OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


domingo, 30 de junho de 2013

LIDAR CONSTRUTIVAMENTE COM O FRACASSO

"A época do fracasso é o melhor tempo para plantar as sementes do êxito. O golpe das circunstâncias pode contundi-lo, mas mantenha a cabeça erguida. Tente sempre uma vez mais, não importa quantas vezes tenha falhado. Lute quando achar que não pode mais lutar, ou quando achar que já fez o melhor possível, ou até que seus esforços sejam coroados de êxito. 

Aprenda a usar a psicologia da vitória. Algumas pessoas aconselham: "Não fale de fracasso, de modo algum". Mas só isso não resolve. Primeiro, analise seu fracasso e suas causas, aproveite a experiência e não pense mais nisso. Embora fracasse muitas vezes, o homem que continua se empenhando, que não se deixa derrotar interiormente, é uma pessoa verdadeiramente vitoriosa. 

A vida pode ser sombria, as dificuldades podem vir, as oportunidades podem transcorrer sem serem utilizadas, mas nunca pense: "Estou liquidado. Deus me abandonou." Quem poderia fazer algo por esse tipo de pessoa? Sua família pode abandoná-lo. A boa sorte pode parecer deixá-lo. Todas as forças humanas e da natureza podem se mobilizar contra você. Mas, pela qualidade da iniciativa divina no seu interior, você pode derrotar todas as investidas do destino, criadas por suas próprias ações errôneas do passado, e, em marcha vitoriosa, entrar no paraíso. 

Se você é guiado pela Consciência Divina, então, mesmo quando o futuro parece absolutamente negro, tudo, no fim, acabará bem. Quando Deus o guia, você não pode fracassar. Você precisa banir o pensamento de que o Senhor, com Seu poder maravilhoso, está muito longe, lá no céu, e que você é um vermezinho desamparado, sepulto em dificuldades aqui na terra. Lembre-se de que por trás de sua vontade está a grande Vontade Divina.

Tropeçar e cair no mau caminho é apenas uma fraqueza temporária. Não pense que está completamente perdido. O próprio solo em que você caiu pode ser usado como apoio para que se levante novamente, se você aprender com suas experiências. Se você reconhece um erro e resolutamente se determina a não repeti-lo, mesmo que caia, essa queda será muito menor do que se nunca tivesse tentado. 

Não deveríamos esperar ser bem-sucedidos em todos os empreendimentos. Alguns podem falhar, mas outros terão êxito. O êxito e o fracasso estão inter-relacionados; um não pode existir sem o outro. (...) Portanto, não deveríamos tornar-nos egoístas e cheios de orgulho quando alcançamos abundante êxito, tampouco, nos desanimar e perder a coragem se nos deparamos com o fracasso. 

Não importa quantas vezes fracasse, continue tentando. Aconteça o que acontecer, se decidiu inabalavelmente: "A Terra pode se despedaçar, mas continuarei fazendo o melhor possível", você está usando a vontade dinâmica, e terá êxito. Essa vontade dinâmica é que faz um homem rico, um outro, forte e um outro, santo."

(Paramahansa Yogananda - Onde Existe Luz - Self-Realization Fellowship - p. 65/67)


sábado, 29 de junho de 2013

A AÇÃO CUIDA DE SI PRÓPRIA

"E quanto à ação? Como agir num mundo que está constantemente mudando, constantemente revigorado e novo? Será possível agir antes de avaliar, decidir, conceber, escolher?

Antes de mais nada, é impossível não agir. Tudo que se faz, diz, pensa ou decide é ação. Escolher não agir também é uma ação. O mundo está mudando o tempo todo. Mesmo que você fique parado na corrente, está interagindo com as coisas que fluem em volta. Cada um de nós tem uma escolha. Podemos agir a partir da confusão, dos desejos, das respostas automáticas às circunstâncias, da ganância, da ira, da ilusão - ou podemos apenas agir. Podemos apenas agir ao simplesmente ver o mundo como ele é na realidade, e não como gostaríamos, imaginaríamos, ou conceberíamos que fosse. 

Gandhi, ao pegar um trem, viu uma de suas sandálias escapulir do pé e cair próxima aos trilhos. O trem começou a se mover e não lhe deu tempo de a recuperar. Ele imediatamente tirou a outra sandália e a jogou junto da primeira. Quando um passageiro perguntou por que, Gandhi respondeu: "Agora, quem as encontrar terá um par." 

Essa história ilustra o que é a ação antes da decisão e da escolha. É a ação que nasce da liberação, da total liberdade da mente. É a ação em conformidade com o mundo, à medida em que as coisas acontecem. Devemos viver com a visão, não com o pensamento. Devemos viver e agir a partir do todo, não da parte. Devemos deixar o mundo vir a nós, não nos lançarmos sobre ele. A questão é simplesmente estar desperto. É aí que o foco deve estar. Com isso você pratica a "reta ação". Qualquer coisa menos que isso e você está agindo a partir de uma ideia - um conceito. Você está desafiando a realidade, como se o mundo estivesse morto. Uma vida assim é dolorosa. 

Basta agir baseado simplesmente no que vemos. Quando prestarmos atenção às reais percepções, em vez de aos conceitos - esperanças, temores, metas, desejos e histórias individuais e culturais - não é preciso de nenhuma receita, nenhum conjunto de mandamentos. A ação que cresce a partir do ver é naturalmente apropriada à situação, qualquer que ela seja. Isto quer dizer que você não está se aferrando mais às suas crenças e opiniões preferidas. Você está pronto para se livrar delas quando notar que não funcionam e que são fonte de dor e ansiedade. O foco sempre retorna a simplesmente estar desperto. É desse modo que vamos nos salvar e salvar o mundo.

Quando agimos baseados no que é, não no que esperamos, ou pretendemos, não mais precisamos seguir um conjunto de diretrizes, porque temos uma visão clara da realidade e do universo. Temos a evidência verdadeira de nossos próprios olhos e de nossa própria experiência para nos guiar. Uma vez que reconheçamos a verdade que está (e que sempre esteve) perante nós, podemos agir num relacionamento direto com tudo o que é, a partir de tudo que é. Logo que você olhar para a situação, agirá da maneira apropriada. A ação cuidará de si própria."

(Steven Hagen - Revista Sophia nº 30 - Ed. Teosófica, Brasília - p. 31)

A IOGA CONVERTE A TEOLOGIA EM EXPERIÊNCIA PRÁTICA

"A Ioga capacita o homem a perceber a verdade em todas as religiões. Os Dez Mandamentos são pregados, com palavras diferentes, nas várias religiões. Os dois maiores mandamentos, porem, são aqueles que Jesus enfatizou: "Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente." e "amarás a teu próximo como a ti mesmo."

Amar a Deus "com toda a tua mente" significa retirar dos sentidos a atenção e colocá-la em Deus; dar a Ele concentração total durante a meditação. Todo buscador de Deus deve aprender a concentrar-se. Uma prece pronunciada enquanto se pensa em outras coisas no fundo da mente não é uma prece sincera e não é atendida por Deus. A Ioga ensina que, para encontrar o Pai, é necessário primeiro, buscá-Lo com toda a mente, com concentração focalizada.

Há quem diga que os hindus adaptam-se melhor à prática da Ioga e que esta não serve para os ocidentais. Não é verdade. Muitos ocidentais estão hoje em melhor situação para praticar Ioga do que muitos hindus, porque o progresso científico deu mais tempo livre aos primeiros. A Índia deveria utilizar cada vez mais os métodos materiais progressistas do Ocidente para facilitar a vida e torná-la mais livre, e o Ocidente deveria receber da Índia os métodos metafísicos práticos da Ioga, pelos quais todo homem pode achar o caminho para Deus. Ioga não é uma seita, mas uma ciência universalmente aplicável, por cujo intermédio podemos encontrar nosso Pai. 

A Ioga é para todos, ocidentais e orientais. Ninguém diria que o telefone não serve para o Oriente só porque foi inventado no Ocidente. Também os métodos da Ioga, embora desenvolvidos no Oriente, não são exclusividade deste, e sim úteis a toda a humanidade.

