OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quinta-feira, 31 de julho de 2014

OS OPOSTOS

"Diz-se que há dois lados para cada questão, mas apenas um lado certo. Você deve aprender qual é o lado certo, a fim de conhecer a Verdade. Emerson disse, em seu ensaio sobre Compensação: '...pois um inevitável dualismo divide toda a natureza, de tal forma que cada coisa é uma metade e sugere outra coisa para torná-la inteira; como espírito e matéria; homem e mulher; subjetivo e objetivo; dentro e fora; superior e inferior; movimento e repouso; sim e não.'

Há luz e escuridão, fluxo e refluxo, dentro e fora, amargo e doce. A escuridão é a ausência de luz. Há calor e há frio, mas do ponto de vista da Verdade absoluta não existe o frio. Todos os opostos se conciliam no Absoluto. Há saúde e há doença, mas no Absoluto tudo é saúde, beleza e perfeição. O valor positivo é luz, saúde e amor. Os opostos são representados em nossas experiências, a fim de que possamos aprender o significado dos positivos. Sem o oposto ou negativo para ressaltar o positivo, não seríamos conscientes deste em seu verdadeiro significado.

As pessoas de vez em quando perguntam: Por que Deus nos criou? Para que pudessemos errar? Para que cometêssemos equívocos? Para que ficássemos doentes? Por que o bem e o mal? Por que a dor e a doença? A resposta é o que foi mencionado antes. Conhecemos as coisas por contraste, por comparações. Como poderíamos saber o que era alegria se não nos escorresse pelo rosto de vez em quando uma lágrima de pesar?

Somos seres sensíveis e reconhecemos as cores por causa de suas diferentes vibrações de luz. A diferenciação infinita é a lei da vida. O verdadeiro conhecimento científico reconhece os opostos na vida. O bem tem o seu oposto, a fim de que possamos escolhê-lo e rejeitar o negativo. Escolher e compreender o bem na vida é o que se costuma chamar de sabedoria. A sabedoria é o certo e o que se conforma com a verdade universal." (...)

(Joseph Murphy - Sua Força Interior - Ed. Record, Rio de Janeiro, 1995 - p. 211/212)

UM PRESENTE DA ALMA (PARTE FINAL)

"(...) Ao estabelecer corretas relações dentro de nós e com aqueles que estão mais próximos, ajudamos a estabelecer corretas relações em nosso mundo e em nossa comunidade. E à medida que cada vez mais pessoas vibrarem em sintonia com suas almas e aprenderem a estabelecer corretas relações, podemos ter esperanças a respeito de um tempo em que teremos corretas relações entre diferentes etnias e diferentes nações. Isso brilha como uma visão de paz na Terra para a humanidade.

O maior serviço que se pode prestar à humanidade é voltar-se para o interior e começar a perguntar: 'Estou sendo verdadeiro para com o meu eu? Dou ouvidos à minha orientação interior?'

Seguindo a orientação 'Conhece-te a ti mesmo', leve a correta intenção, o correto pensamento e a correta ação para o seu mundo. Esse é o retorno da consciência crítica aos corações dos homens. Esse é o modo como transformamos o mundo, transformando nosso próprio mundo interior. Nas palavras da grande invocação, 'é o brilho da luz da mente de Deus para as mentes dos homens, e o amor no coração de Deus para os corações dos homens'."

(Teresa McDermott - O Segredo dos relacionamentos corretos - Revista Sophia, Ano 10, nº 40 - p. 29)

quarta-feira, 30 de julho de 2014

RECORDANDO: A CHAVE PARA A FELICIDADE NESTA VIDA

"Recordar que somos almas, que somos imortais e que existimos sempre, num vasto oceano de energia, é a chave para a alegria e para a felicidade. Nesse oceano energético, uma legião de espíritos-guias nos levam a seguir o caminho a que estamos destinados, nossa jornada de evolução até a consciência de Deus. Não estamos competindo com outras almas. Temos nosso próprio caminho e elas têm o delas. Não há disputa, somos companheiros de jornada cooperando, dirigindo-se para a luz da consciência. Almas mais avançadas ou evoluídas voltam por amor e compaixão para ajudar aquelas que estão mais atrás. A última alma a completar a jornada não vale menos do que a primeira.

Um problema peculiar desta escola que chamamos de Terra é que aqui é muito difícil lembrar que somos almas e não corpos físicos. Constantemente somos distraídos pelas ilusões e desilusões deste planeta tridimensional. Ensinaram para nós que dinheiro, poder, prestígio e bens materiais são extremamente importantes e mesmo o objetivo de nossas vidas. Ensinaram que devemos conquistar o afeto dos outros e seu respeito, para sermos felizes. E nos disseram que ser sozinho é ser infeliz.

Na verdade, somos criaturas imortais que nunca morrem e que nunca são separadas daqueles que amamos. Temos almas gêmeas e famílias espirituais eternas. Somos sempre guiados e amados por nossos espíritos-guias. Nunca estamos sós.

Não levamos nossas coisas conosco, quando morremos. Levamos nossas ações, frutos da sabedoria de nossos corações. Quando despertamos outra vez para o conhecimento de que somos criaturas espirituais, nossos valores se modificam e finalmente podemos conquistar a paz e a felicidade. Qual a diferença entre nós, nessa vida, se você é rico e eu não sou? Apenas os tesouros do espírito podem nos acompanhar. Qual a diferença se você é poderoso e famoso e eu não sou? A felicidade não está enraizada nem no poder nem na fama, mas apenas no amor. Qual a diferença se você é mais estimado e respeitado pelos outros do que eu? Talvez eu esteja ousando viver a verdade e a verdade raramente é popular. A felicidade vem do íntimo, não de fora de nós, não da preocupação sobre o que pensam a nosso respeito." (...)

(Brian Weiss - A Divina Sabedoria dos Mestres - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 1999 - p. 104/105)

UM PRESENTE DA ALMA (2ª PARTE)

"(...) Recolher-se, entrar no silêncio, refletir como a lua, ser, é feminino. Lançar-se no mundo, criar e expressar quem somos, brilhar como o sol, fazer, é masculino. Precisamos do equilíbrio desses dois. Quando a inspiração e a orientação interiores estão equilibradas pelo atendimento às necessidades do mundo, encontramos equilíbrio e harmonia.

Receber é feminino, doar é masculino. Precisamos receber para sermos capazes de doar. Para receber precisamos abrir nossos corações, sermos vulneráveis. Permita que sua taça transborde com os tesouros do céu e da terra, e enquanto você continuar passando esses tesouros adiante, sua taça estará constantemente cheia. Para todo amor que se dá, recebe-se amor.

Em nossas mentes refletimos a luz consciente do masculino sobre o inconsciente feminino, trazendo-o à luz do dia. Vemos aquilo que precisa ser curado. Os relacionamentos com os outros nos mostram nossas crenças limitantes, nosso condicionamento e nossa antiga maneira de ser. É no relacionamento com os outros que verdadeiramente chegamos ao correto relacionamento com nosso eu. Ao unir masculino e feminino, yin e yang dentro de nós, somos capazes de atrair parceiros às nossas vidas que nos auxiliam a nos pôr em equilíbrio.

