OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


segunda-feira, 30 de junho de 2014

A PACIÊNCIA É NECESSÁRIA PARA O SUCESSO

"A prece verdadeira é um escudo absoluto e uma proteção contra... o mal. Todavia, o sucesso nem sempre responde aos nossos primeiros esforços na forma de preces fervorosas. Temos de lutar contra nós mesmos; temos de acreditar apesar de nós mesmos, pois os meses são como os anos. Se quisermos perceber a eficácia de nossas orações temos de cultivar a paciência ilimitável. Haverá momentos de escuridão, desapontamento e coisas piores; mas precisamos ter a coragem suficiente de batalhar contra tudo isso e de não sucumbir à covardia. Não existem recuos para os homens que rezam. Do mesmo modo como uma semente semeada apenas dará frutos na época correta, também poderá demorar algum tempo até que suas preces venham do coração. Se, porém, o desejo de ter Deus no coração de fato estiver lá, o progresso, mesmo que lento, certamente ocorrerá. O homem não pode ser transformado e se tornar bom da noite para o dia. Deus não faz mágicas. Ele também acata as próprias leis. Sua lei, entretanto, é diferente das leis mundanas. Estas podem cometer erros, mas Deus não pode se equivocar. Se ele próprio excedesse o limite de suas regras o mundo estaria perdido. Ele não muda por si mesmo, tampouco é mutável ou igualável. Ele é o mesmo que foi ontem, e continuará sendo hoje e para sempre. Sua lei está escrita nos corações humanos. Homens e mulheres somente conseguirão mudar se tiverem o desejo de se transformar e se estiverem preparados para empreender esforços contínuos nesse sentido.(...)

Acredito que a prece seja a própria alma e a essência da religião e que, portanto, ela deva estar no âmago da vida do homem. (...)

Assim, comece seu dia com uma prece e faça-a com a força de sua alma para que ela permaneça com você até o final do dia. Encerre o dia com uma oração para garantir uma noite tranquila, longe de sonhos e pesadelos. Não se preocupe com a forma de suas preces. Deixe que ela flua livremente; o objetivo dela é nos colocar em contato com o divino. Apenas não permita que o espírito vague por aí enquanto as palavras saem de sua boca."

(Mahatma Gandhi - O Caminho da Paz - Ed. Gente, São Paulo, 2014 - p.69/71)


OS EFEITOS DA CHAMA DA SABEDORIA NO KARMA (2ª PARTE)

"(...) Em se tratando do indivíduo, dois tipos de karma têm de ser levados em consideração: purushakara e prarabdha. O primeiro consiste em ações geradas nesta vida sob influência, não do hábito ou do desejo, mas da tendência da alma. Já o segundo engloba as tendências atuais e o resultado de ações praticadas em existências anteriores.

O prarabdha é também de dois tipos: as ações que, devido às circunstâncias presentes, podem dar frutos ainda nesta vida; e aquelas que, conhecidas como para-rabdha-karma, são mantidas em estado de latência até que ocasiões mais favoráveis lhe possibilitem a fruição. O karma de uma pessoa pode prever, por exemplo, que ela se afogará no mar - ou então será salva do acidente. Contudo, se ela nunca se aproximar da praia e, assim, não der ensejo ao afogamento, esse karma específico terá de aguardar outra vida para concretizar-se.

Às vezes. um karma negativo é adiado ou mesmo compensado por um karma contrário. Uma tentação irresistível, por exemplo, pode ser anulada por uma força interior recém-adquirida. Períodos kármicos também passam ou são dissipados por ações opostas. Um fracasso karmicamente 'previsto' frequentemente é desviado quando a pessoa acumula energias novas e criativas ou, então, adquire sabedoria para redefinir o golpe como oportunidade e não como revés.

Um mau karma pode agigantar-se diante da pessoa como um dragão ameaçador; mas se ela consegue achar meios de desviar o golpe ou proteger-se (por exemplo, abrir um guarda-chuva quando começa a chover), ainda que o golpe seja desferido, o desastre é evitado. Podemos fazer também, é claro, como o São Jorge da lenda: liquidar o dragão. O certo é que nenhuma ameaça de infortúnio deve ser aceita com resignação indolente! Uma vontade poderosa consegue superar, ou no mínimo mitigar, praticamente todas as desventuras que rondam nossos passos.

O mau karma pode, por exemplo, invadir uma aura frágil, mas nunca uma aura forte, na qual o dano porventura infligido será prontamente minimizado. (...) As consequências kármicas são inevitáveis, mas o modo como são recebidas depende de inúmeras circunstâncias, a maioria geradas pela própria pessoa. (...)"

(A Essência do Bhagavad Gita - Explicado por Paramahansa Yogananda - Evocado por seu discípulo Swami Kriyananda - Ed. Pensamento, São Paulo, 2006 - p. 210/212)
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domingo, 29 de junho de 2014

OS CICLOS DO UNIVERSO FÍSICO

"Segundo a ciência ocidental, o Universo se expandiu a partir de um centro infinitamente concentrado de energia, dando origem ao que chamaram de 'Big Bang'. Tal ideia não está distante daquilo que os rishis nos ensinaram. Mas à medida que este Universo físico se expande, um dia, iniciará o processo inverso, caindo novamente no grande vazio ou na grande concentração de massa. Após nova idade de Brahma (314 trilhões de anos), ele retorna do Absoluto em ciclos intermináveis de nascimento, morte e renascimento.

- Tudo isso é semelhante ao que ocorre no coração, suas sístoles e diástoles.

Mas o que nos parece deprimente, é, em realidade, uma grande diversão do Espírito. Lembrem-se de que os tais nascimento, mortes e renascimentos de Brahma (o próprio Universo) que duram tantos trilhões de anos terrestres, constituem as bolhas de sabão lançadas no ar pela criança divina. Na verdade, não há morte, nem nascimento, e nem renascimento, pois tudo é parte de Seu grande sonho das idades.

- Os Universos são paradoxalmente reais e oníricos. Para aqueles que despertaram no Espírito, tudo é um sonho de Deus. Eles observam tais ciclos do lado de fora. Já não estão presos à dança de vida e morte, pois são vencedores. Para nós que ainda estamos do lado de cá, tudo parece muito real e desanimador, mas para eles, nossos irmãos mais velhos, tudo é apenas uma questão de 'despertar'.

- E eles nos dizem: 'Despertem! Despertem dessa ilusão do tempo e do espaço. Venham conosco desfrutar da eternidade onde as relatividades do mundo se dissolveram na alegria interminável do Espírito. Enquanto dormem, Shiva dança Suas danças de vida e morte, mas se despertarem, verão que tudo não passou de um sonho, um pesadelo, e que a realidade e os prazeres em Deus são imensamente maiores que no limitado reino da matéria'."