Nasça um homem na Índia ou na América, um dia terá que morrer. Por que não aprender a "morrer diariamente" em Deus, como São Paulo? A Ioga ensina o método. O homem vive no corpo como um prisioneiro: esgotado seu prazo, sofre a indignidade de ser despejado. Amar o corpo é, portanto, a mesma coisa que amar a prisão. Há muito tempo acostumados a viver no corpo, esquecemos o que significa a verdadeira liberdade. É vital para todo homem a descoberta de sua alma e o conhecimento de sua natureza imortal. A Ioga mostra o caminho."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 16/17)


A "FORMA' E O "SEM FORMA"

"O corpo não é a verdade que lhe atribuímos. Um exemplo: por 30 anos um homem adora a mãe que lhe deu à luz. Ele massageia os seus pés, se prostra na frente dela, olha seus olhos com amor, ouve sua voz, sentindo-se aquecido e feliz com seu olhar afetuoso e amoroso. Aos 60 anos, a mãe falece. Imediatamente o filho grita: "Mamãe, mamãe, porque me deixaste?" Por que o homem gritou? O corpo que ele adorava aí estava; os pés que massageava diariamente também estavam ali; mas ele grita que sua mãe não está lá, que ela o deixou. Temos que concluir que ainda que o homem tenha, nos últimos 30 anos, visto o corpo e a mãe como um e o mesmo, quando a mãe faleceu ele instantaneamente soube que a mãe não era o corpo e que essa mãe havia partido, mesmo que o corpo permanecesse. Assim, que valor tem o corpo que nunca foi esta mãe, ainda que por um tempo ele tenha sido visto como "mãe"? Contemplando este mistério é visível que, se não fosse pelo corpo, a mãe não poderia ter sido conhecida. Foi somente por meio do corpo que o homem foi capaz de ter a experiência e, assim, conhecer a terna, amorosa, sublime qualidade do estado "mãe", que resultou em amor em seu coração. A sem forna e eterna qualidade da "mãe" pode ser conhecida e obtida somente através da forma impermanente."

(J. S. Hislop - Conversações com Sathya Sai Baba - Fundação Bhagavan Sri Satya Sai Baba do Brasil - p. 81)


sexta-feira, 28 de junho de 2013

AGARRE A VERDADE COM O INTELECTO; ABSORVA-A DENTRO DA ALMA

"Se quiser mudar a si mesmo, você primeiro terá que compreender intelectualmente certos pontos importantes e depois começar a absorvê-los profundamente em sua alma. Suponha que queira desenvolver a devoção. Escreva essa palavra num pedaço de papel, ou copie algum pensamento que desperte devoção em você, e pregue-o em sua porta ou em algum lugar visível, onde o veja com frequência. Toda vez que olhar para esse lembrete, procure não só entender intelectualmente o conceito de devoção, mas também sentir o que ela significa. Pondere sobre ela, deixando que influencie você com fervor urgente. O Mestre dizia: "Você tem que agitar o éter com seu amor por Deus, com seu anseio por Ele". Converse com Deus, sentindo que está agitando o éter com sua oração. 

Por exemplo, acabamos de cantar um dos cânticos de Guruji: "A porta do meu coração". Quando termino de cantar alto, para mim não é o fim. Deve-se prosseguir do canto em voz alta para o canto sussurrado e depois para o canto mental. Quando termino um cântico, minha atenção não para aí, de repente. Eu me aprofundo cada vez mais no pensamento que estive cantando: "Vem a mim, vem a mim, Senhor! Vem ao menos uma vez." Meu coração clama. Minha mente se interioriza e, como Guruji recomendou, "agito o éter" com esse pensamento. Em outras palavras, um cântico deve ser repetido inúmeras vezes, com sentimento sempre crescente, a fim de que o significado das palavras que você está repetindo transforme-se numa parte de sua consciência. E você só conseguirá fazer isso se sua atenção estiver cem por cento no que estiver fazendo. Se sua atenção estiver noventa e nove por cento em Deus, mas estiver pensando um pouco nas pessoas à sua volta, ou nutrindo um pensamento errante sobre seu trabalho, você não poderá ter êxito em atrair a resposta divina. 

Guruji nos dizia: "Deus não virá a você se não oferecer a Ele cem por cento de sua atenção". Se pensa que pode progredir só por sentar-se e praticar Kriya enquanto a mente corre de lá para cá, você se engana. Há algumas pessoas que pensam: "hoje pratiquei cem Kriyas: devo estar avançando rapidamente... esta semana pratiquei mil Kriyas: devo estar bem desenvolvido espiritualmente." Tolice! Esse devoto não tem a atitude correta. Ele é como a tia de Guruji: durante quarenta anos diariamente, ela fazia as suas orações com o rosário, mas a mente estava sempre em outro lugar. Não admira que, por fim, ela tenha se queixado de que não estava obtendo resposta! Você precisa empenhar-se para alcançar Deus nesta vida. Você pode ter êxito nessa aspiração; mas não sem o adequado grau de esforço." 

(Sri Daya Mata - Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 37/38)


BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA, PORQUE ELES SERÃO SACIADOS

"Qual é a justiça da qual o Cristo nos quer sedentos e famintos? Trata-se da justiça que em inúmeras passagens do Antigo Testamento é praticamente sinônimo de salvação - noutras palavras, libertação do mal e união com Deus. Esta justiça, portanto, nada tem a ver com o que comumente pensamos como virtudes morais ou boas qualidade, não se relaciona com o bem em oposição ao mal, nem com a virtude em oposição ao vício; trata-se da justiça absoluta, da bondade absoluta. O faminto e sedento de justiça de que fala o Cristo é o faminto e sedento do próprio Deus. 

Já se salientou que a maioria de nós não quer de fato Deus. Se nos analisarmos, descobriremos que nossos interesses relativos a Deus quase nada têm da força do nosso interesse por todo tipo de objetos materiais. Mas até mesmo um ligeiro desejo de conhecer a realidade divina é um começo que nos pode levar mais acima. Precisamos começar com um esforço próprio. Precisamos batalhar para desenvolver o amor ao Senhor, praticando a relembrança dele, rezando, adorando e meditando. A medida que praticarmos essas disciplinas espirituais, o nosso frágil desejo de compreendê-lo há de intensificar-se, até se converter em fome violenta, em sede ardente. 

Àqueles que lhe perguntavam como compreender Deus, Sri Ramakrishna dizia: "Gritem-lhe com um coração anelante, e então vocês o verão. Após a luz rósea da aurora, surge o Sol; do mesmo modo, ao anelo segue-se a visão de Deus. Ele se revelará a vocês se vocês o amarem com a força combinada destes três apegos: o apego do avaro à sua riqueza, o da mãe à criança recém-nascida e o da esposa virtuosa a seu marido. O anelo intenso é o caminho mais seguro para a visão de Deus."

Precisamos aprender a direcionar todos os nossos pensamento e toda a nossa energia, de forma consciente, para Deus. É preciso que se erga em nossa mente uma onda gigantesca de pensamento, envolvendo todos os desejos e paixões que nos desviam da meta espiritual. Quando a mente se torna focalizada e concentrada em Deus, então seremos locupletados de Justiça. (...)"

(Swami Prabhavananda - O Sermão da Montanha Segundo o Vedanta - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 26/27)


quinta-feira, 27 de junho de 2013

CULTORES DA MEDIOCRIDADE

"Meu ignoto amigo. Se quiseres ser impenitente cultor da rotina e mediocridade, guia-te pelas normas seguintes: Antes de pensar, informa-te sempre do que deve ser pensado, a fim de não introduzir no mundo o contrabando de ideias novas.
Não penses nunca com o próprio cérebro - mas sempre com a cabeça dos outros.
Dize sempre sim quando os outros dizem sim - e não quando os outros dizem não.
Lê cada manhã, ao café, o teu jornal, para saberes o que deve ser pensado naquelas vinte e quatro horas. 
Quando vier alguém com ideias novas, evita-o como um perigo social e tem-no em conta da herege e demolidor.
Não te exponhas ao perigo de fazer o que o vizinho não faz - mas lembra-te da comprovada sapiência burguesa: o seguro morreu de velho.
Sê amigo dedicado da tua tépida poltrona - e não te exponhas a vertigens de vastos horizontes.
Prefere sempre as paredes maciças dum cárcere e as grades duma gaiola às incertezas dum voo estratosférico.
Não abras nunca portas fechadas - passa tão somente por portas abertas.
Não explores caminhos novos, como os bandeirantes - anda sempre por estradas batidas e sobre trilhos previamente alinhados.
Vai sempre com o grosso do rebanho, com os bons carneiros - e não procures caminho à margem da rotina geral.
Em suma, meu insigne cultor da mediocridade: deixa tudo como está para ver como fica.
Destarte, conservarás a saúde e a tranquilidade dos nervos e poderás tomar, cada dia, com sossego, o teu chope ou coquetel - e passar por homem de bem.
*      *      *
Se, porém, resolveres, um dia, sair da rotina tradicional e expor-te ao perigo mortífero dum ideal superior, então lê com atenção o que te diz um homem que conhece a vida:
Vai às margens do Ganges e pede ao mais robusto dos elefantes que te ceda a sua pele paquidérmica, para com ela revestires a tua alma.
Vai às margens do Nilo e arranca ao mais velho dos crocodilos a sua impenetrável couraça e faz dela o invólucro do teu coração.
E, depois de assim encouraçares a tua alma, sai por este mundo afora e dize aos homens da honesta mediocridade que vives por um ideal que não está no estômago nem nos nervos nem no sangue - e verás que eles te declararão guerra de morte.
Pois, deves saber, meu amigo, que o mundo não sacrifica um só ídolo por um ideal.
Desde que o mais arrojado idealista da história foi crucificado, morto e sepultado - são todos os idealistas crucificados pelos cultores da mediocridade.
Nada de grande acontece no mundo sem que o mundo se revolte.
Tudo que é belo e grande - agoniza fatalmente entre os braços da cruz.
É essa gloriosa tragédia dos homens superiores."

