabedoria (o prajana); e a Eterna Testemunha, com A qual você pode facilmente contactar nas profundidades da meditação (dhyana).

O grupo (sangam) de vozes em volta brinca com Jangam (o Espírito da Retidão), tentando distrair você. Mas o princípio que o guarda e guia ao longo da senda espiritual é o Lingam, que está no centro do sangam (grupo), enxameando em volta do Jangam (o Espírito da Retidão). O Lingam é o verdadeiro âmago do coração do homem, assim, o único provedor de felicidade, poder e iluminação."

(Sathya Sai Baba - Sadhana O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1989 - p. 223)

MAPEANDO A ALMA HUMANA (PARTE FINAL)

"(...) Qual foi o resultado de tantos anos de investigação e análise da alma humana? O resultado não poderia ser mais surpreendente. As palavras que ele disse causaram assombro até para um ateu radical. Quando abriu a boca ao mundo, era de se esperar que Jesus Cristo condenasse e punisse com veemência a humanidade, pois detectou todos os seus defeitos. Todavia, eis que ele bradou com a mais alta eloquência palavras com doçura e brandura como ninguém jamais falou, nem antes nem depois dele. O perdão em sua boca virou uma arte; o amor se tornou poesia; a solidariedade, uma sinfonia; a mansidão, um manual de vida.

O mestre da vida, por amar intensamente o ser humano e perceber as falhas contínuas que permeavam sua alma, ao invés de tecer críticas às pessoas, acolheu calorosamente a todos. Sabia que o homem, em sua grande maioria, gostaria de ser paciente, gentil, solidário, amável, mas não tinha estrutura para submeter a energia emocional e o processo de construção de pensamentos ao pleno controle de sua vontade.

Compreendeu que o homem, apesar de ter capacidade de controlar o mundo à sua volta, não conseguia controlar o mundo dentro de si. Quando dizia aos seus discípulos que eles eram homens de pequena fé, muitas vezes não se referia a milagres sobrenaturais, mas ao maior de todos os 'milagres naturais' expresso pelo domínio do medo, da inveja, da ira, da ansiedade, da angústia, do desânimo.

Aquele que esquadrinhou o funcionamento da mente humana não considerou a humanidade um projeto falido, ao contrário, veio consertá-la de dentro para fora, veio trazer mecanismos para resgatá-la. Por isso, honrou e valorizou cada ser humano do jeito que ele é, na esperança de poder transformá-lo."

(Augusto Cury - O Mestre da Vida - Ed. Academia de Inteligência, São Paulo, 2001 - p. 212/213)

sábado, 23 de agosto de 2014

DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES ESPIRITUAIS

"A sabedoria que reside na alma é a melhor e mais nobre música, porque nela há uma qualidade de harmonia presente apenas no melhor tipo de música. Ela tem também o poder de produzir harmonia em todas as nossas expressões e ações. A verdadeira sabedoria, enquanto distinta da assim chamada sabedoria de vários tipos, é algo raro. (...) A pessoa pode reconhecer o fato de não ter aptidão para a música, não ter inclinação para a matemática, que é incapaz em muitos sentidos e que falhou de várias formas após ter sido testada, mas, mesmo assim, acredita que tem a necessária sabedoria para avaliar todos os assuntos inerentes à vida, e as suas opiniões são tão boas quanto as de outro. Esta é uma forma de cegueira muito comum e que nos conduz para toda a espécie de erro e de loucura.. É muito difícil escapar deste conhecimento imaginário quando não sabemos como fazê-lo. Tudo isto aplica-se a todos nós e não apenas a determinadas pessoas especiais que estão procurando algo remoto em suas vidas. (...)

É importante a forma como nos examinamos. Existe uma maneira de examinar que conduz à sabedoria, mas ela reside no desapego, na tranquila aceitação da própria pessoa em seu estado de tranquilidade. H. P. Blavatsky fala de examinar o eu inferior à luz do Eu Superior. Quando usamos as palavras ‘o Eu Superior’, não sabemos o que vem a ser; a frase para nós tem um significado muito reduzido na prática, mas isso não deveria ser assim. Evidentemente ‘a Luz do Eu Superior’ significa objetivamente com serenidade, sem qualquer tipo de condenação ou justificação próprias, uma tentativa desapaixonada e objetiva de ver as coisas como são.

