OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O QUE NÃO COMPREENDO

"Compreendo, ó homem, todos os teus vícios – menos um...

Compreendo que sejas cobiçoso e sensual, mentiroso e irascível...

Compreendo que sejas vítima de inveja e escravo de vil egoísmo...

Tudo isto, embora reprovável, é por demais compreensível...

Mas não compreendo -  o teu orgulho...

Não sei realmente de que possas ufanar-te...

A Alma não é tua -  e o corpo é fraquíssimo...

Duvidas?...

Se te entrares no corpo certo micróbio -  estás morto...

Se te romper no cérebro uma veiazinha capilar estás no cemitério ou no manicômio... 

Se a temperatura do sangue passar seis graus acima do normal – és cadáver... 

Se deres um passo em falso sobre uma ponte – deixaste de existir (...)

De que, pois, pretendes orgulhar-te, ó homem?...

Das potências do teu espírito? – das luzes da tua inteligência?...

Diz-me, com que sustenta a atividade do teu intelecto?

Se te faltarem feijão, batata, carne, pão e manteiga – que é da tua sapiência?

Basta que, por uns dias, te faltem certas matérias brutas – e adeus, ciência e arte! (….)

Compreendo ó homem, todos os teus vícios – menos um: teu orgulho... tua presunção... tua arrogante ignorância..."

(Huberto Rohden - De Alma para Alma - fundação Alvorada - p.155)


SVADHYAYA (ESTUDO DO SER)

"Significa estudo do Ser e é remédio filosófico. Em livro tradicional da Índia fala-se que uma pessoa chegou a um quarto escuro e se horripilou ao ver uma cobra que o ameaçava. Depois que acendeu o candeeiro, constatou que era tão somente uma inofensiva corda.

Nossas reações de medo, ódio, cobiça, ciúme, apego, finalmente todas as emoções com que reagimos ao mundo são originadas por um normal estado de ilusão, pois não vemos a corda, vemos a cobra. Reagimos à cobra que, embora sendo falsa, tem o poder de afetar-nos. Não vemos a corda, embora real. 

A Realidade não conhecemos. Ela é o Uno sem um Segundo, é o Absoluto, é o Ser, a Consciência e a Bem-aventurança escondida atrás deste mundo cheio de contrariedades, diversidades, de opostos, feito de nascimentos e mortes. O estudo do Ser, isto é, svadhyaya, através da leitura de livros sagrados de todas as tradições religiosas, através de permanente observação das coisas de fora e de dentro de nós, através da meditação é que nos dá a coragem resultante de matar a ameaçadora cobra da ilusão. (...)

O estudo da filosofia é a chave que nos liberta da vinculação, dos sofrimentos, da cobiça, do medo e do ódio. Se é a ilusão que nos assusta ou prende, lé a desilusão que nos salva. Nunca se entristeça por desiludir-se de algo ou alguém. É uma libertação que merece ser comemorada com um sincero 'Graças a Deus'. A verdadeira e última desilusão abre o portal para Deus. 

Reflexão: Iluda-me pensando que o gelo era mais real que a água e esta mais real que o átomo. Hoje, a ciência liberta-me dessa ilusão, e sei que nem mesmo o átomo tem realidade a não ser uma realidade relativa. 

A Realidade que Eu Sou nem adoece, nem sofre, nem morre, nem se perturba. Intranquilo, andei desejando e buscando poder, fortuna e prazer. Hoje - desiludido - salvo-me. Andei temendo coisas que também são ilusões. Desiludo-me e deixo o medo para trás, para longe de mim.

A Realidade que Eu Sou não tem inimigos nem sofre ameaças. O sofrimento é ilusão. Ilusório é também o prazer. Somente a Paz tem Realidade. Somente a Bem-aventurança é Real."

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 143/144)


domingo, 29 de setembro de 2013

O MEDO DA MORTE

"O medo da morte é uma dura realidade na mente de muitas pessoas. Um número de pessoas muito maior do que podemos supor sofre desse mal e, mais ainda, do medo do que possa acontecer após a morte. Naturalmente encontramos essas pessoas entre aquelas que alimentam ideias sobre o inferno.

No entanto, conhecemos a lei do Karma e compreendemos que os estados após a morte são simplesmente uma continuação da vida que hoje vivemos, em um plano superior e sem o corpo físico. Quando aprendemos, além disso, que o que chamamos de vida é apenas um dia na vida maior, real, todas as coisas passam a ter uma perspectiva totalmente diferente. Sabemos então que o progresso é absolutamente certo. Podemos tropeçar ou tentar obstruir as forças do progresso, mas seremos carregados para frente apesar de nós mesmos e, enquanto resistirmos, teremos muito sofrimento e perturbação. De imediato, percebemos que esse conhecimento acaba com o medo."

(C. W Leadbeater - A Vida Interna - Ed. Teosófica, Brasília, 1996 - p. 138)


DEMOCRACIA

"Será possível para nós, em termos de educação, inculcar na criança a democracia como valor? Eu não quero dizer o tipo de democracia que existe no mundo, onde grupos de pressão estão competindo entre si pelo poder e por posição. Isso não é democracia. No sentido mais profundo, democracia significa que nenhum de nós sabe como organizar a sociedade, que leis criar, qual é a melhor maneira de fazer as coisas; mas queremos sentar juntos, inquirir e descobrir qual a coisa certa a ser feita. É isso que nosso parlamento deveria estar fazendo. É isso o que se supõe estejam fazendo os representantes eleitos – inquirindo quanto à maneira correta de organizar, de criar leis no país para a sociedade, de deliberar a respeito. Nem toda a compreensão, toda a inteligência ou todo o conhecimento repousa em uma única mente particular; mas se nos reunirmos coletivamente, se nos reunirmos num espírito de humildade, poderemos chegar a alguma coisa que todos nós, ou a maioria de nós considere o que deve ser feito – sem arrogância, porque estamos tentando experimentalmente; não temos certeza se é a coisa certa, estamos desejosos de reconsiderá-la no ano seguinte, conversar sobre ela, mudá-la. Esse é o verdadeiro espírito da democracia – não que eu forme meu grupo de pressão e compre votos, e você forme outro grupo para chegar ao poder. Mas é assim que a democracia está funcionando atualmente, porque o indivíduo não se imbuiu do verdadeiro espírito da democracia, que é um espírito de grande humildade, respeito e gentileza."