(Alexandre Campelo - O Encantador de Pessoas - Chiado Editora, 2012 - p. 137)


OS EFEITOS DA CHAMA DA SABEDORIA NO KARMA (1ª PARTE)

"(4:37) Ó Arjuna, assim como o fogo consome a madeira até as cinzas, assim a chama da sabedoria reduz a cinzas todo o karma do homem. 

Pense-se nos túmulos egípcios de há muito abandonados. As trevas reinaram na tumba do faraó Tut por milhares de anos - mas quando ela foi aberta, a luz a invadiu e a escuridão de séculos se dispersou num instante. Dá-se o mesmo com qualquer pessoa. Não importa quão densas sejam as sombras de sua ignorância, quando a luz divina penetra sua consciência, só o que resta é luz!

Há vários tipos de karma, pois essa palavra significa apenas ação. O karma pode ser nacional, grupal, familiar, individual, em suma, tudo quanto proceda de um centro coerente de intenção capaz de atrair consequências para esse centro. Toda ação é karma. Um líder nacional que prejudica seu povo não terá de sustentar o peso inteiro desse mau karma em seus próprios 'ombros': a nação também deverá assumir responsabilidade. Os bons cidadãos do país devem igualmente arcar com ela, embora seu próprio karma possa afastar deles, e talvez de um círculo mais vasto de pessoas, qualquer mal que sobrevenha à nação como uma forma de resgate kármico. 

Quando um avião explode, nem todos os que morrem no acidente padecem esse destino por exigência de seu karma. O karma grupal da maioria dos passageiros pode pesar mais que o karma neutro do indivíduo - se, por exemplo, sua disposição para viver não for suficientemente forte. Por outro lado, sucede às vezes que, na iminência de um grande desastre, pessoas sem nenhuma culpa no momento sejam chamadas a outro parte ou de um modo qualquer, impedidas de estar no local.

O karma grupal é extremamente complexo. O primeiro dever da pessoa é para consigo mesma, visando melhorar o próprio karma. De fato, quanto mais boas ações ela praticar em prol do aprimoramento geral da consciência, em maior medida o karma de todos será amenizado. Deve-se começar, porém, pelo aprimoramento da própria consciência. (...)"

(A Essência do Bhagavad Gita - Explicado por Paramahansa Yogananda - Evocado por seu discípulo Swami Kriyananda - Ed. Pensamento, São Paulo, 2006 - p. 209/210)


sábado, 28 de junho de 2014

FUI RAPTADO AO TERCEIRO CÉU

"Que disseste, Paulo? Foste raptado ao terceiro céu? E eu, que nem conheço o primeiro e o segundo céu...

Ah! já sei, já sei...

Foste raptado para além do primeiro céu dos sentidos e para além do segundo céu da mente.

Foste raptado ao terceiro céu do espírito.

Eu conheço bem o primeiro céu, conheço também o segundo céu - nada sei do terceiro céu.

Creio no céu do espírito, que espero para depois da morte.

Mas tu entraste no terceiro céu, em plena vida.

E lá no terceiro céu tu ouviste 'ditos indizíveis' - que transformaram a tua vida terrestre.

'Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus preparou àqueles que o amam.'

Para além dos sentidos e da mente do meu ego humano - eu me deixarei raptar para o terceiro céu do meu Eu divino.

Enquanto eu me identificar com o ego, que não sou, não sou raptável.

Enquanto eu viver satisfeito no primeiro céu dos sentidos e no segundo céu da mente, ninguém me pode raptar para o terceiro céu do espírito, que sou.

'Transmentalizai-vos, porque o Reino dos Céus está ao vosso alcance'.

Se eu não me transmentalizar, não ultrapassar o meu ego do aquém, não serei raptado para as regiões do Além.

Deus respeita o meu livre-arbítrio.

Enquanto eu não abrir a porta para que alguém possa entrar no recinto do meu ser...

Raptar-me não está em meu poder - em meu poder está somente abrir as portas para ser raptado.

E os 'ditos indizíveis' do meu terceiro céu ecoarão através do meu primeiro e segundo céu."

(Huberto Rohden - De Alma para Alma - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2005 - p. 157/158)


EQUILÍBRIO E JUSTIÇA (PARTE FINAL)

"(...) O equilíbrio é uma lei fundamental do universo. Se uma pessoa está ganhando de um lado, tem que perder do outro para que o equilíbrio seja mantido.

Na visão dos hinduístas, o universo é uma grande dança. Eles representam a contínua alternância entre os opostos como a dança de Shiva. Shiva é um dos deuses mais cultuados na Índia. Isso é curioso, porque ele é um deus associado à destruição.

Existe na Índia uma trindade muito conhecida formada por Brahma, Vishnu e Shiva; onde Brahma está associado à criação, Vishnu à preservação e Shiva à destruição. Quando se viaja pela Índia percebe-se que quase não existem templos destinados a Brahma; que existem alguns poucos destinados a Vishnu; e uma enorme quantidade de templos destinados a Shiva. Por que razão isso ocorre?

É que Shiva representa a renovação resultante da morte e da destruição. Para que o novo possa nascer, é necessário que as formas gastas sejam removidas. Ao mesmo tempo, Shiva inspira certo temor naqueles que não tiveram ainda a percepção de que a vida e morte são aspectos complementares de uma mesma realidade divina.

Essa dança de Shiva de criação e destruição é, na realidade, a base da existência. Nada pode existir estático na natureza. A nossa ignorância é que nos impede de ver a mudança como um elemento fundamental da própria existência. Nada permanece estático, nem por um breve momento. Tudo flui, tudo está em contínuo movimento. A folha da árvore que cai vira adubo para o crescimento de outras árvores. Na natureza nada se perde."

(Eduardo Weaver - Vida e morte na visão de Platão - Revista Sophia, Ano 5, nº 17 - p. 28/29)


sexta-feira, 27 de junho de 2014

COMPREENDER A VERDADE


"O que fundamentalmente causa a ilusão é a busca daquilo que proporciona prazer, daquilo que gratifica em qualquer nível que seja. Gostamos de aceitar algo mental ou fisicamente por proporcionar prazer, por ser conveniente fazê-lo ou por ser um pensamento confortante; é adequado a nossa forma habitual de pensar por assim dizer. Compreender a verdade não é a mesma coisa que assenhorar-se de uma ideia, e ater-se a ela com fervor. A mente é facilmente subornada pelo prazer. Com frequência damos prazer a alguma pessoa, a fim de conseguir que ela faça o que queremos que faça. Esta é uma prática que evidencia resultados em toda parte. A mente concordará voluntariamente com o doador do prazer. Portanto, é necessário sermos rigorosos conosco no que tange ao vivenciar a verdade - e esta é uma base necessária para o ocultismo. 