Todos nós que somos teosofistas deveríamos estar constantemente examinando nossas próprias atitudes, motivos, a maneira como falamos e agimos e todo o tipo de reações internas que se processam até mesmo sem nosso conhecimento. É apenas desta maneira que podemos atingir a verdade ou obter aquela transformação que é denominada a senda. Trilhar a senda significa produzir uma mudança total, e isto pode ser realizado apenas através da própria inteligência livre, do ser objetivo com relação a si mesmo, e de nenhuma outra maneira. Para ser objetivo, torna-se necessário estar consciente de tudo que se realiza interiormente. Se estivermos tão preocupados com  nossas próprias ideias, vivendo de forma sempre igual ou em um meio-sonho, naquele estado de ignorância que se diz ser a felicidade perfeita, então nos separamos da corrente principal da vida e estaremos fora de contato com a sua realidade. A senda é penosa de ser trilhada, mas ela nos muda completamente, tornando a nossa vida diária uma experiência totalmente diferente daquilo que costuma ser."

(N. Sri Ram - Em Busca da Sabedoria - Ed. Teosófica, Brasília, 1991 - p. 19/21)


MAPEANDO A ALMA HUMANA (1ª PARTE)

"O filho de Deus apareceu sorrateiro num estábulo, cresceu de modo simples. Ninguém percebia claramente quem ele era. Desejava respirar o mesmo ar que eles, tocá-los e conviver sem barreiras. Aprendeu cedo o ofício da carpintaria. Para aquele que se colocou como autor do mundo era um verdadeiro teste construir telhados. Para aquele que disse ter a mais alta posição do universo, escalar casas e encaixar peças de madeira era uma grande limitação, mas não se importou, não teve vergonha do seu humilde trabalho. Embora tivesse a mais elevada cultura de todos os tempos, teve a humildade de ser criado por pais humanos e frequentar a escola da vida. Foi um grande mestre porque aprendeu a ser um grande aluno.

O Carpinteiro de Nazaré tinha dois grandes ofícios. O primeiro era trabalhar com a madeira e construir telhados; o segundo, o mais importante, o que escondia sua verdadeira missão, era mapear a alma humana. Veio compreender as raízes mais íntimas do universo consciente e inconsciente do ser humano. O mestre da vida mapeou o mundo dos pensamentos da psiquiatria e da psicologia.

Enquanto encaixava e pregava as peças de madeira e os raios de sol queimavam-lhe o rosto, atuava como o mais excelente observador do comportamento humano. João, seu discípulo, escreveu que ninguém precisava dar relatos para ele sobre o que era ser homem e quais suas intenções subjacentes, pois ele mesmo se tornou um homem e como tal analisava atentamente a natureza humana. Perscrutava embevecidamente cada expressão facial e cada gesto das pessoas. Transcendia a cortina do comportamento e investigava com exímia habilidade os fundamentos de cada reação humana.

Enquanto fazia calos nas mãos, ele compreendia as dificuldades do ser humano em lidar com as perdas, críticas, ansiedades, frustrações, solidão, sentimento de culpa, fracassos. Enquanto visitava seus amigos e andava pelas ruas da pequena Nazaré, analisava a ira, a inveja, o ciúme, a impaciência, a instabilidade, a simulação, a prepotência, o desânimo, a baixa autoestima, a angústia, tudo que consumia diariamente a vida das pessoas. Ninguém imaginava que escondido na pele de um carpinteiro se encontrava o mais excelente mestre da vida. Ninguèm poderia imaginar que um homem que bateu martelos estava fazendo uma análise detalhadíssima da humanidade. (...)"

(Augusto Cury - O Mestre da Vida - Ed. Academia de Inteligência, São Paulo, 2001 - p. 211/212)

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A ALEGRIA DE DAR

"Eu já disse muitas vezes, e permanece verdadeiro, que enquanto a vida da forma consiste em reter, a vida do espírito consiste em dar. Foi o que fez com que o Cristo, como doador Espiritual, declarasse: ‘é mais abençoado dar do que receber’. Porque, verdadeiramente, aqueles que conhecem a alegria de dar não têm desejo pela alegria de receber; eles conhecem a fonte de alegria infinita que surge no coração à medida que a Vida flui, pois se a Vida Divina pudesse fluir e ser mantida dentro de nós, ela estagnaria, tornar-se-ia turva e inexpressiva. Porém a vida através da qual a Vida Divina flui incessantemente não é estagnada e não se turva. Quanto mais ela se propaga, mais ela recebe.