(P. Krishna - Educação, Ciência e Espiritualidade - Ed. Teosófica, Brasília, 2013 - p. 56/57)


sábado, 28 de setembro de 2013

REENCARNAÇÃO E O PROCESSO DE PURIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

"Todas as nossas vidas se acham encadeadas uma às outras, e portanto, nenhuma se pode separar nem das que a precedem, nem das que se lhe seguem. Na realidade, só temos uma vida na qual o que nós chamamos vidas não são senão dias. Uma vida nova nunca se assemelha a uma folha em branco onde vamos inscrever uma história absolutamente nova; não faremos mais, em cada vida, do que inscrever um novo capítulo que vai continuar a desenvolver o velho enredo. É-nos igualmente impossível libertarmo-nos das responsabilidades cármicas duma vida precedente, como de nos desembaraçarmos dormindo das dívidas contraídas durante o dia; se contrairmos uma dívida hoje, não nos veremos livres dela amanhã; a exigência da dívida será apresentada inexoravelmente até que a paguemos. A vida do homem é uma coisa contínua, ininterrupta; as vidas terrestres acham-se encadeadas uma às outras e não isoladas. Os processos de purificação e desenvolvimento também são contínuos e devem prosseguir durante sucessivas vidas terrestres. Lá virá um dia em que todos deveremos principiar o trabalho; lá virá um dia em todos nos saciaremos das sensações da natureza inferior,em que nos saciaremos do jugo animal e da tirania dos sentidos.Quando tiver atingido essa fase da sua existência, o homem revoltar-se-á contra a sujeição, e, num rasgo de energia, decidir-se-á a arrancar os grilhões do seu cativeiro."

(Annie Besant - O Homem e os seus Corpos - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 76/77)


FRUTOS, LEGUMES E NOZES SÃO SUPERIORES À CARNE

"Segundo certa escola de pensamento, algumas doenças podem ser curadas ingerindo órgãos de animais. Um selvagem devora o coração de um leão porque acredita que seu próprio coração será assim revigorado. Sabe-se que os tecidos do coração de galinha têm efeito fortalecedor sobre o coração do homem, e o fígado ajuda os anêmicos. Entretanto, muitos especialistas em saúde declaram que alimentos ricos em ferro e vitaminas, como ovos, castanhas de caju, soja, melado, damascos secos, fava-de-lima, ervilhas secas, cenoura branca, espinafre e salsa, podem muito bem substituir o fígado no combate à anemia. A pepsina extraída dos órgãos animais é útil no tratamento de úlceras estomacais; mas a papaína, substância muito semelhante à pepsina, está presente no mamão e é valioso remédio para os que sofrem de qualquer tipo de distúrbio digestivo.

Ao adoecer, o homem pode achar que tem justificativa para comer qualquer coisa dotada de valor terapêutico, mas carne animal não é realmente necessária para esse fim. Na verdade, ela pode até aumentar a sobrecarga do corpo ao lançar toxinas na corrente sanguínea. Assim, embora a carne possa auxiliar na cura de uma enfermidade, às vezes acaba favorecendo o desenvolvimento de nova moléstia em alguma outra parte do corpo. Por isso, a dieta mais segura para o homem consiste em frutas frescas, legumes, nozes e castanhas em geral bem moídas, proteínas vegetais e lácteas. Em certos casos, o organismo pode não tolerar frutas e vegetais crus, mas a pessoa normal se beneficiará ao incluí-los diariamente em sua dieta. 

Nos vegetais e nas frutas, Deus infundiu um poder medicinal que ajuda a vencer a doença. Mas até esses alimentos têm eficácia limitada. Os órgãos do corpo são sustentados, essencialmente, pela energia de Deus, e a pessoa que empregar vários métodos para aumentar a energia terá a seu comando um poder de cura superior a qualquer remédio ou dieta."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 84/85


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

OS TRÊS DESTINOS

“Deus criou o homem à sua própria imagem, diz uma Escritura Hebraica, e as Trindades das grandes religiões são os símbolos dos três aspectos da consciência divina refletida na triplicidade do ser humano. O Primeiro Logos dos Teosofistas, o Mahadeva dos hindus, o Pai do Cristão, têm a vontade como característica predominante, e ela faz sentir o poder da soberania, a Lei pela qual o universo é construído. O Segundo Logos, Vishnu, o filho, é Sabedoria, poder que tudo sustenta e tudo permeia e pelo qual o universo é preservado. O Terceiro Logos, Brahman, o Espírito Santo, é o Agente, o poder criador, pelo qual o universo é levado à manifestação. Nada existe na consciência divina ou humana que não se encontre dentro de uma dessas formas de Autoexpressão.

Repetindo: a matéria tem três qualidades fundamentais, que correspondem, separadamente, a cada uma dessas formas de consciência. Sem elas, a matéria não poderia se manifestar, assim como a consciência não poderia se expressar. Ela tem inércia (tamas), o fundamento de tudo a estabilidade necessária à existência, a qualidade que corresponde à Vontade. Tem mobilidade (rajas), a capacidade de ser movida que corresponde à Atividade. Tem ritmo (sattva), o equalizador do movimento (sem o qual o movimento seria caótico, destrutivo), que corresponde à Cognição. O sistema Ioga, considerando tudo do ponto de vista da consciência, chama essa qualidade rítmica ‘cognoscibilidade’, que leva essa matéria a ser conhecida como Espírito.

Tudo isso está na nossa consciência, afetando o ambiente, e todo o ambiente afeta a nossa consciência, constrói o nosso mundo. A inter-relação entre a nossa consciência e o nosso ambiente é o nosso karma. Com essas três formas de consciência, tecemos nosso karma individual, a inter-relação universal entre o Eu superior e o Não eu superior, especializada por nós nessa inter-relação individual.” (...)

(Annie Besant - Os Mistérios do Karma e a sua superação - Ed. Pensamento, São Paulo, 2009 - p. 53/54)


SEJA FIRME EM SUA CAMINHADA E FORTALEÇA O DESAPEGO

"Vairagya¹ não significa que você tenha de renunciar ao lar e à moradia, saindo para a floresta. Nada garante que o lar e a casa não o acompanharão no silêncio e solidão da floresta, porque, se sua mente anseia por desejos mundanos, deles você não consegue escapar simplesmente por lançar uma distância (física) entre eles e você. Pode você estar na selva, mas tendo sua mente vagando na praça do mercado. Igualmente, pode estar na praça do mercado, mas, devido ao sadhana (disciplina ascética), sentir-se quieto e mantendo firme o passo no caminho da paz em seu coração, embora em meio à multidão mais azafamada. A mente tem poder, seja para construir um silente refúgio, seja para amarrar você com encrencados nós. A mente amarra e desamarra. 

Você pode singrar a salvo no mar de samsara², caso seu barco não tenha rombos como a luxúria (kama), a raiva (krodha), a cobiça (lobha), a ilusão (moha), a soberba (mada) e o ciúme (matisarya). Através de tais rombos, a água pode invadir o barco, e ele afundará arrastando você, impedindo uma redenção. Não admita água em seu barco. Vede todos os rombos, então nada terá a temer. Em samsara você pode beneficiar-se com todas as oportunidades de treinar os sentidos, ampliar as afeições, aprofundar as experiências e fortalecer o desapego."

¹ Vairagya - despaixão; a atitude psicológica caracterizada pela ausência de raga (paixão, apego).
² Sansar - o mundo cambiante, palco dos nascimentos e mortes; a roda das reencarnações, também na terminologia budista. Tem sinônimo: Jagat (universo).