Como mulheres encontramos o homem com quem podemos entrar em contato, permitindo que o divino feminino, a energia da alma, flua para o mundo, nutrindo e alimentando. Ele nos fixa no mundo físico, e nos sentimos conectadas. Como homens, encontramos a mulher que nos permite ser tudo que somos, permite-nos criar poderosamente através da conexão com nossas almas, com o espírito, e servir ao mundo provendo exatamente aquilo que é necessário, aquilo que estamos aqui para fazer.

Assim, aprendemos como manter corretas relações no nível profundo com outro ser humano. Encontramos equilíbrio e harmonia através do dar e receber, ao verdadeiramente ouvir e falar nossa verdade a partir de nosso coração, sendo verdadeiros com aquilo que somos e dando vez para que uma outra pessoa conecte-se com tudo que somos. (...)"

(Teresa McDermott - O Segredo dos relacionamentos corretos - Revista Sophia, Ano 10, nº 40 - p.28/29)

terça-feira, 29 de julho de 2014

AS RELIGIÕES

"O ideal de todas as religiões é o diálogo e o  mútuo respeito e reverência por todos os verdadeiros santos e caminhos de todas as religiões. Isso não significa que elas perderão suas individualidades desmanchando-se como o açúcar para formar uma única religão. Não! Cada religião é única. Representa um aspecto da Divindade que não pode ser diluído.

Porém, Deus não pode ser limitado ou enclausurado senão no Amor. O Amor é a única armadilha capaz de aprisionar o Senhor. Portanto, todas as religiões representam, cada uma, aspectos diferentes do Divino. Assim como a luz branca revela sete diferentes cores e inúmeros matizes quando passa pelo prisma, também as religiões representam facetas de Deus que não podem ser aprisionadas entre os sectários muros das ideologias criadas pelos homens.

Cada religião, assim como cada cor do arco-íris, possui sua intrínseca e insubstituível individualidade e, ainda assim, cada uma deve saber, reverenciar e respeitar todas as outras como individualidades pertencentes à mesma Fonte. Se o diamante, o rubi e a esmeralda entrassem em conflito, não veríamos a beleza natural de cada uma dessas valiosas pedras. 

O ideal de reverência a todos os santos de todas as verdadeiras religiões é o que Paramahansa Yogananda levou à America. Ele ensinou a seus discípulos a reverenciarem aos santos de todas as verdadeiras religiões. Ensinou que cada religião é capaz de produzir santos de elevado quilate. Ensinou, também, a visitarem as mesquitas, as viharas, as sinagogas, as igrejas e os templos das diferentes ideologias. Mas apesar disso, foi verdadeiramente fiel à sua divina linhagem de Gurus. Sem essa fidelidade, as religiões perdem suas identificações exotéricas que são necessárias e belas.

O homem verdadeiramente religioso deve ser fiel àquele caminho que escolheu para trilhar. Uma analogia é a do barqueiro. Ele sabe que todos os rios desembocam no mar, mas também sabe que não pode seguir por mais de um curso ao mesmo tempo. Para não se perder, deve escolher um único curso de rio e não dois ao mesmo tempo." (...)

(Alexandre Campelo - O Encantador de Pessoas - Chiado Editora - p. 412/413)

UM PRESENTE DA ALMA (1ª PARTE)

"A verdade olha sempre para além das necessidades e dos desejos do ego, para aquilo que é o mais elevado bem de tudo a que diga respeito. A verdade nos traz de volta à conexão com os outros. Ela geralmente envolve o perdão e a correção de uma percepção distorcida com a verdadeira percepção, admitindo assim a sabedoria em qualquer situação.

Esses são os momentos em que você vê as coisas como elas são. Seja grato por isso, são um presente de sua alma, de Deus/espírito. Estamos aqui para experienciar a conexão - conexão dentro de nós mesmos, conexão com os outros, conexão com o espírito, Deus, o universo. A conexão está sempre presente quando se sente amor. O sentimento que associamos com estar "apaixonado" é uma profunda conexão com uma outra pessoa.

Estamos aqui para ter a experiência de nos apaixonar com nosso eu, com os outros, com Deus/espírito. Podemos experienciar o amor divino através do amor para com os outros. Se o amor estiver ausente, não existe conexão. O medo e a dúvida enchem nossa mente, mas essa é uma oportunidade para curar e permitir que a luz da alma brilhe sobre os aspectos mais obscuros de nossa personalidade, trazendo-os assim à luz e de volta à totalidade. A volta à paz, à retidão e à correta relação dentro de nós mesmos é alegre e além de qualquer medida. Retornamos à expiação interior, e isso nos leva à expiação com todos.

Para experienciar corretas relações entre homens e mulheres, precisamos desenvolver corretas relações entre o masculino e o feminino dentro de nós mesmos. O feminino está naturalmente em sintonia com o espírito, com a alma; o masculino está naturalmente em sintonia com as necessidades do mundo. Quando esses aspectos se equilibram dentro de nós, levamos nossa alma, nossa energia espiritual, para a matéria, para nosso mundo físico, para nossa vida diária; assim, vivemos vidas de serviço à humanidade, vidas centradas na alma. (...)"

(Teresa McDermott - O Segredo dos relacionamentos corretos - Revista Sophia, Ano 10, nº 40 - p.28)

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O CÉU NA TERRA

"Às vezes você talvez se pergunte: ‘O que posso fazer para trazer paz e harmonia ao mundo?’ E a resposta é clara – traga o céu à terra.

Criar o céu na terra significa fazer brilhar a luz no seu mundo, transformando as coisas mundanas em sagradas. O caminho espiritual lhe proporciona uma série de princípios pelos quais deve pautar sua vida cotidiana. Já está na hora, porém, de se tornar um exemplo vivo desses princípios, de modo que cada aspecto de sua vida seja uma expressão do amor Divino.

Em épocas passadas, os que desejavam trabalhar no seu desenvolvimento espiritual afastavam-se do mundo, entrando para mosteiros ou vivendo em clausura. Mas hoje em dia estamos sendo chamados a mergulhar totalmente no mundo a fim de transformar e purificar o nosso planeta. Estamos sendo chamados a estar no mundo, não a ser do mundo.

Quando você canaliza os dons do espírito para a sua vida cotidiana, atrai para si outras pessoas que estão fazendo o mesmo. E pouco a pouco irá perceber que esse processo está formando uma reação em cadeia, de tal modo que, de alma em alma, o globo inteiro passa por um renascimento espiritual.

Alegre-se, pois o momento de despertar se aproxima."

(Douglas Bloch - Palavras que Curam - Ed. Cultrix, São Paulo, 1993 - p. 58)


QUEM VOCÊ REALMENTE É (PARTE FINAL)

"(...) Há muitas expressões usadas frequentemente que mostram que as pessoas não sabem quem são. O mesmo acontece às vezes com a estrutura da língua. Dizemos: 'Ele perdeu a vida num acidente de carrro' ou 'A minha vida', como se a vida fosse alguma coisa que se possa possuir ou perder. A verdade é: você não possui uma vida, você é a vida. Você é a vida única, a consciência única que permeia todo o universo e assume temporariamente a forma de pedra, folha, animal, pessoa, estrela ou galáxia. 

Consegue perceber que, lá no fundo, você já sabe disso? Consegue perceber que você já é isso?