(Huberto Rohden - De Alma para Alma - Ed. Martin Claret, São Paulo - p. 125/126)


EGO E PERSONALIDADE

"A dualidade da natureza humana torna-se muito pronunciada e notória em momentos de grande estresse. A personalidade é constantemente influenciada por seu carma, passa por períodos de adversidade, estresse, provações e até mesmo erros, e períodos de sucesso e felicidade. Influências astrológicas se fazem sentir afetando-a. Os pensamentos e ações dos outros produzem seus efeitos. O dharma do indivíduo está sendo constantemente trabalhado por meio da luz e sombra da vida. Com isso, a personalidade vive em meio a mudanças perpétuas, oscila entre a luz e a sombra, entre provações, dificuldades, dor e sucesso, facilidade e felicidade. Em algumas ocasiões, a personalidade clama, “Por quanto tempo, Ó Senhor, por quanto tempo?” A estabilidade e a serenidade finalmente chegam.

A Alma, por outro lado, está livre de estados de espírito, de mudanças, dúvidas e incertezas; dos altos e baixos da vida. Ela permanece numa postura serena, não afetada por quaisquer eventos ou mudanças na personalidade a não ser aqueles de uma natureza extrema, tais como uma queda muito grave ou uma grande realização. Em ambos os casos ela permanece o centro desapegado de consciência divina, muito além das limitações do homem mortal. Um esplendor sempre crescente; um poder aumentando sempre firme e com ritmo; um aprofundamento da intensidade da existência sem a menor tensão; ampla percepção do plano evolutivo, posição e futuro, indo desde todas as vidas passadas e incluindo aquelas por vir; plenamente consciente de sua natureza divina e potencialidades infinitas; sem querer nada, possuindo tudo; além das limitações do tempo; sem espaço; enraizado no eterno – o Eu Superior do homem é um poderoso rei espiritual cujo domínio e poderes aumentam sempre, cuja bem aventurança cresce cada vez mais intensa, e cuja sabedoria coloca ordem em todas as coisas de forma poderosa e suave. Portanto, torne-se e viva como uma Alma."

(Luz do Santuário - Diário Oculto de Geoffrey Hodson - Compilado por Sandra Hodson e traduzido por Raul Branco - p. 65)


quarta-feira, 26 de junho de 2013

AS DUAS VIAS: ATIVIDADE E MEDITAÇÃO

"Em resumo, existem, basicamente, duas abordagens para a realização divina: a externa e a interna ou transcendental. A via externa consiste em atividade correta, amando e servindo a humanidade, com a consciência centrada em Deus; a via transcendental é a da profunda meditação esotérica. Pelo caminho transcendental, você compreende tudo aquilo que você não é, e descobre Aquilo que você é: "Eu não sou a respiração; não sou o corpo, nem ossos, nem carne. Eu não sou a mente, nem o sentimento. Eu sou Aquilo que está além da respiração, do corpo, da mente e do sentimento." Quando você transcende a consciência deste mundo, sabendo que não é o corpo nem a mente, e, ainda assim, estando mais consciente do que nunca de que existe - é essa consciência divina o que você é. Você é Aquilo em que tudo no universo está enraizado. 

Por que não investiga o que está por trás da escuridão, quando fecha os olhos? Esse é o local a ser explorado. "E a luz brilha nas trevas; e as trevas não a compreenderam."¹ Luzes imensas e forças cósmicas movem-se ali."

¹. João 1:5

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 11/12)


SARVA YOGA - O YOGA DE SATHYA SAI BABA (PARTE FINAL)

"Hoje, em todos os países, incontáveis pessoas, filiadas a diversas tradições religiosas (cristãos, hindus, muçulmanos, budistas, zoroastrianos, sikhis, jainas etc.), tornaram-se devotos e discípulos de Sathya Sai Baba, reverenciando-o como o Avatar de nosso tempo, principalmente por sua mensagem absolutamente universal e inclusivista, que todos podem praticar pertençam a esta ou aquela religião. Sai Baba é o protótipo do sábio hindu que está conosco para ajudar o cristão a unir-se ao Cristo, objeto de sua busca e adoração; o muçulmano a chegar a Allah; o judeu, a Jehovah; finalmente, ajudar qualquer devoto de Deus, sob uma determinado Forma e um Nome particular, a unir-se a Ele.

Em vista das citações acima pode-se, erroneamente, supor que a disciplina espiritual (sadhana) ensinada por Baba se limite aos cânticos e à repetição do santo Nome. O que Ele preceitua é uma moderna e sábia Sarva Yoga, tendo por meta transcendente tornar aquilo que agora, iludidamente, supomos ser, isto é, manava (o homem), nAquilo que, em realidade e essência, nós somos Madhava (Deus). Tal sadhana não poderia deixar de ser apropriado à presente yuga. É por isto que tem por base o amor/devoção (bhakti), principalmente através dos cânticos devocionais. Mas Sai Baba, considerando a existência de algumas poucas almas - que, embora vivendo nestes tempos de trevas densas (era de Kali), já venceram as ditas trevas, estando aptas, portanto, a se engajar na pesquisa da Verdade última (jnana), na meditação e na generosa prestação de serviços isentos de ego (karma) -, propõe um sadhana que é um perfeito Sarva Yoga, composto pela cooperação e mútua fecundação dos seguintes aspectos:

(a) O devocional, assegurado pelos bhajans (cânticos de louvor) e namasmarana (repetição do Nome e imaginação da Forma que o devoto escolheu para adorar).
(b) A prestação de serviço (seva) aos carentes, como oferenda a Deus, portanto, sem quaisquer interesses egocêntricos, que assegura a melhor prática de Karma Yoga.
(c) A busca da Verdade através do "inquérito" sobre o Ser, mediante Atma vichara, que consiste no repetido autoquestioamento "Quem sou eu?", "Quem sou eu?"... Recomenda também a reflexão sobre as "grandes afirmações" ou mahavakyas. Destas, aquelas que melhor contribuem para o progresso do aspirante, tomadas como objeto de reflexão e principalmente de meditação são: So ham (Eu sou o Ser); o OM; e o Gayatri.
(d) A educação da mente fica por conta de dhyana ou meditação. São dois os processos de meditar: a repetição de So ham, associando a pronúncia (mental) do So com a inspiração e a de ham com a expiração; e o processo chamado "meditação sobre a luz".
(e) A observância de certos procedimentos altamente reeducativos e espiritualizantes como:
- satsang ou a companhia de pessoas santas e sãs;
- "teto aos desejos" a fim de poupar tempo, energia, comida e dinheiro, para serem investidos na ajuda aos necessitados;
- nunca denunciar falhas e defeitos dos outros, mas cuidar das próprias;
- cultivar equanimidade;
- ser fiel à sua religião e jamais desvalorizar ou agredir a dos outros, amando e adorando Deus sob qualquer de seus Nomes e Formas;
- temer somente o pecado, mas amar Deus e cumprir os deveres cívicos...

Impossível dar uma síntese eloquente e fiem do caminho disciplinar ensinado por Baba visando à unificação da humanidade por intermédio da autoeducação dos "Valores Humanos", que são:

(1) sathya (verdade e veracidade);
(2) dharma (retidão, justiça, dever);
(3) santhi (paz interna e externa);
(4) prema (amor divino);
(5) ahimsa (não violência).   

Que o leitor, com estas modestas informações, possa refletir sobre qual deve ser seu caminho e como deve ser seu caminhar em Yoga, nunca esquecendo de rogar a Deus, seu Supremo Guru, que lhe dê discernimento bastante e o guie na conquista, na compreensão e no sadhana que o reconduzirá à Suprema Realidade."

(José Hermógenes - Iniciação do Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 144/146)


terça-feira, 25 de junho de 2013

DEUS SUPREMO ATRAI A ALMA INDIVIDUAL PARA SI MESMO (PARTE FINAL)

" (...) O Kokil, quando visto, é perseguido pelo crows (corvos) que o tentam ferir. Os homens bons são alvos da malignidade dos mesquinhos. São sempre alvos de malícia, inveja, calúnia e insulto dos fracos. Desde o berço até o fim da existência, Krishna teve de enfrentar obstáculos. Despeito pessoal, calúnia, insultos infundados e difamações O seguiram a cada passo. Os demônios, que não podiam tolerar a Luz e o Amor que, em torno, Ele irradiava, conspiravam, visando a denegrir seu Nome e impedir Sua Missão. Tentaram amarrá-lo para frustrar Seus planos e perverter Seus instrumentos. Mas a Verdade triunfou, e a falsidade tornou-se conhecida e execrável. A Verdade pode ser anuviada pela bruma da calúnia, mas só por algum tempo. Segura é sua Vitória. As forças do ódio serão vencidas por suas próprias infâmias; afundam em seus próprios abismos; suas ações engendram reações ruinosas para elas mesmas. Pessoas que não podem tolerar a Glória dos Avatares, em cada era, têm dado guarida a vis campanhas. Não emprestem seus ouvidos nem concedam suas mentes aos fornecedores de escândalos ou mentiras. Procurem ver a Verdade que se acha encoberta por todos os contos e lendas que deslustram o sagrado Nome. 

