OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


domingo, 19 de fevereiro de 2017

KARMA INDIVIDUAL E KARMA COLETIVO (4ª PARTE)

"(...) 2. Karma de Família. No Capítulo IV, tratando da hereditariedade, vimos como os membros de uma famí­lia se afetam mutuamente. O bom ou o mau Karma de um membro pode, às vezes, afetar toda a família, mas até que ponto afetamos uns aos outros não é possível a um mortal comum saber, pois esse relacionamento é de­masiado complicado. O Marajá de Bobhili diz 'que, a não ser que a pessoa tente destruir seu pecado paterno pelos seus bons atos, aquele pecado jamais deixará a fa­mília sem ser esgotado'. Tudo isso nos leva a pensar, pois mostra o quanto somos responsáveis para com a Huma­nidade em geral, e como devemos procurar a erradicação do mau Karma da Família, por amor da posteridade, e para a diminuição das suas cargas, pois, com toda a cer­teza, os 'pecados do pai serão censurados nos filhos'. Temos o poder de chamar a nós, voluntariamente, a car­ga da família e, por suportá-la, destruímos o mau Karma da Família. No Upanishad Kaushítaki, lemos: 'O filho liberta o pai do erro que cometeu', e diz que ele deve tomar para si o Karma do pai, quando da morte deste. Porque aquela porção de Karma que pertence à família e é suportada pelo pai deve, quando da sua morte, pas­sar para os membros remanescentes, porque não há Kar­ma da Família além da sepultura. Ele fica retido na vida astral e física. Suzuki diz: 'Uma pessoa pode dominar o mau Karma da sua família, e assim o mau Karma pode ser um meio para elevá-la. Suas virtudes podem obscurecer os males do passado e virar uma nova página para ele. Esse fenômeno espiritual é devido à virtude do upâya (meios favoráveis) do Dharmakâya (Deus).' O conhecimento de todos esses fatos é de alto valor virtual. Contém alimento para a reflexão, e podemos trabalhar para nós próprios pelas linhas de ação sugeridas através do que acima ficou exposto. Há espaço para que muita coisa seja dita e feita a propósito das muitas ramificações desse tipo de Karma. Não se deve pensar que o Karma da Família é injusto, porque, sem dúvida, o sofrimento que é engendrado pela família deve ter efeito de impedimento sobre o próprio mau Karma pessoal de um membro, de forma que não devemos resmungar, mas compreender que, esse sofrimen­to tem um bom propósito. Se assim não fosse, não nos teríamos encarnado na família em que estamos. Quando as lições que aprendemos vêm de uma família, a alma procura outra para o próximo renascimento. Isso se re­pete continuamente.

Há uma crença curiosa, mantida em certas regiões da índia. Os ancestrais mortos, que eles chamam de 'smasas', ou 'devoradores', são tidos como destruidores do bom Karma da pessoa que não for corretamente sepul­tada. Como surgiu essa curiosa crença? Não estará rela­cionada com o Karma, ou destino do corpo sutil ou Du­plo Etérico? Seria interessante retraçar essa crença até a sua origem. Há uma estranha passagem, ainda mais es­tranha por ser encontrada no Upanishad Kaushítaki. Diz-se que, entrando no Mundo Celestial, a pessoa despren­de-se de seu Karma, e os parentes que forem amados por ela recebem suas boas ações, enquanto os que não forem amados por ela recebem suas más ações. Bem se vê que este não é um mau sistema de nos livrarmos do próprio Karma! Mas o que há por trás disso? Há o seguinte: esse Karma de Família, tendo sido gerado pelas associações e interesses, etc., pertence à Família como um todo, e não aos seus membros em particular. Esse Karma permanece na Família sobre a terra. Assim, quando a pessoa morre, parte do Karma gerado pela Família permanece com os membros sobreviventes, e os que nos são mais queridos, por haver um vínculo harmonioso ou magnético estabe­lecido, receberão, naturalmente, o Bem, e os que não são queridos, ou não têm afinidade que os una, receberão o Mal. Mas isso, é natural, não deve ser tomado literalmen­te, porque ninguém pode dizer como o Karma da Famí­lia é realmente distribuído, e assim essas crenças são da­das pelo que valem. Ademais, o Karma pessoal de alguém pertence a esse alguém somente, e não pode ir para lugar algum. (...)"


(Irmão Atisha - A Doutrina do Karma - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 31/32

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