(Sathya Sai Baba - Sadhana O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1989 - p. 169)


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ANTES QUE A VOZ POSSA FALAR NA PRESENÇA DOS MESTRES, DEVE TER PERDIDO O PODER DE FERIR¹

"A linguagem é um dos instrumentos mais poderosos nas mãos do homem. Ele pode curar ou ferir os outros com a arma que possui. Muito frequentemente, nossa palavra contém um aguilhão consciente ou inconsciente. Mas o aguilhão de nossa palavra não está na própria palavra, porém, sem dúvida, na mente. A palavra em si não possui o poder de curar nem de ferir. Aquilo que é transmitido através da palavra a torna agradável ou desagradável. A palavra ou a linguagem é apenas um veículo. É a mente que lhe empresta qualidade. A palavra é um meio de comunicação. Sem ela, as relações sociais se tornariam quase impossíveis. No entanto, um meio de comunicação em si não tem nenhum significado. Aquilo que é comunicado torna a palavra ou a linguagem significativa. Todos nós usamos as mesmas palavras e seguimos as mesmas formas de linguagem e, contudo, há uma nítida diferença na qualidade do que cada uma delas transmite. É muito frequente nossa linguagem falada não possuir vitalidade em si, porém às vezes a palavra se torna intensamente viva; tal como a palavra de um amigo, pode curar a ferida que nos faz sofrer, em outra ocasião, uma palavra do mesmo amigo pode nos aprofundar a ferida. Por que acontece isso? Não é a palavra que importa, e sim, certamente, a fonte donde emana a palavra, que é de importância fundamental: A qualidade curativa ou feridora da palavra reside na fonte e não na forma ou estilo de linguagem." 

¹ Luz no Caminho, Ed. Teosófica.

(Rohit Mehta - Procura o Caminho - Ed. Teosófica, Brasília - p. 32/33)


O QUE É SER UM TEÓSOFO

"É fácil tornar-se um teósofo. Qualquer pessoa com mediana capacidade intelectual e com certa inclinação para a metafísica; que leve uma vida pura e altruísta, que encontre mais alegria em ajudar o seu próximo do que em receber ajuda para si mesmo, que esteja sempre pronta a sacrificar os seus prazeres pessoais em benefício dos outros; que ame a Verdade, a Bondade e a Sabedoria simplesmente pelo que são em si mesmas, e não pelo benefício que delas possa auferir – é um teósofo. 

Algo completamente diferente, porém, é trilhar o caminho que conduz ao conhecimento do que é bom fazer, assim como ao reto discernimento entre o bem e o mal; um caminho que também conduz um homem até aquele poder através do qual ele pode fazer o bem que deseja, muitas vezes sem precisar, aparentemente, levantar um dedo sequer."

(H. P. Blavatsky - Ocultismo Prático - Ed. Teosófica, Brasília - p.108/109)


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

PURIFICAÇÃO

"O exame clarividente feito na aura do corpo mental mostra que quando uma pessoa desenvolve um preconceito sobre qualquer assunto tem lugar uma transformação na região do corpo mental que corresponde a esse tipo de pensamento. Como os estudantes de ocultismo muito bem sabem, os diferentes tipos de pensamento têm diferentes áreas de localização no corpo mental, exatamente como as diferentes zonas do cérebro correspondem aos diferentes sentidos e tipos de atividades mentais. Quando uma pessoa sofre de preconceito profundamente arraigado sobre um objeto qualquer é afetada a região do corpo mental que corresponde a esse objeto. A matéria mental nessa região cessa de circular livremente e uma condição não saudável se estabelece, resultando em que a mente perde a capacidade de pensar clara e corretamente sobre o objeto em questão. Se o número de tais preconceitos é grande e o corpo mental é desorganizado numa extensão considerável, então a capacidade para atividade sadia é enormemente limitada. No caso de um estudante de Sabedoria Divina todos esses complexos devem ser por ele resolvidos e sua mente tornada aberta e livre, antes de poder servir como instrumento do eu Superior. Mesmo em assuntos pertinentes à nossa vida comum, sabemos que efeito paralisante os vários preconceitos exercem em nossa atividade mental e como estreitam a nossa visão de conjunto. A presença de tais distorções é ainda mais desastrosa para o aspirante depois de seu conhecimento espiritual, porque ele tem que trazer para o corpo mental o conhecimento proveniente dos planos superiores. Ele deve eliminar por completo todas as amarras se deseja ter um instrumento digno de confiança e saudável para seu trabalho mental."

(I.K. Taimni - Autocultura à Luz do Ocultismo - Ed. Teosófica, Brasília, 1997 - p. 99)


terça-feira, 24 de setembro de 2013

O CAMINHO DA DEVOÇÃO

"O modo mais fácil de encontrar Deus é pela devoção. Qualquer pessoa que procura o meio fácil deve concentrar-se, predominantemente, em desenvolver essa qualidade. Porém, junto com a devoção, também necessitará desenvolver o discernimento. Nosso guru, Paramahansa Yogananda, uma vez definiu o discernimento como o aprendizado para fazer as coisas que devemos fazer quando devemos fazê-las.

O discernimento espiritual mantém nossos pensamentos focalizados em um ponto. Sempre que praticamos qualquer ação, esse discernimento faz com que perguntemos a nós mesmos: 'Isso me dará mais percepção de Deus?' O discernimento nos permite dizer 'neti, neti (isto não, isto não)' àquelas ações que não nos conduzirão a Ele e nos compromete a evitá-las. Àquelas atividades que o discernimento nos disser que levarão a Deus, podemos dizer: 'Isto eu farei fielmente'. Se você seguir esses dois princípios básicos, devoção com discernimento, verá que constituem o meio mais simples para encontrar Deus. Naturalmente, quando digo 'devoção', isso inclui a prática das técnicas de meditação dadas pelo guru. 

Qual o modo mais fácil de conquistar alguém? Não é com a razão; é com o amor. Assim, a maneira lógica de conquistar o Amigo Divino é amá-Lo. Amor é o que eu buscava neste mundo. Eu vivia para o amor. Mas eu queria o amor que fosse perfeito; e compreendi que não temos o direito de esperar dos seres humanos o amor perfeito, porque eles mesmos são imperfeito. Um problema com o mundo hoje é que esposos e esposas, filhos, famílias, todos se queixam da falta de amor que recebem um do outro. Não param para pensar que, se você quer amor, precisa dar amor primeiro. Você não pode receber amor apenas exigindo-o de alguém. Você precisa dar, e então receberá. E se você quer Deus, precisa dar-Lhe amor primeiro. Em troca, receberá tamanha abundância que não chorará mais pelo amor imperfeito deste mundo.

Sempre que eu lia a respeito do amor ideal entre amigos, ou pais e filhos, ou esposos e esposas, pensava: 'Amado Deus, se esses relacionamentos humanos podem ser tão belos, muito mais lindo deve ser o relacionamento Contigo, de quem essas diferentes formas de amor fluem'. Como é inspirador e estimulante esse pensamento! Mas você não pode encontrar Deus simplesmente raciocinando sobre as qualidades Dele; você tem que tentar senti-las, concentrar-se nelas, meditar sobre a natureza Dele, até que as qualidades que
Ele manifesta tornem-se parte de sua própria experiência. Para conhecer Deus como amor, escolha um pensamento particular que desperte devoção em você e detenha-se bastante tempo nele, durante a meditação profunda, para aumentar a profundidade de seu sentimento."