O inimigo delicia-se em insultar você, e é dito nos Purunas que, como consequência, ele alivia e suprime de sua conta os deméritos que você, errando no passado, teria de pagar com sofrimento.

Quanto mais precipitada e infamante a ofensa, mais rápidas e melhores são suas futuras perspectivas luminosas. O inimigo absorve os pecados e as consequências deles, que cairiam sobre você.

Alguns de vocês se sentem desprezados por Swami na hora em que algum desapontamento ou problema sobrevém. Deem boas-vindas a tais atropelos, porque eles podem tornar mais firme sua fé. Quando você quer pendurar um quadro sobre um prego fincado na parede, sacode o prego e constata se ele está firme bastante para aguentar o peso do quadro. Não é? Da mesma forma, o prego que é o Nome de Deus, fincado na parede que é o coração, tem de ser sacudido mediante uma ou duas adversidades."

(Sathya Sai Baba - Sadhana O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 84/85)


SARVA YOGA - O YOGA DA YUGA (6ª PARTE)

" (...) No capítulo anterior, sobre o Tantra, está dito que para cada yuga (era) foi determinada uma forma apropriada de Yoga. Para nossa era (kali yuga), tão infernizada pela maldade e maculado por perversões e injustiças, tão exuberante em hipocrisia, irretidão e choques conflitivos, cantar ou recitar devota e persistentemente o santo Nome de Deus é o sadhana mais indicado, mais ao alcance de todos. Sai Baba, em um de seus discursos, afirma:
Os Avatares nas quatro yugas encarnaram para ensinar o que era apropriado a cada uma: dhyana (meditação) para a krita yuga; tapas (penitência) para a tetra yuga; upasana (adoração) para a dvapara yuga. O amor ao Senhor é comum a todas elas. (in Sanathana Sarathi, vol. 34) 
A sagrada escritura Shrimad Bhagavatam já afirmara há cinco mil anos:
...não obstante seja a kali yuga um oceano de erros, há ainda uma boa qualidade nela: pelo simples cantar Hare Krishna (o maha mantra), pode-se alcançar a libertação do cativeiro deste mundo material a ser elevado ao Reino Transcendente. (Canto 12, 3:51) 
Esta verdade é universal, tanto que todas as formas de religiosidade, nestes últimos séculos, já a intuíram e a seguem. Os rosários a serem passados entre os dedos enquanto os devotos repetem preces curtas, mantras, ou somente o Nome preferido, fazem parte de várias religiões. Os cânticos devocionais assumem aspectos particulares de acordo com a cultura, mas há séculos estão sendo entoados em templos, sinagogas, igrejas e também nas ruas. Os cânticos são entoados, seja pelas assembleias (samkirtans) de devotos ou individualmente. Um devoto Hare Krishna, por exemplo, deve, ao longo do dia, repetir 16 vezes o japa mala, com 108 contas, isto é, recitar o Maha Mantra (Hare Krishna, Hare Krishna...) 1.728 vezes, além de tomar parte nos canos congregacionais. Os devotos de Sai Baba devem constantemente praticar namasmarana, que é a repetição do Nome, qualquer Nome (Jesus, Jehovah, Allah, Vishnu, Sathya Sai...). Devem também associar-se aos cantos devocionais coletivos (bhajans) entoados em qualquer idioma em adoração a qualquer uma das muitas Formas de Deus. Ele estimula:
Cantem bhajans com fé, entusiasmo. Que toda a cidade reverbere com a devoção que vocês põem em cada Nome que cantam. O Nome promove o companheirismo e estabelece a concórdia, aplaca todas as tempestades e outorga paz. (Discurso em Bangalore, em 10/07/59)
Hoje estamos levando a termo os Cantos Devocionais Contínuos. Isto é feito não para o bem de um indivíduo, de uma nação ou comunidade. Faz-se pelo bem-estar de toda a humanidade. Os cantos devocionais saturam o éter, na forma de ondas que enchem a atmosfera inteira. Desta maneira, todo o ambiente se pacifica. Ao respirar nesta atmosfera imaculada, nossos corações também se limpam... Cantar o Nome do Senhor deve converter-se num exercício de compartir mutuamente a felicidade e a santidade... (Prashantihi Nilayam, em 08/11/66). (...)"
(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 143/144)
www.record.com.br


segunda-feira, 24 de junho de 2013

DEUS SUPREMO ATRAI A ALMA INDIVIDUAL PARA SI MESMO (1ª PARTE)

"Paramatma atrai jivatma, isto é, Deus Supremo atrai a alma individual para Si mesmo. A afinidade entre eles é da natureza de ambos, pois um é o outro. São como o ferro e o imã. Se o ferro, no entanto, estiver sujo, coberto com camadas de lama, o imã não o pode atrair. Remova o impedimento. Isto é tudo que você tem a fazer. Cintile em sua natureza real, e o Senhor o atrairá a Seu Seio. Crises e tribulações são os meios para conseguir tal limpeza.

Exatamente como a cana não pode dar o caldo a menos que seja esmagada, como o sândalo não dá a pasta fragrante a menos que seja triturado sobre a pedra, a bondade de uma pessoa não eclodirá, a menos que esta atravesse dificuldades e suporte os traumas do mundo. Da falta de paz (asanthi) você alcança Prasanthi (Paz Suprema); de Prasanthi alcança Prakanthi (Grande Luz); de Prakanthi alcança Paranjyothi (Eterno Esplendor). É como a alternância noite/dia, como a sucessão alegria/tristeza. Dê boas-vindas aos desapontamentos porque eles temperam e testam sua fortaleza. Os padecimentos o atraem para mais perto de Deus, pois fazem você clamar por Ele. 

Ame Deus, não obstante as tribulações que o possam alcançar. Ame-O embora recusado e criticado, porque é somente no crisol da tribulação que o metal é purificado e libertado de suas máculas. 

Os Santos Javadeva, Tukaram, Kabir, Gouranga, Ramakrishna e Ramadas tiveram todos que atravessar tribulações e tragédias para que pudessem ver Deus e n'Ele mergulhar. Conquistaram altares permanentes no templo da memória da humanidade. Vitupérios e elogios devem ser recebidos com alegre indiferença. Os próprios Avatares (encarnações divinas) não estiveram isentos de frágeis manobras de homens insignificantes. (...)"

(Sathya Sai Baba - Sadhana O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 83/84)


SARVA YOGA - KRISHNA ESCLARECE (5ª PARTE)

" (...) A maior autoridade para indicar qual o Yoga mais apropriado é sem dúvida Krishna, o "Eterno Condutor do carro de nossas vidas".
Fixe em Mim sua mente. Coloque em Mim seu intelecto. Então, daí por diante, portanto, você viverá, sem dúvida, somente em Mim. (in Bhagavad Gita, XI:8)
Você e qualquer ser humano comum poderá questionar: Como posso eu chegar a tal perfeição? Como unidirecionar minha mente e meu intelecto rebeldes, se eles estão sempre fluindo, fugindo? Isto é Yoga para quem pode. E eu ainda não "posso". Krishna, parecendo ler o pensamento do leitor, volta magnanimamente para ajudar e propõe:
Se você também é incapaz de fixar firmemente em Mim sua mente, então, pelo Yoga da constante prática, procure chegar a Mim... (XII:9)
Ora, o Yoga da constante prática (abhyasa) já não é tão difícil. Consiste em você tentar manter a mente no Divino, mesmo enquanto engajado em atividades profissionais e sociais, pois há momentos para lembrar-nos de Deus mesmo enquanto nos relacionamos com o mundo objetivo. Haverá, no entanto, ao longo do dia, alguns momentos em que possamos desconectar-nos do ambiente, isolarmo-nos num lugar e então tratarmos de manter-nos mentalmente ligados a Deus, embora a mente normalmente doidivanas, inquieta e obstinada, venha a criar dificuldade e distrações. Abhyasa consiste em insistirmos fazendo-nos permanentes fiscais dos movimentos dela (a mente), com o propósito de, sem esforços e brigas, impedi-la de divagar, desejando fixá-la em Deus. Quando notarmos que já anda longe de onde deveria estar, com muito amor e paciência, tratamos de trazê-la de volta ao Divino. Isto é abhyasa ou a "constante prática". Ao correr do tempo, algum dia você conseguirá fazê-la parar em Deus. Namasmarana ou constante repetição do Nome* é uma deliciosa forma de trazê-la para Deus. Numa demonstração de ilimitada misericórdia, Krishna mais uma vez insiste em nos ajudar:
Se você é incapaz mesmo de praticar Abhyasa Yoga, então pratique suas ações em Meu proveito. Mesmo pela prática de suas ações em Meu proveito, você atingirá a perfeição. (XII:10) 
De misericórdia em misericórdia, o Divino Senhor sugere outras formas de Yoga cada mais mais acessíveis aos aspirantes que, embora sinceros, ainda enfrentam impossibilidades:
Se você ainda é incapaz de fazer mesmo isto, então busque refúgio em Mim. Autocontrolado, renuncie aos frutos de todas as ações. O conhecimento é, deveras, melhor que a prática. A meditação é melhor que o conhecimento. A renúncia ao frutos da ação é melhor que a meditação. A paz imediatamente sucede à renúncia. (XII:11 e 12) 
O Divino Senhor deixou assim muito explícito que a renúncia aos frutos da ação e a abnegação produzem imediatamente a paz, não obstante ser tão simples, tão fácil e tão extravagante aos olhos de certas terapias modernas. (...)"