Não tenhamos, portanto, medo de dar. Quanto mais dermos, tanto mais plena será a nossa vida. Não nos iludamos com o mundo da separatividade, onde tudo diminui à proporção que damos. Se eu tivesse ouro, a minha fortuna diminuiria em cada moeda que eu desse, mas isso não acontece com as coisas do espírito. Quanto mais damos, mais temos; cada ato de doação torna-nos um reservatório maior. Assim, não precisamos temer tornar-nos vazios, secos, exauridos, porque toda a Vida está  por trás de nós e suas fontes são uma conosco. Uma vez que sabemos que a Vida não é nossa, que compreendemos ser parte de uma poderosa unidade, então vem a verdadeira alegria de dar, a verdadeira bênção de uma vida que conhece sua própria eternidade. Todos os pequenos prazeres do mundo, certa feita, tão atraentes, desvanecem na glória do verdadeiro viver, e conhecemos o significado daquelas grandes palavras ‘aquele que perde a sua vida, encontrá-la-á’ na vida eterna."

(Annie Besant - A Vida Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 1992 - p.107/108)


UM CEGO NÃO PODE GUIAR OUTRO CEGO (PARTE FINAL)

"(...) O Ocidente deu ênfase a grandes templos de culto, mas são poucos os que mostram como Deus pode ser encontrado. No Oriente, deu-se ênfase ao desenvolvimento de homens de realização divina, mas eles são, em muitos casos, inacessíveis aos buscadores espirituais, permanecendo reclusos, em retiros longínquos e solitários. Centros espirituais onde as pessoas possam comungar com Deus e instrutores que possam mostrar-lhes como fazê-lo são igualmente necessários.

Como pode alguém receber o conhecimento de Deus de um instrutor que não o conhece? Meu guru incutiu em mim a necessidade de conhecer o Pai Celestial antes de tentar falar aos outros sobre Ele. Como sou agradecido por esse treinamento! Ele realmente comungava com Deus.

O Senhor deve ser percebido, primeiro, no próprio templo corporal. Todo buscador deve, diariamente, disciplinar seus pensamentos e depositar sobre o altar da alma as flores silvestres da devoção. Quem encontrar Deus dentro de si mesmo será capaz de sentir a presença divina em toda igreja ou templo em que entrar."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 15/16)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A VERDADEIRA FORÇA VEM DA AUTOENTREGA

"Há um ditado segundo o qual o que não podemos remediar precisamos suportar. Devemos adquirir um pouco mais de resistência neste mundo. Não nos permitamos ser tão fracos, a lamuriar, a chorar e a achar que a vida é irremediável. Enquanto há vida, há esperança. Não devemos nunca, nunca desistir internamente. Devemos, antes, atirar-nos mentalmente aos pés Dele, que é nossa força, nosso poder, nosso amor e nossa alegria. A força real vem dessa autoentrega. É difícil fazer isso, se fosse fácil, todos poderiam fazê-lo. Entretanto, é muito difícil abandonar este pequeno eu. Aprender essa lição é a razão por que estamos aqui na Terra.

Assim como foi com Cristo, assim também é com todas as grandes almas. Depois que completaram seu papel na Terra, precisam desfazer-se outra vez de toda a consciência da forma. Com a aproximação da morte, há um súbito abalo, até com os maiores. Quando chegou aos ouvidos de Lahiri Mahasaya a mensagem de Babaji: 'Diga a Lahiri que a energia armazenada para esta vida é agora escassa, quase esgotada', Lahiri Mahasaya estremeceu. O mesmo se deu com Swami Sri Yukteswar quando chegou sua hora de deixar o corpo. Tal é o poder da ilusão. Esse temor momentâneo não minimiza a grandeza das almas divinas."

(Sri Daya Mata - Só o Amor - Self-Realiztion Fellowship - p. 208/209)

UM CEGO NÃO PODE GUIAR OUTRO CEGO (1ª PARTE)

"Essa unidade de espírito é demonstrada pelos grandes homens, os que têm a realização divina. Um cego não pode guiar outro cego; só um mestre, alguém que conhece Deus, pode corretamente ensinar os outros a respeito Dele. Para recuperar a própria divindade, deve-se ter um mestre ou um guru. Quem segue fielmente um verdadeiro guru torna-se igual a ele, pois o guru ajuda o discípulo a elevar-se a seu próprio nível de realização. Quando encontrei meu guru, Swami Sri Yukteswarji, decidi seguir seu exemplo: colocar somente Deus sobre o altar de meu coração e partilhá-Lo com os demais.