(Sri Daya Mata - Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 181/182)


AS LEIS UNIVERSAIS (PARTE FINAL)

"(...) 4 - A LEI DE COMPAIXÃO - Uma pergunta se impõe aqui: para onde conduz o crescimento em sabedoria? Existe sábios sobre a Terra? A filosofia teosófica afirma que a essência da sabedoria é compaixão. O homem verdadeiramente sábio é aquele que rompeu os grilhões do egocentrismo e preocupação pessoal e que se dedica, de forma completa, ao auxílio de seus semelhantes. É interessante notar que a história fornece-nos repetida evidência desse fato. Inúmeros foram os homens e as mulheres que, quanto mais cresciam em sabedoria, mais expressavam em suas vidas um irrestrito amor pela humanidade.

A moderna literatura teosófica trouxe novamente à atenção do mundo esse princípio fundamental: há um caminho que conduz à libertação da ignorância, à plenitude da sabedoria e da paz, e o móvel propulsor dessa jornada é o serviço altruísta aos nossos semelhantes. (...)

Há uma analogia que pode aqui ser aplicada. Da mesma forma que todos os planetas do sistema solar têm no Sol sua fonte de vida e força, encontrando nele a energia necessária para o seu desenvolvimento, assim também aquelas pessoas que se elevaram para além da escuridão da ignorância e do egoísmo são como um radiante Sol espiritual, auxiliando o crescimento e desenvolvimento da semente espiritual latente em cada pessoa. O testemunho dos discípulos dos grandes instrutores espirituais da humanidade é unânime em afirmar que em sua presença sentia-se claramente manifesta a perfeição interior, beleza, retidão e amor. (...)

É lícito afirmar, portanto, que quanto maior o crescimento em sabedoria, maior é a certeza da unidade da vida. Nossa percepção sensorial nos evidencia a multiplicidade de eventos e coisas, mas nas profundezas da consciência apenas uma verdade permanece: a unidade da vida , a unidade fundamental de toda a existência. O que aqui para nós é um conceito, para os verdadeiramente sábios é uma realidade, descoberta no mais íntimo de sua consciência. E o altruísmo e a compaixão, que eles manifestam em suas vidas, surgem dessa percepção genuinamente espiritual. (...)"

(Ricardo Lindemann & Pedro Oliveira - A Tradição - Saedoria - Ed. Teosófica, Brasília, 2006 - p. 140/141)


MENTE SUPERFICIAL

"É a pessoa que vive superficialmente que briga com as condições objetivas da vida. Porta-se com um senso de injustiça. Sente ressentimentos para com os Senhores do Karma. Julga-se derrotada pelas circunstâncias em que foi inserida. A superfície da água é constantemente agitada, mesmo por um vento passageiro. O ser humano esforça-se por livrar-se destas perturbações constantes, tentando controlar o vento. Procurar a segurança tentando alterar as condições objetivas da vida é revelar mente imatura. A mente sem profundidade, empenha-se em tais propósitos. Sente-se restringida pelos acontecimentos objetivos, sejam coisas, pessoas ou ideias. Quando o contato da mente com a vida é raso e superficial, as dificuldades do mundo objetivo avultam-se muito.

Kabir, um grande místico indiano, disse que é quando o sono não vem que a pessoa se apoquenta com a arrumação da cama e o arranjo dos travesseiros. Somente a dançarina que não sente a dança dentro de si é a que se queixa do palco, do assoalho e da decoração. É quando a vida interna feneceu que as dificuldades objetivas parecem intransponíveis. Assim, é a falta de interesse profundo que arrefece o entusiasmo humano. O ser humano está ressequido por dentro e procura renovação de fora! Nenhuma mudança na condição objetiva, nenhuma alteração na disposição do Karma lhe trará renovação, enquanto não penetrar nas reais profundezas de seu próprio ser.”

(Rohit Mehta - Procura o Caminho - Ed. Teosófica, Brasília, p. 12)


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

AS LEIS UNIVERSAIS (4ª PARTE)

"(...) 3 - A LEI DE AUTOEXPANSÃO ou Lei de Evolução - Uma observação atenta da Natureza revela-nos a existência dessa lei, também central à filosofia teosófica. A vida sempre está em busca de novas formas pelas quais expressar-se. Embora a Ciência moderna afirme que a evolução é meramente a questão da sobrevivência do mais apto, ou seja, a constante luta dos seres vivos em adaptar-se ao meio ambiente e às suas demandas, a filosofia teosófica sustenta que, por detrás das formas, dos organismos vivos, há consciência buscando expressar-se. Nas formas mais rudimentares da vida, essa consciência é dificilmente percebida, como no caso de uma pedra. Mas, nos organismos mais complexos, a consciência é claramente perceptível. A sensibilidade das plantas desde há algum tempo vem sendo discutida e comprovada, tendo o trabalho de Cleve Backster sido pioneiro nesse campo.

Os experimentos também têm evidenciado a inteligência operando em diversas espécies animais, como golfinhos, cachorros, cavalos, entre outros. No ser humano, a consciência dá mais um passo significativo, quando alcança a autoconsciência. Mesmo no estágio humano, há ainda um longo trajeto a percorrer, podendo a consciência desabrochar plena e livremente, gerando seres humanos da estatura de Buda, Jesus Cristo, flores da raça humana, cujo perfume ainda alenta a humanidade em sua árdua jornada ao encontro de si mesma. O princípio fundamental que essa Lei expõe é o de que a vida interior, presente em todas as coisas, busca expressar-se expandir-se. O que é implícito tende a tornar-se explícito.

O mundo de hoje testemunha um fato curioso e ao mesmo tempo de dimensões preocupantes: o crescente interesse de milhares de pessoas pelo 'oculto', pelos poderes psíquicos, percepções extrassensoriais e coisas relacionadas com outras dimensões da existência. Um sem número de livros oferecem técnicas de poder mental, 'viagens astrais', entre outras coisas.

A filosofia teosófica sustenta o princípio de que são inerentes à consciência inúmeras potencialidades. Mas a visão teosófica da constituição humana é ampla e profunda, afirmando, conforme as antigas tradições filosófico religiosas, que, além de uma natureza psíquica, o homem também possui uma natureza genuinamente espiritual, incorruptível, pura, fonte da verdadeira criatividade e das mais elevadas virtudes, tais como a compaixão, a sabedoria, o altruísmo e a dedicação a ideais elevados.

O terceiro objetivo da Sociedade Teosófica propõe 'investigar as leis não explicadas da Natureza e os poderes latentes no homem'. Por 'poderes latentes' não devemos entender o mero desenvolvimento da clarividência ou a capacidade de projeção no corpo astral. Há indivíduos que possuem tais dons e não são melhores por isso, chegando ao ponto de explorar inescrupulosamente seus semelhantes pelo uso de tais faculdades, promovendo shows e coisas do tipo.