* Qual o nome? Aquele que o devoto preferir dentre os inumeráveis Nomes do Senhor: Cristo, Allah, Krishna, Jehovah, Vishnu, Baha'u'láh... O importante é, tendo optado por um deles, jamais o trocar por outro, num ato de deslealdade. 

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 141/142)


domingo, 23 de junho de 2013

CARMA E DESTINO (3ª PARTE)

" (...) Com efeito, há casos individuais de vitória sobre o Destino. Um senhor entendido nas leis do mentalismo e da astrologia verificou, pelo horóscopo de sua senhora, que em determinada data devia ela sofrer acidente de automóvel de consequências gravíssimas, talvez mortais.

Como se sabe: "Astra inclinant, non necessitant". (Os astros inclinam, não obrigam). Pois bem, desde esse dia, ele começou a mentalizar que sua senhora não sofreria tal acidente. Quando se aproximou a data fatídica, procurou evitar que ela saísse à rua. Mas o Destino, ou seja, o Carma, sempre se fez sentir. Na época prefixada, houve necessidade de ela sair à rua e foi atropelada. O acidente, porém, foi mínimo, causando-lhe apenas leves escoriações.

Esta história pode ter diversas interpretações: coincidência, acaso, falsa interpretação da leitura astrológica, a qual significaria acidente leve e não grave, conforme foi interpretado. Mas não se irá julgar por um caso isolado, pois os cultores da astrologia conhecem muitos análogos. 

A muitas pessoas se afigura inexplicável a morte de fetos, de recém-nascidos, de crianças em tenra idade. Isso acontece por motivo de dívidas cármicas da criança e dos pais. Estes pagarão, pelo sofrimento físico e moral, a perda de um filho que nesta encarnação desejaram, mas que em outra, por exemplo, foi criança aceita por obrigação, não desejada e maltratada. O recém-nascido e o feto que morrem, sofrem pelo esforço que toda encarnação exige e causam dor aos pais. Estão todos saldando dívidas cármicas.

Outras vezes a pessoa nasce para morrer após uma existência mais ou menos curta e vai reencarnar-se na mesma família. Isto se dá para certos ajustamentos cármicos de indivíduo para indivíduo e porque o nascimento obedece a certas leis e tem que se dar em ocasiões determinadas, conforme a conjunção astrológica. 

A morte intervém no mecanismo cármico, como fator da mais alta importância. Mas nem sempre deve ela ser considerada indesejável, pois pode marcar o início de vida ainda mais fecundada na prática do bem, nos planos superiores."

(Alberto Lyra - O Ensino dos Mahatmas - IBRASA, São Paulo - p. 213/214)


SARVA YOGA - YOGA PARA QUEM PODE (4ª PARTE)

"A Sarva Yoga, um sistema formado pela sinergia de todos os sistemas, é a opção mais sábia para os que desejam investir suas vidas na conquista do Eterno Onipresente. Um indivíduo de temperamento artístico, sendo mais sensível e sentimental, naturalmente se sentirá mais atraído pela Bhakti Yoga, que o ajudará a reeducar sentimentos e emoções. Um desses tensos, agitados e produtivos executivos, provavelmente se sentirá mais à vontade praticando Karma Yoga e Hatha Yoga. Para um cientista ou intelectual pesquisador, provavelmente lhe será mais fácil o caminho da Jnana. Na prática do Sarva Yoga, cada um deverá aderir ao sadhana que lhe seja mais adequado, não negligenciando porém a prática concomitante dos demais. 

Convém-nos sempre adequar aquilo de que precisamos, ou que pretendemos, com aquilo que podemos. Isto me induziu compreender a existência de dois principais sistemas de Yoga: (a) a Yoga para quem precisa; e (b) a Yoga para quem pode ou merece. Obviamente é prudente começar pelo primeiro, tomando-o como um degrau, mas sem perder de vista, nem por um instante; o segundo, escolhido como objetivo mais alto e essencial a ser alcançado em hora oportuna do futuro. Um estressado executivo, por exemplo, "precisa" de harmonia, serenidade, relax, saúde, lucidez; "precisa" libertar-se da dependência aos medicamentos, mas também vencer o distresse, isto é, seus infernais sintomas neuróticos. Neste caso, o mais urgente será a prática de Yogaterapia (Hatha Yoga e Yoga para Nervosos). Este é o Yoga de que ele "precisa". Passado algum tempo, já suficientemente sadio e motivado, começa a "poder" iniciar-sem em Raja e Jnana Yoga, sem largar as práticas yogaterápicas. Por seu temperamento (gunas) e suas predisposições kármicas (vasanas e samskaras), lhe fará bem praticar Karma Yoga. 

A Bhakti Yoga, conforme vimos, é o sistema acessível a qualquer pessoa, sendo por isto o indicado pelos Mestres e pelas escrituras para a Kali Yuga. Dentre suas técnicas, a namasmarana (repetição do Santo Nome de Deus), sendo agradável e fácil e principalmente tendo ilimitado poder divinizante, é um abençoado sadhana para quem "precisa". Qualquer pessoa pode repetir o Nome do Senhor. Que o faça regularmente e constatará excelente resultado. (...)" 

(José Hermógenes - Iniciação do Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 140/141)


sábado, 22 de junho de 2013

CARMA E DESTINO (2ª PARTE)

" (...) Tudo o que somos é, pois, consequência de nosso passado e seremos aquilo que prepararmos no presente. 

Indivíduos que nascem com defeitos físicos, praticaram atos de crueldade para com seus semelhantes em outras encarnações. Certos tumores malignos, que sobrevêm em idades mais avançadas, são resultantes de magia negra, que foi muito praticada na Atlântida. O indivíduo que hoje é quase um santo, já foi mau e perseguidor em existências muito longínquas e só depois de muitas encarnações vai saldar dívidas cármicas. Quantos justos condenados, porque todas as aparências confirmam um crime ou um ato doloso que não praticaram?

Em passadas encarnações, o justo de hoje praticou crimes, lesou a seus semelhantes, tendo passado toda a existência impune e feliz. Agora recebe o troco. Há também carma adquirido por instituições, agrupamentos humanos, nações, e também o carma em conjunto de toda a Humanidade. Asim, há ocasiões de grande sofrimento coletivo, como a atual, que significam esgotamento cármico. A humanidade purificada e mais evoluída irá encontrar muito melhores condições de vida daqui a algumas centenas de anos.

Mesmo que o carma não seja certeza, para nós, procuremos viver de acordo com os elevados princípios espiritualistas. Só quem pratica o bem pode avaliar as satisfações morais que ele proporciona, embora poucas sejam as compensações materiais. Se ao praticarmos o bem, tivermos algumas desilusões, ponhamo-las na conta das grandes experiências e persistamos . 

Procuremos observar os fatos que se passam conosco e com os outros. Conseguiremos, indiretamente, nos certificar de que as leis espirituais são realidade. Diz um ditado popular: "Ninguém morre antes ou depois da hora." Isto é bem certo para a grande maioria dos indivíduos. Há casos de salvamentos milagrosos, inexplicáveis, em afundamentos de navios, em desastres de avião etc. Há também ocasiões em que, visivelmente, intervêm forças ou pessoas sobrenaturais, para salvar indivíduos de morte certa.

Afirmam os Iniciados que se pode vencer o Destino, ou seja, modificar as condições cármicas. Há prognósticos de morte por acidente, antevisão do momento da morte, que se confirmam. Por que? Porque as pessoas avisadas nada fizeram, ou nada puderam fazer, por ignorância ou por falta de vontade, para se contraporem ao Destino. (...)"

(Alberto Lyra - O Ensino dos Mahatmas - IBRASA, São Paulo - p. 211/213)


SARVA YOGA (3ª PARTE - II)

" (...) Sai Baba compara a mente a uma chave de fechadura. Se a girarmos para um lado, abrimos o Reino de Deus; se para o outro, fechamos. Pensar um pouco sobre isto é bastante para ver o quanto a Raja Yoga, aprimorando, purificando, administrando a mente e aquietando sua normal turbulência, contribui para o rendimento dos que trilham as sendas do amor devoção, da sabedoria e da ação. Refletindo mais um pouco, dá para compreender o quanto e por que o amor (bhakti), a sabedoria (jnana), a caridade lúcida (karma) e o cultivo do equipamento (hatha) sinergicamente asseguram a vitória aos que se decidem pelo Yoga de Patanjali. 