Aliás, poderia dizer que em país algum no mundo a importância de vivenciar a verdade foi tão enfatizada como na Índia, onde satyam (verdade) e ritam (retidão) foram proclamados como sendo inalteráveis. 'Somente a verdade conquista' é a antiga máxima adotada pelo governo indiano. É amplamente aceita enquanto palavra, mas poderíamos perguntar: até onde está sendo honrada na prática? Isto é algo que todos terão que descobrir em relação a si mesmos. Apenas se pode aplicar testes práticos à própria conduta para ver em que extensão a verdade está sendo vivenciada. (...)"

(N. Sri Ram - Em Busca da Sabedoria - Ed. Teosófica, Brasília, 1991 - p. 23/24)


EQUILÍBRIO E JUSTIÇA (2ª PARTE)

"(...) Quando estudamos a história observamos que toda civilização cresce, se desenvolve, chega ao seu ápice, e depois inevitavelmente começa a decair até ser vencida ou desaparecer. Observa-se que nada pode ficar continuamente no mesmo estado. Tudo o que sobe tem de descer, tudo que enche deve se esvaziar. Tudo que se torna maior tem que ter sido menor e vice-versa.

Quando uma pessoa está em evidência, por muito tempo, ela acaba sendo forçada pelas circunstâncias da vida a sair de evidência. Ninguém fica no topo o tempo todo. Os taoistas dizem: se você quer derrubar uma pessoa, coloque-a num pedestal. Certamente ela vai cair rapidamente. Quanto mais se estica um elástico numa direção, maior a tensão, maior a força puxando no sentido contrário. Sempre que se chega a um extremo, a força no sentido contrário passa a ser muito grande.

Ao observarmos nossas vidas, podemos achar que determinados acontecimentos, como a morte de um familiar, a perda de um emprego ou uma mudança forçada de cidade são ruins. Uma série de mudanças que  nos incomodam muito em primeira instância, quando vistas de uma perspectiva de longo prazo, podem ser vistas como benéficas. O que parecia mal se tornou bom.

Platão nos faz ver que, na vida, nada deve ser visto de forma isolada; toda moeda tem seu dorso. Todo ganho tem seu preço, e ocasiona algum tipo de perda. Tudo o que é positivo tem seu lado negativo. Nada é totalmente bom ou totalmente ruim. Não existe pessoas que só tenha vitórias na vida. A perda está sempre à espreita por detrás de cada vitória. Se assim não fosse, não poderia haver equilíbrio e justiça no universo. (...)"

(Eduardo Weaver - Vida e morte na visão de Platão - Revista Sophia, Ano 5, nº 17 - p. 28/29)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

O PECADO

"Perguntaram-me o verdadeiro significado do pecado. No sentido em que essa palavra em geral é usada, pelo menos por sacerdotes cristãos, penso que o pecado não passa de invenção da imaginação teológica. Popularmente, o pecado indica um desafio à lei divina – a realização de alguma ação cujo autor sabe ser errada. É extremamente duvidoso que esse fenômeno, de fato, exista. Em praticamente todos os casos imagináveis, o homem quebra a lei por ignorância ou negligência e não pela intenção deliberada. Quando um homem, em realidade, conhece e vê a intenção divina, inevitavelmente se harmoniza com ela por duas razões: primeiro porque percebe a total futilidade de uma ação contrária e, mais tarde, porque, ao ver a glória e beleza do plano, nada mais deseja fazer a não ser dedicar-se com todos os poderes de seu coração e de sua alma à sua realização.

De todas as concepções erradas que herdamos das idades negras, uma das mais sérias é a ideia de ‘pecado’ como uma perversidade a ser punida e brutalmente perseguida. Na verdade, o pecado é resultado de ignorância, que só se supera pela educação e esclarecimento. Alguém poderá discordar dizendo que, na vida diária, as pessoas fazem a todo momento e conscientemente coisas erradas, todavia esse é um argumento falso. Elas estão fazendo que lhes disseram que é errada, o que é bem diferente. Quando alguém sabe, de verdade, que uma ação é errada e que, inevitavelmente, será seguida por más consequências, evita-a com cuidado. Todos sabem que o fogo queima,  por isso ninguém põe a mão nele. Quem age errado justifica o erro para si mesmo no momento da ação, não importa o que venha a pensar depois com mais calma. Por conseguinte, afirmo que o pecado, como normalmente o entendemos, é invenção da imaginação teológica; o que existe, na verdade, é uma condição infeliz que leva frequentemente à infração da Lei divina. Temos o dever de lutar para dissipar essa ignorância com a luz da teosofia."

(C. W. Leadbeater - A Vida Interna - Ed. Teosófica, Brasília, 1996 - p. 94)


EQUILÍBRIO E JUSTIÇA (1ª PARTE)

"De acordo com a sabedoria chinesa, os opostos se sucedem alternadamente. Depois de uma época de abundância necessariamente advém uma época de escassez. O apogeu sempre dá lugar ao declínio. Depois da tempestade, vem a bonança. Quando as trevas chegam ao máximo, a luz começa a crescer e vai gradualmente substituindo a escuridão.

O mesmo ocorre nas estações do ano. A partir do momento quando o verão chega ao seu auge, o calor começa a diminuir de intensidade e os dias vão progressivamente ficando mais curtos. Aos poucos o frio vai substituindo o calor. Quando, no clímax do inverno, o frio chega ao seu pico, mais uma vez ocorre a reversão do ciclo e, a partir daí, o tempo começa a esquentar novamente e o sol vai tomando o lugar das trevas. Vemos que um princípio sempre leva consigo o seu oposto complementar.

Por isso os chineses falavam que a vida é uma perpétua alternância entre os princípios Yang e Yin, o positivo e o negativo, o masculino e o feminino, o bem e o mal, a inspiração e a expiração. Segundo eles, dentro do Yin está contido o Yang e dentro do Yang está contido o Yin. Na realidade os dois princípios estão harmonicamente integrados no todo. A alternância cíclica entre esses dois aspectos é vista como parte essencial da expressão da vida na natureza.

É importante que estejamos cientes e preparados para observar este fato em nossas vidas. Sabemos que depois do dia sempre vem a noite, e que depois da noite sempre vem o dia. Basta observar a natureza. Isso ocorre porque, quando se chega a um extremo, surge uma tensão, uma força, que puxa no sentido oposto.

Essa tensão é criada pelo potencial que existe entre os pares de opostos. Os opostos se atraem. O homem atrai a mulher e a mulher atrai o homem. Na natureza, todos os pares de opostos se atraem: o positivo e o negativo, o bom e mau, a luz e a sombra, etc. (...)"