Você precisa de tempo para a maioria das coisas na vida: é preciso tempo para aprender uma nova atividade, para construir uma casa, para se especializar em alguma profissão, para preparar um chá. Mas o tempo é inútil para a coisa mais valiosa da vida, a única que realmente importa: a realização pessoal, o que significa saber quem você é essencialmente além da superficie do 'eu' - além do nome, do tipo físico,da sua história. Você não pode encontrar a si mesmo no passado ou no futuro. O único lugar onde você pode se encontrar é no Agora.

Os que buscam uma dimensão espiritual querem a autorrealização ou a iluminação no futuro. Ser uma pessoa que está em busca significa que você precisa do futuro. Se é nisso que você acredita, isso se torna verdade para você: precisará de tempo até perceber que não precisa de tempo para ser quem você é."

(Eckhart Tolle - O Poder do Silêncio - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2010 - p. 38/39)

domingo, 27 de julho de 2014

O FRUTO DA PRECE

"Um dia, em Calcutá, um homem apareceu com uma receita médica na mão e disse: ‘meu único filho está morrendo, e este remédio só é encontrado fora da Índia’. Exatamente naquele momento, enquanto estávamos falando, surgiu um outro homem com uma cesta de remédios. Bem em cima na cesta, estava o remédio de que precisávamos.

Se o remédio estivesse mais no fundo da cesta, eu não o teria visto. Se aquele senhor tivesse chegado antes, ou um pouco depois, eu não o teria visto. Mas exatamente naquele momento, além das milhares e milhares de crianças no mundo, Deus, com sua ternura, estava tão preocupado com aquela pequena criança das favelas de Calcutá, que mandou, exatamente naquela hora, o remédio para salvá-la.

Eu louvo a ternura e o amor de Deus, porque qualquer criança, tanto em uma família pobre quanto em uma rica, é uma criança de Deus, criada pelo Criador de todas as coisas."

(Madre Teresa de Calcutá - Tudo Começa com a Prece - Ed. Teosófica, Brasília, 2008 - p. 130.)


QUEM VOCÊ REALMENTE É (1ª PARTE)

"O Agora é inseparável da pessoa que você é no nível mais profundo.

Muitas coisas podem ser importantes na sua vida, mas apenas uma tem importância absoluta.

É importante vencer ou fracassar aos olhos dos outros. É importante ter ou não ter saúde, estudar ou não estudar. É importante ser rico ou pobre - certamente isso faz diferença na sua vida. Sim, tudo isso tem uma importância relativa, mas não absoluta.

Existe algo mais importante do que todas essas coisas: é encontrar a essência do que você é para além dessa entidade de curta duração que é a noção personalizada do 'eu'.

Você não encontra a paz reorganizando os fatos da sua vida, mas descobrindo quem você é no nível mais profundo.

A reencarnação não ajuda se na próxima encarnação você continuar sem saber quem é.

Toda a desgraça do mundo vem de uma noção personalizada do 'eu' ou do 'nós'. Essa noção enconbre a essência de quem você é. Quando você não se dá conta dessa essência interior, acaba sempre causando algum tipo de desgraça. É muito simples. Quando não sabe quem é, você cria um 'eu' na mente para substituir o seu lindo e divino ser e se agarra a esse 'eu' amedrontado e carente.

A partir do momento em que faz isso, sua grande força motivadora passa a se proteger e valorizar essa falsa noção do 'eu'. (...)"

(Eckhart Tolle - O Poder do Silêncio - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2010 - p. 37/38)

sábado, 26 de julho de 2014

OS OBJETOS DOS SENTIDOS

"79 - Quanto à virulência, os objetos dos sentidos são mais fatais do que o veneno da serpente negra (naja tripudians). O veneno só mata aquele em que é injetado, mas os objetos dos sentidos podem 'matar' até pela sua própria aparência externa (literalmente: pela mera visão deles).

COMENTÁRIO - Muitas ordens religiosas recomendam que os praticantes, aqueles que realmente estão dispostos a encontrar o caminho de volta ao Absoluto, evitem os encantamentos advindos dos sentidos. Os grandes chapéus usados pelos monges mendicantes do Budismo japonês protegem quem os utiliza da visão dos que oferecem alimentos. Da mesma maneira, no Budismo antigo Hinayana, não é permitido o contato físico com outras pessoas. O mesmo ocorre em ordens monásticas cristãs, entre elas a dos Trapistas. Mas os seres humanos comuns, que são obrigados a levar uma vida intensa de relacionamento, devem adotar técnicas que permitam neutralizar os efeitos do contato direto com os objetos dos sentidos. Isso é possível graças à meditação, que gera um estado de consciência que minimiza ou anula os efeitos dos sentidos."  

(Viveka-Chudamani - A Joia Suprema da Sabedoria - Comentário de Murillo N. de Azevedo - Ed. Teosófica, 2011 - p. 41)


AMAR, VERBO INTRANSITIVO (PARTE FINAL)

"(...) Amar, como condição básica para a jornada da alma, é um verbo que encerra em si o sentido completo de sua escolha. Se declaro: 'Amo!', apenas amo. Não é uma declaração fácil, ou simples, mas a partir dessa escolha não há fronteiras, pois quem ama, simplesmente ama, longe de qualquer separatividade, com total abandono do eu.

Amar assim é fazê-lo com inteireza de alma. Não estou falando de amor. Falo de amar como força geradora de tudo aquilo que se manifesta nos mundos aparente e invisível. Tudo o que existe é projeção do profundo amar de Deus.

A Cabala nos ensina que Deus - amando profundamente sua criação antes mesmo que ela existisse - primeiro a abençoou, depois escreveu todas as coisas no Livro da Vida, as quais, em continuação, foram formadas. Somos reflexos do amar divino.

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Se compreendemos que ele é puro amar, nos conscientizamos de que nosso destino também é amar. Ansiamos profundamente nos fundir com Deus no amar. Simplesmente amar como o pulso que sustenta toda a criação, nos tornando cocriadores do reino de Deus na Terra.

Amar intransitivamente. Esse é o porto de chegada de nossa jornada da alma."

(Carla Maiolino - Amar, Verbo Intransitivo - Revista Sophia, Ano 11, nº 44 - p. 24)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A ILUSÃO DO NASCIMENTO E MORTE

"D: Como podem o nascimento e a morte ser ilusórios?

 M: Ouça com atenção o que digo.

Quando a alma individual (jiva) é vencida pelo sono, o contexto do estado de vigília dá lugar a um novo contexto no sonho, de modo a reproduzir experiências passadas, ou então há a perda total de todas as coisas externas e atividades mentais. Da mesma forma, quando ela é subjugada pelo estado de coma antes da morte, o contexto presente é perdido, e a mente fica dormente. Isso é morte. Quando a mente retoma a reprodução de experiências passadas em novos ambientes, o fenômeno é denominado nascimento. O processo de nascimento inicia com o homem imaginando: 'Aqui está minha mãe; estou no seu útero; meu corpo possui estes membros'. Então ele se imagina nascido no mundo e, mais tarde, diz: 'Este é meu pai; sou seu filho, tenho tantos e tantos anos de idade; estes são meus amigos e parentes; esta bela casa é minha' e assim por diante. Esta série de novas ilusões começa com a perda das ilusões anteriores no estado de como antes da morte, e depende dos resultados de ações passadas.