A genuína investigação é um processo de descoberta daquilo que jaz oculto nas profundidades de nossa própria consciência, que é justamente a consciência pura, incondicionada, livre, capaz de revelar no campo da existência as mais elevadas qualidades, tais como a beleza, a sabedoria e o amor. Dentro de cada ser existe essa perfeição a ser manifestada e a evolução é esse processo de florescimento do rico potencial latente em todas as formas de vida. (...)"

(Ricardo Lindemann & Pedro Oliveira - A Tradição - Sabedoria - Ed. Teosófica, Brasília, 2006 - p. 138/140)


A UNIDADE DA NATUREZA

"Ao observar os modos da mente, é fácil apontar os defeitos dos outros e dizer: ‘ele é mau’ ou ‘ele é feio’. Quando se olha para si mesmo, a descrição é feita em termos opostos, sempre encontrando algo admirável, digno de respeito e reconhecimento. 

Assim o processo de divisão continua, e o problema do mal se espalha, pois todo mundo está agindo dessa maneira e somente dessa maneira. Os numerosos conflitos de classe, raça, religião, família e outros começam assim: ‘Você é isso’ e ‘eu sou aquilo’. Essa forma de pensar dos homens, sempre dividindo e separando, só vem comprovar ao indivíduo atento que a mente humana é igual em todos, pois encontramos divisão em todos os lugares. 

A própria natureza da mente, que todos compartilhamos e que pertence a todos nós, é movida por distinções. Ela cria a imagem do ‘eu’, formada pelas muitas descrições que alguém faz de si mesmo, com base em lembranças e na identificação do eu com essas lembranças em uma linha única imaginária. (...)"

(Radha Burnier - O Caminho do Autoconhecimento - Ed. Teosófica, Brasília, 2ª edição - p. 43/46)


domingo, 22 de setembro de 2013

AS LEIS UNIVERSAIS (3ª PARTE)

"(...) 2 - A LEI DE AJUSTE - Em todo o processo natural, sempre que uma perturbação ocorre, um ajuste deve ser produzido, a fim de garantir o equilíbrio do todo. A Lei de Ajuste também é conhecida como lei do karma, uma palavra sânscrita que significa ação. É considerada, na filosofia teosófica, como uma das leis universais fundamentais.

Vemos o sofrimento por toda a parte e não o compreendemos. O ensinamento fundamental desta lei está expresso numa das mais significativas passagens do pensamento teosófico:
'Cada homem é seu próprio absoluto legislador, o dispensador de glória ou trevas para si mesmo; o decretador de sua vida, sua recompensa, sua punição'.
Enquanto predomina em nós a ignorância, nossas ações tendem a trazer sofrimento a nós mesmos e aos demais. O homem, por não estar consciente do íntimo inter-relacionamento inerente aos processos da vida, manifestado na harmonia que podemos encontrar no seio da Natureza, age violando essa totalidade, destruindo o ambiente natural, maltratando os animais e estando em conflito com seus semelhantes, muitas vezes usando-os para a satisfação de suas ambições e de sua sede de gratificação. Todo esse modo de ação e conduta tem sua raiz numa visão egocêntrica da vida e de seus relacionamentos. Portanto, cada ação produzida nesse estado gera mais dor, conflito, sofrimento.

O sentido essencial da Lei de Ajuste - também chamada muito apropriadamente de Lei da Harmonia Universal - revela o princípio da responsabilidade, ou seja, precisamos tornar-nos responsáveis perante o mundo, perante a totalidade da vida. Então, cada ação torna-se significativa, cuidadosa, pois sabemos que ela afeta o mundo, as pessoas, podendo colaborar para a elevação e o crescimento espiritual de todos ou, ao contrário, degradando ainda mais a já triste condição humana. (...)

Temos de emergir do estado sufocante do egocentrismo e importância pessoal e perceber a vastidão da vida em toda sua beleza, sua liberdade ilimitada, seu profundo propósito. Assim despertamos para nossa responsabilidade para com o mundo, prontos a colaborar com todas as nossas energias para a construção de um mundo belo, justo e fraterno para todos. (...)"

(Ricardo Lindemann & Pedro Oliveira - A Tradição - Sabedoria - Ed. Teosófica, Brasília, 2006 - p. 137/138)


ABUNDÂNCIA E PROSPERIDADE (PARTE FINAL)

"(...) Pense na Abundância Divina como uma poderosa chuva refrescante. Você a receberá de acordo com a vasilha que tiver nas mãos. Se tiver uma pequena xícara, receberá apenas essa quantidade. Se tiver uma tigela, ela se encherá. Com que tipo de receptáculo você está pronta para receber a Abundância Divina? Talvez sua vasilha esteja defeituosa. Se assim for, conserte-a lançando fora o medo, o ódio, a dúvida, a inveja, e depois lave-a com as águas purificadas da paz, da tranquilidade, da devoção e do amor. A Abundância Divina obedece à lei do serviço e da generosidade. Dê e receberá. Dê ao mundo o que de melhor tiver e o que houver de melhor voltará a você.

A ação de graças e o louvor abrem, em sua consciência, caminho para que o crescimento e o suprimento espirituais venham a você. O Espírito Se infunde em manifestação visível tão logo seja aberto um canal através do qual Ele possa fluir.

'Aos homens que meditam em Mim como Aquele que é verdadeiramente seu, sempre unidos a Mim pela adoração incessante, a eles Eu supro as deficiências e torno permanentes suas aquisições'¹ [Aqueles] que são fiéis ao seu Criador, percebendo-O em todas as diversas fases da vida, acabam descobrindo que Ele está tomando conta de suas vidas, mesmo nas menores minúcias, e que, com previsão divina, aplaina seus caminhos (...)

Essa estrofe do Gita nos lembra as palavras de Cristo: 'Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas'.²"

¹ Bhagavad Gita IX:22
² Mateus 6:33

(Paramahansa Yogananda - Onde Existe Luz - Self-Realization Fellowship - p. 79/80)
http://www.omnisciencia.com.br/onde-existe-luz.html


sábado, 21 de setembro de 2013

AS LEIS UNIVERSAIS (2ª PARTE)

"(...) 1 - A LEI DA PERIODICIDADE - Para cada período de atividade, há um consequente intervalo de repouso, e podemos confirmar isto na Natureza como dia e noite, o fluxo das marés, os processos de sono e vigília, nascimento e morte. Esta lei garante uma constante renovação em toda a vida, desde uma célula até as galáxias mais distantes. Ela evidencia o ritmo existente no Universo inteiro. Após um período de atividade deve necessariamente seguir-se um período de repouso, garantindo o equilíbrio do todo. Esta lei revela a existência de ciclos universais, ciclos menores e ciclos maiores, como expressões de uma contínua renovação.

Nos Upanishads, os antigos textos sagrados da Índia, existe expressa a ideia dos Manvantaras, literalmente 'períodos de atividade, seguidos dos Pralayas, 'períodos de repouso'. Para termos uma ideia da impressionante extensão de um Manvantara, ou período de atividade solar, reportamo-nos às antigas Escrituras hindus que afirmam ser a Idade de Brahmã constituída de 311.040.000.000.000 de anos, também conhecida como o Grande Dia. A Grande Noite - o Mahãpralaya - é um período de igual extensão. Dentro desses ciclos maiores existem outros menores, mas todos expressam plenamente o princípio de periodicidade que caracteriza essa lei. (...)"