(Eduardo Weaver - Vida e morte na visão de Platão - Revista Sophia, Ano 5, nº 17 - p. 28/29)


quarta-feira, 25 de junho de 2014

AS LEIS DA NATUREZA

"As leis que, enquanto as ignoramos, podem atirar-nos de um lugar para outro, atrapalhando nossos planos, frustrando nossos esforços, transformando nossa esperança em ruína, e colocando-nos no mesmo nível do pó – essas mesmas leis, que assim nos tratam enquanto somos ignorantes, tornam-se nossas servidoras, nossas auxiliares, e nos elevam, quando o conhecimento tiver substituído a ignorância. Faço minhas as palavras fecundas e significativas, enunciadas por um cientista inglês – palavras que deveriam estar gravadas em letras de ouro – ‘A natureza é conquistada pela obediência!’

Conheça a Lei e a obedeça. Trabalhe com ela, e ela lhe elevará com sua força infinita, carregando-o até a meta que você deseja alcançar. A Lei que é um perigo quando não é conhecida, torna-se uma salvadora quando conhecida e compreendida. Veja como, através das idades deixadas para trás, a natureza física lhe ensinou cada vez mais esse fato maravilhoso. Observe o clarão do raio no céu tempestuoso, como ele se projeta para baixo, atingindo uma torre ou uma fortaleza. Elas caem em ruínas, destruídas pelo clarão de fogo incontido e desenfreado. Quão perigoso, quão terrível, quão misterioso! Como irá o pobre homem enfrentar o fogo dos céus? Mas agora o homem aprendeu a submeter o mesmo fogo ao seu serviço; ele o subjugou pelo conhecimento. Agora a mesma força transporta suas mensagens por sobre os mares e as terras, e une o pai ao filho que viajou milhares de milhas, no elo amoroso da simpatia e comunicação; o raio que destruía torna-se um fluido elétrico que dá esperança e vida ao pai ansioso, e transporta mensagens de amor e boa-vontade por sobre terra e mar. A Natureza é conquistada e suas forças tornam-se nossas serviçais, quando aprendemos a trabalhar ao modo delas.

O mesmo se dá com todas as outras forças, acima e abaixo; o mesmo acontece em cada canto do universo, visível e invisível. Você deve conhecer as Leis da Vida Superior, se deseja vivê-las. Conheça essas Leis e elas lhe transportarão até a sua meta; ignore-as, e seus esforços serão frustrados, e todo o seu empenho será como se não tivesse acontecido."

(Annie Besant - As Leis do Caminho Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2011 - p. 22/23)


EU TE EXALTAREI

"Ó PAI CELESTIAL, exaltarei Tua glória, as belezas de Teu paraíso em nosso interior. Que eu possa viver no jardim da felicidade da alma e dos pensamentos nobres, e estar impregnado, para todo o sempre, com o aroma de Teu amor.

Ó Espírito, faz de minha alma o Teu templo, e de meu coração o Teu amado lar, onde habitarás comigo em sereno e eterno entendimento.

Não queres descerrar Teus lábios de silêncio e sussurrar constantemente à minha alma pensamentos e orientação?

Amado Senhor, ensina-me a sentir que Tu és o único poder ativador, e que o valor de todas as experiências de minha vida reside em Te reconhecer como o único Autor de todas as ações. Ensina-me a contemplar-Te como o Amigo único, que me ajuda e estimula por intermédio de meus amigos terrenos.

Pai Celestial, de hoje em diante vou me empenhar em Te conhecer; farei esforços para cultivar Tua amizade. Todos os meus deveres serão executados com o pensamento de que estou Te percebendo por meio deles e, desse modo, Te agradando.

A vida é uma batalha permanente pela alegria. Possa eu lutar para vencer a batalha, no ponto exato em que me encontro agora.

Quando o medo, a raiva ou qualquer tipo de sofrimento me assaltarem, eu os observarei como espectador. Eu me distanciarei das minhas experiências. Esforçar-me-ei por manter, a todo custo, minha paz e felicidade.

Amado Pai, compreendo que o elogio não me faz melhor, nem a censura, pior. Sou o que sou diante de minha consciência e de Ti. Prosseguirei fazendo o bem a todos e sempre procurando Te agradar, pois só assim encontrarei a verdadeira felicidade."

(Paramahansa Yogananda - Meditações Metafísicas - Self-Realization Fellowship - p. 37/39)


terça-feira, 24 de junho de 2014

AS AMARRAS DA IGNORÂNCIA

"Não se deixe desencaminhar pelo que você vê. O que seus olhos não veem é mais significativo. O homem tem em si toda Bem-aventurança, como também o necessário equipamento para a manifestar, mas está preso por terrível ignorância quanto a suas próprias fontes internas. Boa parte do desejo sensual deve ser descartada antes que a fonte interior de paz e alegria possa livremente fluir. Nenhuma tentativa pode se fazer para isso, e, assim, não há nem paz, nem amor, nem verdade no lar, na comunidade, na nação, no mundo. Mesmo os gêmeos tomam caminhos diferentes por viverem num mundo hostil, dominado por paixões e emoções. Só quando Deus é tomado como objetivo e guia, é que pode haver paz, amor e verdade. A constante evocação do Nome de Deus é um sintoma de autorrendição. Smarana (repetida evocação) é bastante. A ininterrupta evocação de soham, da Unidade Eu-Ele, é chamada akhanda-hamsa-japa, isto é, o incessante japa do mantra hamsa ou soham. Ele assegura libertação da ansiedade, do medo e da aflição. Quando a mente cessa, também cessam moha (desejo e o apego falhos), e kshaya ou declínio de moha já é libertação (moksha)."

(Sathya Sai Baba - Sadhana - O Caminho Interior - Ed. Record, Rio de Janeiro, 1993 - p. 231)
www.record.com.br


CAMINHOS PARA A TRANSFORMAÇÃO (PARTE FINAL)

"(...) No entanto, quando vista da perspectiva de uma pessoa total, a lei do karma pode indicar, àqueles que desejam se dedicar à disciplina envolvida na purificação de suas percepções, precisamente quais são os nós em suas vidas, que o impelem a agir do modo como agem. Mesmo contra a sua vontade e a compreensão de suas mentes – e também como resolver e vencer esses nós.

E, o que é mais importante: a pessoa pode confiar na lei do karma e trilhar o caminho espiritual na certeza de que o universo ou os deuses não agem de maneira caprichosa e que ninguém será elevado ou degradado acidentalmente. Cada um de nós é responsável por sua própria vida até as últimas consequências: salvação ou perdição. A dignidade de nossa existência está baseada na solidez de uma lei que funciona em todas as partes do cosmo.