Já vimos como algumas técnicas fazem parte de diversas modalidades de Yoga. Mantra Yoga, por exemplo, enriquece todas as demais formas de Yoga. A Kriya Yoga, se bem que pareça um sistema à parte, sendo parte da Raja Yoga, não deixa de ser fundamental também nos outros sistemas, e, por seu turno, é constituída de devoção, busca do Ser e rendição ao Senhor, respectivamente, Karma, Jnana e Bhakti. O Yoga tântrico, conforme vimos, em seu aspecto dakshina ("mão direita") se confunde com diversos outros sistemas (Bhakti, Karma, Jnana, Mantra e Hatha). 

Os ocidentais vêm aderindo aos métodos Hatha e Tantra, enquanto - que pena! - negligenciam os demais. Por quê? Por verem a Hatha Yoga tão somente como uma excelente ginástica terapêutica, que emagrece, fortalece, recupera, mantém a saúde e prolonga a juventude, além de gerar paz e harmonia em nível psíquico. A Tantra Yoga, só pelo fato de ser conhecida como a "Yoga do Sexo"(?!), seduz imaturos adeptos.

O estudo e a prática das "outras Yogas" (Jnana, Bhakti, Raja, Karma), ampliando a sabedoria, santificando o amor, promovendo a compaixão e a caridade, iluminando a vida e deificando o homem, enfim, é que podem evitar que hatha yoguins degenerem para o narcisismo e para a idolatria de valores fugazes tais como a juventude, a força muscular e a beleza do corpo, e pode salvar os pseudotantristas de virem a se degradar em magos negros e alucinados libertinos, condenando-se portanto a arrasadoras frustrações. 

Aos que, por desinformação ou ingenuidade, se dispuseram a praticar somente uma das modalidades de Yoga, com exclusão das outras, fica a advertência sobre a probabilidade de frustração quanto a atingir a meta (a Yoga ou união com a divina perfeição potencial) e, o que é pior, sobre a probabilidade de um desenvolvimento assimétrico e deformante. O homem é um sistema holístico (sarva), portanto, sua reeducação não pode deixar de ser sarva. (...)"

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 139/140)


sexta-feira, 21 de junho de 2013

CARMA E DESTINO (1ª PARTE)

"Ao virmos ao mundo, trazemos as consequências do que fizemos em existências passadas. A família em que nascemos, as nossas características físicas, intelectuais e morais são resultantes diretas de ações pregressas.

Um elemental constrói o nosso corpo físico com o material cedido pelos pais, de acordo com o molde etérico pré-formado. Assim é determinado o nosso Carma físico, para a encarnação que se inicia. As ações de vidas passadas nos planos mais elevados, também se fazem representar na vida presente. Elas constituem uma forma pensamento no plano mental, a qual nos influencia diretamente e age sobre nós nas ocasiões devidas. O mecanismo de sua ação é o mesmo das formas pensamentos habituais. Quando pensamos, por exemplo, em alguma pessoa, o nosso pensamento cria uma forma astro mental que vai planar sobre a pessoa focalizada. Esta será ou não influenciada pela forma pensamento, de conformidade com a correspondência vibratória. Se o pensamento for de bondade e a pessoa não tiver qualidades vibratórias correspondentes, a forma ficará planando sem atuação. Desta maneira as formas pensamento agirão de conformidade com a sintonia de vibrações. 

Ora, a forma pensamento cármica está em perfeita articulação com o ser a que corresponde e descarregará sobre ele vibrações geradoras de sofrimentos físicos ou morais, ou poderá envolvê-lo por uma aura de bem-estar e alegria. Influenciado diretamente por esta forma pensamento, o indivíduo é encaminhado a diversas situações, até a última que porá fim à sua existência. Mas ele pode subtrair-se às influências maléficas dessa forma pensamento. Há grande elasticidade nos mecanismos cármicos, desde que o indivíduo tenha desenvolvido o seu saber e a sua vontade. Só o ignorante viverá ao sabor das circunstâncias e será, de fato, escravo do Destino.

O livre-arbítrio, embora relativo, existe. Quanto menos ignorantes formos e quanto melhor soubermos pôr em ação a nossa vontade, mas livres seremos. Há indivíduos cujo grau de evolução lhes permite ver todo o passado e o futuro, em consciência vigílica. Devido ao conhecimento que têm poderão modificar o futuro, anular por meio de ações contrárias, no sentido do bem, o mal que fizeram em vidas passadas e que lhes iria acarretar algumas consequência dolorosa na existência atual.

O homem comum também vê o seu passado, tem antevisão do futuro e torna as suas decisões a respeito, porém antes de nascer. Frequentemente escolhe as condições da próxima encarnação e procura se revestir de coragem para suportar os sofrimentos que anteviu e a provação cármica que aceitou. Por isso mesmo, há pessoas boas e puras, que sofrem muito. Este sofrimento foi por elas escolhido, a fim de esgotar mais rapidamente o carma. Mas como só praticam o bem, não semearão sofrimentos futuros e assim estarão preparando um destino feliz. (...)"

(Alberto Lyra - O Ensino dos Mahatmas - IBRASA, São Paulo - p. 210/211)


SARVA YOGA (3ª PARTE - I)

"Somente por conveniência didática são mencionados sistemas de Yoga diferentes. Em realidade, Raja, Hatha, Jnana... não são separados e estanques, mas, ao contrário, mutuamente se interpenetram e se completam. Falando de outra maneira, constituem uma prodigiosa "sinergia" (diferentes energias cooperantes). Yoga é, portanto, um perfeito sistema único de ilimitado poder, atuando como um só. Há somente um Yoga verdadeiro: a Sarva Yoga, que age sobre a totalidade (sarva) dos homens. 

A Bhakti Yoga, isto é, a devoção, a sublimação da afetividade, a vivência do amor divino e divinizante (prema), evita que o praticante de Jnana Yoga, em sua busca da Verdade, resvale para um brilhante intelectualismo pedante, mas infecundo. A teologia é um respeitável esforço intelectual para conhecer Deus. A teofania, isto é, a deificação, exige também amor devoção. Por sua vez, uma abordagem mais lúcida e profunda da Verdade (Jnana Yoga) impede que um devoto seja apanhado pela escuridão do fanatismo e da superstição.

O amor (prema) pode mover a Divindade a desnudar-se aos olhos suplicantes de um devoto perfeito. A Verdade Suprema não consegue ocultar-se de quem efetivamente A ama.O amor, portanto, conquista jnana, A verdade que liberta. 

A Karma Yoga é a devoção do bhakta a expressar-se em serviço ao próximo, e deve ser inspirado por sua visão da unidade fundamental de todos e de tudo. O karma yoguin, na prestação de serviço (seva) aos necessitados, por certo conquistará acesso à sabedoria (jnana), isto é, dar-se-á conta da Divina Realidade como Essência dos pobres aos quais ajuda, a mesma essência que a sua. O jnanin, sabedor de que ele e o outro são um só e mesmo Ser, não pode ficar alheio às carências e aos sofrimentos em torno de si. É assim que expressa seu amor e encontra sua paz no serviço que presta. 

A prática de Hatha Yoga, por sua vez, oferece ao pesquisador da verdade (jnanin), ao amante do Divino (bhakti), àquele que disciplina sua mente (raja yoguin) e ao dedicado esforçado servidor (karma yoguin) um processo para afinar, energizar, harmonizar, finalmente otimizar os "veículos" indispensáveis ao avanço nos caminhos que devem percorrer, propiciando saúde, resistência à fadiga e às doenças, energia e serenidade, tudo enfim de que precisam para vencer desafios e canseiras e superar obstáculos. Fragilidade e dor, desconforto e fadiga psicossomáticos comprometem seriamente qualquer sadhana. Bendita Hatha Yoga! (...)"

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 138/139)


quinta-feira, 20 de junho de 2013

O SER É SEU SALVADOR

" (...) verdades profundas não se destinam a inspirá-lo por um breve momento, mas devem ser assimiladas e postas em prática para seu maior proveito. Se ao menos as pessoas soubessem o que é melhor para elas! Para quem se comporta mal, o Ser é um inimigo. Ajude o Ser e Ele o salvará. Não há outro salvador, além do seu Ser.¹ Os grilhões da ignorância e dos maus hábitos o escravizam. Você sofre porque teima em seguir os maus hábitos. Se ao menos pudesse imaginar como seria sua vida um pouco mais adiante, para que o tempo, o precioso tempo que lhe resta, não seja gasto infrutiferamente! Os hindus costumam dizer: "A criança está ocupada com folguedos; o jovem, com sexo; e o adulto, com preocupações. Quão poucos se ocupam com Deus!"