A alma sobrepujada pelo irreal estado de coma anterior à morte, tem diferentes ilusões, de acordo com suas diferentes ações passadas. Após a morte, ela acredita: 'Aqui é o céu; é adorável, estou nele; sou agora um maravilhoso ser celestial; há tantas donzelas celestes encantadoras a meu serviço; tenho néctar para beber'; ou 'Eis a região da Morte; aqui está o Deus da Morte; estes são os mensageiros da Morte; oh, são tão cruéis - arremessam-me ao inferno!'; ou 'Eis a região dos Pitrs; ou de Brahma, ou de Vishnu ou de Shiva' - e assim por diante. Portanto, segundo a sua natureza, as tendências do karma passado apresentam-se como ilusões de nascimento, morte, passagem para o céu, para o inferno ou para outras regiões perante o Eu Real, que é sempre o imutável Espaço da Consciência. São apenas ilusões da mente - irreais.

No Ser do Espaço da Consciência existe o fenômeno do universo, como uma cidade celestial vista em pleno ar. É reputada como algo real, mas realmente não o é. É composta de nomes e formas, e não é nada além disso." 

(Advaita Bodha Deepika - A Luz da Sabedoria Não Dualista - Ed. Teosófica, Brasília, 2012 - p. 39/41)


AMAR, VERBO INTRANSITIVO (1ª PARTE)

"Amor, segundo o dicionário, é um substantivo masculino e abstrato. Nessa perspectiva, ele se encaixa muito bem no amor derramado dos livros e filmes românticos ou dramáticos que temos disponíveis. Aceita perfeitamente a áurea onírica, idealizada ou religiosa em que nós acostumamos a envolvê-lo. Explica as diversas frustrações, tragédias e desequilíbrios causados em seu nome. Estimula a busca incansável pela alma gêmea, pela felicidade, pela satisfação, pelo prazer.

Esse amor é algo que não diz respeito às grandes verdades da alma, pois nasce do medo. Medo da solidão ou do julgamento. Esse amor cria o sentimento de separatividade, que em sua mais fanática expressão nos leva ao isolamento em seitas, grupos ou castas.

Aprendemos com a nossa professora de português que amar é um verbo - portanto ação - e que o sentido precisa ser complementado para que haja clareza na mensagem transmitida. Nós nos acostumamos a revestir o amor das formas mais variadas. Amamos com os sentidos as mais variadas coisas, aquilo que achamos possuir, acreditar ou defender.

Embotados pelos sentidos, acreditamos que o amor, aquele amor que precisa de complementos, é o que nos trará a felicidade. Acreditamos que Deus nos ama com algum complemento, algum adjetivo. Por fim, percebemos que esse amor nos torna menores. Então descremos do amor e nos frustramos.

Na ótica em que pretendemos analisar a ação de amar, usaremos a licença poética de Mário de Andrade, que, desafiando os gramáticos, declarou: 'Amar, verbo intransitivo.' (...)"

(Carla Maiolino - Amar, Verbo Intransitivo - Revista Sophia, Ano 11, nº 44 - p. 24)

quinta-feira, 24 de julho de 2014

COMO SE LIVRAR DAS PREOCUPAÇÕES


"A preocupação é um estado psicológico de consciência em que você fica preso a sentimentos de impotência e apreensão por alguma dificuldade da qual não sabe como se livrar. Talvez esteja seriamente preocupado com um filho, ou com sua saúde, ou com o pagamento de uma hipoteca. Não encontrando uma solução imediata, você começa a se preocupar. E o que ganha com isso? Dor de cabeça, nervosismo, problemas cardíacos. Por não analisar claramente a si mesmo e aos problemas, você não sabe controlar seus sentimentos ou as condições que está enfrentando. Em vez de perder tempo preocupando-se, pense positivamente em eliminar a causa do problema. Se quer se livrar de uma dificuldade, analise-a calmamente, estabelecendo ponto por ponto os prós e os contras da questão, e então determine os melhores passos para conseguir seu objetivo."


(Paramahansa Yogananda - Viva Sem Medo - Self-Realization Fellowship - p. 30/31)
http://www.omnisciencia.com.br/livros-yogananda/viva-sem-medo.html


NÃO EXISTEM PROBLEMAS FORA DE VOCÊ (PARTE FINAL)

"(...) Segundo Tolle, no livro O poder do agora, ‘todos os problemas são ilusões da mente’. Diante disso um discípulo disse: ‘É como se um grande peso tivesse sido tirado dos meus ombros. Sinto-me leve... Mas os problemas ainda estão lá, me esperando, não é? Ainda não foram resolvidos. Será que eu os estou evitando apenas temporariamente?’

Tolle respondeu: ‘Não se trata, basicamente, de solucionar os seus problemas. Trata-se de perceber que não existem problemas, apenas situações com que temos de lidar agora ou deixar de lado, aceitando-as como uma parte do ‘ser’ nesse momento, até que se transformem ou possam ser negociadas. Os problemas são criados pela mente e precisam de tempo para sobreviver.'

No plano astral, para onde vamos logo que deixamos este mundo, a presença do tempo ainda é uma realidade, e por isso somos afetados por ele. O que ocorre, porém, com a prática da meditação, se insistirmos para além das primeiras dificuldades? O pensamento para, a mente silencia. Entramos em contato com uma realidade além do tempo: a realidade espiritual, conectada ao eterno agora. Aí se pode perceber, na prática, a fantasia de todo o problema. É uma questão de experimentar."

(Walter Barbosa - Não existem problemas fora de você - Revista Sophia, Ano 9, nº 36 - p. 10/11)


quarta-feira, 23 de julho de 2014

DESAPEGANDO-SE DA INSEGURANÇA

"'Lembre-se', disse a voz, 'que vocês sempre são amados. Vocês são sempre protegidos e nunca estão sozinhos...Vocês serão sempre iluminados pela sabedoria e pelo amor...nunca serão esquecidos. Nunca serão desdenhados ou ignorados. Vocês não são os seus corpos, não são os seus cérebros, nem mesmo sua consciência. Vocês são espíritos. Tudo o que precisam fazer é despertar de novo para essa lembrança e recordar. O espírito não tem limites, nem os limites do corpo físico nem os do intelecto e da mente.'

Um de nossos maiores problemas é estarmos sempre preocupados com resultados. Essa preocupação cria uma ansiedade desnecessária, medo e infelicidade.

A ansiedade tem a ver com nosso desempenho. E se o nosso desempenho não for satisfatório? E se fracassarmos? O que os outros vão pensar? Vão nos julgar severamente e nos punir?

O medo aqui relaciona-se com deixar de realizar a meta ou o objetivo desejados. Se falharmos, não vamos conseguir o que queremos. Vamos nos tornar uns fracassados, uns perdedores. Seremos rejeitados. Odiaremos a nós mesmos. Ódio e medo são o oposto do amor.

Em vez de se preocupar com resultados específicos, preocupe-se em agir corretamente. Aja de maneira desprendida! Espere o melhor.

A esperança é uma coisa boa. A expectativa, não, porque, quando ela se apresenta, o desapontamento está sempre muito próximo.

(Brian Weiss - A Divina Sabedoria dos Mestres - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 1999 - p. 92/93)

NÃO EXISTEM PROBLEMAS FORA DE VOCÊ (1ª PARTE)

"Diante de qualquer dificuldade que estejamos enfrentando na vida, devemos saber antes de tudo que ‘nós somos o problema’ – por mais que isso seja decepcionante.