Cada um de nós tem a possibilidade de se empenhar para dominar as compulsões originadas do funcionamento natural de nossas próprias tendências, tendências essas que são baseadas em nossas experiências, conhecimento e impressões acumuladas ao longo do tempo. Este é o significado do trabalho espiritual: uma luta contra a nossa própria natureza mecânica, na qual os aspectos espirituais da humanidade, assim como as funções involuntárias e naturais do universo ajudam a existência não intencional e natural dos seres humanos."

(Ravi Ravindra - A conquista da Liberdade -  Revista Sophia, Ano 8, nº 32 - p.10/12)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

DOU A VIDA POR UMA ALMA SINCERA

"Dou a vida por uma alma sincera, mas fico longe das falsas. Nunca sou insincero com ninguém, e é assim que devemos viver no mundo. Precisamos ser corajosos, sinceros e não procurar apenas a companhia das pessoas a quem podemos inspirar, mas também das que nos podem servir de inspiração. Quando somos fortes, podemos ajudar os maus. Mas não tente ajudá-los enquanto você mesmo não estiver mais forte. Do contrário, a companhia dessas pessoas o deixará mais fraco. Muitos dos que tentam reformar os outros acabam sendo contaminados pelo mal.

Se a sua mente é do tipo que absorve tudo, como um mata-borrão, é necessário que a mentenha livre de influencias malignas. Assim como um papel mata-borrão ensopado de óleo não consegue absorver água, é preciso primeiro saturar a mente com o bem, até que se torne impermeável ao mal.

Seja forte em sua bondade, e tente ser uma pessoa prestativa. O homem que só pensa em si próprio e na sua família não encontra muita felicidade. Por não pensar nas pessoas que podem estar sofrendo, nega a si mesmo a alegria de ser útil ao próximo, de modo que sua taça de satisfação continuará pequena. Para mim, o dinheiro só tem um significado: usá-lo para fazer o bem e ajudar o próximo."

( Paramahansa Yogananda - O Romance Com Deus - Self-Realization Fellowship - p. 114/115)
http://www.omnisciencia.com.br/livros-yogananda/romance-com-deus.html


CAMINHOS PARA A TRANSFORMAÇÃO (3ª PARTE)

"(...) Voltando ao exemplo da lei natural, podemos olhar para a lei de causalidade, que rege toda a natureza, interna e externa. Na Índia ela é expressa como a lei do karma. Voltando a nossa atenção apenas nos seres humanos, podemos expressar a lei do karma da seguinte maneira: a ação é determinada pelas tendências do ser e, ao mesmo tempo, age sobre o ser. É como o sistema mutuamente interativo de espaço-tempo e matéria na teoria geral de relatividade: a matéria afeta o espaço-tempo e o espaço-tempo afeta a matéria. Na lei do karma o ser efetua a ação e a ação afeta o ser.

Se eu tenho uma determinada personalidade, naturalmente vou ser induzido a praticar certos tipos de ação. Por sua vez, essas ações deixam sulcos no meu ser, alternando-o de modo que eu me torno uma pessoa com novas características e tendências. Na oportunidade seguinte, agirei de acordo com minhas novas tendências. Minha ação futura (karma) é assim determinada por minha ação passada. Ações importantes deixam impressões profundas na psique, criando nós que afetam minhas ações futuras durante longo tempo, sem que eu necessariamente esteja ciente dos nós ou de suas causas iniciais.

Como princípio geral, os efeitos do karma não estão restritos a uma única vida; a lei encurta a fronteira do que é comumente chamado vida e morte. Incidentalmente se pode argumentar que uma ação não significa apenas uma atividade corporal, mas também abrange pensamentos, sentimentos e intenções.

Quando tenho maus pensamentos a respeito de alguém, isso não apenas reflete a qualidade do meu ser, mas também afeta ulteriormente essa qualidade.

Esse é um exemplo de uma lei da natureza tradicional, mais ou menos compreendida sob essa forma pelos dois terços da humanidade que agora vivem na Ásia e pela vasta população dos países hindus e budistas. É uma lei de determinismo, mas também uma lei que torna a liberdade possível e que provê a base para qualquer prática espiritual. Compreendida parcialmente, a partir do ponto de vista de apenas um nível dentro do ser humano, a lei do karma cria um círculo vicioso do qual não se consegue escapar, e frequentemente tem sido compreendida dessa maneira, levando ao desespero ou à resignação. (...)"

(Ravi Ravindra - A conquista da Liberdade -  Revista Sophia, Ano 8, nº 32 - p.10/12)

domingo, 22 de junho de 2014

DÊ GRAÇAS POR TODAS AS COISAS

"A gratidão é um dos ingredientes básicos para o nosso progresso ao longo da caminhada. Repetidas vezes perdemos de vista aquilo a que devemos ser gratos – nossa saúde, nossos amigos, nosso conforto material e, o mais importante, o próprio dom da vida.

Toda a situação na vida, até mesmo uma aparente tragédia, tem sua ‘compensação’. O ato de agradecer invoca este bem e ajuda a concretizá-lo. Ate experiências dolorosas se tornam agridoces quando o universo executa seu plano perfeito através delas.

Uma amiga minha sofreu uma separação muito dolorosa de alguém que amava. De um ponto de vista racional, a experiência foi um terrível trauma. Tudo aquilo que ela estimava lhe foi brutalmente arrancado; a dor parecia insuportável. Apesar de tudo, ela agradeceu.

Passaram-se muitos anos até que as feridas cicatrizassem. Foi quando ela conheceu um novo parceiro. A relação floresceu e chegou a um nível de contentamento e de realização que faltara ao anterior. A separação, ela veio a perceber, fora na verdade um presente.

Dê uma olhada na sua vida. Você está sedo grato por todas as experiências por que tem passado? Se, no entanto, estiver reagindo negativamente a uma determinada situação, tente abordá-la de uma maneira diferente.

Agradeça pelo fato de a situação ser exatamente como é. Em seguida, observe o que acontece. Quando você muda de atitude a respeito da situação em que se encontra, as circunstâncias a ela ligadas também se transformam, tão milagroso é o poder de agradecer por todas as coisas."

(Douglas Bloch - Palavras que Curam -  Ed. Cultrix, São Paulo, 1993 - p. 44)


CAMINHOS PARA A TRANSFORMAÇÃO (2ª PARTE)

"(...) Algumas tradições antigas postulavam que o universo era regido por leis e que a natureza, com suas leis rígidas, impunha aos seres humanos uma espécie de escravidão. Do ponto de vista filosófico e espiritual, não há nada de novo a respeito da questão do determinismo versus livre-arbítrio. Nenhuma luz radicalmente nova foi lançada sobre ela com o desenvolvimento da mecânica quântica. O determinismo de um efeito que resulta de uma causa é uma noção que é parte integrante do conceito de lei. Se existe lei, existe determinismo.