Expulse a esperança ilusória de que a felicidade virá de aquisições mundanas. Prosperidade não é tudo, "boa vida" não basta. Você quer ser eternamente feliz. Apodere-se de Deus dentro de você e saiba que o Ser é a Divindade. Você deve ser capaz de responder, sem hesitar, à suprema indagação de sua inteligência: "De onde vim?"

Deus e imortalidade não são mitos. O mais grave insulto ao Ser dentro de você é morrer acreditando ser uma criatura mortal. Até quando se permitirá - você, filho de Deus - ser ceifado, indefeso, pela foice da morte, porque nunca tentou, durante a vida, vencer maya, ² a ignorância?"

¹ "Que o homem eleve o eu (ego) pelo eu, que o eu não se degrade. Para aquele cujo eu (ego) foi conquistado pelo Ser (a alma), o Ser é o amigo do eu; mas, em verdade, o Ser comporta-se de maneira hostil, como um inimigo, para com o eu que não foi subjugado" (Bhagavad Gita VI:6).

² Ilusão cósmica: "a medidora". Maya é, na criação, o poder mágico que apresenta, visivelmente, limitações e divisões no Imensurável e Indivisível. No plano e jogo (lila) de Deus, a única função desse poder ilusório é lançar um véu de ignorância sobre o homem, a fim de desviar sua percepção do Espírito para a matéria, da Realidade para a irrealidade. 

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 09/10)


SARVA YOGA - O HOMEM HOLÍSTICO (2ª PARTE)

" Cada ser humano é um complexo e vasto sistema.* Hoje se fala em "homem holístico". Sábia noção que não é de agora. O termo holístico vem do idioma grego - holos - que significa total, inteiro, integral. O século passado, dominado pela miopia materialista mecanicista, só via o componente material do homem e, além deste, apenas um comportamento psicológico, assim mesmo predominantemente determinado pela matéria. De uns tempos para cá, principalmente a Medicina, vencendo empedernidos dogmas, redescobriu a milenar concepção do homem psicossomático. Ainda mais recentemente, a Ciência, em particular a Física, conseguiu vislumbrar o modelo holístico do homem, entendendo-o em sua imensa totalidade, que transcende em muito o sistema psicossomático até agora em voga. Pois bem, há mais de cinco milênios o Yoga vê o homem como um prodigioso sistema de amplidão estonteante, participando de diversos níveis existenciais, desde o da pesada densidade de seu organismo físico ao transcendente Espírito, o  Ser Real e Eterno (Brahman), que é sua verdadeira e última Essência. A cosmovisão dos vedas sempre foi, é e será holística. O termo sânscrito sarva, comunicando a ideia de totalidade, é sinônimo do termo grego holos."

* O microcosmo é igual ao macrocosmo. O que está em cima é igual ao que está embaixo.

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 135/136)


quarta-feira, 19 de junho de 2013

UTILIZE O CONHECIMENTO/EXPERIÊNCIA ADQUIRIDOS PARA RESPONDER AOS QUESTIONAMENTOS DA SUA EXISTÊNCIA

"Há quatro respostas à caça das quais o homem se deve empenhar: "Quem sou eu?" "De onde vim?" "Para onde vou?" "Por quanto tempo ainda estarei aqui?" Os quatro Vedas oferecem tais respostas. Toda pesquisa espiritual começa com estas perguntas e tenta chegar às respostas. Suponha que uma carta posta na caixa do correio não leve o endereço para onde vai e nem de onde veio. Por certo não chegará a nenhuma parte. Escrevê-la foi puro desperdício. De igual forma, é desperdício ter nascido neste mundo sem saber de onde se veio e para onde se vai. A carta irá para a posta restante. O jivi* será presa do círculo de nascimentos e mortes sem nunca se encontrar. Para evitar isso (tal desperdício), é necessário praticar atmavichara **, e para obter respostas corretas, é essencial o sadhana (disciplina). As respostas devem fazer parte da experiência de cada um." 

* Jivi é a alma individual, que está presa à roda de samsara (círculo de reencarnações), mas da qual se deve libertar
** Atmavichara - Atma, a Centelha Divina que é consciência e vida em todo vivente, vichara, pesquisa, inquérito, busca. Atmavichara é o libertador inquérito sobre nosso verdadeiro Ser, isto é, o Atma. Na prática de atmavichara  procuramos descartar-nos do frustrador embuste que nos convence de que "eu sou fulano". Na realidade, cada um de nós é Atma, mas está padecendo a ilusão de ser "fulano", um ahamkara (um ego pessoal). 

(Sathya Sai Baba - Sadhana O Caminho Interior - Ed. Nova Era , Rio de Janeiro - p. 39/40)


SARVA YOGA - O MELHOR SISTEMA DE YOGA (1ª PARTE - II)

" (...) As pessoas nas quais predomina o atributo sattva são inteligentes, harmoniosas, sábias, serenas, puras, Para elas, Jnana e Raja Yoga não são difíceis como o são para as outras. Os agitados e apaixonados indivíduos rajásicos se encontrarão mais à vontade na prática do Karma Yoga. Os tamásicos, com a ajuda principalmente da Hatha Yoga, adquirem mais energia para vencer a inércia, a ignorância e a apatia que tanto os retêm. Também com Hatha Yoga pessoas rajásicas (tensas e instáveis) podem acrescentar alguma dose de sattva a seu temperamento e à sua conduta, vindo a se tornar serenas, autocontroladas e mais felizes. 

A personalidade de uma pessoa não é suficientemente definida somente pela conjugação dos seis componentes acima citados. Ainda a influenciam consideravelmente um exame dos chamados vasanas e samskaras, isto é, tendência e impressões sutis depositadas nos níveis insondáveis da mente, pelos karmas (ações) ao longo de vidas e vidas. Dos abismos profundos da mente eles tecem intrincada contextura de tendências, inclinações, predisposições, vocações, talentos inatos, caracterizando assim um particular perfil personológico predisposto a este ou àquele sistema de Yoga. 

Convém aqui refletir também sobre o que dizem os textos tântricos (...), que classifica os aspirantes em três biotipos: (1) os pasubhava, animalescos, dados à liberalidade e libertinagem; (2) os virabhava, heróicos, aos quais são recomendadas a Bhaktie a Karma Yogas; e (3) os divabhavas, luminosos, áureos, capacitados para a Raja Yoga e Jnana Yoga. 

Quantos outros fatores ainda pesam na constituição de um indivíduo, desenhando sua personalidade, seu caráter: fatores sociais, étnicos, astrológicos, culturais... Sei lá! Cada ser humano é uma incógnita. Como definir qual o sistema de Yoga mais apropriado a alguém? (...)"

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 136/137)


terça-feira, 18 de junho de 2013

CRISTO: "O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA"

"Para muitos cristãos, os eventos históricos da vida de Cristo e sua interpretação bíblica formam a base de sua religião. Para aquele misticamente orientado, porém e, na verdade, para toda alma humana, é Cristo como o revelador da sabedoria universal, como aquela própria sabedoria, que oferece a maior atração. Ele não é somente uma figura histórica. Ele é “o caminho, a verdade e a vida”.¹ Se conseguimos obter pelo menos um único relance daquela luz que é o Cristo Universal, nossa vida muda: ela é a Luz de Cristo, antiga, mas sempre nova, que cada instrutor traz para o mundo. Eles são poderosos Salvadores, mas a Luz é ainda mais poderosa do que Eles. Esse é o coração do cristianismo, bem como o de todas as outras verdadeiras religiões, e nessa verdade todas as crenças são UMA.

Esse lampejo, que é a união com o Cristo Universal, é a meta da vida religiosa. O Instrutor o traz mais perto, torna-o mais facilmente ao alcance da consciência em todos os reinos da natureza. Essa experiência pode ser obtida deliberadamente, porque sua realização é governada por leis tão exatas como as que o químico deve obedecer no laboratório.

“A Europa tem uma religião que satisfaz o coração, mas não sua cabeça e uma filosofia que satisfaz sua cabeça, mas não seu coração.” A Teosofia, ou o cristianismo místico, atende a essa necessidade. Ela mostra as leis e o caminho para a esplêndida visão que, quando alcançada, ofusca todo o brilho do mundo para os felizardos que vêm. Essa experiência e o anseio por ela, pois ela é uma paixão perdida no mundo, perdida porque submergiu na experiência física e seu anseio. O mundo sente saudade da espiritualidade; ele vagou tão longe que se esqueceu de sua casa.

A função da religião é restaurar aquela memória e mostrar o caminho de volta para casa. Em vez disso, ela insiste em questões de fé e aprisiona os homens no controle das crenças, cega-os espiritualmente pelo medo que as ameaças de condenação despertam nos ignorantes. A tragédia é que as crenças não têm absolutamente nenhuma importância e a visão é de suma importância na verdadeira religião.