Os mestres hindus ensinaram que, para adquirir o conhecimento mais profundo, é preciso focalizar a mirada do olho espiritual onisciente. Quando firmemente concentrado, mesmo quem não é iogue franze a testa no ponto entre as sombrancelhas - o centro da concentração e do olho espiritual esférico, sede da intuição da alma. Essa é a verdadeira 'bola de cristal', que o iogue contempla para aprender os segredos do universo. Os que se aprofundarem o suficiente em sua concentração, penetrarão nesse 'terceiro' olho e verão a Deus. Portanto, os buscadores da verdade devem desenvolver a capacidade de projetar a percepção através do olho espiritual. A prática da Ioga ajuda o aspirante a abrir o olho único da consciência intuitiva.

A intuição ou conhecimento direto não depende de dados provenientes dos sentidos. É por isso que a faculdade intuitiva costuma ser denominada de 'sexto sentido'. Todos possuem sexto sentido, mas a maioria não o desenvolve. Mesmo assim, quase todos já tiveram alguma experiência intuitiva, talvez um 'pressentimento' de que determinado fato iria ocorrer, sem nenhuma evidência sensória que o indicasse.

É importante desenvolver a intuição ou o conhecimento direto da alma, porque quem tem consciência de Deus está seguro de si mesmo. Ele sabe, e sabe que sabe. Devemos estar certos da presença de Deus, tão certos como estamos de que conhecemos o sabor da laranja. Só depois que meu guru me ensinou a comungar com Deus e só depois que eu senti a presença Dele todos os dias, assumi a responsabilidade espiritual de falar de Deus aos outros. (...)"

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 14/15)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O ALMISCAREIRO DO HIMALAIA

"O almíscar é uma substância valiosa, extremamente aromática, contida numa bolsa sob a pele do abdome do almiscareiro macho, que habita os elevados picos dos Himalaias. Quando o almiscareiro alcança certa idade, o odor penetrante do almíscar começa a exsudar dessa bolsa. O almiscareiro fica excitado pelo aroma delicioso e pula para lá e para cá, farejando sob as árvores e furnas, buscando em toda parte - às vezes por muitas semanas -, procurando a fonte da persistente fragrância. Incapaz de localizar o perfume tantalizante, ele se torna extremamente inquieto e, em seguida, irritado. Em sua agitação e num esforço último e desesperado de encontrar a fonte da essência enlouquecedora, sabe-se de casos em que o almiscareiro salta dos altos picos alcantilados e cai para a morte no vale que se estende abaixo. Os caçadores, achando os cadáveres, cortam a almejada bolsa de almíscar.

Um bardo iluminado cantou certa vez: 'Ó tolo almiscareiro: buscaste a fragrância em toda parte, exceto em teu próprio corpo. Eis porque não a encontraste. Se pelo menos tivesses voltado tua busca para ti mesmo, terias encontrado o almíscar almejado e terias salvo a ti mesmo da morte sobre as rochas abaixo das montanhas'.

A maior parte das pessoas se comporta como o almiscareiro. Buscam a felicidade elusiva, sempre fragrante, por toda parte, fora delas próprias: nos divertimentos, nas tentações, no amor humano e nos caminhos escorregadios da riqueza e da fama. E quando, finalmente, não podem achar a verdadeira felicidade, cuja fonte jaz oculta nos recônditos secretos de suas próprias almas, pulam dos picos alcantilados das esperanças elevadas e se despedaçam nas pedras da desilusão.

Ó tolo almiscareiro humano, se pelo menos voltasses tua mente para dentro, na meditação diária profunda, acharias a fonte de toda verdadeira e duradoura felicidade no silêncio mais recôndito de tua própria alma. Bem-amado que estás à procura da felicidade: não sejas como o almiscareiro, perecendo na vã busca exterior. Desperta! E, na caverna da meditação profunda, encontra a felicidade eterna dentro de teu imortal Ser [Self]."

(Paramahansa Yogananda - Lições da Self - Self-Realization Fellowship)

O DESAFIO DA VIDA (PARTE FINAL)

Ilusão e Realidade

"A literatura da filosofia do Vedanta fala de diferentes níveis de realidade percebidos pela consciência. Somente quando passamos totalmente uma dimensão da realidade, é possível que fiquemos cientes de outra ainda maior. No que se refere à mente do homem, ele se preocupa apenas com sua sobrevivência e, em seu sentido ampliado, vive numa ilusão.