(Ricardo Lindemann & Pedro Oliveira - A Tradição - Sabedoria - Ed. Teosófica, Brasília, 2006 - p. 136/137)


ABUNDÂNCIA E PROSPERIDADE (1ª PARTE)

"Aqueles que buscam a prosperidade somente para si próprios fatalmente acabarão pobres ou sofrerão de desarmonia mental; mas os que consideram o mundo todo como seu lar, e que realmente se preocupam com a prosperidade do grupo ou do mundo, e trabalham por ela (...) encontram a prosperidade individual que lhes cabe de direito. Essa é uma lei certa e secreta.

O altruísmo é o princípio que governa a lei da prosperidade.

Nada possuo, no entanto sei que, se estivesse com fome, haveria milhares de  pessoas neste mundo que me alimentariam, porque dei muito a milhares delas. Essa mesma lei funcionaria para quem quer que pensasse não em si próprio como o faminto, mas sim nas outras pessoas que precisam.

Todos os dias, faço alguma coisa em benefício dos outros, mesmo que seja algo insignificante. Se você quer amar a Deus, é preciso amar as pessoas. Elas são filhas Dele. Você pode ser prestativo no plano material- dando aos que precisam - e no plano mental - dando conforto aos sofredores, coragem aos temerosos, amizade divina e apoio moral aos fracos. Você também semeia bondade quando desperta nos outros o interesse por Deus e quando cultiva neles um maior amor a Deus, uma fé mais profunda Nele. Quando deixar este mundo, as riquezas materiais ficarão para trás; mas todas as suas boas ações o acompanharão. Pessoas ricas que vivem na avareza e pessoas egoístas que nunca ajudam os outros não atraem riqueza em sua próxima vida. No entanto, os que distribuem e compartilham, quer tenham muito, quer tenham pouco atrairão a prosperidade. Essa é a lei de Deus. (...)"

(Paramahansa Yogananda - Onde Existe Luz - Self-Realization Fellowship - p. 77/79)


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

AS LEIS UNIVERSAIS (1ª PARTE)

"Quando observamos atentamente a Natureza, podemos perceber a ação de certos princípios reguladores de sua atividade, princípios estes que foram chamados de 'leis' pelos antigos pensadores, as leis da Natureza, e que revelavam algo acerca de seu modo de funcionamento.

A Ciência oficial tem experimentado um progresso estupendo. Talvez, por estarmos muito habituados com as facilidades agregadas ao nosso viver pela tecnologia - filha pródiga da Ciência - não nos damos conta da extensão dos progressos realizados nos últimos cem ou duzentos anos. Progresso em todos os campos: na Medicina,na Física, na Química, na Astronomia, na Antropologia, como também em outras áreas. Mas é interessante observar que o pivô de quase todos esses progressos foi sempre a descoberta do modo como a própria Natureza opera em seus inúmeros e bastante diversificados setores. Foi precisamente a descoberta de 'leis', princípios, normas de ação do ambiente natural, que permitiu à Ciência um tremendo avanço no conhecimento desse fenômeno vasto, misterioso e complexo que chamamos de vida. (...)

(...) O estudo sobre as leis que governam os processos naturais não é facultado apenas ao cientista em seu laboratório, mas a todo o ser humano interessado no progresso real da humanidade, progresso esse que deve conduzi-la de um estado egocêntrico e indiferente a um estado de muita cooperação e fraternidade.

A filosofia teosófica corrobora a afirmação da Ciência oficial de que a Natureza funciona através de leis e aprofunda a questão ao afirmar que a Natureza, bem como o Universo inteiro, são expressões de leis eternas e imutáveis. O conhecimento e a adequação de nossas vidas a esses princípios fundamentais ou leis habilitam-nos a ocupar conscientemente nosso lugar no plano da Natureza e a sermos agentes beneficentes do progresso da humanidade e de todas as formas de vida. (...)

Para a visão de mundo comum, o Universo pode até parecer um 'conglomerado fortuito de átomos', mas não para a percepção espiritualmente iluminada. Os sábios e místicos de todas as culturas têm dado o testemunho da profunda harmonia inerente aos processos da vida. (...)"

(Ricardo Lindemann & Pedro Oliveira  - A Tradição - Sabedoria - Ed. Teosófica, 2006 - p. 135/136)


DEVOÇÃO - DISCIPLINA ESPIRITUAL

"Cada membro de todas as espécies vivas tem amor multifacetado, para a prole, para os pais, para o conforto e proteção, alimento e bebida, para prazeres e passatempos. Cada uma dessas feições do amor ou apego tem denominação diferente, conforme os objetos citados. É chamado afeição quando dirigido aos filhos; caridade, quando para os menos afortunados; camaradagem, para os iguais; apego, com relação a coisas e posições; fascinação em alguns casos e amizade em outros... Quando dirigido aos mais velhos, aos Mestres e aos pais, é reverência, humildade etc.

Bhakthi, no entanto, é uma palavra usada somente com referência ao amor voltado para o Senhor. Quando esse amor se divide em diversas correntes, fluindo para várias direções, para muitos pontos, causa pesar somente. Em vez disso, deixe o Amor fluir unidirecionado para o Oceano da Graça do Senhor. Este sadhana é denominado bhakthi."

(Sathya Sai Baba - Sadhana O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 53/54)


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

MATA TODO O SENTIDO DE SEPARAÇÃO

"Não te iludas imaginando que podes apartar-te do mau ou do insensato. Eles são tu mesmo, embora em grau menor do que o teu amigo ou o teu Mestre. Porém, se permitires que cresça no teu interior a ideia da separação de qualquer coisa ou pessoa má, ao fazê-lo estarás criando um carma que te ligará a essa pessoa ou coisa até que tua alma reconheça que não pode permanecer isolada. Lembra-te de que o pecado e a vergonha do mundo são o teu pecado e a tua vergonha, pois tu és parte do mundo. Teu carma está inextricavelmente entrelaçado com o grande Carma. E, antes que possas atingir o conhecimento, deves ter passado por todos os lugares, tanto os repugnantes como os puros. Portanto, lembra-te de que a veste maculada que hoje evitas tocar pode ter sido tua ontem, ou pode ser tua amanhã. E se dela te desviares com horror, quando lançada sobre teus ombros, tanto mais firmemente grudará em ti. O homem que se tem por justo cria para si um leito de lama. Abstém-te porque é correto abster-se – não para te conservares limpo."