Mas é importante que seja enfatizado que, precisamente porque existe a lei, existe a possibilidade de liberdade. Uma lei pressupõe a existência de um preço a ser pago para que se consiga a libertação das condições que ela impõe. É muito romântico imaginar que podemos adquirir imortalidade, salvação ou liberdade para nossa alma sem pagar o preço cobrado pela lei que nos mantém natural e legalmente acorrentados. Mas as viagens espaciais teriam sido impossíveis sem a compreensão da lei da gravitação universal, que nos mantém presos a Terra. Para viajarmos pelo espaço precisamos calcular com precisão a velocidade de escape que é necessária para vencer o efeito da lei de gravidade, e precisamos ter o combustível e a tecnologia adequados para adquirir essa velocidade.

Mas certamente, em todas as partes do mundo, pode-se encontrar alguma forma de religião que vende indulgências baratas, físicas ou doutrinárias, para assegurar àqueles que são crédulos que foram especialmente escolhidos para a graça agora e para a glória por todo o sempre. (...)"

(Ravi Ravindra - A conquista da Liberdade -  Revista Sophia, Ano 8, nº 32 - p.10/12)


sábado, 21 de junho de 2014

FALSA PERCEPÇÃO

"12 - A percepção do fato de que o objeto visto é uma corda removerá o medo e o sofrimento que resultam da ideia ilusória de que é uma serpente. 

COMENTÁRIO - Essa pequena estória do pedaço de corda que é identificado pelo observador apressado como sendo uma serpente está repleta de sabedoria. A maioria das coisas não é o que pensamos ser. O elevado nível de condicionamento, produto da educação, do hábito, da cultura em que estamos inseridos, nos faz perder a 'visão direta' da coisa observada. Daí, ao vermos uma sombra, nasce o medo e o sofrimento."

(Viveka-Chudamani - A Joia Suprema da Sabedoria - Comentário de Murillo N. de Azevedo - Ed. Teosófica, 2011 - p. 19)

CAMINHOS PARA A TRANSFORMAÇÃO (1ª PARTE)

"A verdadeira ciência do espírito deve se basear na compreensão de seres humanos transformados, com acesso a vários níveis de realidade quantitativamente diferentes dos níveis até agora estudados pelas ciências naturais. As ciências sagradas como o yoga, zen, alquimia, certos aspectos do sufismo e do cristianismo monástico existiram durante séculos, mas muitas vezes caíram em mãos sectárias. A consequência disso é que as mentes iluminadas e os corações sensíveis da era moderna afastarem-se delas. Quando essa ciência do espírito estiver liberta do domínio exclusivamente sectário, racionalista e obscurantista, ela será cada vez mais apreciada pelo seu verdadeiro valor, como instrumento para que as pessoas descubram e realizem seus objetivos interiores.

A maior conquista da ciência moderna é a descoberta de suas próprias limitações e a crescente apreciação do fato de que aquilo que conhecemos depende não apenas do que está fora, mas também do que somos e do modo como vivemos. Nosso conhecimento não pode ser visto como separado da nossa natureza interior e da qualidade de nossa atenção. Ele deve considerar que existem muitos níveis de ‘ser’ dentro de nós.

É importante que seja feita uma investigação prática sobre os caminhos que conduzem à transformação do ser humano escravo do medo e da ambição em um ser livre. Nesse processo investigativo a ciência natural pode ajudar, mas também pode atrapalhar, em função do tipo de relacionamento que temos com ela. (...)"

(Ravi Ravindra - A conquista da Liberdade -  Revista Sophia, Ano 8, nº 32 - p.10/12)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A VOZ INTERIOR

"A voz interior desafia a descrição. Contudo, algumas vezes realmente sentimos que recebemos uma inspiração de dentro de nós. O tempo em que eu aprendi a reconhecê-la pode ser chamado de meu tempo de prece e ocorreu por volta, digamos, de 1906. Lembro-me da ocasião. Fora isso nunca senti em momento nenhum da minha vida qualquer experiência nova. Assim como ocorre com os cabelos, meu crescimento espiritual também não foi percebido.

Que eu saiba, ninguém jamais questionou a possibilidade de a voz interior falar a alguns. E mesmo que esse tipo de afirmação pudesse ser atestada em uma única pessoa, isso já representaria um ganho para o mundo.

De fato, muitos podem fazer essa afirmação, mas nem todos serão capazes de substanciá-la. Todavia, ela não pode e não deve ser suprimida apenas para impedir falsos candidatos.

Não haveria nenhum perigo se muitas pessoas verdadeiramente retratassem sua voz interior. Infelizmente, porém, não há remédio contra a hipocrisia. A virtude não deve ser suprimida simplesmente porque muitos vão fingi-la. Em todo o mundo inúmeros homens já afirmaram ser capazes de externar a voz interior, mesmo assim, o planeta ainda não sofreu nenhum mal em decorrência dessas atividades efêmeras.

Antes que alguma pessoa seja capaz de ouvir essa voz ela precisa passar por um treinamento longo e rígido – quando é a voz interior que fala é simplesmente inconfundível. É impossível enganar o mundo inteiro de maneira bem-sucedida durante todo o tempo. Não se estabelece, portanto, nenhum perigo de anarquia se um homem humilde como eu não for suprimido e ousar afirmar a autoridade da voz interior quando ele acredita que a escutou.

O homem é um ser falível. Ele nunca tem certeza de seus passos. Aquilo que ele pode considerar como resposta para suas preces pode ser um eco do seu orgulho. Para ser guiado de maneira infalível o homem precisa possuir um coração perfeitamente inocente e incapaz de cometer maldades. Não posso fazer tal afirmação, pois minha alma é imperfeita e errante, e continua a lutar e a se esforçar para se aprimorar."

(Mahatma Gandhi - O Caminho da Paz - Ed. Gente, São Paulo, 2014 - p.86/87)


VIVA PARA OS OUTROS E ELES VIVERÁO PARA VOCÊ (PARTE FINAL)

"(...) Viver para os outros é uma alegria. Quando estou sozinho, raramente tenho vontade de comer; mas, quando tenho companhia, gosto de preparar pratos apetitosos. Observava a mesma característica em meu guru, Swami Sri Yukteswarji. Durante minhas primeiras visitas a seu ashram, fiquei com a impressão de que ele sempre comia comida saborosa. Entretanto, quando fui lá uma vez sem ser esperado, vi que fazia a refeição mais simples que se possa imaginar. Indaguei-lhe sobre isso. 'Só faço pratos especiais quando você vem', respondeu. 'Gosto de prepará-los para você.'

Certa vez, um colega de faculdade foi comigo ao mercado para comprar abacaxis. Só havia dois, e um era maior que o outro. Comprei ambos e dei o maior a meu amigo. Ele ficou surpreso! Pensou que eu ficaria com o maior. Um sentimento maravilhoso nasce no íntimo das pessoas que têm consideração pelos outros, pensando primeiro no próximo. Assim que você se preocupa com alguém, não só essa pessoa pensa em você: Deus também. Se é atencioso, servindo os outros o tempo todo, mesmo que gaste seu último centavo para ajudá-los, Deus retribuirá com bênçãos ainda mais numerosas.