Outra forma de dizer a mesmo coisa é que é impossível existir um problema sem a nossa colaboração. O motivo é simples: dependendo da forma como a encaramos, a circunstância pode significar um problema angustiante ou algo completamente trivial. A opção de sofrer é nossa.

Essa verdade lembra a declaração de um mestre de sabedoria: no mundo astral - onde não há dor física para o desencarnado, porque seu corpo voltou para natureza e foi entregue ao reino mineral – a pessoa pode parar de sofrer a qualquer momento, desde que perceba a fantasia do seu sofrimento. Contudo, é no astral que se encontra o inferno ou o purgatório de que fala o cristianismo, ou ainda o umbral, segundo a doutrina espírita. Seria todo esse horror verdadeiro ou falso?

Quem viu o filme Nosso lar teve a oportunidade de conhecer a versão do umbral. A situação da pessoa mergulhada em uma substância viscosa, com frio, sede e fome insaciável, altera-se logo que seu pensamento se eleva, modificando suas vibrações. Contudo, mesmo depois que tenha mudado para melhor, se a vibração do indivíduo baixar outra vez, com pensamentos de ódio ou de luxúria, ele pode voltar para o inferno do qual se livrou.

Uma alma desencarnada pode perceber a cor, o som, o cheiro e até o sabor de um pensamento, coisa impossível no plano físico. Em virtude dessa percepção mais sutil, fica claro que um pensamento de ódio tem uma força terrível no plano astral, emitindo raios em todas as direções. O remorso pode ser uma dor imensa. Mas essa dor tem conexão com a vibração que ela representa, e pode cessar quando o pensamento muda. (...)"

(Walter Barbosa - Não existem problemas fora de você - Revista Sophia, Ano 9, nº 36 - p. 10/11)


terça-feira, 22 de julho de 2014

A ENTREGA: COMO SE CONECTAR AO ILIMITADO PODER DE DEUS

"Cedo ou tarde, todos nós chegamos a um ponto em que os problemas parecem tão esmagadores que nos sentimos incapazes de enfrentá-los. Dizemos: 'Cheguei ao fim da linha - física, mental e emocional. Tentei tudo em que pude pensar. O que faço agora?' Muitas pessoas buscam a ajuda de um médico ou de um psiquiatra, o que parece sensato. Contudo, chega a hora em que os profissionais da saúde nada podem fazer por nós. E agora?

Acredito muito no poder da entrega a Deus; de colocar a vida totalmente nas mãos divinas. Ele pode salvar-nos de todas as crises, apesar dos prognósticos sinistros de qualquer ser humano. Já tive muitas doenças, mas nunca larguei o Poder Divino, pois sei que é Ele quem me sustenta. Vezes sem conta Ele me deu prova disso.

Para canalizar o ilimitado poder de Deus, temos que desenvolver mais fé e confiança Nele. Certa vez, Paramahansa Yogananda me disse: 'Dentro de você, tenha sempre o pensamento: 'Senhor, seja feita a Tua vontade, e não a minha'. Frequentemente as pessoas receiam entregar-se a Deus porque, na verdade, não confiam Nele. Não têm certeza se o que Ele lhes dará será o que querem. Assim, mesmo quando dizem 'seja feita a Tua vontade', não afirmam isso com sinceridade. E aí está o erro.

Sempre que achamos que podemos tocar a vida sozinhos, não estabelecemos contato com Deus. A ilusão de que o pequeno ego é suficiente tem de ser descartada antes de podermos receber algo do Divino. Muitos se perdem por causa da noção 'posso me virar sozinho'. Não, não podemos! Não podemos nem respirar, nem mexer um só dedinho sozinhos. Em todos os momentos dependemos totalmente de Deus; a cada instante é Ele quem nos sustenta."

(Sri Daya Mata - Intuição: Orientação da Alma para as Decisões da Vida - Self-Realization Fellowship - p. 51/52)

TREINE SEU CORAÇÃO PARA SENTIR A FRATERNIDADE HUMANA (PARTE FINAL)

"(...) Alguns ocidentais consideram os hindus pagãos; não sabem que muitos hindus também consideram hereges os ocidentais - a ignorância de cada lado está bem dividida. Às vezes, perguntam-me se creio em Jesus. Respondo: 'Por que essa pergunta? Nós, na Índia, reverenciamos Jesus e seus ensinamentos, talvez mais do que vocês.'

Para amar Cristo, deve-se viver o que ele ensinou, deve-se seguir o exemplo de sua vida. Jesus disse: '(...) a quem te bater na face direita, oferece-lhe também a outra.' (Mateus 5:39) A Índia tem praticado este ensinamento mais do que qualquer outra nação. Muitos dos que se dizem cristãos nem sequer são praticantes; dizem que é uma bela filosofia, mas se você lhes batesse, devolveriam doze bofetadas, um pontapé e talvez um tiro! Quem revida não é um verdadeiro cristão ou seguidor de Cristo, pois este não é o espírito de Jesus, que a todos perdoou.

Sempre que vir o símbolo da Cruz, recorde-se do que representa - que você deve carregar sua cruz com a atitude correta, como Jesus o fez. Quando sua inteção é boa e, apesar disso, você é incompreendido e maltratado, em vez de zangar-se, deve dizer: 'Pai, perdoa-os, pois não sabem o que fazem.' Por que perdoar quem lhe faz mal? Porque, se revidar, raivosamente, você desfigura a própria natureza divina de sua alma - e então, será igual a seu ofensor. Mas se mostrar força espiritual, será abençoado, e o poder do comportamento correto também ajudará seu oponente a superar a falta de entendimento.

Os eternos princípios de verdade e justiça ensinados por Jesus são encarados com muita seriedade na Índia - nós os tomamos ao pé da letra, sem interpretá-los para adaptá-los a nossos propósitos. Jesus disse: 'E todo aquele que deixar, casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, ou terras, por amor ao meu nome, receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna.' (Mateus 19:29) Esse espírito de renúncia por Deus está bem difundido na Índia. Especialmente em tempos idos, o ideal de todo homem era dedicar ao menos uma parte de sua vida inteiramente a Deus."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 285/286)


segunda-feira, 21 de julho de 2014

YOGA PRÁTICO

"Yoga é uma palavra sânscrita que indica união. Em todas as religiões existe um aspecto místico ou esotérico no qual o principal tema de estudo e pesquisa é o yoga. No cristianismo há referência à união mística que denota uma condição de yoga. Muitos acreditam que a senda do yoga é extremamente difícil, indicada, portanto, apenas a poucos escolhidos. Entretanto, Jesus disse: ‘Pois meu jugo é fácil e meu fardo é leve.’ O caminho do yoga é para todos, e seu fardo é realmente leve, desde que abordado da maneira correta.

O tema do yoga, sob uma forma ou outra, pode ser encontrado em todas as religiões, mas no hinduísmo foi feito um estudo bastante abrangente dessa técnica. No exato sentido da palavra, yoga é um dos seis sistemas de filosofia hindu. Existem vários ramos de yoga, mas um dos mais completos sistemas é o raja yoga, com o qual está associado o nome de Patañjali. No entanto, devemos lembrar que Patañjali não iniciou nenhum sistema – ele foi um grande compilador no campo do yoga, e por meio dessa compilação ofereceu ao mundo a obra-prima conhecida como os Yoga Sutras.