(Mabel Collins - Luz no Caminho - Ed. Teosófica, Brasília, 1999, p. 36/38)


COMO SE PERDE UMA PERSONALIDADE OU ENCARNAÇÃO

"O universo e todas as coisas nele, morais, mentais, físicas, psíquicas ou espirituais, são construídas com base numa lei perfeita de equilíbrio e harmonia. (...) O espírito (Buddhi) é a energia espiritual centrífuga, e a alma (Manas) a centrípeta; e para produzir um resultado elas têm de estar em perfeita união e harmonia. Interrompa ou danifique o movimento centrípeto da alma terrena que tende para o centro que a atrai; impeça o seu progresso entravando-a com um peso de matéria maior do que ela pode suportar, ou do que é adequado ao estado ‘devachânico’, e a harmonia do todo será destruída. A vida pessoal, ou talvez melhor, seu reflexo ideal, só pode continuar mantida pela força dupla, ou seja, pela união íntima entre Buddhi e Manas em cada renascimento. O mínimo desvio da harmonia a danifica; e quando é destruída além de qualquer recuperação, as duas forças se separam no momento da morte. (...) Se, durante a vida, o último e desesperado esforço do EU INTERNO (Manas) para unir alguma coisa da personalidade a si mesmo e ao raio resplandecente e superior do divino Buddhi é frustrado, se é permitido que esse raio seja cada vez mais impedido de penetrar na crosta sempre mais espessa do cérebro físico, então o Ego espiritual ou Manas, uma vez livre do corpo, permanece completamente separado dos remanescentes etéreos da personalidade; e esta, ou kama-rupa, seguindo suas tendências terrenas, é atraída para o Hades – que chamamos de kama-loka – e permanece nele. Essas são as ‘varas secas’, mencionadas por Jesus, quando tiradas da Videira. O aniquilamento, no entanto, nunca é instantâneo, e às vezes pode necessitar séculos para que se complete. Mas lá a personalidade permanece juntamente com os resíduos de outros Egos pessoais mais afortunados, e se torna, como eles, a casca e um elemental."

(H. P. Blavatsky - A Chave para a Teosofia - Ed. Teosófica, Brasília, 2004 - p. 167/168)


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

ÉTICA

"Um dia, um rico senhor chamou à sua presença os pastores, seus empregados. Disse-lhe que, tendo decidido arrebanhar todas as inumeráveis ovelhas de sua propriedade, que estavam há muito perdidas nos campos, mandava-os procurá-las. Deveriam trazê-las todas.

Saíram os pastores a procurar as ovelhas, que deveriam ser reconduzidas ao grande e único redil.

Em pouco tempo, alguns deles esqueceram o que lhe havia sido ordenado, pois se tornaram mais interessados em seus próprios problemas e lazeres.

Outros começaram a pensar assim: ‘Porque hei de levar de volta essas ovelhas que estavam perdidas? Por que não faço eu um redil para as minhas ovelhas? Então, não posso tornar-me também um senhor e possuir muitas ovelhas?’ Dominados pela ambição, atraídos pela riqueza fácil, confiantes de que seu crime ficaria impune, os infiéis, traindo seu amo, tornando-se ladrões, ficaram com as ovelhas para si, as quais, para o senhor, continuariam perdidas.

Poucos pastores, sempre fiéis, amando o senhor, afastando qualquer desejo de furtar, vencendo as dificuldades múltiplas encontradas nos campo e nos caminhos, zelosos para com o rebanho, regressaram ao redil e entregaram ao verdadeiro dono todas as ovelhas que tinham recolhido. Juntamente com a grande família do senhor viveram dias de fartura e segurança.

O senhor, quando os mandou, sabia que sobreviria uma seca devastadora. E ela realmente veio e dizimou tudo e todos que não puderam contar com as reservas do celeiro do prudente senhor.”

(Hermógenes - Viver em Deus - Ed. Nova Era, 4ª edição - p. 152/153)

COMPAIXÃO PELO PRÓXIMO

"Sempre que uma pessoa entrar no nosso círculo de vida, cuidemos para que ela deixe o círculo como uma pessoa melhor, melhor pelo contato conosco. Quando uma pessoa sem conhecimento se aproximar de nós, e tivermos mais conhecimento, que ao nos deixar ela seja uma pessoa melhor informada. Quando uma pessoa pesarosa aproximar-se de nós, façamos com que ao nos deixar ela sinta-se um pouco menos triste por termos partilhado sua dor com ela. Quando uma pessoa impotente vier até nós e formos fortes, que ao nos deixar ela saia fortalecida por nossa força, e não humilhada por nosso orgulho. Em toda a parte sejamos ternos e pacientes, gentis e prestativos com todos. Não sejamos grosseiros no nosso dia a dia, para não confundirmos nem desnortearmos as pessoas. Já existe dor suficiente no mundo. Que o homem espiritual seja uma fonte de conforto e de paz; que ele seja uma luz no mundo, para que todos possam caminhar com mais segurança quando entrarem no seu círculo de influência. Julguemos nossa espiritualidade pelo efeito sobre o mundo, e sejamos cuidadosos para que o mundo possa crescer mais puro, melhor, mais feliz, porque estamos vivendo nele."

(Annie Besant - As Leis do Caminho Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2011, p. 77/78)


terça-feira, 17 de setembro de 2013

O AMBIENTE MODELA NOSSOS DESEJOS

"Os desejos são formados de acordo com o ambiente; são criados e, portanto, limitados pelas percepções dos sentidos. Visitar uma exposição ou feira local satisfaz o desejo de um pouco de diversão; mas depois que você visitar uma feira mundial e vir todos os diferentes produtos ali expostos, a feira local já não será atraente. Isso ilustra a importância de ter comunhão com Deus agora, para compará-la com as alegrias terrenas inferiores; seus desejos, então, serão de natureza muito mais elevada e avançada. O desejo de unir-se a Deus é o maior de todos. Quando você se satisfaz com qualquer desejo menor, logo escolhe outro mas, quando tem Deus, todos os outros desejos são completamente satisfeitos. 'Buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus e Sua justiça; e todas estas coisas vos serão acrescentadas.' Por que não satisfazer primeiro o desejo mais elevado? Pois quando Ele responde à prece para conhecê-Lo, todos os outros desejos se realizarão instantaneamente, por toda a eternidade.

Talvez você ache que não tem desejos. Bem, muitas vezes tenho observado o que acontece quando as pessoas vão fazer compras. Podem não ter qualquer desejo específico de comprar, mas repentinamente algo atrai sua atenção e pensam: 'Preciso ter isso!' Dia e noite, o objetivo persiste em suas mentes, até que finalmente o compram, mesmo que tenham de pedir dinheiro emprestado. Então, depois de tê-lo por algum tempo a felicidade da posse esfria e querem outra coisa. Vemos pessoas que dizem: 'Se pelo menos eu pudesse ter mil dólares (ou um carro, ou uma piscina)' e, quando o desejo é satisfeito, anseiam por algo diferente. Desejos humanos são imperfeitos, por isso sua realização não leva à felicidade perfeita.