No conhecido ensinamento do Vedanta, para o olhar atento, a corda enrolada é apenas uma corda, mas uma cobra para outros. As reações variam conforme os níveis de percepção. Quem tem um temperamento tímido fica apavorado e sai correndo; quem tem uma natureza agressiva, não tenta escapar, mas tenta corajosamente matar a cobra e destruí-la. Essa é uma experiência de violência e, a outra, de medo; no entanto, ambas são formas de reação que surgem do mesmo erro básico de percepção. Para aqueles que veem claramente e sabem que o objeto não é uma cobra, mas simplesmente uma corda, as duas formas de ação são impossíveis. E, por isso, quando há uma nova percepção, ações aceitas previamente não têm mais sentido.

Quando um homem reconhece que não precisa mais se preocupar com a falsa percepção de sobrevivência, ele descobre uma nova maneira de ação e um novo significado da vida. Este ‘retorno’ deve ser radical. Há quem busque novos valores e, ao mesmo tempo, agarre-se às antigas maneiras de agir. Buscam gurus e tentam várias técnicas de meditação, na esperança de descobrirem, por tais meios, o segredo da vida. Entretanto, a verdade sobre a vida nunca poderá ser descoberta enquanto as formas de ação que aceitam surgirem na mente que dá sentido à sobrevivência. (...)

É esse, então, o desafio que a vida oferece – que o homem possa conscientemente aprender, entender e receber sua mensagem, assim como a vida não humana inconscientemente aprendeu a recebê-la. Foi dito que no vasto projeto em que a natureza está operando, há um movimento da perfeição inconsciente para a imperfeição consciente, e que da imperfeição consciente temos que avançar para a perfeição consciente. A perfeição consciente pode surgir apenas quando aprendemos a trabalhar em harmonia com o projeto da própria vida. A vida exige que a mente do homem renuncie a seus próprio desejos, seus impulsos, instintos e reflexos, para que um poder muito maior possa desabrochar e revelar-se, não conforme a vontade do homem, mas em obediência às leis divinas e à vontade da natureza."

(Radha Burnier - O desafio da vida - Revista Theosophia, Ano 103, Abril/Maio/Junho de 2014 - Pub. da Sociedade Teosófica no Brasil - p. 7/11)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

SEGURANÇA

"Ouvimos a palavra segurança todos os dias. Segurança financeira, segurança social, segurança nacional - todas são importantes. Mas aqui estamos falando de uma segurança mais profunda: a segurança emocional e psíquica, a segurança que nos capacita a interagir plenamente com nossas famílias, com nossos amores, nossos amigos, nossa sociedade e nossa civilização.

Ela emana do amor-próprio, do entendimento de que cada um de nós é uma alma que esteve presente em vidas passadas e vai existir no futuro e através do tempo. A segurança verdadeira vem da certeza de que somos imortais, eternos, e que nunca podemos ser feridos.

(...) A segurança não vem do que se possui. Você não pode levar suas coisas materiais para a próxima vida, mas pode levar suas realizações, seus atos e seu crescimento - o que aprendeu e seu progresso como ser humano espiritual. É possível também que possa levar alguns de seus talentos. Acho que Mozart deve ter sido um músico completo numa vida anterior, o que explicaria sua precocidade musical no século XVIII.

Segurança e autoestima estão interligadas. Às vezes é difícil desenvolver a autoestima, porque incorporamos os conceitos transmitidos - ainda que inconscientemente - por nossos pais, professores, amigos ou comunidades. São conceitos que nos dão a sensação de sermos de alguma forma deficientes e de estarmos sempre abaixo das expectativas. Quando conseguimos nos desapegar do que é negativo, nos tornamos capazes de desenvolver o amor-próprio, que é a base fundamental para amar os outros. É onde começa a verdadeira caridade. Quando você se ama, o amor transborda; quando não se ama, sua energia vai consciente ou inconscientemente ficar concentrada na busca desse amor, e você não terá disponibilidade para mais ninguém. (...)"