O raja yoga pode ser descrito como o yoga da integração. Uma clara compreensão desse sistema é extremamente necessária, particularmente hoje em dia, por causa das crescentes frustrações psicológicas que causam desintegração interna e desorganização externa na vida do homem."

(Rohit Meht - Excerto do artigo Yoga Prático - Revista Sophia, Ano 9, nº 36 - p. 5)


TREINE SEU CORAÇÃO PARA SENTIR A FRATERNIDADE HUMANA (1ª PARTE)

"Toda a humanidade deve abrir o coração para a grande mensagem de Jesus: '[Deus] fez, de um único sangue, todas as nações dos homens.' (Atos 17:26) Essa é, de Cristo, a inspiração que eu tanto amo. Queria tornar essa mensagem uma realidade viva, dar-lhe uma aplicação prática. O preconceito de cor é a mais absurda de todas as exibições de ignorância humana. A cor é somente epidérmica. Deus deu pigmentos mais escuros à pele das raças que, originalmente, viviam sob condições climáticas que exigem maior proteção contra o sol. Uma medida puramente prática; portanto, ter pele branca, cor de oliva, amarela, vermelha ou negra não é motivo especial de orgulho para ninguém. Afinal de contas, a alma veste um sobretudo corporal de determinada cor durante uma vida e, em outras encarnações, de outras tonalidades. Logo, a cor da pele é algo muito superficial. Ter preconceto de cor é ter preconcento contra Deus, que está nos corações de todos os povos do mundo: vermelhos, brancos, amarelos, oliváceos e negros. Além disso, é bom lembrar que quem odeia uma raça certamente reencarnará em um corpo dessa raça: é assim que a lei cármica força o homem a superar os preconceitos que sufocam a alma. Treine seu coração para sentir a fraternidade humana - isto é importantíssimo.

Embora os ensinamentos de Jesus estivessem predestinados a estabelecer seus mais sólidos fundamentos no Ocidente, ele escolheu encarnar em um corpo oriental e da raça judia, que conta com uma longa história de perseguições, para demonstrar o absurdo que é julgar os outros segundo diferenças de raça e de cor. O verdadeiro Cristianismo deve ser vivido; divisões raciais devem ser eliminadas. O preconceito e a falta de autêntica fraternidade causam guerra e desunião entre os filhos de Deus. Devemos trabalhar para erradicar todos os incitamentos à guerra; no ódio e no preconceito, ocultam-se bombas e desgraças. Jesus advertiu: '(...) pois todos os que lançarem mão da espada perecerão pela espada.' (Mateus 26:52) Não será a espada, mas a prática dos princípios de Cristo que finalmente libertará o mundo. No sentido mais elevado, só Deus protege o homem. A melhor ajuda que você pode dar ao mundo é pôr em prática um ideal de vida segundo os ensinamentos de Cristo e de todos os mestres espiritualmente iluminados. Acima de tudo, ame a Deus; não vê que toda a resposta está nas mãos Dele? Quando Ele descerrar o véu do mistério, você terá as respostas para tudo o que era obscuro e indecifrável. (...)"

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 284/285)

domingo, 20 de julho de 2014

BEM-AVENTURADOS OS PACÍFICOS, PORQUE SERÃO CHAMADOS FILHOS DE DEUS

"Somente quando estivermos iluminados pelo conhecimento unificador de Deus é que nos tornaremos seus filhos e produtores da paz. Claro que somos filhos permanentes de Deus, mesmo em nossa ignorância. Mas, em sua ignorância, nosso ego é 'imaturo': é arrogante e se esquece de Deus. Não podemos trazer paz enquanto não tivermos completado nossa união com Deus e com todos os seres. No estado de consciência transcendental (a união divina perfeita, que os hindus chamam samadhi) a alma iluminada não tem ego; seu ego está imerso na mente de Deus. Ao retornar a um nível mais baixo de consciência, mostra-se ela novamente segura da sua individualidade; agora, porém, tem um sentimento 'maduro' do ego, que não cria nenhuma escravidão para si mesmo ou para os outros. Para ilustrar esse ego amadurecido, as escrituras hindus falam de uma corda queimada: tem o aspecto de uma corda, mas não pode prender nada. Sem esse tipo de ego, não seria possível para um Deus-homem viver sob a forma humana e ensinar. Quando eu era ainda um jovem monge, um discípulo de Sri Ramakrisna disse certa vez:

'Por vezes é-me impossível ensinar. Para onde quer que olhe, vejo apenas Deus, usando diferentes máscaras, assumindo inúmeras formas. Quem é o mestre então? Quem deve ser ensinado? Mas, quando minha mente desce de nível passo a ver as tuas faltas e fraquezas e procuro removê-las.'

Há uma passagem no Bhagavata, escritura devota e popular dos hindus, que reza: 'Aquele em cujo coração Deus se manifestou leva a paz, a alegria e o encanto aonde quer que vá.' É o promotor de paz de que fala Cristo nas Bem-aventuranças. (...)"

(Swami Prabhavananda - O Sermão da Montanha Segundo o Vedanta - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 32/33)

O PODER DO DISCERNIMENTO

"Existe um forte empurrão da força vital, o desejo de viver. Se ele entra em ação num campo favorável, ele se transforma em amor; de outra maneira, ele permanece como desejo. Se o desejo é expresso em um campo favorável, é manifestado como amor. Então surge o conhecimento, depois a bem-aventurança. O poder, a força, a energia, a motivação no desejo é Deus. Se o desejo é bom ou mau, isso é relacionado ao tempo, lugar e pessoa. Nos primeiros anos, o desejo por realização material pode ser bom. Mais tarde na vida,  o mesmo desejo pode ser mau. A fruta que é boa um dia, pode apodrecer em alguns dias mais. Um lado da maçã pode tornar-se bom e outro apodrecer. O discernimento diz para você comer o lado bom e jogar fora o mau. Existe outra força em você, através da qual Deus trabalha, e ela é o discernimento. Essa força deve ser usada para pôr de lado a ação errada. O poder do discernimento sabe o que é certo e o que é errado. O desejo errado é Deus obscurecido por Maya (ilusão), enquanto que discernimento é Deus sem obscurecimento por Maya."

(J.S. Hislop - Conversações Com Sathya Sai Baba - Fundação Bhagavan Sri Satya Sai Baba do Brasil - p. 112) 

sábado, 19 de julho de 2014

O HOMEM PECA POR IGNORÂNCIA

"O homem peca porque é ignorante. Ele ignora a Realidade de Deus. Ignora que ele e o Pai são um só. Ignora que ele e o próximo (e até mesmo seu inimigo) também são um só. Ignora a lei do karma e que ele, consequentemente, é o artífice de seu próprio destino. Por outro lado, vive sob a convicção de ser um degradado, um cão sem dono, uma presa de satã ou das enfermidades, mas achando ter o direito de vir a ser feliz, de qualquer modo, até mesmo à custa do sofrimento dos 'outros'. Por ignorância, crê num Deus antropomórfico a quem recorre somente nas horas de necessidade. Por ignorância já não acredita num Deus que não tem atendido a suas orações egoístas. Sendo ignorante, tem a ilusão de impunemente poder fazer  todas as formas de maldades, desde que 'ninguém sabe que fui eu o autor'. Por ignorância, tem cometido, vem comentendo e cometerá toda sorte de violência contra a infalível lei do karma e, portanto, contra si mesmo, embora enganosamente queira ferir os outros. Por ignorância, cria para si mesmo as algemas de seus distúrbios neuróticos e os desesperos de sua alienação.