Ó, padres! Como vocês falham, apesar das boas intenções. Cada história da vida do Mestre brilha com a luz verdadeira. A Bíblia não é um livro de palavras; é um raio do sol espiritual, brilhante e vivo. Doador de luz; portador de luz, e acima de tudo uma chave para as portas da prisão.

Tornem-se intérpretes. Essa é a função de vocês. O homem espiritualmente cego vai apressadamente de madrugada para o mercado em busca da riqueza e nunca vê os diamantes do orvalho brilhando em cada folha de grama. Tornar-se um intérprete da sabedoria e da verdade para os homens, um despertador da sabedoria e da verdade dentro do homem, esse é um trabalho verdadeiramente religioso, verdadeiramente cristão e verdadeiramente digno."

1. Jo. 14:6

(Luz do Santuário - O Diário Oculto de Geoffrey Hodson - Compilado por Sandra Hodson e traduzido por Raul Branco - p. 51/52)

SARVA YOGA - O MELHOR SISTEMA DE YOGA (1ª PARTE - I)

"É compreensível que, após conhecer embora superficial e resumidamente a proposta do Yoga, o leitor inteligente sinta o forte apelo do "essencial da vida". A partir daí será natural que indague: em qual das modalidades devo me engajar? A situação é a de quem, já sabendo onde deve chegar, precisa optar pelo melhor caminho. Pode ser também que, mesmo sem pretender engajar-se na prática, alguém, até por mera curiosidade intelectual, deseje saber qual é o melhor sistema de Yoga. O caminho (marga) da sabedoria? O da ação? Da devoção? O caminho do controle mental? Para você se unir com Deus, o método mais eficiente, direto, fácil, livre de riscos, menos oneroso e no qual a presença objetiva de um Mestre não seja indispensável é seguramente aquele que mais atende à sua natureza, isto é, a você como um sistema holístico, consideradas as características físicas, energéticas, psíquicas e espirituais. 

As escrituras hindus dizem que o jivatman (a alma individual) é uma trindade formada por: (1) iccha (capacidade de querer); (2) jnana (capacidade de saber); e (3) kriya (capacidade de agir). Por conta de normais limitações impostas pela matéria, elas se traduzem respectivamente em: (1) inquietantes desejos; (2) parcos conhecimentos medíocres; (3) e egocentrados afazeres. A personalidade de cada ser humano é mercada pela predominância de uma dessas dimensões sobre as outras duas. Uns são (1) mais ambiciosos e apegados; outros, (2) mais estudiosos e perquiridores; e outros, finalmente, (3) mais ativos. Onde você se enquadra?

Se você é do tipo (1), o caminho mais adequado, obviamente, seria dirigir seus diferentes desejos e apegos para Deus, cultivar a mais profunda devoção. Bhakti Yoga seria seu melhor caminho de realização. Se você é do tipo (2), acima de tudo aspira à sabedoria, mais apropriada lhe será a Jnana Yoga, que transformará conhecimento medíocre e limitado em vivência intuitiva. Se seu tipo é (3), de vida dinâmica, sempre empreendendo algo, a Karma Yoga, que direciona para o bem comum as ações normalmente egocentradas, transformando-as em oferendas a Deus, ser-lhe-ia o sistema acertado.

Você deve ter notado que usei o verbo condicional (seria). Por quê?

A escolha do caminho depende ainda de considerações sobre outros fatores, tais como os gunas. As mesmas escrituras hindus dizem que o mundo material inteiro com toda variedade de seres é constituído de três gunas, vale dizer, qualidades, propriedades, atributos: (1) sattva, o atributo de iluminar; (2) rajas, de ativar;e (3) tamas, de persistir, restringir e obscurecer. Igual ao universo, os seres humanos também são triguna, isto é, uma constelação dos três atributos ou gunas. (...)"

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 135/136)


segunda-feira, 17 de junho de 2013

TODO MUNDO É MEIO LOUCO

"O problema é que todos nós, como dizia Paramahansaji, somos meio loucos e não o sabemos; porque pessoas de excentricidades similares se juntam. Nenhum ser humano é realmente equilibrado até vir a conhecer Deus. As únicas pessoas "bem-ajustadas" neste mundo são as que alcançaram a Autorrealização - e isso é o que todos nós estamos nos esforçando para atingir. 

Muitas pessoas são mentalmente desequilibradas, porém muitas e muitas são emocionalmente desequilibradas - emocionalmente aleijadas, emocionalmente imaturas. Não podemos negar isso. Parece-me que essa doença emocional é o principal problema da humanidade hoje. Um sintoma disso está evidente na maneira como as pessoas culpam, constantemente, as condições externas ou outras pessoas por suas inúmeras dificuldades. "Ora, se ela não tivesse feito isso ou se ela não tivesse dito aquilo, eu não estaria sofrendo hoje." Tolice! A falácia de tal raciocínio é uma lição que o Mestre, muito categoricamente, insistia que aprendêssemos.

Não culpe os outros pelo que você é. Sua situação é exatamente o que você mesmo criou. A afirmação "Você é o mestre de seu próprio destino" é absolutamente verdadeira. Você é o arquiteto de seu próprio destino. A dificuldade é que, em nossa ignorância, não soubemos controlar nossas fraquezas humanas e, portanto, pusemos em movimento aquelas formas de comportamento que nos trouxeram os efeitos adversos que hoje experimentamos. Perceber essa verdade é sinal de amadurecimento da maneira de pensar. Favorece nosso crescimento emocional. Estou realçando isso porque a atitude correta em relação a nossos problemas é uma necessidade básica de todos. 

Todos nós temos de crescer, e crescer significa reconhecer nosso verdadeiro Eu e nos comportarmos como tal: "Não sou este indivíduo emocional!. Não sou esta pessoa assustada e lamurienta. Não sou este fraco inseguro. Sou parte de Deus." Guruji nos diz que, pela prática da meditação regular e seguindo as regras espirituais que ele descreveu, perceberemos quem realmente somos. Quando ficarmos plenamente conscientes de Deus, quando nossa consciência se unir com a consciência divina, só então saberemos." 

(Sria Daya Mata - Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 36/37)


CARMA, LEI CÓSMICA (PARTE FINAL)

" (...) O sofrimento nem sempre é útil e pode mesmo ser quase totalmente inútil, quando não contribui para tornar o indivíduo melhor ou para levá-lo a considerar a vida sob aspecto mais elevado. Assim, há indivíduos que arrastam uma doença por anos e anos, a procurar a cura em consultórios médicos, em sessões espíritas, ou em santos milagreiros. De que valerá curarem-se, ou de que valeu o seu sofrimento, se a alma continuar doente, presa aos mesmos vícios, à mesma ignorância, aos mesmos preconceitos, ao mesmo egoísmo? A alma doente irá gerar novo corpo doente nesta existência ou em outras posteriores.

Igualmente, há indivíduos que se debatem em situações aflitivas, a procurar resolvê-las na parte material, sem procurar analisar a causa de seu sofrimento e, por isto, sem chegarem a compreender que a dor presente é o resultado do egoísmo e do desconhecimento das leis divinas. 

Conhecer o Carma intelectualmente muita gente o conhece; a maior dificuldade, porém, não está em conhecer a lei, mas em ter a convicção íntima de que ela existe, de que age. Assim, podemos dizer à criança de um ano de idade que não se chegue ao fogo, porque se queimará. Ela tem o conhecimento disto, mas não tem a certeza. Desde que se queime, nunca mais o fará, porque já tem a certeza de que aquilo acontece.

Da mesma forma, sabemos que o mal atrai o sofrimento e o bem atrai a felicidade. Sabemos que se infringirmos as leis divinas teremos o sofrimento, não por castigo ou vingança, no sentido literal do "olho por olho e dente por dente", mas como consequência inelutável de uma lei. Mas, não temos convicção disto e, esperamos também... encostar a mão no fogo e não nos queimarmos... Isto se dá mesmo na vida cotidiana, com assuntos materiais. Sabe-se que o fumo e o álcool fazem mal. Mas todos aqueles que fumam ou bebem, pensam que para eles nada acontecerá, ou procuram não pensar nas consequências de seu vício. Irão ter a certeza íntima e dolorosa, diante da úlcera de estômago, do câncer, do coração arrasado, do sistema nervoso abalado etc. ...

Numa existência, estamos, naturalmente, presos a uma série de contingências resultantes de existências anteriores. Nascemos com numerosas limitações físicas, intelectuais e morais, com dificuldades, econômicas dependentes do meio e da família em que nascemos. Ora, cumpre-nos colocarmo-nos na posição da pessoa que, embora reconhecendo suas limitações e dificuldades, procura superá-las, para não vê-las repetidas em outra vida. 

A evolução e o carma são leis divinas, cósmicas, as quais devemos conhecer e respeitar. Assim como se domina a natureza ao conhecer e obedecer às suas leis, o mesmo acontece com o carma."

(Alberto Lyra - O Ensino dos Mahatmas - IBRASA, São Paulo - p. 209/210)