Outra coisa: cada um de nós tem uma qualidade especial, uma particularidade que os outros não têm. Além disso, cada um é, de algum modo, mais rico ou mais pobre que os outros. Se você é altruísta, bem- humorado, compreensivo, é mais rico que os egoístas, coléricos e invejosos."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 143/144)


quinta-feira, 19 de junho de 2014

SABEDORIA E FORÇA INTERIOR PARA SER VITORIOSO NA VIDA

"Estas são as qualidades que nos capacitam a fazer escolhas acertadas quando as decisões da vida se apresentam diante de nós:
  • tranquilidade interior; o estado em que as nossas faculdades de intuição e discernimento podem despertar;
  • esforço para ser menos emotivo e mais objetivo, distanciando-se de apegos pessoais e preconceitos;
  • humildade para pedir orientação a Deus em vez de confiar na própria 'sabedoria'.
Ao meditarmos profundamente todos os dias, começamos a desenvolver e nutrir todas essas qualidades.

Como seria bom se Deus dissesse: 'Agora, meu filho, é só você se sentar que Eu lhe direi exatamente o que deve fazer, e quando. Basta seguir o que lhe digo e a sua vida será um mar de rosas!' Mas não é assim que funciona. Se Ele fizesse isso, não desenvolveríamos nossa natureza divina. Não poderíamos, pois é com esforço árduo e com o exercício do discernimento concedido por Deus que nossa divindade é revelada. Nós é que temos de trazer isso à tona. 

Enquanto não o fizermos, jamais perceberemos que realmente somos parte Dele. Intelectualmente talvez o compreendamos, mas isso tem pouco valor prático. Só quando percebemos a verdade diretamente - quando tivermos enfrentado todos os testes da vida e encontrado dentro de nós a orientação divina e a força para vencer - é que podemos dizer com convicção, como Cristo e todos os grandes seres: 'Eu e meu pai somos um; eu sei. Sou feito à Sua imagem invencível.'

Assim, desempenhamos o papel que nos cabe no lila do Senhor; no divino drama da vida, com a coragem, a fé e a sabedoria de um filho de Deus."

(Sri Daya Mata - Intuição: Orientação da Alma para as Decisões da Vida - Self-Realization Fellowship - p. 28/29)


VIVA PARA OS OUTROS E ELES VIVERÃO PARA VOCÊ (1ª PARTE)

"Há os que dizem: 'Sou um homem religioso'. Contudo, se outra pessoa se sentasse no banco em que costumam sentar-se, na Igreja, estariam prontos para cortar a cabeça do intruso! De vez em quando vejo, em minhas classes, esse tipo de incidente. Se outra pessoa quer o seu lugar, ceda-o, mesmo que tenha de ficar em pré. Se tiver um comportamento exemplar, terá, todos os dias, alguém pensando em você com respeito. Quando aprender a viver para os outros, eles viverão para você. Enquanto viver egocentricamente, ninguém se interessará por você. O melhor modo de atrair as pessoas é com boas ações. 

Se olhar ao redor, durante uma festa, quase sempre notará alguns convidados que são claramente invejosos do que os outros têm. Ninguém gosta de estar com gente desatenciosa e egoísta. Mas todos têm prazer em estar com uma pessoa de tato e consideração.

Pratique a consideração, tanto no uso da linguagem quanto nas ações; e quando se sentir tentado a falar com aspereza, controle o impulso e, em vez disso, fale com calma. Que ninguém ouça palavras duras de sua boca. Não tenha medo de dizer a verdade quando solicitado, mas não imponha suas ideias aos outros. Lembre-se também de que pode ser verdadeiro chamar um cego de cego, ou uma pessoa doente de doente, mas é melhor evitar essa rudeza. Com bondade e consideração nas palavras que pronunciar, você eleva as pessoas e as torna melhores.

Entretanto, nem sempre são as palavras que os outros ouvem, mas a força e a sinceridade que existe por trás delas. Quando um homem sincero fala, o mundo se move. Quando ele diz algo, os outros escutam. Algumas pessoas falam sem parar, esperando convencer o ouvinte pelo constante jorro de palavras. O ouvinte prisioneiro, porém, só pensa: 'Por favor, deixe-me ir!' Quando falar, não fale muito de você mesmo. Procure falar de um assunto que interessa ao interlocutor. E ouça. Essa é a maneira de ser atraente. Verá como sua presença será solicitada. (...)"

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 142/143)


quarta-feira, 18 de junho de 2014

DEUS O GURU PERFEITO

"Subjugue seu ego. Dedique cada momento e cada movimento a Ele (o Senhor), que tem assegurado à humanidade o que propiciará a ela a liberação da dor e do mal. Quando se pergunta sobre onde está Deus, as pessoas apontam para o céu ou para alguma região remota. Eis porque Ele não está se manifestando. Dê-se conta de que Ele está dentro de você, com você, atrás, diante, em torno de você. Ele é todo misericórdia, sequioso e até ansioso por atender a suas preces, desde que estas brotem de um coração puro.

O Guru real é aquele que lhe fala deste Deus Onipenetrante, não aquele Guru que promete salvação se você depuser a seus pés uma bolsa. Não se deixe iludir por tais homens mundanos cheios de ambição e egoísmo. Peça a Deus que ilumine sua mente, desperte sua inteligência, e que Deus mesmo seja seu Guru. O próprio Deus seguramente o guiará de forma perfeita, a partir do altar de seu próprio coração. Para muitos Gurus de hoje, a cerca é mais importante que a plantação. É assim que enfatizam proibições e regras, em detrimento do sadhana (disciplina espiritual), o qual eles deveriam proteger. Dessa forma, fanaticamente, insistem sobre observância de controles e regulações desatualizadas, enquanto o verdadeiro propósito fica abandonado à decadência. Exageram o papel do destino e das consequências kármicas sem, ao mesmo tempo, consolar o homem mediante descrever a onipotência da Graça de Deus."

(Sathya Sai Baba - Sadhana O Caminho Interior - Ed. Record, Rio de Janeiro, 1993 - p. 187)
www.record.com.br


IDENTIFICAÇÃO (PARTE FINAL)

"(...) Uma das principais vias do yoga ou união é o desidentificar-se com o mundo de Deus para identificar-se com Deus do mundo. Esse caminhar é libertação pelos resultados e iluminação quanto ao processo psicológico.

À medida que avança nessa desidentificação, o homem vai se tornando cada vez mais invulnerável aos acontecimentos, às coisas, aos fatos e às pessoas.