(Brian Weiss - Muitas Vidas, Uma Só Alma - Ed. Sextante, Riode Janeiro, 2005 - p. 125/126)

O DESAFIO DA VIDA (4ª PARTE)

A Realidade do Sofrimento

"Talvez hoje seja a situação de todos nós. Enfrentamos crises que nos forçam a perguntar qual é o verdadeiro propósito da vida – se este propósito é a mera sobrevivência ou se é algo radicalmente diferente. Todos nós somos como estudantes relutantes; não desejamos investigar a vida muito de perto, examinamos suas questões cruciais apenas quando enfrentamos uma crise. Mesmo então, o impacto do choque logo desaparece e, descuidadamente, muitas vezes, resignamo-nos a perambular no caminho de menor resistência.

Buddha disse que a primeira verdade que o homem deve reconhecer é a verdade do sofrimento. Se o homem examinar seriamente a vida e estudar qual a melhor conduta que possa ter, ele não deverá ter sofrimento nem crises. Mas, individualmente, ignorou as lições da natureza e suas leis, e a humanidade como um todo chegou ao ponto crítico ante o qual sua mente sente-se desamparada. É necessária grande criatividade para descobrir o significado da vida. O homem deve adquirir uma percepção inteiramente diferente da que possui no momento, e que não pode ter enquanto sua mente, consciente ou inconscientemente, preocupar-se com a mera sobrevivência. Certamente atingimos o ponto em que devemos fazer uma meia-volta! É hora de entrarmos no Nivriti-Marga (caminho de volta) e abandonar o primitivo desejo de sobrevivência e, como diz Mme. Blavatsky, aprender o novo alfabeto no colo da mãe natureza. Para aprender esse novo alfabeto deve-se pôr de lado o conhecimento primitivo com que começou. (...)"

(Radha Burnier - O desafio da vida - Revista Theosophia, Ano 103, Abril/Maio/Junho de 2014 - Pub. da Sociedade Teosófica no Brasil - p. 7/11)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A VERDADEIRA VOCAÇÃO DO HOMEM

Qual é a verdadeira vocação do homem?

"Enquanto cuida da sua vida terrestre, ele apenas pode ser consciente de sua evolução em nível humano: vive sob leis naturais. Essa evolução tem avanços e recuos; não lhe dá lucidez alguma quanto à sua origem e metas divinas e cósmicas. Portanto, se ele permanece nesse ponto, acaba por sentir-se frustrado, pois sua meta está mais além. Sua verdadeira vocação é conhecer estados de consciência mais amplos: o espiritual, o divino e o cósmico.

A finalidade do despertar da consciência cósmica é levar o indivíduo a conhecer mais de perto a Verdade. Existe uma só Verdade, e ela independe de época, de cultura e de religião. Os métodos para alcançá-la tomaram formas diferentes atraves dos tempos. Todos eles podem ser bons e úteis, como se sabe, mas para isso é necessário que sejam usados corretamente, sem cristalizações ou apegos."

( José Trigueirinho Netto - Os Jardineiros do Espaço - Ed. Pensamento, São Paulo, 1989 - p. 99/100)
http://www.pensamento-cultrix.com.br/


O DESAFIO DA VIDA (3ª PARTE)

Desejos trazem conflitos

"É esta a situação que a humanidade criou para si. Eliminou quase todas as antigas fontes de perigo, mas criou outras novas e terríveis, que não pode controlar porque são impulsionadas pelo instinto animal de sobrevivência. O próprio instinto de sobrevivência transformou-se em um perigo. Assim, já que o que quer que façamos é fonte de perigo, podemos dizer que a mente do homem chegou ao fim do caminho e não pode ir mais longe. Com a evolução mental, e ante o desafio que lhe é apresentado nos dias de hoje, ela se tornou impotente e obsoleta como força bruta.

Na situação atual, enfrentamos um novo estágio, no qual o intelecto parece estar desamparado em face dos enormes desafios. Nessa situação, algumas pessoas perguntam: que outros poderes a vida tem em si? Há apenas o poder da mente, ou a vida, neste vasto processo, revela outros poderes antes negligenciados? A mente do homem está tão encantada consigo mesma que acreditou em sua invencibilidade e raramente enfrentou seriamente essa questão. Naturalmente existiram alguns indivíduos excepcionais que a examinaram com profundidade afim de descobrir se a mente racional é tudo que pode mostrar como culminância de eras de evolução. E, se a mente quer descobrir o que a vida vai revelar mais adiante, deve também examinar a questão do desafio anterior, se realmente foi o da sobrevivência.