A filosofia do yoguin desenvolve no jiva a inteligência (viveka), que o faz 'rei da criação', que lhe faculta optar por ser bom ou ser mau, pelo viver enfermo ou sadio, pelo efêmero ou pelo eterno, dedicar-se às coisas finitas ou ao infinito... Dá-lhe sabedoria (vidya), com a qual, pode, algum dia, vir a deslumbrar-se na contemplação do Absoluto e então compreender, em toda plenitude, a promessa: 'Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.' A isso é que poderíamos chamar vidyaterapia ou a cura pela sabedoria. No Ocidente, logoterapia."

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p.114)

JAMAIS ACEITE O FRACASSO

"Você vive num mundo competitivo. A competição não o sufocará se você for determinado; ela o deixará mais forte. Você tem que dar o melhor de si todos os dias, em qualquer circunstância - e então poderá ter êxito. Mas a maioria das pessoas não se empenha, ou então está sempre pensando que tudo dá errado com elas - que sempre têm azar. E por que as coisas deveriam dar certo? Essas pessoas não reservam tempo para cultivar as sementes do sucesso em seu cérebro, ficam ocupadas demais com coisas inúteis. Talvez você nem ache que possua qualquer sementinha de sucesso em seu íntimo, mas tem. Você pode ter sucesso, pode conseguir. Todavia, se pensar 'estou acabado', certamente estará, pois já se autodecretou um fracassado. Mas se continuar sendo positivo e pensar 'tudo bem, eu vou conseguir', e continuar tentando, você conseguirá.

Não fique remoendo os fracassos do passado. As pessoas que fazem isso dizem que tudo o que tocam acaba em fracasso. E por que falham? Porque a mente delas se convenceu de que fracassará. Já fiquei completamente sem dinheiro, mais de uma vez, tentando manter esta obra, mas sempre recuperei os recursos necessários. É preciso coragem, porque a mente diz: 'Depois de tantos anos, você vai ter que começar tudo de novo'. Mas eu retruco: 'Fique quieta. Vou fazê-la trabalhar. Vamos ver quem manda.' Você tem que trabalhar, precisa se esforçar para conseguir. Cada insucesso lhe dá o privilégio de aprender algo novo: você apende a evitar a repetição dos erros. Só quando a mente fica fraca é que o corpo enfraquece e você se recusa a continuar se esforçando; nesse momento você está acabado - está morto. Portanto, nunca desista.

A vida é um grande jogo, faça um esforço para ganhar. Milhares de pessoas sofrem - algumas não têm mãos, outras não têm pernas. Como é que você, que dispõe de todas as faculdades, vai admitir o fracasso? Não faça isso. Quando você anda para trás, seu panorama mental fica tão sombrio que você acha que o mundo inteiro está retrocedendo. Mas você sempre progredirá se estiver realizando alguma coisa. Desenvolva o poder mental e deixe que o mundo inteiro se coloque à sua disposição."

(Paramanhansa Yogananda - O Romance Com Deus - Self-Realization Fellowship - p. 103/104)

sexta-feira, 18 de julho de 2014

CIÊNCIA OCULTA - O QUE É NA VERDADE?

"Poucas palavras causam mais histeria estúpida das pessoas, tanto na ortodoxia científica quanto na religiosa, do que a palavra ‘oculto’. As pessoas invariavelmente se sentem um tanto hesitantes em usar uma palavra que possui associações desagradáveis e injustas nas mentes da média das pessoas educadas, sem falar dos ‘ignorantes comuns’, significando práticas de magia negra. Assim, o que essa palavra verdadeiramente significa, e por que insistimos em usá-la neste justo contexto? Por que será a compreensão da Ciência Oculta, embora delineada ou geral, tão importante para a nossa apreciação do seu papel na solução dos mistérios da vida, tanto no cosmos quanto no homem, que a ciência ocidental, apesar de seus triunfos, fracassou espetacularmente em atingir? A origem das palavras revela o sentido interno delas. Então qual é a etimologia da palavra ‘oculto’?

Apesar de todas as associações impróprias e sem sentido com a magia negra e a bruxaria, a palavra oculto significa simplesmente ‘secreto’, ‘escondido’, ‘dissimulado’. (...) Assim, qualquer coisa que é oculta está, etimologicamente falando, escondida ou encoberta dos olhos e dos sentidos físicos.

O que é então Ciência Oculta? É um termo genérico que se refere às Ciências Herméticas ou Esotéricas, que exploram os segredos essenciais ou ocultos da Natureza – física, psíquica, mental e espiritual – (...)

Portanto, Ocultismo é um termo genérico para todo o corpo de Ciências ocultas. Ocultistas são aquelas pessoas que praticam o Ocultismo como já definido. A humanidade jamais deixou de fazer perguntas profundas a respeito do universo, como ele surgiu, e qual o seu lugar como seres humanos neste universo. Desde tempos imemoriais, o homem tem seguido em sua busca ao longo das linhas tradicionais da filosofia, religião, ciência ou qualquer outra coisa a partir do ponto de vista convencional ou ortodoxo de especulações intelectuais baseadas nas aparências físicas, ou, como Ocultistas, podemos nos concentrar em desvendar o âmago do significado interior, enterrado nas miríades de formas nas quais os objetos se apresentam.

O termo ‘Ocultismo” é usado quando lidamos com temas ocultos de uma natureza geral ou filosófica; o termo ‘Ciência Oculta’ ficará reservado para temas de uma natureza mais técnica, que lidam com leis ocultas, os mecanismos e os processos da Natureza."

(Edid Balimoria - Ciência oculta – o que é na verdade? - Revista Theosophia, Ano 100, Julho/Agosto/Setembro de 2011 - Pub. da Sociedade Teosófica no Brasil - p. 36/37)


USANDO TODA NOSSA NATUREZA

"Cada aspecto de nossa natureza, tanto o bem quanto o mal, é exigido para a tarefa à nossa frente. Tal como o redirecionamento de energia, todos os elementos dentro de nós devem ser transformados. Tanto os vícios quanto as virtudes, dizem-nos, são ‘passos (que) compõem a escada’ por meio da qual ascendemos ao mais elevado. Como diz o comentário: ‘Toda a natureza do homem deve ser usada sabiamente por aquele que deseja entrar no caminho’.

Um comentário assim devem ajudar-nos a compreender que não devemos reprimir ou suprimir qualquer aspecto de nossa natureza que possa ser indesejável. Pelo contrário, devemos trazer toda nossa natureza, inclusive o complexo psicofísico, a personalidade, sob uma certa condição. Não podemos negligenciar qualquer aspecto de nós mesmos sem, de alguma maneira, ferir o todo. É toda a natureza que deve ser usada, e usada sabiamente para o propósito que temos em vista. A repressão desses aspectos, particularmente de pensamentos e sentimentos que não queremos reconhecer como pertencentes a nós, só pode resultar em feridas dolorosas nos reinos kama-manásico, ou mental-emocional, ou psicodinâmico. E chagas purulentas conseguem apenas eclodir em violentos surtos de doença psíquica e até mesmo física.