Um imaturo vai ao cinema e goza e sofre, respectivamente, com as vitórias e derrotas do herói ao qual se identifica. Seus nervos, glândulas e vísceras são sacudidos pelos acontecimentos do mundo mítico criado pela fita. Uma pessoa de espírito crítico e amadurecido, conhecedora da técnica e arte cinematográficas, sabe 'dar o desconto', e assiste ao filme, dizendo para si mesmo: 'não é comigo'; 'eu não sou aquele personagem'; 'tudo isso é ilusão'.

O mundo que nos rodeia só é realidade na medida em que nos identificamos com ele, pois nos impõe dor ou prazer, pesar ou alegria, confiança ou medo... Desde que conheçamos o que é realmente o mundo, começaremos a sentir a equanimidade do espectador de mentalidade evoluída, sem sofrer nem gozar, sem tentar fugir ou buscar, sem medo, sem ódio e sem tédio."

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 159/160)

terça-feira, 17 de junho de 2014

O APEGO CRIA A ILUSÃO QUE ESCONDE A VERDADE

"Apego, afeição e interesse criarão preconceito, parcialidade e ilusão, os quais escondem a Verdade e estupidificam a inteligência. Raga é roga, isto é, apego é doença, no concernente ao inquiridor em pauta. Não é próprio de um yogi ter apegos (raga). Ele deve ser isento de favoritismos, fantasias e preferências. Uma vez que você se apegue a determinada pessoa, a algum hábito ou maneirismo, difícil ser-lhe-á descartá-los, igual ao pobre aldeão que se atirou no rio para resgatar para si um pacote de tapetes (realmente era um urso sendo arrastado pelas águas revoltas), mas constatou que o tal 'pacote' o agarrava tão apertado que não o deixava escapar. O homem pulara para agarrar o que supusera ser, para ele, um tesouro, mas ele é que foi agarrado e preso. Eis por que os santos deste país têm ensinado às pessoas que elas são genuínas filhas da imortalidade, repositórios de paz e da alegria, da verdade e da justiça, e que são senhores de seus sentidos, e que, portanto, o mundo externo não os pode reter com seu fascínio. É natural que o homem possa ter certos desejos, algum anseio por conquistar conforto, certas tentações para alcançar contentamento, mas deve se conduzir apenas como o doente à busca de um remédio. Alimento e bebida, moradia e vestimenta devem ser apenas subsidiárias às necessidades do Espírito e às necessidades da educação das emoções e impulsos. Devem assumir o lugar subalterno que o sal e a pimenta têm na mesa do jantar nos dias atuais. Uppu (sal) deve ser subsidiário de papu (lentilha), isto é, o sal deve ser pouco e dal (lentilha), muito. Você não pode ter mais sal que dal, nem mesmo tanto quanto. Assim, os esforços para conseguir saúde, conforto etc. devem ser bastantes para o propósito superior de manter a disciplina ascética (o sadhana), nem mais, nem menos."

(Sai Baba - Sadhana O Caminho Interior - Ed. Record, Rio de Janeiro,1993 - p.170)
www.record.com.br


IDENTIFICAÇÃO (2ª PARTE)

"(...) O 'normal' é o indivíduo sentir-se miserável e perdido só porque caiu doente. Muitas senhoras esnobes se danam quando a cronista deixou de citar seu nome na coluna social.

Aquilo que quando nos falta nos dá infelicidade é o objeto de nossa identificação. Somos identificados ao que ansiosa e desastrosamente queremos conservar, cultivar, desenvolver... Somos uns perdidos de nós mesmos porque nos identificamos a uma variedade sem conta de coisas, posições e pessoas. Nossa segurança e paz dependem de tudo isso com que nos identificamos.

Segundo o yoga, uma das maiores fontes de sofrimento é o identificar-nos com os níveis mais densos e materiais de nosso próprio ser. Os que se identificam com o corpo, e somos quase todos, costumam dizer: 'Eu estou doente', 'eu estou cansado'.

O yoguin, já desidentificado com o corpo, usa outra linguagem e diz: 'Meu corpo está doente.' O yoguin, em sua sabedoria, diz que seu corpo morre, pois sendo realmente um agregado de substâncias, algum dia se desfará, mas afirma que ele, em Realidade, é o Eterno, o Imutável, o Imóvel, o Perfeito, e portanto, jamais morrerá. Pode haver medo da morte para quem assim pensa?

Enquanto o homem comum adoece com os arranhões em seu carro ou em sua saúde, o sábio, desidentificado do grosseiro e do falível, mantém-se imperturbável, identificado que é com o eterno, o incorruptível e o imortal, que em Realidade ele é. Enquanto o pobre homem identificado é joguete ao sabor das circunstâncias incontroláveis na tempestuosa atmosfera da matéria, o yoguin, vivendo no Espírito, não se deixa apanhar nas malhas da ansiedade e da preocupação e não cai presa da 'coisa'. (...)"

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 158/159)

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O PROBLEMA DO MAL

"O porquê da existência do mal neste mundo é uma pergunta difícil de responder. Só posso lhes oferecer o que poderia chamar de resposta de um aldeão. Se existe o bem, deve haver também o mal, assim como onde existe a luz também haverá escuridão. Isso, porém, somente é verdade no que concerne a nós, seres humanos mortais. Perante Deus não há o bem nem o mal. Podemos falar de sua relação em termos humanos, mas nossa linguagem não é a de Deus.

Não posso justificar a existência do mal por meio de qualquer método racional. Querer fazê-lo é tentar ser equivalente a Deus. Sou, portanto, suficientemente humilde para reconhecer o mal como tal. E considero Deus paciente e resignado justamente por Ele permitir o mal em nosso mundo. Sei que não há mal dentro dEle, mas, ao mesmo tempo se o mal existe, ele é o autor disso e, mesmo assim é intocado por ele.

A distinção entre pensamentos bons e ruins não é desprovida de importância. Essas reflexões também não aparecem de modo aleatório. Elas seguem alguma lei que as escrituras tentam enunciar. (...)

A mão de Deus está por trás do bem, mas não somente atrás dele. Na verdade, sua mão também está por trás do mal, que, neste caso, já não é mais mal. Ambos representam meramente a imperfeição de nossa linguagem, afinal, Deus está acima do bem e do mal.

Somos nós, seres humanos, que entretemos pensamentos, e também somos nós que o repelimos. Temos, portanto, de lutar contra eles mesmos. As Escrituras afirmam que existe um duelo no mundo. Esse duelo é imaginário, não real. Podemos, entretanto, sustentar a nós mesmos nesse mundo ao assumir que esse combate seja real."

(Mahatma Gandhi - O Caminho da Paz - Ed. Gente, São Paulo, 2014 - p.38/39)