O ambiente mundano tentará evitar que você se lembre que o único desejo que vale a pena é ter Deus. Mas você deve tentar se lembrar disso todos os dias. E quando tomar a decisão de não fumar, de não comer imoderadamente, de não mentir ou de não enganar, seja firme em seus bons propósitos; não fraqueje. Um ambiente inconveniente mina a força de vontade e é um convite aos maus desejos. Viva com ladrões e pensará que roubar é o único meio de vida. Viva com pessoas divinas e, após obter a comunhão com Deus, nenhum outro desejo o tentará. Tudo perderá a graça. Por isso, mesmo alguns minutos de meditação profunda ou a companhia de um santo serão uma balsa de inspiração, para transportá-lo pelo oceano da ilusão, rumo às praias de Deus."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 128/129)


O PODER DAS AFIRMAÇÕES E DA ORAÇÃO

"É possível que, no passado, você tenha se desapontado pelo fato de suas orações não terem sido atendidas. Não perca, porém, a fé. (...) Deus não é um Ser mudo e insensível. Ele é o próprio amor. Se você souber meditar e entrar em contato com Ele, Deus atenderá a suas amorosas exigências.

Saber exatamente como e quando orar, de acordo com a natureza de suas necessidades, é o que traz os resultados desejados. Quando o método correto é aplicado, ele faz entrar em ação as leis apropriadas de Deus. Sendo operadas cientificamente, essas leis produzem resultados.

A primeira regra da oração é dirigir-se a Deus tendo apenas desejos legítimos. A segunda, é pedir sua realização, não como um mendigo, mas como um filho: 'Eu sou Teu filho. Tu és meu Pai. Tu e eu somos um.' Quando você orar com profundidade e constância, sentirá uma grande alegria brotando em seu coração. Não se satisfaça até que essa alegria se manifeste, pois quanto sentir em seu coração essa alegria que satisfaz plenamente, você saberá que Deus 'ligou o rádio no programa da sua oração'. Ore, então, a seu Pai: 'Senhor, é disso que preciso. Estou disposto a trabalhar para consegui-lo. Por favor, guia-me e ajuda-me a ter os pensamentos corretos e a fazer as coisas certas para alcançar o êxito. Usarei meu raciocínio e trabalharei com determinação, mas guia Tu minha razão, minha vontade e minha atividade para a coisa certa que eu deva fazer.

Você deveria orar a Deus com intimidade, como Seu filho que você é. Deus não faz objeção quando você reza com o seu ego, como se fosse um estranho e um mendigo, mas você descobrirá que seus esforços ficam limitados por esse nível de consciência. Deus não quer que você renuncie ao seu próprio poder da vontade, direito divino que, como Seu filho, você herdou.

Uma exigência incessante¹ de qualquer coisa, mentalmente sussurrada com incansável empenho e inabalável coragem e fé, transforma-se numa força dinâmica que de tal modo influencia todo o comportamento dos poderes consciente, subconsciente e superconsciente do homem, que o objeto desejado é obtido. A emissão interior de sussurros mentais tem de ser incessante, sem ser desencorajada pelos revezes. Então, o objeto do desejo se materializará."

¹ Paramahansa Yogananda ensinou: "Preces frequentemente implicam uma consciência de mendicância. Somos filhos de Deus, não mendigos, e somos portanto merecedores de nossa herança divina. Quando estabelecemos um vínculo de amor entre nossas almas e Deus, temos o direito de exigir afetuosamente o atendimento de nossas preces legítimas." Esse princípio de exigir de Deus nossa herança divina é o vitalizante poder contido nas afirmações.

(Paramahansa Yogananda - Onde Existe Luz - Self-Realization Fellowship - p. 30/32)


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

UMA MUDANÇA EM NOSSO MODO DE PENSAR TRARÁ DEUS PARA MAIS PERTO

"Porque Deus é, nós somos. Ele é o único princípio da vida; fora Dele, nada existe. Conclui-se logicamente que somos parte Dele. O sentimento de estar separado de Deus é uma ilusão. Podemos ajudar a destruir essa ilusão ao mudar o nosso modo de pensar. Não importa o que estejamos fazendo, a mente sempre está pensando em algo. Então, que sua mente pense em Deus e fale com Ele internamente.

Enquanto externamente está cuidando do corpo, por exemplo, pense interiormente: 'Este corpo é o templo de Deus. Nada tenho a ver com ele, exceto tomar conta dele para que Deus o use da maneira que desejar. De que forma Ele vai usá-lo, ou se Ele vai sustentá-lo ou não, é assunto Dele, não meu. Tomarei cuidado em relação à saúde deste corpo, não porque esteja interessado nele, ou porque seja algo a que eu esteja preso ou queira me apegar, mas porque o estou mantendo para Ele.'

Ao fazermos um esforço para manter nossa mente em Deus enquanto cumprimos nossas obrigações, não devemos naturalmente nos distrair, mas de vez em quando a mente deve dizer: 'Senhor, se não fosse Tua energia e inteligência que fluem através deste veículo, eu nada poderia fazer'. Quando desenvolvemos, na meditação profunda, a comunhão íntima com Deus, nossa mente pode submergir em Deus, podemos conversar mentalmente com Ele, não importa o que estejamos fazendo. Isso é expresso por Paramahansa Yogananda em seu lindo poema 'Deus! Deus! Deus!': 'Ao despertar, comer, trabalhar, sonhar, dormir, servir, meditar, cantar, amar divinamente (a todos meus amados), minha alma sussurra o tempo todo, sem ninguém a ouvir: Deus! Deus! Deus!' Paramahansaji viveu assim toda a sua vida. É possível fazer isso. Quando há uma constante lembrança de Deus, um dia, de repente, Ele responderá. Então, que alegria inunda todo o ser! Essa alegria sustenta o devoto na senda espiritual."

(Sri Daya Mata - Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 127/128)


SONETOS

"Nos sonetos, encontramos o tom mais lírico de Sri Aurobindo. Eles são o veículo poético de algumas de suas experiências espirituais em linguagem ‘curiosamente simples e apaixonadamente rica’ (...)

Ó Tu de quem sou instrumento!
Ó Espírito, ó Natureza secreta que em mim habitas!
Que todo o meu ser mortal se dissolva agora em Tua silenciosa glória divina!
Fiz de minha mente o canal de Tua mente, fiz de minha vontade a Tua vontade.
Não consintas que nenhuma parte de mim fique excluída de nossa mística e inefável união
Meu coração palpitará com as pulsações universais do Teu amor, meu corpo será Teu instrumento a ser usado na Terra.
Por meus nervos e veias circularão os fluidos do Teu êxtase.
Meus pensamentos buscarão a Luz que libera Teu poder.
Conserva ao menos minha alma para adorar-Te eternamente
E encontrar-Te em cada forma, em cada uma de Tuas almas.

Eis aí um exemplo gracioso de fusão mística, de entrega total à Vontade suprema, onde se destaca o anelo do apaixonado que não quer perder-se na indiferenciação do Oceano, pois prefere continuar gozando a presença do Amado/a. A Iluminação não implica necessariamente a perda total da individualidade, apenas da pseudoindividualidade egoica, que se vê substituída pela verdadeira identidade anímico-espiritual. (...)"

(Vicente Merlo - Os Ensinamentos de Sri Aurobindo – O Yoga Integral e o Caminho da vida - Ed. Pensamento, São Paulo, 2010 - p. 141/143)