Temos de perguntar a nós mesmos como podemos usar cada aspecto nosso na busca do caminho. Demos a esse caminho o nome de caminho para a iluminação, ou para a autorrealização, para a libertação da roda de nascimentos e mortes; mas, mesmo definir o caminho que nos mandam buscar, poderia indicar algum vestígio de autointeresse, um laivo de egoísmo em nossa busca. Nossa meta pode muito bem estar além da denominação, ou daquilo que imaginamos ser iluminação. Como podemos definir com palavras uma condição de consciência com a qual estamos, no nosso atual estágio, totalmente desfamiliarizados? Talvez isso possa ser melhor expresso nas palavras da anotação: devemos ‘tentar aliviar um pouco o pesado karma do mundo’, dando a nossa ‘ajuda aos poucos braços fortes que evitam que os poderes das trevas obtenham vitória completa’."

(Joy Mills - Buscai o caminho - Revista Theosophia, Ano 100, Julho/Agosto/Setembro de 2011 - Pub. da Sociedade Teosófica no Brasil - p. 46/47).


quinta-feira, 17 de julho de 2014

A VIRTUDE DO SILÊNCIO

"A experiência me ensinou que o silêncio é parte da disciplina de um devoto da verdade. (...) Quando paramos para pensar sobre isso, não se pode evitar sentir que quase metade do sofrimento do mundo desapareceria se nós, na condição de mortais agoniados, conhecêssemos a virtude do silêncio. Antes de a civilização moderna nos alcançar, dedicávamos pelo menos seis a oito horas por dia – das 24 disponíveis – ao silêncio e à introspecção. A civilização moderna nos ensinou a converter a noite em dia e o silêncio de ouro em barulho. Que ótimo seria se, em nossa vida conturbada, cada um de nós pudesse se retirar para dentro de si mesmo por pelo menos algumas horas por dia e preparar a mente para escutar a voz do grandioso silêncio. O rádio divino está sempre ligado, basta que estejamos dispostos a escutá-lo. Contudo, é impossível ouvir sem silêncio. Santa Teresinha se utilizou de uma imagem interessante para resumir o doce resultado do silêncio:

Você imediatamente sentirá seus sentidos se agrupando; eles se parecem com  abelhas que retornam à colmeia e param de trabalhar, sem que você tenha de se preocupar ou se esforçar. Deus então recompensa a violência que sua alma tem feito a si mesma e dá a ela um grande domínio sobre os sentidos, de modo que, quando ela quiser se reestruturar, um único sinal será suficiente para que eles obedeçam e se reúnam nessa ação. Então, no primeiro chamado, todos voltam cada vez mais rápido. Por fim, depois de muitos e muitos exercícios desse tipo, Deus os dispõe em um estado de repouso absoluto e de perfeita contemplação.’"

(Mahatma Gandhi - O Caminho da Paz - Ed. Gente, São Paulo - p. 72/73)


TRANSFORMAÇÃO INTERIOR (PARTE FINAL)

"(...) O mais difícil de se modificar é o nosso ambiente, porque nesse caso estamos tratando com a forma mais densa de matéria, aquela sobre a qual a força do nosso pensamento tem menos força. Nesse caso, nossa liberdade, fica muito limitada, porque estamos no ponto mais fraco, e o passado está em seu ponto mais forte. Ainda assim não estamos de todo desamparados, porque nesse ponto, seja pelo combate, seja pela aceitação, poderemos, finalmente, obter êxito. A parte indesejável do nosso ambiente que podemos modificar com vigoroso esforço é a que temos de modificar de imediato. O que não conseguirmos modificar, aceitamos e ficamos observando o que isso tem a nos ensinar. Quando tivermos aprendido essa lição, essa parte indesejada irá desprender-se de nós como uma roupa usada. Temos uma família indesejável: bem ela é formada pelos egos que chamamos para junto de nós no passado; realizamos todas as obrigações com ânimo e paciência, pagando com honradez nossas dívidas; adquirimos paciência através dos transtornos que ela nos causa, vigor através das irritações diárias e perdão através de seus erros. Nós a usamos como o escultor usa seus instrumentos de trabalho: para aplainar nossas excrescências e alisar e polir nossas arestas. Quando a utilidade desses egos terminar para nós, eles serão levados embora pelas circunstâncias ou afastados para outro lugar qualquer. O mesmo acontecerá com os outros aspectos do nosso ambiente, que, aparentemente, são aflitivos. Como o marinheiro experiente que move suas velas conforme o vento que ele não pode modificar e então força-as a colocá-lo na rota, usamos as circunstâncias que não podemos alterar adaptando-nos a elas, de forma que se vejam compelidas a nos ajudar.

Assim em parte somos compelidos, em parte somos livres. Temos de trabalhar entre e com as condições que criamos; mas somos livres, dentro delas, para trabalhar sobre elas. Nós próprios, Espíritos eternos, somos inerentemente livres, mas só podemos trabalhar dentro e através da natureza do pensamento e do desejo que criamos. Esses são os nossos materiais e as nossas ferramentas; não poderemos ter outros enquanto nós mesmos não os produzirmos."

(Annie Besant, Os Mistérios do Karma e a sua Superação, Editora Pensamento, 2001, p.97/99)


quarta-feira, 16 de julho de 2014

PRATIQUE O EQUILÍBRIO DAS ENERGIAS

"(4:22) Está livre do karma quem aceita tranquilamente o inesperado; tem ânimo firme e não se deixa afetar pela dualidade; não nutre inveja, ciúme ou animosidade; e (finalmente) vê com iguais olhos o sucesso e o fracasso.

Embora já tenhamos abordado esse assunto, convém reexaminar aqui de passagem o caso oposto: a pessoa que se deixa abalar pelos imprevistos; que está sempre saltitante de alegria ou murcha de desapontamento; que se rói de inveja, ciúme e ódio; enfim, que se rejubila com o sucesso e se sente emocionalmente devastada pelo fracasso. Gozarão pessoas assim, alguma vez, de paz de espírito? E para quem não frui a paz interior, como disse Krishna em outra estrofe, a felicidade será possível? O que, em geral, passa por felicidade na mente mundana é mera excitação emocional ou (às vezes) o alívio temporário de alguma causa de transtorno e sofrimento. A excitação leva ao medo, à dúvida, à incerteza. O alívio passageiro provoca, não contentamento, mas quase sempre enfado e apatia.

As pessoas, é interessante notar, revelam automaticamente, com gestos, o modo como a energia está fluindo por seu corpo. Quando excitadas, dão saltos, o que se deve ao movimento ascendente no ida nadi da espinha. E que dizer das crianças pequenas, muito pouco inclinadas a controlar seus acessos de emoção? Elas revelam o movimento descendente da energia na espinha, ao longo do pingala nadi, deixando cair os braços, estacando, batendo os pés e entrecortando a respiração com grandes gritos - às vezes mesmo rolando pelo chão e esmurrando-o. Todos esses gestos indicam a direção, para baixo, de sua energia.

A satisfação, em si, é uma virtude e não apenas uma consequência. Deve ser praticada conscientemente. Convém dizer a nós mesmos: 'Não preciso de nada! Não preciso de ninguém! Sou livre em meu Eu!"

(A Essência do Bhagavad Gita - Explicado por Paramahansa Yogananda - Evocado por seu discípulo Swami Kriyananda - Ed. Pensamento, São Paulo, 2006 - p. 194/195)