O homem adquiriu um ‘reflexo de sobrevivência’ de seu passado e ainda não conseguiu livrar-se desta compulsão imaginária. Mas a vida pressiona-o a buscar novos poderes da consciência que ainda estão ocultos nele e que, em tempo, assumirão a liderança, assim como a mente triunfou sobre a mera força física.
No Bhagavad-Gita, Arjuna enfrenta um dilema doloroso – deve decidir lutar ou fugir. Parece uma situação impossível porque sente que o que escolher estará errado. De um lado seus instrutores, seus parentes a quem ama e com que agora deve lutar. Do outro lado, há a lealdade a seu irmão e é preciso fazer o que for certo. E fica desesperado ao debater-se com a necessidade de escolha. (...)"

(Radha Burnier - O desafio da vida - Revista Theosophia, Ano 103, Abril/Maio/Junho de 2014 - Pub. da Sociedade Teosófica no Brasil - p. 7/11)


domingo, 17 de agosto de 2014

A CONSCIÊNCIA PURA

"Assim como a água pode assumir a forma sólida, líquida ou gasosa, a consciência pode ser considerada 'sólida' como matéria física, 'líquida' como mente e pensamento, ou sem qualquer forma como consciência pura.

A consciência pura é a Vida antes de se manifestar, e essa Vida olha para o mundo da forma através dos seus olhos, porque a consciência é quem você é. Quando você se vê assim, então se reconhece em todas as coisas. É um estado de total clareza de percepção. Você deixa de ser alguém com um passado que pesa e através do qual todas as experiências são interpretadas.

Quando você percebe sem interpretar, pode sentir o que está percebendo. O máximo que podemos dizer usando palavras é que há um campo de calma-alerta em que a percepção acontece.

Através de 'você', a consciência sem forma torna-se consciente de si mesma.

A Vida da maioria das pessoas é conduzida pelo desejo e pelo medo.

O desejo é a necessidade de acrescentar algo a você para ser mais plenamente você mesmo. Todos os medos são medo de perder alguma coisa e, portanto, tornar-se menor, ser menos.

Esses dois movimentos nos impedem de perceber que Ser não é algo que possa ser dado ou tirado. O Ser em sua plenitude já está dentro de você. Agora."

(Eckhart Tolle - O Poder do Silêncio - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2010 - p. 41/42)

O DESAFIO DA VIDA (2ª PARTE)

O desejo de variar

"A mente humana ampliou o sentido da sobrevivência física e das necessidades básicas de alimento e abrigo. O homem não fica mais satisfeito em meramente alimentar seu corpo; ele perdeu o instinto animal de saber quando e quanto deve comer. O alimento tornou-se um grande problema e uma fantástica indústria. O homem não se satisfaz mais com alguns bons alimentos, anseia por uma infindável variedade. Estabelece restaurantes e hotéis que preparam e apresentam os vários pratos que inventa e precisam acessórios e recipientes de diferentes tipos e tamanho. As indústrias que os produzem criam enorme organizações para direcionar a propaganda e a publicidade. Criam intensa competição e os males que vê com ela. (...)

O vestuário também é necessário para o corpo, mas o homem criou uma enorme esfera de atividades para materiais e tecidos; inventou a moda e planeja ornamentos. (...)

O homem não está mais preocupado com a simples perpetuação da espécie: sexo e alimento tornaram-se ‘experiências prazerosas’. O prazer tornou-se uma ideia – um pensamento em sua mente. E porque é uma ideia, o homem criou várias formas de prazer, e, uma vez mais, grandes indústrias para alimentá-la, inclusive cinemas, danceterias e revistas.

No processo de buscar prazer, planejar diversões e distrações não há alegria, porque a alegria somente existe na tranquilidade interior. Assim, quando a mente está ansiosa para descobrir o prazer, quando fica tensa nessa busca, perde a alegria que uma vida simples pode proporcionar. O aumento das necessidades humanas é a principal fonte de conflito no mundo, porque essas necessidades (que no início eram alimento, abrigo e sexo), agora se tornaram ideias na mente e base de tensão e conflito. Em nível nacional, levou a grandes guerras mundiais, ao protesto de populações, à crueldade e ao sofrimento que temos testemunhado por décadas e séculos. Na vida pessoal, quem não sofreu a dor causada por discussões entre irmãos, por amigos que caem fora, por marido e mulher que se sentem isolados um do outro? (...)"

(Radha Burnier - O desafio da vida - Revista Theosophia, Ano 103, Abril/Maio/Junho de 2014 - Pub. da Sociedade Teosófica no Brasil - p. 7/11)